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 No vale das sombras

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: No vale das sombras   Ter Nov 25, 2014 4:36 pm

Escola Estadual de Ensino Médio Maria Fonseca, os alunos corriam pelo intervalo com suas farras insuspeitas. Aqueles mais novos formavam filas na cozinha para merendar, os mais velhos ficavam esparsos em pequenos conglomerados beliscando guloseimas na cantina. Assim era o intervalo, hora da merenda na maioria dos dias. Em meio àquela multidão de crianças festivas havia uma que não demonstrava tanto ânimo. Seu nome, Nathan Fernandes. Ele frequentava o sétimo ano pela terceira vez, havia desistido de outros dois colégios nos anos anteriores. Morava com sua mãe no bairro Jardins das Oliveiras, subúrbio da capital. Nathan tinha poucos amigos, se é que podemos chamar de amigo um vira-lata. Embora dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Ele vivia introspecto em seu mundo, transitava deste para o seu particular muitas vezes ao dia. O sinal mais comum dessa transição era seu isolamento social, onde ele criava uma barreira para se proteger dos inimigos invisíveis.

Estava Nathan lanchando. Sua mãe sempre lhe envia lanche natural todos os dias, queria poupar teu filho das gordices pré-aquecidos da estufa da cantina, visto que o alimento dado pela escola era de péssimo gosto. Mesmo alimentado e saciado Nathan comprava uma ou duas coxinhas, sua fome era sua válvula de escape, ele precisava se segurar firme, precisava de uma fuga, precisava comer.

Anselmo e Paulo estavam na cantina, ambos aguardavam pelo atendimento, Paulo notara que Nathan se fartava com as deliciosas frituras. Paulo cutucou seu amigo, Anselmo discretamente pegou a bisnaga de ketchup e desrrosqueou a tampa, Paulo entretia Nathan com alguma conversa fiada. Logo os garotos se afastaram, Paulo acionou a câmera de seu celular. Nathan numa fome ávida tornou a bisnaga sobre seu salgado, ao apertar, aquele conteúdo viscoso e vermelho derramou por toda a sua roupa, escorrendo pela camiseta e calça.  Os gritos e risadas invadiram sua mente perturbada. Paulo o filmava com o celular. Anselmo lhe apontava o dedo ridicularizando o chamando de gordo esfomeado. Dizia que a fome era tanta que agora comia pela barriga apontando para a camiseta manchada. Uma meia dúzia de outras crianças riam como em um coral ensaiado. Gargalhadas que ecoavam brandamente. Eram grito e mais gritos das crianças, que encurvadas apontavam para o garoto sujo. Ele mordia os lábios, seus olhos marejados e injetados entregavam sua decepção de cair mais uma vez naquelas tolices. Ele correu desajeitadamente para o banheiro. Olhando no espelho ele chorava, xingava, gritava burro por diversas vez. Jogava água sobre a mancha do uniforme. O sádico coral se aproximava, ele sabia que ainda não tinha acabado. Paulo chutou a porta vaivém e invadiu o banheiro, o garoto marrento soltava frases do tipo: Gordo covarde cadê você? Você não pode se esconder com esse tamanho todo! Anda boleta, apareça?

Os risos exagerados se faziam. Nathan estava no canto, atrás da última cabine, sua camiseta molhada colava em seu corpo, suas mamas ficaram evidentes e os zombeteiros continuaram a debochar. Insistentemente, entre xingos e tapas na cabeça. O chamavam agora de ama de leite. Nathan suportou aquela sabatina bravamente. O sinal suou, seu alivio era como o de um lutador preste a ser nocauteado quando é salvo pelo gongo. Os garotos se afastavam aos poucos, Nathan permaneceu ali o resto da aula, enrodilhado, chorando e se punindo. Com as enormes unhas ele rasgava sua pele. Se sentia enojado de sua fraqueza.


***


Mais um sinal. Este para o término da aula. Nathan correu para sua casa. Sua ausência não fora notada dentro da sala a não ser por Kelly, a garota magérrima. Ela percebeu os risos contidos na aula de história. Notou que os alunos compartilhavam via celular. E cada vez mais alunos se inteiravam da chacota. Então Kelly pediu ao colega ao lado para assistir o tal vídeo. Mais um ato de humilhação nas dependências do colégio. E como sempre o pobre Nathan era o alvo.

Nathan correu para casa, subiu as escadas para o seu quarto sem falar com sua mãe, Charlie o segui afoito. Ele correu para o banheiro. E lá ele entrou debaixo do chuveiro ainda vestido, esfregou freneticamente sua camiseta, mas a mancha não saia. Ele chorou mais uma vez, sentado no canto do banheiro. Sua mãe não o incomodou, já conhecia o caráter isolado do filho. Sabia só com o pisar dos passos dele que ele não estava bem, que sofrera. Sua mãe, ali na cozinha, apenas escutou o garoto correr para o piso superior. Uma lagrima escorria de seu rosto. Seu amado Nathan fora alvo mais uma vez.


Em seu quarto, Nathan sentou-se abraçando os joelhos, e ficou ali no canto escuro levemente iluminado por uma fresta da persiana. Charlie não via a hora dele chegar, assim que o garoto deu entrada na residência seu cachorro foi ter com ele, subiu a escadaria atrás de seu fiel amigo. Ficou plantado na porta do banheiro até Nathan sair. E ali no quarto o cão deitava pedindo atenção e carinho. Nathan esboçava um tímido sorriso, aqueles segundos parecia lhe envolver, retirando-o do infinito buraco negro onde habitava a maior parte de seu dia.


***


No dia seguinte Nathan demorou a se levantar, já estava tarde. Sua mãe decidira acordar o filho. No dia anterior ele não saiu do quarto, ficou lá fechado em seu mundo, onde só existia Charlie e ele.

Ela abriu a porta, os dois pratos com lanche que deixou para o filho ainda estavam lá sobre a mesinha, intocáveis. Na cama o garoto roncava. Parecia o sono dos justos. Sabia ela que ele passava madrugadas a dentro na internet e jogando seus games. Sua mãe retirou seu edredom, quando viu aquela perna toda laceradas e cheio de sangue. O garoto voltara com a praticar autoflagelação, um indício da piora em seu estado depressivo. Ela simplesmente o abraçou e chorou enquanto apertava seu filho.

Charlie estava ali deitado no carpete aguardando o despertar de Nathan. O garoto abriu os olhos e sua mãe o encarava com ternura e lamento. Ela lhe poupou, não sabia o que tinha acontecido e não tocou no assunto. Falou ao filho que se não quisesse não precisava ir ao colégio hoje. Nathan apenas assentiu e agradeceu com os olhos pequenos e sonolentos.


***


Um novo dia de aula. Pelos corredores do colégio as crianças se cumprimentavam amistosamente. Kelly foi a segunda a chegar na sala de aula, e lá sentada ela permaneceu atenta e obtusa. Iniciou-se a aula de inglês, e nem sinal de Nathan. A maioria só notou a ausência do garoto durante a chamada ao final da aula.

Nathan detestava aqueles garotos assim como os milhares outros que estudavam nos colégios por onde passou. Sua vida era fadada a isso. Odiar os colegas de classe. Por mais que ele tentasse buscar algo bom neles, suas memórias só apontavam os defeitos e as perversidades.

Sempre foi quieto e aceitava as "brincadeiras" na esportiva. Mas no último colégio a perseguição se dava tanto pelos alunos como pelos professores. Os alunos o zombavam pela sua aparência, os professores pela sua condição solitária, fazendo das horas de aulas, suas eternas horas de tortura.

Nathan saiu para passear com seu amigo, eles foram caminhando até o bairro comercial. Charlie estava na coleira. Nathan olhava aquela imensidão de transeuntes alheios ao resto da civilização. Cada um seguindo sua vida metodicamente sem se importar com o mundo a sua volta. Quase um bando de robôs. Retornou pra casa por volta das 11:30, passou pelas imediações do colégio onde estudava. Evitou a avenida principal, mas parece que o mundo era cruel com ele e sempre conspirava contra. Anselmo, Paulo e mais dois garotos caminhavam despretensiosamente, rindo e fazendo suas brincadeiras costumeiras. Nathan girou sobre os calcanhares, já ia se mandar quando Elizeu tocou no ombro de Paulo e apontou para frente. Os garotos começaram a gritaria. Nathan se pôs a correr, mas seu porte físico não lhe dava vantagens e logo foi alcançado pelos arruaceiros. Anselmo era o menor delinquente, como era conhecido, sempre usava de um palavreado esdruxulo, ele ofendia Nathan com seu arsenal de imoralidade verbal. Charlie latia para os garotos, seu dono tentava conte-lo, foi quando Paulo se aproximou e levou uma mordida. Charlie era um vira-lata de porte médio, apenas danificou a barra da calça do garoto. Mas a afronta fez o sangue de Paulo ferver, movido pela raiva ele chutou pelos menos umas três vezes o animal que gania desesperadamente, Nathan soltou a coleira de Charlie que sumiu em disparada. Os garotos zombeteiros riram, Nathan viu Charlie dobrando a esquina, puxava uma das patinhas e chorava. Nathan se enfureceu e então enfrentou Paulo, mas foi logo contido e desencorajado pelos outros três, ainda levou algumas bofetadas na cara pela afronta. Caído ao chão com e com o rosto ardendo ele buscava a esquina por onde Charlie correu. Se levantou e foi em busca de seu amigo. Andou algumas quadras, gritava seu nome, buscava em cada esquina ou beco ali próximo, mas não encontrou nada.

Desolado e ele foi para casa, avisou sua mãe sobre o sumiço de Charlie, claro que omitiu a causa da fuga do animal. Não queria encher ainda mais sua mãe com seus problemas. Ela o tranquilizou dizendo que os cachorros sumiam e reapareciam feito mágica, conhecem o caminho de casa esteja onde estiver. Foi então que Nathan relaxou.

Mais tarde o telefone tocou, Nathan o escutou, mas preferia se manter em sua reclusão. Sua mãe atendeu. A voz dela era firme, as palavras eram preocupantes, então uma voz embargada disse obrigado. Os passos pesados e arrastados na soleira dos degraus traziam más notícias. Nathan e abrigou debaixo das cobertas no canto embaixo de uma pequena mesa. Sua mãe invadiu seu quarto, seus olhos marejados e vermelhos ela abraçou o filho. Nathan se mantinha em uma postura de índio, oscilava para frente e para trás com a cabeça para baixo. Foi quando sua mãe lhe revelou a tal ligação. Seu amigo Charlie havia morrido atropelado. Alguém entrou em contato com o número fixado na coleira.

O mundo de Nathan ruiu, sua companhia se foi. Nada mais lhe prendia a esse mundo. Não confiava em ninguém, nem esmo em sua mãe que tanto lhe obrigou a ir naquelas sessões de torturas que chama de aulas. Ele odiava o mundo, e sua única ligação com o agradável se fora. Suas memórias com Charlie lhe atravessavam como balas a queima roupa. Doía, a dor da perda era sentida.


***


Um novo dia raiava, Nathan passou a madrugada chorando a perda do amigo, sua mãe não poderia ceder precisava despertar o filho para ir para a escola, ele não poderia perder mais um ano letivo. Já estava dois anos atrasados. Mas ela não o fez. Queria ele por perto, queria cuidar dele. Nathan não foi a escola durante toda a semana e nem na outra. Sua mãe lamentava cada lágrima derrubada por Nathan, ela sofria pelo filho.


Kelly interrompeu o silencio melancólico da casa dos Fernandes tocando a campainha. A mãe de Nathan veio até a porta recebe-la, não antes de lavar o rosto e se recompor. Ela abriu a porta e a bela menina magricela estava lá com um sorriso incógnito. Sem demora a dona do lar a convidou-a para entrar. Kelly foi conduzida até a sala, onde sentou em um delicioso e confortável sofá. A garota se espreguiçou e perguntou de seu amigo.

A dona estranhou. Não sabia que seu pequeno Nathan tinha um amigo, ainda mais menina. Ela se animou e prometeu ir busca-lo. Nathan foi receber a garota, ela o olhava, buscava seus olhos, mas Nathan os evitava. Ele só tinha visto aquela garota algumas vezes, sempre lhe sorria, mas ele imaginava ser mais uma das gracinhas dos alunos.

Sua mãe pediu ao garoto para conversar com Kelly, mas o mesmo se manteve inalterado, havia entrado em sua concha, estava submerso em um mar de óleo, de onde não se via e nem ouvia nada. Mas aqueles olhos lhe gritavam, ele não tinha coragem de encara-los, mas Kelly sabida da condição do garoto tomou a iniciativa. Se aproximou e tirou os cabelos louros da testa úmida de Nathan. Ele fitava seus dedos que se torciam, ela mirou a inquietude dos dedos dele por um segundo no segundo seguinte viu os olhos de Nathan voltar ao ócio. Ele a encarou por um segundo pensou Kelly entusiasmada. Então sorriu e lhe deu um beijo na testa. Se despediu e se foi. Nathan manteve os olhos em seus dedos.  Subiu para o seu quarto ao bater da porta da sala.


***



"A incapacidade e impotência nos levam a motivação, a infelicidade e o medo nos sugam a vontade de enxergar um novo dia, a Ilíada são para os fortes, a luta se faz pra quem é guerreiro - entrei nessa perdendo. Não consigo controlar a situação. Diante disto me entrego a ti anjo caído. Meu filho, espero que um dia me perdoe por não ter vencido essa luta. Mas eu tentei, eu lutei e Deus foi testemunha de minha vontade. Filho você ainda saberá o que é ser feliz. Te amo!"

Nathan leu o bilhete sobre o primeiro degrau da escada, encontrou sua mãe caída na sala, ela estava deitada, seus olhos abertos e sua língua estava roxa. Cartelas de remédios vazio estavam espalhados pelo carpete. Um litro de uísque vazio refletia a luz que invadia as janelas. Uma espuma branca e espessa vazava da boca dela.

O que restou ao Nathan se não um mundo de espinhos, ódio, rancor. Ele chorava, murmurava o nome de sua mãe, lamentava não ter tido com elas em seus momentos de crise. Quando foi interrompido pela campainha. Ele apenas olhou para a porta e ouviu a voz de Kelly.
Final
Final Alternativo:
 

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Ter Nov 25, 2014 9:24 pm

E lá vem essa pessoa inventar de ter final alternativo... Isso é sacanagem com quem tem um final só.
Rsrsrs

Mas vamos ao que importa.
Embora eu não seja uma das milhares de pessoas vítimas de bullying que desfilam por aí, tu passou o drama vivido por Nathan de uma maneira que torna ele evidente que o faz transpassar a tela do pc. E soube abordar a depressão, a reclusão e inclusive um dos sintomas mais graves que é a auto-flagelação (seria interessante a cena de auto-flagelo no texto) de maneira coerente.
O final (o original) surge como um resquício de esperança, como se o semáforo verde reacendesse para Nathan, e o fato disso ficar entreaberto, esse gosto adocicado de esperança tornou o texto menos difícil de tragar.

O final alternativo, entretanto, aumenta a dramaticidade da trama.
Em especial pela frase final.
Mas aqui talvez pudesse ter explorado mais a dor de Nathan, a exemplo do restante do texto. Os pensamentos derradeiros dele cairiam bem. Tal qual demonstra os da mãe deste no outro final, através da carta. Isso seria a cereja desse belo bolo que nos trouxe.


Meus parabéns.

E até Dezembro Wink
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Qua Nov 26, 2014 4:32 pm


Foi o que consegui produzir neste universo complicadíssimo. Sou aquela pessoa que escreve o que conhece, domina, quando chego a um desafio como esse me perco. Mas no seu apanhado geral acho que gostou ao menos um bocado. Isso para mim já é um alento.

Obrigado. Até dezembro!

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Qui Nov 27, 2014 5:03 am

Ademar Ribeiro escreveu:

Foi o que consegui produzir neste universo complicadíssimo. Sou aquela pessoa que escreve o que conhece, domina, quando chego a um desafio como esse me perco. Mas no seu apanhado geral acho que gostou ao menos um bocado. Isso para mim já é um alento.

Obrigado. Até dezembro!

Pois fique contente teve uma produção e tanto
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zizgz



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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Sab Nov 29, 2014 5:48 am

Uma história triste e dramática. Eu prefiro o final original, porque acho mais natural, e acho que o suicídio da mãe é um pouco forçado e a relação com Kelly pouco desenvolvida. Ou seja, penso que você descreve com muito detalhe as tristezas de Nathan (na escola, a morte do cão, a impotência da mãe), mas, depois, a morte da mãe e a relação com Kelly estão pouco trabalhadas. É só uma impressão, claro.
Parabéns!
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Sab Nov 29, 2014 8:58 am

Caro Ademar, eu não gosto de ler nada triste; mas faz parte do objetivo do mês. Você acertou, história triste, etc.
Apenas, verifique estes dois parágrafos, pois existe conflito de tempo, ou seja, correr para casa e depois, novamente, correr para casa:
"Nathan correu para sua casa. Sua ausência não fora notada dentro da sala a não ser por Kelly, a garota magérrima. Ela percebeu os risos contidos na aula de história. Notou que os alunos compartilhavam via celular. E cada vez mais alunos se inteiravam da chacota. Então Kelly pediu ao colega ao lado para assistir o tal vídeo. Mais um ato de humilhação nas dependências do colégio. E como sempre o pobre Nathan era o alvo.

Nathan correu para casa, ..."

Abraços Fraternos
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talysmcidreira



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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Sab Nov 29, 2014 11:25 am

Olá Ademar!
Você abordou a narrativa de uma maneira bem interessante e o tema central ficou evidente. Gostei do desenrolar da trama, mas o inicio me incomodou um pouco a questão da apresentação do personagem. Talvez se fosse em primeira pessoa teria ficado com uma carga emocional melhor, quem sabe até dramático demais. Fiquei curioso em saber como seria, mas em terceira pessoa você conseguiu atingir o nível certo da carga emocional dos personagens. Gostei muito da última parte, a carta de despedida da mãe foi muito bem construída. O final alternativo é o mais óbvio, ainda assim achei interessante colocá-lo. Mas gostei mesmo do final escolhido por você.
Parabéns mais uma vez.
Abraço!
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Seg Dez 01, 2014 4:48 pm

zizgz escreveu:
Uma história triste e dramática. Eu prefiro o final original, porque acho mais natural, e acho que o suicídio da mãe é um pouco forçado e a relação com Kelly pouco desenvolvida. Ou seja, penso que você descreve com muito detalhe as tristezas de Nathan (na escola, a morte do cão, a impotência da mãe), mas, depois, a morte da mãe e a relação com Kelly estão pouco trabalhadas. É só uma impressão, claro.
Parabéns!
Obrigado pelo Feed Ricardo. Ideia original é realmente o final alternativo, mas achei ele um tanto batido para usa-lo. Como desgraça pouca é bobagens, tirei de Nathan sem último bem precioso. Sua mãe. Ela que já sofria de depressão a muitos anos lutava para sobreviver a cada dia apenas para criar seu filho. Ambos foram abandonados pelo pai, o garoto parece ter um imã no que diz respeito a encrenqueiros, ele os atrai com regularidades. Zombam, os humilha, a cada dia, a cada ano, a cada escola. Sua mãe apenas não aguentou mais a tristeza do filho. Foi egoísta e se livrou do problema de forma nada convencional. Já Kelly se apresentava ao poucos, não pude dar muito dela, foi proposital. pois no final, em seu derradeiro golpe de azar, Nathan enxerga uma luz a sua porta. E lá estava ela. Será que ele se salvará?

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Seg Dez 01, 2014 4:58 pm

Vinícius Tadeu escreveu:
Caro Ademar, eu não gosto de ler nada triste; mas faz parte do objetivo do mês. Você acertou, história triste, etc.
Apenas, verifique estes dois parágrafos, pois existe conflito de tempo, ou seja, correr para casa e depois, novamente, correr para casa:
"Nathan correu para sua casa. Sua ausência não fora notada dentro da sala a não ser por Kelly, a garota magérrima. Ela percebeu os risos contidos na aula de história. Notou que os alunos compartilhavam via celular. E cada vez mais alunos se inteiravam da chacota. Então Kelly pediu ao colega ao lado para assistir o tal vídeo. Mais um ato de humilhação nas dependências do colégio. E como sempre o pobre Nathan era o alvo.

Nathan correu para casa, ..."

Abraços Fraternos
Obrigado Vinicius, e acertou na observação, realmente comi bola. Será consertado para o ebook.

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Seg Dez 01, 2014 5:03 pm

talysmcidreira escreveu:
Olá Ademar!
Você abordou a narrativa de uma maneira bem interessante e o tema central ficou evidente. Gostei do desenrolar da trama, mas o inicio me incomodou um pouco a questão da apresentação do personagem. Talvez se fosse em primeira pessoa teria ficado com uma carga emocional melhor, quem sabe até dramático demais. Fiquei curioso em saber como seria, mas em terceira pessoa você conseguiu atingir o nível certo da carga emocional dos personagens. Gostei muito da última parte, a carta de despedida da mãe foi muito bem construída. O final alternativo é o mais óbvio, ainda assim achei interessante colocá-lo. Mas gostei mesmo do final escolhido por você.
Parabéns mais uma vez.
Abraço!
Obrigado Talys. Pensei em escrever em primeira pessoa, mas me passou um texto um tanto comum. Minha ideia seria em segunda pessoa. Kelly narraria a historia, mas me atrapalhei, não consegui desenvolver e o prazo me apertava por isso o fiz em terceira. Mas pretendo reescreve-lo, inserir Kelly no incio do texto para sua narração, afinal é ela quem lhe resgata do Vale das Sombras não é?

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Seg Dez 01, 2014 5:29 pm

Ademar,
Tive o enormíssimo prazer de ser seu leitor beta nesse conto. Aliás, você me permitiu conhecer a ideia antes mesmo dela ser encorpada na excelente narrativa que temos aqui. É sempre gratificante trocar ideias com você, que é uma pessoa sempre disposta a auxiliar quem quer que seja. Lembra-se do quanto discutimos para saber se haveria aquele beijo na testa ou não? Levou-nos parte da madrugada...!

Para a sua publicação no Widbook, sugiro que você reescreva trechos da história deixando explícito – ou entrelinhas bem entendidas – que a mãe sofre de depressão severa, para que não exista uma inverossimilhança a respeito de seu suicídio. Talvez seja o caso de repensar o desfecho usando o "final alternativo". Lapidá-lo mesmo, acrescentando mais palavras, um peso aqui, outro ali, você sabe... Aliás, já que temos uma excelente história, por que não acrescentar duas ou três páginas a partir da visita da Kelly? Você bem se lembra como dali ainda se vai muito longe, já que você mesmo sugeriu diversos desfechos e pequenos dramas que NÃO vieram à vida na narrativa final. Lembra-se do anjo?


Excelente texto, Sr. Ademar! Forte abraço!


Última edição por Queirós em Seg Dez 01, 2014 5:31 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Seg Dez 01, 2014 5:31 pm

Só para que fique claro, Ademar pediu minha opinião sobre o beijo. Eu queria que a Kelly beijasse o pulso, Ademar insistia no beijo na testa.

Eu acho o beijo no pulso mais romântico.  

E foi-se nossa madrugada.


Mentira. Ademar queria que a Kelly beijasse o Nathan na boca. De língua. Ademar é muito inverossímil.   cheers


(brincadeira)
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Ter Dez 02, 2014 2:59 pm

Queirós escreveu:
Ademar,
Tive o enormíssimo prazer de ser seu leitor beta nesse conto. Aliás, você me permitiu conhecer a ideia antes mesmo dela ser encorpada na excelente narrativa que temos aqui. É sempre gratificante trocar ideias com você, que é uma pessoa sempre disposta a auxiliar quem quer que seja. Lembra-se do quanto discutimos para saber se haveria aquele beijo na testa ou não? Levou-nos parte da madrugada...!

Para a sua publicação no Widbook, sugiro que você reescreva trechos da história deixando explícito – ou entrelinhas bem entendidas – que a mãe sofre de depressão severa, para que não exista uma inverossimilhança a respeito de seu suicídio. Talvez seja o caso de repensar o desfecho usando o "final alternativo". Lapidá-lo mesmo, acrescentando mais palavras, um peso aqui, outro ali, você sabe... Aliás, já que temos uma excelente história, por que não acrescentar duas ou três páginas a partir da visita da Kelly? Você bem se lembra como dali ainda se vai muito longe, já que você mesmo sugeriu diversos desfechos e pequenos dramas que NÃO vieram à vida na narrativa final. Lembra-se do anjo?


Excelente texto, Sr. Ademar! Forte abraço!
Pois é quantos dilemas. Pensarei na melhor forma para reconstruir o texto. Deixa-lo mais redondinho. Obrigado!

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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: No vale das sombras   Sex Dez 05, 2014 10:35 am

Ademar

Agora posso dizer que li seu texto... a fundo!
Abraços,

Rogério

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