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 TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL

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talysmcidreira



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MensagemAssunto: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Ter Dez 23, 2014 2:09 pm

PRÓLOGO

A mulher abriu a porta e deparou-se com um pacote no chão do terraço. Pegou o embrulho desconfiada. Percebera que na verdade era uma caixa. Estava enrolada com uma fita vermelha. Ela desamarrou o laço e tirou o papel amarelo que embrulhava a encomenda. Foi então que surgiu uma linda caixa branca com tons de verde limão. As bordas eram douradas. Apreciou por um instante. As lágrimas desceram espontaneamente dos seus olhos castanhos. Abrira a tampa e então pode ver o pior. Pedaços mutilados do corpo de uma criança. A carne branca estava limpa e quase sem sangue. Seu grito estridente fora ouvido há quilômetros dali.


PARTE I
TOM JONES em UM PEDIDO DE PAZ

Auschwitz II – Birkenau, Polônia.
25 de dezembro de 1943.

A neve caía sem presa de um céu turvo, leve como uma pluma sendo arrastada pelo vento. O garoto de pijamas com listras amarelas enferrujadas observava acompanhando em câmera lenta os flocos acumularem no chão. Diversas outras pessoas ao redor caminhavam enquanto carregavam carvão ou retiravam o acúmulo de neve do chão. A chaminé lá no alto do galpão despejava no ar uma fumaça negra que exalava cheiro de carne queimada. Jacob mantinha o olhar fixo para o mesmo lugar e não ouviu de imediato quando um menino o chamou próximo à entrada do galpão.
Jacob! Jacob! _ sussurrava uma voz de criança.
Quando ouviu o chamado, antes mesmo de responder, Jacob aproximou-se do menino que tinha quase o mesmo tamanho dele. Os dois trocaram um olhar assustado no princípio.
Quem é você? _ perguntou Jacob.
Tom Jones!
Por que não está usando as mesmas roupas que nós usamos? _ estranhou observando ele dos pés a cabeça.
Tom vestia um casaco longo cheio de botões na frente. Parecia uma capa negra. Usava uma boina na cabeça e cachecol no pescoço. Calçava sapatos novos. Estava limpo e perfumado.
Por que não sou incrível como vocês.
E por que seríamos incríveis?
Por que você fará parte de uma história. Mais que isso... você e todos aqui irão mudar os conceitos de toda sociedade. Irão fazer o mundo lutar pela paz. Farão despertar ódio, mas também muito amor.
Eu sou tão pequeno diante da sociedade.
Mas seu ato de coragem é grandioso.
Se você acha. Mas deixa eu te contar uma coisa! Essa sociedade, da qual você tanto fala não nos aceita igualdade.
Eu só vim lhe desejar Feliz Natal, meu bravo amigo!
Não lembrava que estávamos no natal.
Pois estamos e você tem direito de fazer um pedido! O que irá pedir ao Papai Noel?
Igualdade e paz! Cansei de viver em guerra.
Eu também irei pedir paz!

Depois daquele natal Tom Jones voltou aquele campo de concentração diversas vezes mas não vira Jacob, seu grande amigo, mensageiro da paz e da igualdade.

***

Ko Phi Phi Don, Tailândia.
25 de dezembro de 2004.

O horizonte era de um azul infinito. O sol quente transbordava sua alegria sobre o oceano que perdia-se na imensidão do céu. O vento sacudia as palmeiras e o único barulho que se escutava era a natureza. A areia fina não permitia que as pegadas ficassem expostas por um longo período pois acabavam se desintegrando. O resort ficava escondido lá atrás da vegetação. Se havia paz no mundo encontrava-se inteiramente ali naquele lugar.
A bola girava velozmente pela terra úmida até bater contra um dos coqueiros. O pequeno William correu ao seu encontro. Pegou o brinquedo e antes que saísse viu um garotinho que estava sentado na raiz da árvore. O menino puxou conversa com ele.
Eles são seus pais? _ apontou para um senhor lá atrás próximo a uma mulher.
São sim. _ respondeu.
Que bela família você tem. Estão aqui de férias?
Estamos sim.
Que legal! Se eu fosse você aproveitava o máximo que pudesse esse belo dia ensolarado de Natal.
É isso que eu estamos fazendo.
Já disse a seus pais o quanto os ama?
Eles sabem que eu os amo.
Mesmo sabendo é sempre bom reforçar. Os momentos são únicos, eternize eles o máximo possível.
Não estou entendendo. Por quê está falando essas coisas? Aliás, como sabe meu nome?
Eu sou seu amigo.
Mas eu não conheço você.
Não importa se você me conhece ou não. Apenas confie em mim. Eu estou aqui com você. Vamos enfrentar isso juntos.
Enfrentar o que?
A natureza está em guerra William, assim como o homem. Haverá uma grande devastação e depois a paz volta a reinar soberana.
William ! _ o pai do garoto gritou.
O menino olhou rapidamente para ver o pai e quando retornou a visão para o pé de coqueiro o garoto ruivo não estava mais lá. Estranhou. Procurou para ver se o encontrava. Mas ele tinha desaparecido. Correu até os pais, atirou a bola no chão e os abraçou bem forte.
A gravidade da lua parecia desenfrear uma harmonia simplória. O mar nunca estivera tão calmo e silencioso. A ausência de ondas chegava até a incomodar. À noite de Natal foi espetacular. Os músicos tocavam canções praieiras com seus violões. As famílias confraternizavam entre si. Comiam. Bebiam. Dançavam. A paz transbordava o espírito natalino.
William soltou seu balão com um desejo especial. Centenas de outros balões iluminavam o céu levando consigo pedidos de fé, amor e esperança.
No dia seguinte a paz deu lugar a guerra. Uma guerra controlada pela fúria da natureza. A ilha sofreu a devastação de um tsunami. William e seus pais morreram.

***

PARTE II
TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL

A natureza rascunhara um horizonte deslumbrante. A noite parecia dia com aquela imensa claridade que brotava das cordilheiras. A luz emergia despejando sobre o céu acinzentado um emaranhado de cores cintilantes. O brilho forte reluzia de forma majestosa. As estrelas pareciam gotas coloridas pintadas com um pincel. Os picos montanhosos derramavam tintas das mais variadas cores por suas encostas. O vento sussurrava cortando os vales cheios de abismos que se formavam entre as montanhas. Os lobos uivavam demarcando território enquanto corriam por entre o emaranhado das florestas de pinheiros que cercavam toda região.
Rasos flocos de neve flutuavam no ar até aterrissarem no chão amontoado de gelo nos arredores da casa. A residência dos Jones era pequena, mas aconchegante. O terraço tinha uma cadeira de balanço onde a senhora Jones gostava de sentar-se para apreciar a aurora boreal. Pela janela de vidro da sala podia-se observar uma poltrona, uma lareira e uma árvore de natal no canto da parede direita. A decoração era rústica e simples. Via-se também um corredor curto que terminava na cozinha e exibia quatro portas: o banheiro, o quarto da filha Rebecca, o quarto do casal Jones e do filho Tomás.
Ao entrar no quarto do pequeno Tomás podíamos perceber que tudo estava devidamente organizado. O soldadinho de chumbo, o boneco de Harry Potter, o Pinóquio, o Mickey Mouse e tantos outros personagens que o garoto tanto gostava enfeitavam a prateleira de madeira acima da cama. Tinha um par de patins para gelo próximo ao tapete que cobria o centro do chão. Tomás costumava patinar sempre no final da tarde com seus melhores amigos Lily e Mike. Uma escrivaninha próximo à janela ainda exibia alguns dos desenhos que o garoto gostava de rascunhar e pintar com giz de cera que sua irmã Rebecca trazia sempre que vinha de Nova Iorque. Livros como "O Mágico de Oz", "Alice no País das Maravilhas" e tantas outras histórias da literatura clássica também estavam ali próximo alinhados. De tudo que a vida pudesse oferecer, viajar era o que mais fascinava Tomás. Mas como ainda não tinha condições de fazer viagens de verdade, ele viajava enquanto sua mãe lia os livros para ele. Tomás navegava em sua imaginação. Cultuava sonhos repletos de esperança.
Sara Jones podia ser uma excelente dona de casa, uma cozinheira de mão cheia, mas era incondicionalmente mãe. Os filhos eram tudo que ela tinha de mais sagrado. Venerava suas crias com todo amor que lhe era capaz de sentir. Prezava a família acima de qualquer coisa.
A primogênita Rebecca era uma jovem amável e estudiosa. Passara no vestibular para direito. Com sacrifício dos pais e principalmente persistência de Sara, conseguira bolsa auxiliar com tudo pago para viver em Nova Iorque. Faziam dois anos que deixara a família e a vida simples da região para enfrentar a rotina daquela grande metrópole. Desde que partiu voltou para visitá-los apenas três vezes.
O caçula Tomás ou simplesmente Tom como gostava de ser chamado pelos amigos era a alma que revigorava aquele lar. O garoto de bochechas sardentas e cabelo ruivo alegrava, gloriava e trazia a paz que a família tanto apreciava. Ele tinha uma mente brilhante, recheada de imaginação e de seres inimagináveis. Seus sonhos eram férteis como as flores na primavera. Suas palavras eram sabias para um menino daquela idade. Tomás era vida, plenitude e intensidade. Era uma simples criança inocente.
O pijama azul com listras brancas que Tomás adorava vestir estava lavado e passado sobre sua cama. Os contos que ele amava escutar tinham sido devidamente organizados. As lendas que ele adorava criar tornaram-se agora doces lembranças. Tudo fazia parte de um passado feliz. Um passado cheio de memórias que trazia sorrisos e deixava lágrimas.
O menino sumira de casa naquela noite de tempestade, após passar a tarde admirando a aurora que vasculhava as planícies com sua imensidão de brilhos e cores. Desde então nunca mais aparecera. Fora procurado em cada canto, em todos os lugares, mas nenhum rastro sequer foi encontrado. Há um mês quatro crianças da vila foram assassinadas e o responsável permanecia no anonimato. O medo que o filho tenha sido mais uma das vítimas desse assassino assolava a intranquilidade de Sara que sofria intensamente uma dor incapaz de ser amenizada.
A alegria revigorante de Tomás deitado na cama enrolado em seu cobertor recheado de figuras do universo. O olhar atento para as histórias que ela recitava. As perguntas curiosas. As perguntas engraçadas. A vontade de conhecer o mundo lá fora. Um mundo maior do que ele podia imaginar. Era desolador ficar sem notícias do filho que ela tanto amava. O sentimento de culpa, remorso e impotência não devastava apenas a vida de Sara, mas também do seu marido, Jack, que para tentar esquecer toda culpa que sentia, bebia todas as noites no único bar da vila.
A aurora boreal fazia falta no céu, enquanto Sara, sentada em sua cadeira de balanço esperava Tomás chegar. Ela acreditava que ele continuava vivo além do seu coração. Acreditava que o garoto chegaria a qualquer momento com um sorriso capaz de curar toda tristeza que dilacerava sua alma.




***

O vapor convertia-se em água enquanto escorria pela janela de vidro. Tomás ainda dormia bem confortável sob o edredom quando Sara batera na porta chamando-o para levantar. O garoto relutou um pouco antes de sair da cama, vestir-se e ir tomar o café. A mãe já tinha lhe preparado seus deliciosos ovos mexidos que ele comeu acompanhado de leite fresco sentado na mesa redonda que ficava no centro da cozinha. O lugar era pequeno, mas tinha todos os utensílios necessários. Tudo estava bastante organizado. Assim que terminou o desjejum, Tomás pegara uma maçã na geladeira. O menino deu um beijo carinhoso na bochecha da mãe e partiu rumo à escola que ficava a poucos metros de sua casa. Caminhou pela estradinha raspada chutando a neve que cobria todo o chão como se fosse um gigantesco tapete.
A sala de aula era pequena e a turma tinha uns quinze alunos. O garoto prestava atenção aos ensinamentos da professora. Era um aluno aplicado. Sempre tirava as maiores notas. Com o término da aula voltou para casa na companhia de Lily e Mike, os seus melhores amigos. Enquanto corriam jogavam bolas de neves uns nos outros. Escondiam-se atrás dos pinheiros. Assustavam-se ao imitarem sons parecidos aos dos lobos e ursos. Sorriam, gritavam e pulavam. Eram de fato crianças extremamente felizes.

Em casa Tomás ajudou a mãe a arrumar a mesa para o almoço. Os dois comeram sem o pai, Jack, que devia estar na peixaria. Os lagos gelados serviam de pontos de pescaria. O dinheiro da venda de pescados era a principal fonte de sustento da família.
No meio da tarde Tomás levou, Sea, sua cadela da raça malamute para passear. Enquanto deixava Sea livre para brincar e correr pelo gelo, o garoto aproveitou para patinar. Deslizava pela área de gelo raspado. Da janela de seu quarto na vizinhança Lily avistava Tomás divertindo-se sozinha. A menina acenou para ele que foi até ela deslizando sobre a leve camada de gelo.
Você não vem patinar hoje, Lily?
Minha mãe não quer deixar. Vou pegar os patins e sair pela janela.
Lily! Isso está errado. _ advertiu. - Peça a ela. Tenho certeza que deixará você vir.
Não, Tom. Já pedi e ela não deixou.
Por que ela não deixou?
Não sei bem o motivo. Mas acho que o pai proibiu. Vou sair escondida.
Você quem sabe! Mas isso está errado.
Lembra o que te falei sobre a montanha e as cores?
Lembro sim!
Ouvi meu pai comentando novamente sobre a tal lenda que há por trás da coloração das cordilheiras. Que acha de irmos lá para descobrirmos?
Já ouvi meus país comentarem algo também. Parece perto chegar lá, mas é bem longe. E o abominável monstro das Neves? Você não tem medo dele?
Só você pra acreditar em uma idiotice dessas. Eles falam essas coisas para nos assustar. Me espere próximo a estrada que dá para a floresta. Vou só pegar os patins e sair.
Lily, isso é muito perigoso. E os ursos? Os lobos? Eles não são de mentira.
Se você não quiser ir tudo bem, Tomás. Mas eu irei sozinha descobrir o que há no topo daquela montanha. Todos os dias acordo curiosa para saber o que há lá.
Eu irei com você! Quem sabe o Papai Noel mora lá em cima e assim posso fazer a ele pessoalmente meu pedido!
Papai Noel? Sei... E o que você vai pedir? Eu quero uma viajem. Quero conhecer Nova Iorque.
Pois eu quero algo especial. Algo que não seja egoísta. Algo que não reflita apenas em mim, mas em todos. Algo que um amigo meu pediu! Eu quero paz. Quero que o mundo fique em paz.
Deixa de ser bobo, Tomás. Ninguém pediria paz no mundo ao Papai Noel. Isso é impossível. Que amigo é esse? _ falou a menina sorrindo.
Você não o conhece. Não importa se é impossível. É um desejo que preciso cumprir. _ respondeu convicto.
Ta bom. Só você mesmo pra fazer um pedido assim! Me espere onde te disse.

***

O vento forte arrastava os flocos de neve que despencavam com força contra tudo que atravessava seu caminho. O chão tinha uma aparência plana, mas a medida que Tom e Lily subiam a cordilheira tornava-se mais íngrime. Cada um dos garotos carregavam uma pequena mochila nas costas. Sabiam que estavam embarcando em uma aventura perigosa que jamais fora recomendada pelos pais a fazer. Eles conversavam para distrair-se enquanto caminhavam com apenas um destino: o topo da montanha.
Quando já tinham caminhado bastante e subido pela base da cordilheira finalmente surgira o primeiro sinal de cansaço. Lily parou por um momento. Sua respiração estava ofegante. Tomás aproximou-se dela. A garota sentou-se na neve apoiando os braços sobre os joelhos.
Está tudo bem, Lily?
Sim. Só estou cansada!
Mas já ? Esqueceu que você foi a idealizadora dessa aventura? Pensei que estava no pique.
Deixa de deboche, Tomás.
Os dois caíram na risada. Ela levantou alguns minutos depois e seguiram em frente.

Aquela zona da floresta era só o início das dificuldades que estavam vindo pela frente. O primeiro empecilho apareceu quando a estrada começou a ficar bastante estreita, dividindo espaço com um penhasco que parecia não ter fim lá embaixo. Tomás atirou uma bola de neve que se perdeu no silêncio em meio a abertura entre uma montanha e outra.
Você não acha melhor voltarmos, Tomás? _ perguntou Lily caminhando.
Depois de ter subido tudo isso? Não mesmo! E como fica meu pedido?
Lá em cima não tem Papai Noel! Papai Noel não existe, assim como não existe Coelho da Páscoa, Bruxa de Halloween... Será mesmo que você acredita em todas as idiotices que as pessoas inventam?! _ reclamou brava.
Quem disse que as pessoas inventam essas coisas? Talvez o ser em si não exista, mas a fé existe, a imaginação te leva a lugares inacreditáveis. Então por que eu não acreditaria no inexistente? Eu tenho uma missão, Lily. Subir até o topo dessa montanha e pedir paz para o mundo. Não importa se for verdade ou mentira que o Papai Noel existe. A única coisa que importa é a fé que eu tenho na realização do meu pedido.
Que filosófico! Seu desejo nunca será realizado! É impossível o mundo viver em paz.
Sua fé move montanhas! Olha só onde estamos! _ ironizou.
Tudo bem, Tomás.
Se você quer voltar, então volte. Eu irei até o fim.
Lily observou o amigo, aproximou-se e o abraçou. Eles seguiram acompanhando o brilho deixado pela aurora boreal. O gelo parecia uma pedra preciosa. Brilhava fortemente. Era como um reflexo que exalava luz.

***

A luz forte iluminou o rosto de Tomás como o nascer do sol. Ele teve dificuldade para abrir os olhos e observar o fenômeno mais belo que seus olhos já viram. A terra tinha uma magnitude espetacular. O campo gravitacional parecia puxar seu corpo para dentro da luz. Tomás sentia-se extremamente leve como se toda sua massa corporal não tivesse peso. O ar comprimia seus tímpanos. Era como estar embaixo da água. Os movimentos tornaram-se lentos como uma câmera retrógrada que captava com nitidez os detalhes minuciosos do corpo.
Está sentindo isso?
Como se fosse um campo gravitacional. Estou sim.
É mágico.
Eles continuaram a jornada navegando entre uma fumaça brilhante que parecia conter centenas de vagalumes. A visão já deixara de ser nítida há alguns quilômetros abaixo, no entanto agora era quase impossível visualizar alguma coisa à sua frente que não fosse as milhares de estrelas que brilhavam como uma constelação.
Há certa distância perceberam que pegadas grandes estavam demarcadas sobre a neve.
Será o abominável monstro das Neves?
Claro que não!
Então é o Pé Grande.
Tomás ! Já falei que essas lendas não existem.
Andaram menos de um quilômetro antes de se depararem com um grande urso branco. Ao verem o animal Tom e Lily ficaram sem reação. O bicho não pareceu nada simpático e seu aspecto de faminto dava medo.
Corre! _ gritou Tomás.
As crianças correram retornando de onde estavam vindo. A névoa dificultava bastante a visão. Foi ela a responsável por fazer Tomás escorregar pela geleira numa espécie de tobogã. O menino gritou, não de medo, mas de adrenalina ao descer toda a encosta derrapando até o chão. O urso desapareceu e Lily também.
Tomás levantou diante da forte luz que refletia sobre a geleira em sua frente. Atravessou e desapareceu.

***

Quando finalmente despistou o urso, Lily começou a gritar pelo nome de Tomás na tentativa de encontrá-lo, mas não obteve resposta. Assustada, a menina continuou descendo a encosta. Percorreu um longo caminho até conseguir chegar novamente à vila. Recebeu um rígido castigo dos pais por ter saído de casa, mas em nenhum momento comentou que estava com Tomás.

***

O quarto estaria completamente escuro se não fosse a penumbra por trás da cortina na janela. Sara despertava com frequência como se acordasse de pesadelos que cada dia tomaram-se mais frequentes. Foi entre um cochilo e outro que ela ouvira um ranger de porta. Levantou-se apressadamente. Calçou os chinelos estufados e abriu a porta lentamente. Espiou pela brecha e pode ver a figura de um homem que usava gorro na cabeça.
Jack? _ chamou baixinho.
Sou eu sim, Sara. _ respondeu com a voz embargada.
Ela foi até a sala e ligou a luz enquanto ele fechava a porta cambaleando de bêbado.
Prenderam um cara suspeito dos assassinatos das crianças. Era um visitante. Ele estava hospedado nos quartos da senhora Frida.
Alguma noticia do Tomás? Ele disse algo sobre meu filho! _ perguntou aflita aproximando-se dele.
Nada.
Desapontada, Sara retorna para o quarto. Bate à porta e atira-se sobre a cama chorando.

***

O ranger da cadeira de balanço se juntava ao sussurro do vento. Sara admirava a aurora boreal que voltara a fazer parte do horizonte naquela noite. Os tons de rosas juntavam-se a uma coloração verde. Ao fundo o azul turvo do céu despejava milhares de estrelas que abrilhantavam a névoa. Observando o céu com seu olhar doce e melancólico Sara percebeu que em meio a todas as estrelas o brilho intenso de uma específica se destacava. Aquela estrela movia-se rapidamente e parecia cair. Foi quando ela a perdeu de vista. Assim que seus olhos retornaram a sombra das árvores na floresta, ela pode ver Tomás Jones. As lágrimas vazaram sem cessar. Ela levantou-se, mas antes que corresse ao encontro do garoto, ele correu até ela.
Mãe!
Tomás! _ disse com uma voz trêmula.
Me conta uma história?
Conto sim filho. Conto todas as histórias que você quiser.
Ela o abraçou com ternura. Um abraço caloroso. Colocou o menino em seu colo e começou a contar uma nova história.
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Edwin Junque



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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Qua Dez 24, 2014 8:38 am

Uma narrativa interessante. A utilização de lugares foi muito bem utilizada, assim como os pontos em que buscou o emocional. Gostei. Mas não entendi nesse final se o menino estava vivo ou se foi uma aparição para a mãe. Parabéns
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Sex Dez 26, 2014 8:40 am

Vamos lá! Talys antes de tudo quero lhe parabenizar. Obra prima, mais uma digna de investimento para um belíssimo romance. Aventura bem nítida, o tema permanece um pouco obscuro, mas eu o vejo. Narrativa dinâmica e eloquente. Personagens como sempre marcantes, esse Tom Jones será um belo protagonistas, não o desdenhe. Cenário incrivelmente bem descritivo, porem senti falta do vilarejo, escreva mais sobre ele. Quanto à premissa achei formidável, arrisco falar que Tom Jones viaja no tempo através da Aurora Boreal? Certo? nos elucide sobre.

Não pude deixar de notar as influencias: O menino do pijama listrado e O Impossível.

Parabéns e até a próxima.

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Sex Dez 26, 2014 5:24 pm

Olá, meu caro Talys.

Serei inteiramente honesta contigo.
Eu sou bem preconceituosa com essa coisa de “fulano em...” Geralmente isso só funciona pra mim em quadrinho, por causa da turma da Mônica. Mas por mérito seu e dele, o seu pequeno Tom Jones me conquistou. E vale sim o investimento – como acentuado pelo Ademar.
Eu não rasgarei muita seda aqui, mas te acho um escritor incrível menino você é criativo; hábil; técnico, diria que não falta muito pra ser completo. Mesmo porque ninguém nunca é completo. E realmente você trabalha maravilhosamente bem nessa linha infanto-juvenil.
Eu encaro Tom Jones como um personagem interpretativo, entre o vivo e o morto eu diria que na verdade Tom é um anjo que algumas vezes vaga por aí. Isso explicaria a presença deles em determinadas situações – exceto que essa presença seja pela acentuada imaginação dele. Bem prefiro a hipótese “angelical”.


Entretanto, como nem só de flores vivem um jardim queria apontar duas possíveis falhas e fazer um pequeno pedido.
1. Jacob estava num campo de concentração. Ele era judeu? Porque judeus não comemoram o natal.
2. Eu notei alguns trechos onde falha a concordância verbal, como aqui: Desapontada, Sara retorna para o quarto. Bate à porta e atira-se sobre a cama chorando. onde a narrativa vem para o presente e então retorna ao pretérito.
3. Por favor, nunca mais escreva sem travessões designando os diálogos. Eu sei que por alguma razão resolveu aderir isso, mas isso dificulta demais a leitura e compromete a fluidez, pois pode confundir o leitor no enquadramento dos diálogos e ações.

Então... Leituras fechadas com chave de ouro.
Espero ver uma continuação de Tom Jones.

Meus Parabéns... e até Janeiro.

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talysmcidreira



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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Sab Dez 27, 2014 1:44 pm

Muito obrigado a todos os feedbacks!
Edwin o final foi proposital, não é possível dizer se ele esta vivo ou morto mesmo. Isso o leitor vai julgar e o que lhe agradar mais ele escolherá. hahaha Pelo menos aqui no conto ele permanecerá assim, quem sabe num futuro livro sobre o personagem possa dar maior ênfase. Obrigado!

Ademar, de fato faltou acrescentar algo mais detalhado sobre o vilarejo. Eu que sempre detalho bastante tudo, deixei esse aspecto vago; O Tom viaja através da Aurora Boreal sim. E há uma certa inspiração em acontecimentos importantes que ocorreram no seculo, mas por coincidência ficaram mais evidentes esses dois aspectos, que se assemelham aos dois livros citados (que eu adoro). Mais uma vez muito obrigado!

Tammy, muito obrigado pelos elogios. Eu também não gosto de títulos com o "em", mas precisava usar o nome do protagonista e então não tive outra saída senão usar. Realmente eu deixo de forma proposital essas características que fazem com que o leitor tire suas próprias conclusões. Exatamente a intenção. Ele viaja pela aurora boreal, ele é um anjo... Ele é um garoto muito especial que recebeu uma missão. Quanto as falhas, você esta coberta de razão. Pequei quanto ao natal e os judeus. A concordância verbal ainda esta falha. Agora quanto aos travessões foi problema do tablet. Os travessões estavam todos lá, mas ainda assim não apareceram. Muito obrigado!
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Vinícius Tadeu



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1000/1000  (1000/1000)

MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Ter Jan 06, 2015 7:28 pm

Talys,
você já é um escritor. Tem estilo e coerência. Só não vou votar em você, porque resolvi valorizar a "ação" e, para mim, o Rogério arrasou; tenho certeza que eu aprendi bastante com ele.
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talysmcidreira



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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Qua Jan 07, 2015 3:55 pm

O conto do Rogério é muito bom mesmo, assim como o seu que eu escolhi este mês!
Muito obrigado pelo feedback.
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zizgz



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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Sab Jan 10, 2015 5:36 am

Essa ideia do menino com uma missão que viaja no tempo e no espaço, entre o vivo e o não vivo, é interessante. Parabéns!
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murillomagaroti23

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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    Qui Jan 15, 2015 6:47 pm

Fiquei mais com a impressão de que a viagem (é um dos erros no texto: você escreveu 'viajem'; só abri esse parêntese por que serei o seu revisor rs) no tempo fosse algo causado pelas histórias da mãe, e não através da aurora, como esclarecido.

A primeira viagem se justifica por ele falar para a amiga que tinha prometido a um amigo, o judeu, que pediria de Natal a paz no mundo, mas não entendi a função da viagem ao episódio histórico do Tsunami. Adiantando, como fiz acima, há alguns equívocos, ao meu ver, no uso do mais-que-perfeito. Apontarei outras sugestões na revisão.

As descrições estão bem desenvolvidas.

Ri dessa parte: Sua fé move montanhas! Olha só onde estamos! _ ironizou.

Sobre a revisão ainda, tem esse lance do equívoco sobre o judeu falar em Natal. Você quer mudar isso (ou qualquer outra parte), antes de eu revisar?
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MensagemAssunto: Re: TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL    

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TOM JONES em O MISTÉRIO DA AURORA BOREAL
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