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 A MAGIA ACABA AQUI

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: A MAGIA ACABA AQUI   Qui Dez 25, 2014 6:44 pm


Na busca pela veracidade mágica do natal, três crianças combinaram entre si de esperar o tal Papai Noel chegar com seus presentes. Eram os irmãos Rafael e Daniel Medina e o primo João Carlos Santos. Dormiam todos no mesmo dormitório, em beliches modestas doadas pela comunidade. O casarão há muito estava silencioso, as crianças se protegiam sob seus lençóis. A noite se fazia há horas, a aurora não tardaria.


Rafael foi o primeiro a tomar coragem, se precipitando aos outros, levantou-se devagar, foi até a cama de João e o cutucou. Daniel já estava de olhos abertos quando Rafael se aproximou. Os três ficaram sentados em suas camas, no escuro, não diziam nada, apenas escutavam o silencio da noite. Já estavam prontos e bem agasalhados, estavam preparados para a aventura. Rafael, o mais velho então o líder da pequena patota calçou seus chinelos, usava um pijama de algodão coloridos num tom azul marinho, pegou sua touca debaixo do travesseiro e a vestiu. Seu irmão Daniel e o primo João seguiram seus passos numa fila indiana. Pé ante pé no quarto escuro, eles cochichavam, gesticulavam, quando uma sineta tilintou ao longe, lá fora, no breu da madrugada. Os garotos trocaram olhares, mesmo no escuro eles conseguiam ler os sorrisos um dos outros. Os três tinham personalidades bem parecidas, as mesmas convicções, eles pensavam praticante iguais. Como se crianças entre seis e oito anos pensassem em muita coisa.


Rafael andou iniciou seus passos. Daniel e João Carlos o seguiam de perto pela saída do quarto, o saguão ou sala de jantar era enorme. Ali onde as crianças fizeram sua ceia de natal horas antes. Levou quase um minuto para os garotos transpassa-la com seus passos diligentes, mas o maior desafio ainda estava por vir. Rafael liderava os garotos, sua missão era sair do casarão, mas a porta estava trancada.


***


Uma sineta chacoalhava lá fora emitindo um tlim, tlim, tlim. O som deixava os garotos agoniados.


***


João tinha quase certeza onde as chaves ficavam, mas pega-las era algo quase impossível. Sr. Gedeão, o guardião das chaves roncava feito um urso alimentado e satisfeito. Em uma ocasião os garotos ficaram abobados ao velo devorar um leitão sozinho, aqueles dedos enormes, gordos e sujos abraçavam o pernil do suíno enquanto ele o triturava com seus enormes e amarelados dentes. Pedaços do pobre animal caia sobre sua longa e crespa barba rajada de um vermelho alaranjado. Uma cena grotesca que causa repulsa até nos mais desmazelados.


Seu ronco era estrondoso, lembrava um motosserra em plena ação. João, o caçula quem se apresentou para enfrentar o gigante adormecido Gedeão. Rafael e Daniel permaneceram na sala, atrás do sofá, rezavam para Gedeão não devora-lo como fez com o pobre leitão.


João seguia cautelosamente, a porta do quarto do Sr. Gedeão permanecia entre aberta. Não seria tão difícil pensou o garoto. Ele se aproximou, a brecha da porta não era o suficiente para a sua invasão, então João Carlos a empurrou. A porta estalou, um rugido típico de dobradiças secas. O som arrepiou o pequeno, mas o gigante guardião permanecia com a sua motosserra a todo vapor. O garoto era pequeno e esquivo, havia a pouco completado seis anos de idade, mas era um dos mais esperto do casarão. O aposento tinha um ar carregado, talvez pela má higiene de Sr. Gedeão. Haviam roupas sujas no chão, livros mofados, empilhados aos montes, um cabideiro amparava seu enorme macacão feito sob encomenda e seu chapéu de palha. O gigante guardião da chave permanecia deitado, sua postura era cômica, pois o desajeitado homem dormia com os braços e pernas arreganhados, como se estivesse banhando pelo sol ou chuva, sua boca escancarada, emitia aquele estrondar a cada inspiração, usava um pequeno shorts puído, desses com uma abertura lateral na frente da genitália, uma camiseta branca encardida de amarelo que não sustentava a enorme pança e meias pretas de algodão que teimavam em sair dos enormes pés ressecados.


João agia na surdina, feito os gatunos dos cinemas, ele abria lentamente cada gaveta ou armário do quarto para encontrar a tal chave para a liberdade, a chave que lhes revelaria a tal magia do natal.


A sineta aumentava seu tilintar a cada minuto. Os garotos aflitos não queriam perder a chance de conhecer o Papai Noel.


João percorria por todo o quarto sem sinal do seu objeto de desejo. Quando o gigante resmungou algo e coçou a enorme pança. O som que se seguiu não tão típico de uma “coçada” fez João Carlos escalar o criado mudo ao lado da cama. Sua suposição fazia efeito, a chave repousava no peito do enorme guardião. Estavam atreladas a uma corrente pendurada no pescoço, roliço de Sr. Gedeão.


O corajoso João se ajoelhou sobre a cama, agarrou o molho de chaves e a puxou. A corrente era grande o suficiente para passar pela cabeça, mas pequeno João precisava fazer sem acordá-lo. O garoto tinha dedos pequenos, segurando o molho de chaves ele puxou a corrente para trás da cabeça do gigante. Aos poucos a motosserra entrava em stand by, fazendo o sangue de João congelar. Logo o enorme homem se vira para o lado. João retirou a corrente e desceu da cama pelo criado mundo. Seguia pé ante pé até à saída do quarto, só respirou quando fechou a porta atrás de si.


Rafael recolheu as chaves da mão de João, olhava uma a uma, identificou os nomes nelas. Ele tinha oito anos, era o mais velho, mais valente e o único que sabia ler. “Cozinha..., brinquedoteca..., sala de vídeo..., porão...,”. E nada da chave da rua.


Daniel preocupado com o rumo que a história tomava falou aos companheiros que a chave não se encontrava ali. Que talvez quem a tivesse fosse dona Zuleica Penteado, a Diretora. Rafael e João trocaram olhares temerosos. Os garotos lembraram, há poucas horas, na ceia de natal, a Diretora pegou Soraia Salgado pela orelha e a levou para dormitório das meninas, a coitada ficou lá com fome. Tudo isso porque não queria comer um tal de grão de bico. João Carlos Santos, esquivo se intitulou como carta fora do baralho. Ele balançava a cabeça com os olhos arregalados sussurrava que não correria esse risco.


Desta vez foi Rafael Medina a se voluntariar para a missão. Ele tomou a frente para pegar as chaves na masmorra da Diretora. O quarto de dona Zuleica ficava no terceiro andar, acima do dormitório das meninas. Ele se despediu dos amigos então se pôs a subir pela escadaria de madeira. Galgava de forma lenta e cautelosa, era uma escadaria de três níveis. Um acesso ao primeiro andar, outro ao segundo e o último no terraço. O quarto de dona Zuleica ficava no terceiro andar onde Rafael acabará de chegar. Eles a chamava de masmorra, era o ponto mais alto do casarão e só existia um aposento ali, o da Diretora.


Para o seu desespero a porta da masmorra estava trancada. Rafael ficou por ali, na frente daquela enorme porta, meditando, pensando em algum meio de conseguir abri-la sem fazer estardalhaços. Foi então que teve um insight. Rafael desceu as escadarias, desta vez corria, estava só de meia para abafar o som, abandonou seus chinelos na sala com os companheiros. Os garotos aflitos imaginavam que Rafael havia capturado as chaves, mas logo se frustraram ao descobrir que não.


O pequeno líder explicou aos seus comandados o infortúnio, então confabularam sobre. Rafael mostrou seu plano “B” aos garotos.


Desta vez Daniel foi o escolhido para a nova contenda. Ele ainda atuava nos bastidores, mas seu irmão não o perdoo. Seria dele a próxima missão. Rafael lhes entregou a chaves que João Carlos havia surrupiado do gigante Gedeão. Daniel sem mais delonga se pôs a correr. Precisava ir até o porão, onde era guardado os objetos de utilidades como consertos e reparos. Na cozinha dona Robusta estava debruçada sobre a mesa, uma garrafa de vinho vazia lhe acompanhava durante o sono. Dona Rita Lourenço, conhecida também pelas crianças do casarão como dona Robusta devido sua circunferência abdominal, era a cozinheira, nas horas vagas era a beberrona da casa. Daniel conhecia aquele estado de dona Robusta. Ela havia entornado uma daquelas garrafas mágicas. Certos problemas ocorriam por conta disto, sempre quem as consumia ficava por horas risonhos, horas chorosos, e por fim, sempre dormiam e roncavam feito um animal. Para a missão de Daniel, dona Robusta não seria problema. O problema de fato estava lá fora, o monstro que habitava o quintal e guardava a entrada para o porão. Ninguém brincava lá nos fundos pois temiam a enorme Tormenta. Ela tinha patas enormes, sua boca era tão grande que cabia uma bola de futebol dentro, seus dentes alongados e afiados cortavam qualquer coisa, suas bochechas eram enormes e acumulavam uma grande quantidade nojenta de babas. Era cega de um olho, estava assim quando foi acolhido pelo senhor Gedeão, e assim permaneceu por longos dez anos. A saída para o tal monstro era simples: Daniel abriu a geladeira e pegou um pote de plástico. Seguiu para a porta de acesso ao quintal e a destrancou. Logo o rosnar da besta se fez e os joelhos de Daniel se puseram a tremer. A enorme fera atada a uma corrente rosnava, seu caminhar era lento e calculado, cercava sua presa com retidão, arrastando o metal contra o chão de concreto provocando arrepios no pequeno Daniel, era uma noite fria, não se via o animal, apenas o brilho de um de seus olhos. Uma sombra cinzenta em meio a escuridão da madrugada, Daniel se guiava pelo arrastar das correntes, a fera agora se movia de forma rápida, ela trotava, era enorme, então Daniel arremessou o conteúdo do pote para o animal. A fera deu as caras e abocanhou o naco de carne crua ainda no ar. Daniel, mais aliviado afagou a enorme besta, o rosnar fora substituído por um suspiro leve de satisfação, sua cauda movia de um lado para o outro, nem a enorme cicatriz na face da Tormenta assustava o valente garoto. Satisfeito Daniel foi para o porão. Destravou a porta e desceu uma pequena escada de madeira de reuso. Acendeu a luz e buscou por entre as prateleiras seu objetivo, um apetrecho pontiagudo e fino.


Fuçou nas ferramentas do senhor Gedeão até encontrar o tal utensílio. Então voltou para o casarão. Deu outro naco de carne à Tormenta e seguiu correndo pela cozinha de dona Robusta que se mantinha imóvel. Na sala Daniel entregou as chaves e uma pequena ferramenta ao seu irmão. Rafael foi até a sala de artes, pegou uma cartolina enrolada, trancou a porta e disparou escadaria a cima. Daniel e João se amoitaram atrás do sofá, e lá iniciaram suas preces em prol ao corajoso Rafael.


Novamente em frente a masmorra o garoto abriu a folha de cartolina no assoalho em frente a enorme porta. Deslizou a folha por debaixo da porta vagarosamente até perde-la de vista. Usando a chave de fenda, Rafael cutucou a fechadura, ficou por ali uns dois minutos quando “click” seguindo de um som abafado de metal caído ao chão se fez. O garoto ficou inerte, o som da chave caindo sobre a cartolina foi mais alto do que imaginava devido o assoalho de madeira velha. Esperou por alguns segundos, temia ser castigado pela Diretora. Segundos depois e nada aconteceu, o menino começou a puxar a folha de cartolina por debaixo da porta, aos poucos ela se criava, como uma folha saindo da bandeja de uma impressora, mas a ilustração que se revelava era em 3D, ou melhor, era real. Daniel sorriu ao ver a chave cinza chumbo ganhar vida sobre a folha. Sem demora o garoto destrancou a porta. O quarto de dona Zuleica era enorme, foram raras as vezes que Rafael subiu até lá. Era proibido à todas as crianças de aproximarem da masmorra. Era lá que ela castigava as crianças, deixando-as ajoelhadas no milho olhando para a parede.


Seu aposento era aconchegante, e tinha um cheiro agradável. Cortinas com babados velavam a janela, um tapete creme de pele animal sintética forrava o chão, sua cama era ao estilo medieval com um mosqueteiro no alto. Rafael apurava sua visão, buscando enxergar no negrume do quarto. Aos poucos os objetos ganhavam melhores definições. A Diretora, cochilava, usava uma máscara de dormir e tampões no ouvido. Aliviado, Rafael retomou sua investigação. Verificando os criados mudos e a penteadeira. A chave estava em uma das gavetas junto a um estojo de maquiagem. Rafael a pegou e colocou no bolso. Já ia se mandando quando a diretora disse algo. Foram palavras coordenadas, mas sem sentido e aleatórias. O garoto se virou aproximando-se do leito. Ao lado da cama um jornal velho, na primeira página uma reportagem sobre uma gang que assolava a cidade. “Gang dos mascarados raptam mais duas crianças na zona norte da cidade!”. Rafael achou graça na descrição dos meliantes, eram dois personagens conhecidos da televisão. Ainda entretido com a reportagem ele não percebeu quando dona Zuleica se levantou. O garoto se assustou enquanto a diretora ficou ali sentada na cama com sua marcara de dormir virando a cabeça de um lado para o outro. Rafael prendeu a respiração, quando a diretora votou a deitar-se com a mesma velocidade que se levantou. Aliviado, Rafael evadiu da masmorra. Deu um breve sorriso ao fechar a porta e se mandou.


***


O tilintar da sineta ecoava do lado de fora. Um relinchar acusava a presença de algum animal.


***


Ainda na sala, os garotos não tinham mais dúvidas. Ele chegou com seu trenó e suas henas. Rafael destrancou a porta da rua. Lá fora um barulho chamou sua atenção. Era o som do portão social. Emitia um leve assovio, devido a ferrugem de suas engrenagens.


Os garotos engoliram seco e abriram a porta. Era uma noite gelada, os ventos lhes cortavam na face, eles aguardavam a neve, acreditaram que essa era mais um dos indícios da magia do natal, típica visão hollywoodiana. Frustrados apenas sentia um leve frio, devido a garoa incessante que lhes afligia. Rafael foi o primeiro a sair. Lá fora uma charrete estacionada, não era um treno, tão pouco o animal fosse uma hena, mais parecia um jumento velho. Lembrava muito uma charrete dessas de catadores de papéis um pouco mais incrementada, sobre ela uma silhueta cinzenta organizava algo. Ele estava de costas, talvez usasse uma capa ou sobretudo, Rafael deu alguns passos, apurando sua visão, ele se aproximou do portão. O mesmo estava entre aberto. Então observou de perto a criatura que lá estava. Era cinzenta, mas não trajava roupas, era seu couro que se mostrava peludo como ratos de esgoto. Sua postura curvada não dava para medir seu tamanho, mas a julgar pelos membros se tratava um ser muito grande, tão grande quanto o senhor Gedeão. Rafael cauteloso vencera seus devaneios, pois sua curiosidade era maior que seus medos. Então ele a chamou. A criatura de cócoras apenas lhe virou o rosto revelando sua face. Uma face negra, carrancuda, com olhos de lince amarelados, sua bocarra era feita ao de um felino, uma enorme língua jazia dependurada e para completar a excentricidade daquela criatura um par de chifres curvos ornavam aquela a sua face medonha. Então aquele era o tal Krampus pensou o garoto. Rafael apenas se virou para correr. Daniel e João Carlos ainda a meio caminho se pôs a voltar dentro da casa quando um enorme homem de roupa vermelhas e barbas brancas lhes impediu o acesso. Ele usava uma máscara, uma barba postiça e erguia um cajado em uma das mãos.


Gritos!!!

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Sex Dez 26, 2014 2:08 pm

Eu devo começar comentando seu conto da mesma maneira como comecei com do Elton, pelo título.
Teu título é chamativo, impactante e ainda assim contraditório. Por que contraditório? Porque a magia começa exatamente depois dele.

Tu nos trouxe a aventura através da maneira mais simples e genuína que alguém poderia ter feito: os olhos de uma criança.

O modo com o qual explorou o pensamento mágico infantil foi inteligente e bem realizado. Mostrando que pra uma criança com sua inocência, e maneira hiperbólica de ver a vida, o que nos é simples cotidiano se transfigura numa grande aventura.

E isso é algo... um aspecto que ninguém que já foi criança tem como se opor, pois todos fomos assim um dia. Quem nunca pulou de um sofá pro outro, ou pulou as almofadas no chão brincando de chão de larva? Ou construiu acampamentos amarrando o lençol entre a cama e algum outro móvel? Isso é um doce sabor de infância, que sua deliciosa aventura fez com que eu revivesse. – e se quer saber penso que a gente que escreve ainda vive um pouco assim, só não trazemos essa “loucura” pro físico porque a sociedade não permite, mas as colocamos no papel.

E que grata surpresa vermos o Krampus nesse conto.
Pensei que ninguém se lembraria dessa criatura peculiar que castiga os maus meninos.

Quanto as ressalvas o termo “entreaberta (o)” aparece separado no conto duas vezes, mas nada que uma boa revisão não conserte.
Me impressiona muito uma criança brasileira (?) de tão pouca idade saber quem é o Krampus.
E novamente assim como alguns outros contros desse mês, pra mim o desfecho peca um pouco. O final seco com os gritos flerta entre o desnecessário e o incompleto. Eu aconselharia ou tirá-lo, ou a torná-lo mais palpável e aterrador como: “E junto ao som do vento, os seus gritos ecoaram”. –isso é só um exemplo (ruim) mas entendeu o caminho?

Então além dos parabéns, meus sinceros agradecimentos por me trazer de volta a infância.

E TE ESPERO em Janeiro.
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murillomagaroti23

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Sex Dez 26, 2014 5:42 pm

Tem mais coisas a revisar do que o exemplo da Tammy, mas nada que tire o mérito da narrativa.

Só não entendi quem é esse homem que impediu o acesso dos meninos. É o Papai Noel? rs

Não acho que o final perde muito com o 'Gritos', mas talvez o garoto pudesse 'socializar' mais com o Krampus.

Eu gostei do conto em si, tem detalhes bacanas sobre personagens secundários, como o senhor comendo o leitão e como ele dormia. Talvez tenha sido o personagem mais bem elaborado, embora estivesse dormindo.

Acho um pouco desnecessário dar sobrenomes.

O meu conto te lembrou Gasparzinho; o seu me lembrou Chiquititas. rs
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Dom Dez 28, 2014 8:03 pm

Tammy Marinho escreveu:
Eu devo começar comentando seu conto da mesma maneira como comecei com do Elton, pelo título.
Teu título é chamativo, impactante e ainda assim contraditório. Por que contraditório? Porque a magia começa exatamente depois dele.

Tu nos trouxe a aventura através da maneira mais simples e genuína que alguém poderia ter feito: os olhos de uma criança.

O modo com o qual explorou o pensamento mágico infantil foi inteligente e bem realizado. Mostrando que pra uma criança com sua inocência, e maneira hiperbólica de ver a vida, o que nos é simples cotidiano se transfigura numa grande aventura.

E isso é algo... um aspecto que ninguém que já foi criança tem como se opor, pois todos fomos assim um dia. Quem nunca pulou de um sofá pro outro, ou pulou as almofadas no chão brincando de chão de larva? Ou construiu acampamentos amarrando o lençol entre a cama e algum outro móvel? Isso é um doce sabor de infância, que sua deliciosa aventura fez com que eu revivesse.  – e se quer saber penso que a gente que escreve ainda vive um pouco assim, só não trazemos essa “loucura” pro físico porque a sociedade não permite, mas as colocamos no papel.

E que grata surpresa vermos o Krampus nesse conto.
Pensei que ninguém se lembraria dessa criatura peculiar que castiga os maus meninos.

Quanto as ressalvas o termo “entreaberta (o)” aparece separado no conto duas vezes, mas nada que uma boa revisão não conserte.
Me impressiona muito uma criança brasileira (?) de tão pouca idade saber quem é o Krampus.
E novamente assim como alguns outros contros desse mês, pra mim o desfecho peca um pouco. O final seco com os gritos flerta entre o desnecessário e o incompleto. Eu aconselharia ou tirá-lo, ou a torná-lo mais palpável e aterrador como: “E junto ao som do vento, os seus gritos ecoaram”. –isso é só um exemplo (ruim) mas entendeu o caminho?

Então além dos parabéns, meus sinceros agradecimentos por me trazer de volta a infância.

E TE ESPERO em Janeiro.
Antes de tudo eu quero agradecer pela leitra e pela ótima critica. É muito bem vinda sempre. Ajustarei meu conto baseado em algumas observações suas. Obrigado!!!

Quanto ao título, é um tanto spoiler, mas é algo que me fisgou e não me deixou em paz. São coisas que nós escritores não mexemos, pois nos sentimos bem com eles. Mesmo não sendo uma das melhores coisas.

A real intenção foi realmente contar uma historia aos olhos de uma criança, onde tudo é uma aventura, como você muito bem salientou. Lembra do homem do Bambu e do homem da carrocinha que te falei um tempo atrás? Eles marcaram minha infância por serem mitos criados por mim, monstros que eu temia, e com o passar dos anos me sentia aliviado pelos mitos serem homens normais. É essa visão de criança que fui buscar e mostrar à vocês.

Quanto ao mito do Krampus temos a cultura bem difundida em SC, não mencionei, mas por falha, pois não tinha me atentado a isso. Pois se eu quiser ambientar o teto no Brasil, seria ao menos um pouco verossímil a cidade de Blumenau ou regiões metropolitanas. Ainda bem que não mencionei cidade, então a falha não foi de tanto mal.

Quanto ao final, também achei vago. Mas este é mais um dos meus problemas, se reparar em todos os meus contos, o final é rápido e rasteiro. Penso que os finais precisam ser assim, pois se alorgarmos ele perde seu impacto. Mas este ficou mesmos bem vago. remodelarei.

O brigado pelo feedback, continue assim, ajudando na construção dos escritores.

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Dom Dez 28, 2014 8:09 pm

murillomagaroti23 escreveu:
Tem mais coisas a revisar do que o exemplo da Tammy, mas nada que tire o mérito da narrativa.

Só não entendi quem é esse homem que impediu o acesso dos meninos. É o Papai Noel? rs

Não acho que o final perde muito com o 'Gritos', mas talvez o garoto pudesse 'socializar' mais com o Krampus.

Eu gostei do conto em si, tem detalhes bacanas sobre personagens secundários, como o senhor comendo o leitão e como ele dormia. Talvez tenha sido o personagem mais bem elaborado, embora estivesse dormindo.

Acho um pouco desnecessário dar sobrenomes.

O meu conto te lembrou Gasparzinho; o seu me lembrou Chiquititas. rs
Murillo Muito obrigado pelo feedback.

Quanto ao final e uma suposta interação Rafal x Krampus perderia o encanto, pois ele iria descobrir que era um homem e não um mito de Natal, apesar que nas próximas horas pós conto ele descobriria do pior jeito. Mas como falei para Tammy. o Final me vem rápido e rasteiro, não delongo demais para o leitor não perder aquela sensação eufórica sabe. ... C-A-R-A-L-H-O... O lugar realmente é um orfanato embora não tenha mencionado, tu capitou bem a ideia, mas Chiquitana... kk pior eu assitia. Dona Robusta bem que poderia ser a Ernestina. Lembra??? kk

Quanto ao Gaspzrinho, não sei de onde tirei, pensei que tivesse sido você quem o mencionou.

Obrigado pelo Feedback. Tu ajudou, mesmo se não fosse essa a sua intenção.

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Seg Dez 29, 2014 1:46 pm

Olá Ademar. Li o esboço do conto ainda incompleto e vejo que ele foi aprimorado muito bem. Gostei bastante da ideia que inclusive já foi memcionada: " a visão através do olhar de uma criança". Esse aspecto de narrativa geralmente é bem peculiar, por que crianças tem uma visão unica do mundo. Além de que ao leitor nos faz relembrar pensamentos do passado. Também como já foi mencionado acima fiquei um pouco incomodando com os sobrenomes dos personagens, mas nada que afete a narrativa, mas talvez fosse interessante apenas uma apresentação e depois usar apenas o sobrenome ou nome mesmo do personagem. Conheço pouco desses seres macabros natalinos, então tive que dar uma pesquisada sobre o "Krampus". No mais sua linha de raciocínio foi excelente ( se tirarmos o desfecho com aquele gostinho de continuidade ). A narrativa de fato cumpre com o que promete. Os personagens têm presença marcantes, principalmente os mais peculiares. Gostei das descrições, pude imaginar bem os cenários. Parabéns !
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Ter Jan 06, 2015 10:04 am

Obrigado, vindo de você que em minha opinião foi o melhor conto do mês já me faz ganhar o dia. Valeu.

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Ter Jan 06, 2015 6:23 pm

Ademar,
seu conto prende a atenção do começo ao fim. Então, preenche os requisitos de um bom texto. A história também é interessante. Com certeza está entre os melhores do mês. Parabéns!
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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Sab Jan 10, 2015 6:17 am

Aventura e imaginação, num mundo muito especial de criança. É interessante como objetos, e pessoas, simples e banais, se transformam e ganham outra dimensão, aos olhos de uma criança. Parabéns!
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Ter Jan 13, 2015 7:52 am

OK, Ademar, posso dizer que li seu conto a fundo!

Abraços.

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murillomagaroti23

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MensagemAssunto: Re: A MAGIA ACABA AQUI   Qui Jan 15, 2015 10:59 am

Ademar Ribeiro escreveu:
murillomagaroti23 escreveu:
Tem mais coisas a revisar do que o exemplo da Tammy, mas nada que tire o mérito da narrativa.

Só não entendi quem é esse homem que impediu o acesso dos meninos. É o Papai Noel? rs

Não acho que o final perde muito com o 'Gritos', mas talvez o garoto pudesse 'socializar' mais com o Krampus.

Eu gostei do conto em si, tem detalhes bacanas sobre personagens secundários, como o senhor comendo o leitão e como ele dormia. Talvez tenha sido o personagem mais bem elaborado, embora estivesse dormindo.

Acho um pouco desnecessário dar sobrenomes.

O meu conto te lembrou Gasparzinho; o seu me lembrou Chiquititas. rs
Murillo Muito obrigado pelo feedback.

Quanto ao final e uma suposta interação Rafal x Krampus perderia o encanto, pois ele iria descobrir que era um homem e não um mito de Natal, apesar que nas próximas horas pós conto ele descobriria do pior jeito. Mas como falei para Tammy. o Final me vem rápido e rasteiro, não delongo demais para o leitor não perder aquela sensação eufórica sabe. ... C-A-R-A-L-H-O... O lugar realmente é um orfanato embora não tenha mencionado, tu capitou bem a ideia, mas Chiquitana... kk pior eu assitia. Dona Robusta bem que poderia ser a Ernestina. Lembra??? kk

Quanto ao Gaspzrinho, não sei de onde tirei, pensei que tivesse  sido você quem o mencionou.

Obrigado pelo Feedback. Tu ajudou, mesmo se não fosse essa a sua intenção.


A intenção é ajudar, sempre. Nos ajudarmos. Só não sei se consigo, se sou bom nisso, de falar sobre as coisas dos outros. ;D
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