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 O Herói - Tammy Marinho

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: O Herói - Tammy Marinho   Sex Jul 04, 2014 6:05 am

- Houve um tiro no escuro e duas aquamarines brilharam pra mim.
Foram essas as palavras usadas por Elizabete Aguiar, única sobrevivente de um massacre, quando questionada sobre suas lembranças.

De acordo com os médicos era natural que o trauma sofrido tivesse lhe afetado a memória, no entanto, o que mais intrigava a jovem sobrevivente não era o acontecimento em si, dele não se lembrava com clareza, e não tinha interesse algum em fazê-lo. Porém, desde que despertara e soubera de crime tão brutal, passou a questionar-se sobre os fatores que acarretaram na sua sobrevivência.
Dezesseis mortos! Ela se lembrava de ouvir uma enfermeira comentar. Dezesseis pessoas haviam morrido sem nenhuma razão aparente, enquanto ela estava ali, sentada numa cama de hospital. Sem nenhuma seqüela que a impedisse de prosseguir a vida de maneira segura, sem nenhuma lembrança que fosse assombrá-la quando a noite caísse. Ela sequer conhecia as pessoas que haviam morrido. Eram todos estranhos, não apenas aos seus olhos, mas eram estranhos entre si. Desconhecidos buscando abrigo da chuva num hotel de beira de estrada. Pessoas diferentes, com sonhos diferentes; condenadas a um mesmo destino: morrer em meio ao nada! Eram todos tão diferentes e tão iguais... Mas ela não! Por alguma razão ainda estava ali, viva! Segura! Por alguma razão um desconhecido a encontrara e buscara socorro. Mas onde ele devia estar? Por que seu grande herói não estava ali para ser aclamado pelas pessoas? Por que ele não estava lá para tomar seu posto? Não havia respostas! Era provável que nunca houvesse. E em meio, às suas milhares de perguntas, Elizabete contentava-se em imaginar que há no mundo pessoas que fazem o bem, apenas pelo bem. Sem buscar reconhecimento ou status de herói. E que devia ser uma dessas pessoas de bem quem ligara para o socorro quando encontrou o fatídico cenário de morte.

Havia se passado um mês da chacina quando Elizabete foi finalmente chamada para assistir o único registro do crime. Um vídeo gravado por uma moderna câmera de celular, qual o dono ligara após o apagão num provável intuito de orientar-se usando a visão noturna pela qual pagara tão caro.
Como se por obra do destino havia sido o dono do celular, juntamente com a sobrevivente, uma das últimas pessoas a serem alvejadas na escuridão. Propiciando aos policiais um registro, que mesmo não sendo o mais adequado, ajudava a enxergar com certa amplitude a cena do crime.

- Talvez esse vídeo seja um pouco forte pra senhora, mas eu preciso que assista senhorita Aguiar. Preciso que o assista com atenção, e tente se lembrar do máximo possível. – pediu o policial ajustando o USB do celular no DVD.
Elizabete consentiu com a cabeça e pela primeira vez, desde que acordara no hospital com um tiro na clavícula e duas costelas fraturadas, ela teve medo de avistar o que tinha acontecido. Afinal, antes daquela tarde o noticiado massacre, do qual escapara com vida, era apenas um acontecimento apagado da sua memória, mas ali, naquela tarde, ele começaria a tomar forma. Ele ganharia imagens e sons. Sairia do abstrato, do imaginário e finalmente transfigurar-se-ia numa forma real.
- Posso começar senhorita Aguiar? – indagou o policial, ao notar o nervosismo da mulher que respirava fundo e estremecia. – Ou a senhora prefere esperar um pouco mais?
- Pode começar senhor investigador! – consentiu.

Os primeiros segundos de vídeo tinham início com uma imagem negra que por alguns instantes faria qualquer um questionar uma propaganda enganosa da empresa que prometia a visão noturna. Tudo ainda estava escuro quando a voz de um rapaz, o dono do aparelho, surgia no vídeo dizendo que finalmente aquela porcaria ia ter serventia. Então o polegar do rapaz surgia na imagem em tons de verde, para só então ele erguer o aparelho e mostrar a cena do crime quando essa era apenas um saguão de hotel.
Havia uma enorme fila em frente ao balcão da recepção, uma criança chorando com medo do escuro e uma recepcionista que com a silhueta inquieta pedia calma a todos porque em breve a energia voltaria. Logo a fila se desintegrou, separando aqueles desconhecidos por todos os lados do saguão. Uma mulher que tentava acalmar a filha sentou-se num pequeno sofá à esquerda; um provável executivo jogou a pasta no chão e sentou-se sobre ela com raiva. E em meio às outras pessoas que se distanciavam da visão do celular, uma silhueta feminina aproximou-se do garoto que erguendo o aparelho revelou a imagem de Elizabete Aguiar desorientada no escuro.
O garoto ainda tentava filmar todo o saguão quando repentinamente virou-se filmando a porta de entrada, onde um homem de terno  cruzava a porta com uma maleta aparentemente pesada. Era um homem aparentemente negro e vitima de vitiligo, pois embora a câmera não distinguisse em seu rosto nada além dos olhos, as mãos eram nitidamente brancas. Filmou o homem que mexia na maleta por alguns segundos, até resolver continuar a filmagem do saguão. Filmava a criança que chorava no colo da mãe quando surgiu na imagem, o estranho homem de terno, caminhando em direção às duas, carregando nas mãos o que parecia uma Beretta 9mm acoplada com silenciador. O homem de terno encostou o revólver na cabeça da mulher, como se tivesse certeza do que fazia. Então houve o que pareceu uma troca de palavras entre os dois, e no intuito de proteger a filha, a mãe apertou-a contra o peito, sentenciando a menina à uma morte instantânea, quando o homem encostou a arma nas costas da criança e puxou o gatilho, atirando na cabeça da mãe logo em seguida.
Houve então um grande alvoroço dentro do saguão, e enquanto as pessoas tentavam abandonar o hotel às pressas, o assassino às caçava em meio ao escuro, derrubando uma a uma. Era um grande massacre que o rapaz abismado não conseguia deixar de filmar. Ele ainda rodava filmando o saguão quando avistou Elizabete Aguiar sendo baleada no ombro e atacada com um pedaço de madeira, não pelo assassino, mas por um dos hóspedes que atordoado na escuridão atacava todos os lados na tentativa de acertar o atirador.
O assassino ainda passou diante da câmera, revelando o rosto encoberto por capuz e os óculos de visão noturna, antes de disparar contra a testemunha que registrava tudo. Outro tiro fatal que derrubou o cinegrafista amador quase que de imediato, tirando da filmagem a visão privilegiada de outrora, mas permitindo que o celular, ainda nas mãos do seu dono, continuasse a gravação. A partir de então tudo o que se via era os pés do assassino e suas mãos arrastando os corpos inconscientes para fora do hotel, onde um por um dos que ainda viviam encontravam a morte com um típico tiro de execução. O último corpo arrastado diante da câmera foi o de Elizabete Aguiar, que ao contrário dos outros, não foi arrastada para fora do prédio.
Repentinamente houve uma movimentação na câmera do celular e o som de algo deslizando pelo assoalho. O aparelho acabava de escorregar das mãos mortas de seu proprietário, passando a gravar apenas imagens do teto, enquanto um último tiro precedia um silêncio noturno, para só depois de horas os sons ressurgirem com passos e conversas distantes, antes de surgir diante da câmera a imagem de alguns policiais, que encerravam a gravação.

- Então senhorita Aguiar, do que se lembra?
- Nada! – respondeu enfática. – Lamento, mas eu não... – balançou a cabeça um tanto atordoada – Eu não me lembro de nada!Eu só me pergunto... – interrompeu a fala, buscando tomar um pouco de ar – Por acaso vocês sabem quem telefonou pro socorro? – questionou ainda perturbada por esse mistério – Ele em algum momento... Ele... –
Três fortes batidas na porta interromperam o interrogatório que a vítima irrequieta fazia ao investigador.
- Investigador Vargas – chamou um homem de terno na porta – Sua mulher está no telefone, ela disse que é urgente. – insistiu o homem do outro lado da porta do qual Elizabete apenas avistava o punho do terno com duas abotoadoras azuis e brilhantes.
- Eu não acredito que a Cláudia ta fazendo isso de novo – resmungou Vargas - Senhorita Aguiar preciso que espere alguns minutos aqui. – pediu se voltando para a mulher sentada – Preciso cuidar de um assunto, mas eu volto logo. E você Amarante, cuida aqui da porta, não quero que ninguém perturbe minha testemunha. – afirmou o investigador antes de cruzar a porta.
Embora o investigador tivesse acabado de partir, há muito sua presença era ignorada pela testemunha. Elizabete Aguiar encontrava-se num transe profundo, entregue aos feixes de lembranças que circundavam sua mente. Feixes que não haviam sido ativados pelo vídeo, mas sim pelo desconhecido que surgira com a notícia do telefonema. Não era necessário vê-lo para saber que o conhecia, aquelas abotoadoras azuis e brilhantes, elas... Eram familiares! Tinha certeza que as conhecia. Fechou os olhos e esfregou a têmpora como se aquilo ajudasse a clarear a memória. Nada! Apertou um pouco mais os olhos na esperança de conseguir resgatar alguma lembrança perdida ou impedir que elas escapassem em definitivo. Porém, elas apenas vieram à tona quando os olhos se abriram e as mãos espalmadas sobre o rosto, em desespero, fizeram do ambiente escuro.

Poucos minutos haviam se passado desde sua entrada no pequeno hotel, perdido em meio à estrada, até aquele instante em que tombara contra o piso. Não sabia o que havia acontecido. Tudo se passara rápido demais. O apagão repentino; os estampidos de tiros. Todo grito e correria... Tudo havia acontecido rápido demais! Tão rápido que nem ao menos lembrava como havia chego ali: estendida no chão; com o ombro em brasa; e uma dor dilacerante nas costelas. Lembrava do escuro, do tiro, da pancada. Mas não conseguia por as idéias em ordem. Falhava ao tentar se recompor e se situar dentro daquela situação. Será que os outros também estavam feridos? Será que eles também eram sufocados por uma dor tão pungente?Será que eles... Não houve um novo será, antes que ele chegasse Elizabete foi momentaneamente apagada pela dor.
Somente despertou quando o corpo começou a ser arrastado. Podia sentir duas mãos segurarem seus calcanhares com firmeza, puxando seu corpo com uma facilidade assustadora. Porém, não via nada além de vultos e uma grande silhueta que se erguia rente seu corpo. De resto tudo o que havia era a chuva lá fora e um silêncio, quase absoluto, interrompido  apenas pelos passos do seu algoz. Os outros deviam estar mortos. Todos deviam ter morrido. E ela seria a próxima. Teve certeza disso quando o assassino parou de arrastar seu corpo e soltou seus pés contra o chão.
Diante do que parecia ser seus últimos momentos de vida, Elizabete fitou a temida silhueta que se esgueirando pela sua esquerda, postou-se de maneira assombrosa acima da sua cabeça. Não havia um rosto ou olhos que brilhassem na escuridão e dificilmente os teria notado se ali estivessem, pois roubava a cena o cano da pistola que reluzia refletindo um pequeno feixe de luz que adentrava o saguão imperceptivelmente. Elizabete ouviu o gatilho ser puxado e preparando-se para a morte, fechou os olhos. Enquanto na mente apenas uma afirmação indagativa se repetia: Aquela era a morte, que gosto ela tinha? Não soube! Mesmo quando o gatilho foi puxado, tudo se limitou ao estampido; ao som do projétil cortando o ar e perfurando a madeira ao seu lado. Ainda demorou a acreditar que vivia, apenas quando abriu os olhos deve certeza de que não havia morrido, mas também teve naquele segundo certeza da morte. A silhueta do assassino projetou-se sobre seu corpo, revelando junto ao pulso, abotoadoras de um azul que cintilava fracamente iluminado pelo feixe de luz, outrora refletido no cano da pistola. Um azul fascinante que recordava pequenas e preciosas pedras de aquamarine.
Por alguns segundos Elizabete acreditou que sua sobrevivência até então não fosse nenhuma espécie de benção, mas que essa apenas precederia uma punição tão forte quanto a sofrida pela sua mãe: estuprada e espancada até a morte. Uma punição condizente com seus últimos anos. Podia dizer que se tratava de uma punição merecida. Enfim entenderia como era ter o corpo violentado. Enfim sentiria a mesma dor à qual eram submetidas as mulheres que adentravam seu consultório, em busca de arrancar do ventre um feto indesejado. Um trabalho sigiloso do qual há muito não se orgulhava.
No fim era tão ruim quanto o homem com a arma apontada para o seu rosto, era tão ferina quanto ele. Uma assassina! Uma assassina de inocentes, assim como ele. Teve vontade de morrer quando se comparou com aquele desconhecido. Desejou a morte para si mesma e apertou os olhos quase que implorando por um fim.
- Por favor, atira! – pediu apertando os olhos com mais força.
- Não! – pode ouvir a voz do homem sendo abafada pelo tecido do capuz – Não importa o que você fez para querer tanto morrer. Você se arrependeu!Merece continuar viva para começar do zero e fazer tudo diferente dessa vez – ele concluiu, inclinando o corpo sobre a mulher paralisada de medo. – Boa sorte!- desejou se aproximando do seu corpo e empunhando a arma.
Elizabete ainda ensaiou um: “Obrigada! Eu sempre serei grata por isso.”, mas uma forte coronhada na têmpora esquerda lhe tirou a consciência.


Quando o investigador Vargas retornou ao encontro da sobrevivente, ela ainda permanecia inerte, entregue aos seus pensamentos, e foi preciso que o policial erguesse o tom de voz para que ela os abandonasse.
- Do que falávamos quando saí? – questionou Vargas.
- Eu tinha perguntado se vocês sabiam quem me salvou. – respondeu com um meio sorriso, disfarçando ter conhecimento da resposta.
- Não! Mas desconfiamos que tenha sido outra vítima, porque o celular da ligação estava no hotel registrado no nome de uma delas – especificou o policial – Mas até agora não podemos ter certeza de nada. E a senhorita, se lembrou de alguma coisa importante? – indagou o policial.
- Não! – Elizabete mentiu – Nada! – enfatizou com falso ar de lamento.
- Então acho que por ora não há mais nada a fazer. Está liberada senhorita Aguiar – afirmou – Se lembrar de alguma coisa, por favor, não deixe de entrar em contato. – pediu o investigador – É nossa única testemunha conhecida senhorita, toda ajuda é de máxima importância nesse caso.
- Pode deixar senhor investigador – Elizabete consentiu, embora soubesse que não iria fazê-lo.
- Quanto ao seu herói –
- Eu não preciso de um nome, eu já sei quem me salvou. – ela interrompeu a conversa temendo uma investigação mais profunda do caso.
- É mesmo, senhorita?!
- Sim! – um pequeno sorriso despontou no rosto radiante de Elizabete.
- E quem foi?
- Deus! – disse de maneira que não restasse dúvida em sua credulidade nisso – Independentemente de quem deu o telefonema, nada disso aconteceria sem Deus! – afirmou – Boa sorte, com as investigações. – desejou falsamente enquanto abria a porta.

Ainda não sabia o porquê havia sido poupada; menos ainda se seria capaz de trilhar um novo caminho, como lhe fora aconselhado no instante derradeiro em que ganhou a nova chance. Tinha apenas certeza que sempre seria grata por ela. E que no momento em que aquele desconhecido, inconscientemente, perdoara seus pecados lhe poupando a vida... Naquele momento, não apenas o tinha perdoado, mas passara a ter com ele uma dívida eterna e uma infindável gratidão.
Pensava nisso quando percorrendo o corredor do departamento policial avistou novamente as abotoadoras azuis e as mãos pálidas segurando uma série de fichas. Ele estava ali diante dos seus olhos: as mesmas mãos e o mesmo terno; as mesmas abotoadoras, em contrapartida a mesma ausência de um rosto que o identificasse. Elizabete umedeceu os lábios e aproximando-se em passos lentos quase o chamou pelo nome... Queria que aquele homem tivesse um rosto na sua memória, mas quando estava consideravelmente perto, achou melhor que não tivesse. Passou direto! E antes de sair pela porta do departamento, questionou-se do porque o tinha poupado. Perguntou-se se era aquilo apenas uma retribuição do que ele fizera. Ou se tinha naquilo um significado maior. Desceu as escadas murmurando a si mesma a resposta:
- Porque eu sei que para a maioria das pessoas ele é o grande monstro da história – afirmou para si – Mas a única vítima disso tudo sou eu, e quando ele me salva, não importa o que ele tenha feito antes, ele se torna o herói. E o herói sempre escapa no final!– concluiu descendo a escada, carregando consigo o segredo do vilão de uma multidão: a identidade secreta do seu insólito herói.
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MensagemAssunto: Re: O Herói - Tammy Marinho   Sex Jul 04, 2014 10:32 pm

Marcando para depois. Bem vinda.
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Herói - Tammy Marinho   Ter Jul 08, 2014 6:56 am

Obrigada!
Fico no aguardo de vossa opinião. Smile
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MensagemAssunto: Re: O Herói - Tammy Marinho   

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