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 Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos

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AutorMensagem
Letícia Azevedo

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Mensagens : 8
Pontos : 15922
Data de inscrição : 08/07/2014

MensagemAssunto: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Qui Jul 17, 2014 10:56 pm

- Isso não está funcionando – disse uma voz forte, mas suave.
- O que quer dizer?
Encontravam-se numa sala de estar velha, com o carpete puído e pelo menos dois centímetros de pó cobrindo todos os móveis. O relógio cuco pendurado na parede era a única coisa que ainda funcionava, soando melancólicos tiques por incessáveis cinquenta anos. No entanto, no meio da sala, sentadas no sofá comido por traças, havia três garotas lindas. Tão lindas que, na verdade, alguns diriam que elas não existem, sendo sem dúvida fruto de suas bebedeiras de um bar em uma noite qualquer, da qual não se lembram de nada, apenas o rosto daqueles anjos.
Anjos que, para ser completamente sincero, ninguém gostaria de encontrar.
- Você não lembra o que nosso pai nos disse? – a voz forte tornou a falar – Isso não vai acabar bem, temos que parar.
- Você sabe muito bem que nunca foi nossa intenção que desse certo.
- Talvez.

Uma risada escapou da garota mais nova que até então não tinha dito nada. As três se entreolharam por uns segundos.
- Bom, essa reunião acabou – a mais nova decidiu – Vocês sabem onde será o próximo encontro. Não se atrasem.
- Pois não existe tal coisa chamada tempo...  – a mais velha, com sua voz poderosa, disse.
- Apenas há o relógio – a do meio completou.
E, assim mesmo, deixaram aquela casa sem olhar pra trás, tomando caminhos diferentes. Não vou perder meu tempo e contar o que é que elas vestiam e para onde foram, é irrelevante. O fato é que, estas três garotas, nas duas semanas que se seguiram, voltaram a se encontrar naquela mesma casa, com as mesmas roupas, em plena luz do dia. Não se falaram e mal se olharam, de fato, mal tocaram no piso ruidoso de madeira e já saíram. Desta vez, juntas. Entraram num carro prata discretíssimo estacionado do outro lado da rua e partiram. Não pararam até chegarem em um prédio sofisticado, localizado no centro da cidade, vigiado por câmeras e seguranças em ternos. Montaram suas expressões doces e adentraram na porta giratória sem serem abordadas ou notadas. O grande saguão cheirava a jasmim e perfume caro, e se você as perguntasse, é só desse fator que elas lembrariam sobre este dia em questão.
- Quarto 41, por favor – a mais nova pediu, sorridente.
- Este quarto já tem dono, senhora...
- Ah, é claro – ela soltou uma risadinha – Foi o Sr. Gillian que nos requisitou, você sabe...
- Ah, entendo – a recepcionista corou furiosamente e discou no telefone – Olá, Sr. Gillian, acabaram de chegar três... hm... acompanhantes que o senhor requisitou. Posso deixá-las subir?
Uma grande pausa em que a recepcionista preencheu com pedidos de desculpas e fortes soluços.
- Tudo bem. Desculpe-me senhor. Ah... sim, entendo. – E desligou o telefone – As senhoras concordariam em olhar para esta câmera aqui? – a recepcionista virou a tela de seu computador para elas – O Sr. Gillian quer ter certeza de que não cometemos nenhum engano.

No segundo em que as três olharam para a câmera e sorriram, o telefone tocou e um enorme berro saiu de lá de dentro.
- Sim, senhor, já vou mandá-las, me desculpe por demorar... mas eu não... sim.
As três, sem se demorar, entraram no elevador e subiram até o segundo andar. Andaram pelo corredor deserto e pararam na porta 41. Checaram seus bolsos, se olharam e bateram à porta.
Um homem de roupão abriu a porta com os lábios apertados em um sorriso. Tinha cabelos grisalhos e um aroma desagradável. Em um segundo convidou-as para entrar e “se deliciar com o champanhe na mesinha do quarto” e desapareceu em seu banheiro. Voltou de lá totalmente nu, o sorriso ainda em seu rosto, e deitou-se na cama.
- Devo admitir que isso me surpreendeu um pouco – ele soltou uma risadinha asmática – O Perkins vive me mandando acompanhantes quando viajo, sabem como é. Ele é meu secretário, como acho que vocês sabem, porque foi ele que as contatou, não?
- O nome dele não seria John Meyer... senhor? – a mais velha perguntou educadamente enquanto sentava-se na cama.
- É... é, bem. Desculpe-me por testá-las deste jeito, mas é que nunca se sabe não é mesmo... ah, querida, vamos com calma – ele falou já sem fôlego, porque as três tiravam suas roupas ao mesmo tempo.

A do meio subiu na cama, nua, e deitou-se ao lado do velho, acariciando seu peito, enquanto a outra mão tocava no seu membro mole.
- Não vejo problema nenhum nisso, senhor – ela disse enquanto o masturbava – Afinal, o senhor é um político muito importante, deve lidar com ameaças o tempo todo.
- Armas pressionadas contra sua cabeça – a mais nova continuou e deitou-se do outro lado do homem.
- Bem... é, é verdade.
- Aposto que isso o chateia muito, não? – a mais velha ficou parada na frente da cama, acariciando seus seios.
- Um pouquinho, é...
- Então eu acho que mais uma arma não faria muita diferença, faria?
O homem parecia incapaz de falar. Isso devia ao fato da garota mais velha estar apontando o dedo para ele, sugando todo o ar de seus pulmões, sentindo cada fibra do homem se contorcer de dor.  Seu grito cruzava o quarto como uma rajada, mas ninguém fez nada quanto a isso.
- Acho que devemos nos apresentar apropriadamente – a mais velha continuou falando por cima da gritaria – Nosso nome é irrelevante, mas acho que o sobrenome será vagamente familiar para o senhor.
- Veja bem, nosso querido pai, que Deus o tenha– a mais nova disse – Se chamava Daniel Carlson. Você já ouviu falar dele?

A irmã do meio finalmente tirou as mãos do homem e se sentou longe o suficiente.  A mais velha soltou a mão e o homem pode respirar apenas o suficiente para xingá-las, e de novo, estava sobre o controle dela.
- Agora escute aqui, seu merdinha. Você é o último. Fomos nós que matamos Jones, fomos nós que matamos o imbecil do Thredson, fomos nós que matamos a porra do seu senador preferido – A mais velha debochou, chegando mais perto do homem – E nós vamos matá-lo.
- Eu não fiz nada! – o homem conseguiu choramingar.
- Você foi responsável pelo suicídio do nosso pai – a do meio disse – Você desviou dinheiro e o incriminou, você fodeu com nossa mãe, e agora nós vamos acabar com você.

O homem gritou a plenos pulmões sem acreditar que aquilo estava de fato acontecendo. Ele estaria morto. Por três adolescentes idiotas. Todo seu esforço, sua família, tudo seria arruinado por Carlsons. E antes mesmo dele terminar seu pensamento, sua cabeça fora arrebentada pelo fechar de um punho.
- Corram.
As três saíram do quarto e desceram pelas escadas. Chegaram no saguão onde funcionários e clientes não a notaram, de novo uma façanha da irmã mais nova, as tornando figuras tão normais que ninguém se deu ao trabalho de olhá-las duas vezes. Saíram do hotel, entraram no carro e em menos de uma hora alcançaram um posto de gasolina fora da cidade onde puderam sair e encarar o céu.
- Acabamos. – a mais velha sussurrou.
- O que faremos agora? – a mais nova perguntou.
- Devemos ir. – a do meio disse, pura e simplesmente.
E com a persuasão da irmã do meio, a invisibilidade da mais nova e o poder da mais velha, as três desapareceram no espaço, não deixando nada além de um enigma, e de palavras que seriam lembradas como suas.
- Não devemos nos atrasar.
- Porque não existe tal coisa chamada tempo...
- Só existe o relógio.
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Estela Goldenstein

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Sex Jul 18, 2014 11:10 am

Olá Leticia, gostei muito do seu conto, só no comecinho do texto achei um pouco confuso, vc poderia ter desenvolvido melhor, adicionado mais detalhes, amarrado melhor com o desfecho.
Esqueci de comentar que vc não atentou para o gênero proposto!

Adorei serem irmãs assassinas e não irmãos rs

Parabéns
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Sex Jul 18, 2014 5:21 pm

No início do conto, eu achei que você estava fazendo uma apresentação moderna das Moiras e confesso que fiquei triste quando descobri que não era. (Elas não são diretamente assassinas, exceto que você olhe sobre um outro ponto de vista, mas isso é irrelevante aqui...)

Eu não me atentei claramente ao Gênero que quis apresentar, embora eu imagine que seja Fantasia (pela presença dos poderes)

Sobre o conto.
Gosto muito da ideia, mas achei curtinho e acho que poderia ter desenvolvido mais.
O trecho inicial também, achei uma sequência de ações muito corrida.
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Ter Jul 22, 2014 3:15 pm

Letícia, Ola! Não nos conhecemos, acho? Bah! Irrelevante!

Fiquei intrigada com teu conto. Adoro histórias de vingança e a sua tem um potencial de virar uma novela espetacular!

Achei bem corrido, sabe? Temos um limite bastante flexível de palavras, não sei pq vcs estão com medo de usá-las! Escrevam sem medo! Desenvolvam as histórias de vcs, usem o tempo de vcs para melhorar cada dia mais! A gente sabe que a vida é corrida pra todo mundo, por isso temos 1 mês inteirinho pra encaixar a nossa escrita nessa loucura que é a vida moderna!

No mais, ansiosa para mês que vem! Wink
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Indy J

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Qua Jul 23, 2014 8:16 am

Gente!!!
É Fantasia!!!

Oi, bom dia.
Galera,
1- o conto só é válido se for dentro do gênero e tema propostos!
2- eu achei o seu tom bem bacana no começo, mas parece que perdeu a voz no meio do caminho
3- não deu tempo pra eu entender nenhum personagem nem me sentir impactado com a história

Assim, acho que o melhor a se fazer é reescrever esse conto pra atentar ao gênero (Fantasia ou sci-fi) ou fazer outro diferente.
Sem várzea, né, gente bonita?
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Carol Rodriguez

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Seg Jul 28, 2014 11:33 am

Gente, elas são mutantes, logo, automaticamente é ficção-científica.
Eu gostei, no geral, mas senti falta de conhecer um pouco melhor as personagens, além da narrativa meio corrida.
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Seg Jul 28, 2014 7:23 pm

Vamos lá. Texto curto e corrido. Deixa claro que não teve muita paciência para conduzi-lo. Pois você tinha elementos perfeitos para fazer algo primoroso, a vingança, politicagem, sexo e super-poderes. Elementos ultra intrigantes em qualquer historia. Acredito que o gênero seja fantasia, pois super-poderes não os adquiramos nem há um milhão de anos, espero rsrs. Bom é isso, basta tem um pouquinho mais de paciência e acrescentar mais conteúdo aos seus personagens, encaixar historias, moldar toda a trama dentro de um objetivo só. Uma dúvida, o Sr Gillian, morreu com apenas um soco? É isso, até mais.
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Caio Biolcatti
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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Ter Jul 29, 2014 9:16 pm

Embora em proporções menores, a minha dica para você é a mesma que dei para o Adriano: Uma história que poderia ser espetacular se desenvolvida melhor. Alguns pontos como esfericidade dos personagens são, ao meu ver, crucial para que uma história desenrole bem! Você parece ser criativa, não tenha medo de usar essa criatividade!!

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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   Qua Ago 06, 2014 7:57 am

Não achei sua linguagem corrida, mas dinâmica. Minha única crítica é um pouco mais de profundidade nas irmãs, e mais ainda na história do Pai. Acho que você quis usar as irmãs como uma coisa só nessa aura de sabermos pouco sobre elas, mas pelo menos um ponto tem que ser aprofundado.

De todo modo, é um bom conto.
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MensagemAssunto: Re: Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos   

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Conto: A Última Missão - Tema: Irmãos Assassinos
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