Odisseia do Escritor

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 [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra

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Patricia Souza
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MensagemAssunto: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Sab Jul 19, 2014 1:22 pm

Era uma vez em uma terra distante, onde fadas, anões e elfos viviam em paz com os humanos, duas irmãs bruxas moravam em um vilarejo isolado em um vale belíssimo. Seus nomes eram Tatra e Tetra.

Tatra era a mais velha, tinha seus 160 anos de bruxa e se preparava para escolher a escola de magia que deveria seguir. Era muito boa em feitiços da Terra, e tudo indicava que seria esse seu caminho. Tetra, a mais nova, ainda tinha 140 e muita coisa a aprender, apesar de sua aptidão inigualável para a escola do Ar.

Tetra certa vez, chegou em casa eufórica! Tinha um segredo, e não queria dividir com a irmã. Vinha do rio com um balde de água fresca para o caldeirão, rodopiando pelo aposento como um dente de leão ao vento. Certamente alguma bobagem infantil que Tatra não deu muita importância. Saiu, então, para colher ervas para os chás, deixando sua irmã e seus segredos para lá. Seguiu o rio, e entrou na floresta. Lá, estava o filho do lenhador em seu trabalho braçal.

Era um rapaz bonito. Alto, largo devido ao trabalho com o machado e simpático. Cantarolava alguma canção dos humanos que Tatra desconhecia. Sorriu e pôs-se a recolher as ervas que encontrava por ali.

O rapaz, a pesar de estar concentrado no trabalho, notou que Tatra estava por perto. Olhou de canto de olho, enquanto acertava com o machado em um tronco particularmente grosso de pinheiro. Eram bem famosas no vilarejo, as irmãs bruxas. Era para elas a quem todos recorriam quando precisavam de um chá para as dores, ou uma sutura para os cortes. Antes delas era para a mãe, e antes desta para a avó, por gerações incontáveis.

O filho do lenhador sentiu-se particularmente sortudo neste dia. Pôde observar as irmãs, famosas também por sua beleza, tão diferentes uma da outra, como o dia era da noite, em uma mesma manhã. Tatra era toda curvas, e gostava de mostrar bastante pele. Realçava sempre o olhar com carvão, o que lhe dava uma aparência felina, e adornava os lábios com sumo de amoras, sempre virado em um sorriso. Tetra era o oposto. Reta como uma tábua, porém tinha um andar, uma aura, que chamava a atenção de qualquer um. O rosto fino ostentava apenas as cores naturais com as quais nascera e raramente sorria. Sorriu para ele mais cedo, entretanto. Não pode deixar de notar.

Tatra estava concentrada no que fazia. Colhia um mato qualquer, cheirava as folhas, cortava as raízes com uma faca de cabo branco e as amarrava separadas, colocando em seguida em sua cesta. Parou então em frente a um sabugueiro, rodeou uma vez, procurando entre seus galhos algo que o filho do lenhador não fazia ideia do que fosse. Tanto era sua concentração, que ele parou o próprio serviço, intrigado.

Tatra então tocou a casca da árvore e fechou os olhos, como que em prece. Sacou a faca de cabo branco e cortou um galho nodoso. Demorou-se ainda, retirando as folhas do galho, que ia colocando em sua cesta. Quando se deu por satisfeita, olhou para o seu trabalho e sorriu. Percebeu então que o filho do lenhador a observava.
Levantou-se com toda sua graciosidade felina e embainhou a faca, que levava sempre às costas, como era costume entre as bruxas. Testou o peso do galho entre os dedos, enquanto caminhava distraída. Há tempos procurava o material ideal para sua nova varinha. Iria precisar para quando entrasse para o colégio. Sorriu, acenou para o garoto com seu machado e pôs-se a caminhar de volta para a casa. Ainda teria que assar os pães e doces para vender mais tarde. Refez seu caminho de volta à casa, cantarolando a canção do filho do lenhador.

Em casa, Tatra guardou as ervas, separando apenas as que iria usar nos pães. Tetra ainda estava sorridente. Não era de seu feitio sorrir tanto. A irmã mais velha estava ficando curiosa do porquê de tanta alegria. Tentou arrancar alguma coisa dela, enquanto sovava a massa de pão. Descobriu apenas que tinha a ver com algum garoto do vilarejo. Tatra gostou de saber que a irmã finalmente tinha desabrochado como mulher. Estava ficando preocupada. Uma bruxa sem interesse nos homens era algo inédito para ela.

Saíram mais tarde para a venda. Tatra vendendo os pães, e Tetra a cerveja doce que fazia. Era uma receita antiga de família, datada da Primeira Grande Conquista, coisa de uns cinquenta mil anos de bruxa atrás. Diz-se que essa receita foi o que decidiu a Guerra, afinal. Humanos e as criaturas mágicas vivem em paz desde então.

Já tinha vendido quase todos os pães quando três garotinhas apareceram correndo, com os pais logo atrás. Era a família do lenhador. As meninas gostavam muito de doces, especialmente dos pães de Tatra, que não era uma receita tão antiga quando a cerveja doce de sua irmã. Na verdade era uma receita própria, criada em um dia de tédio. Não imaginava que faria tanto sucesso.

Notou que o filho do lenhador não estava junto de sua família. Era um garoto bom, sempre cuidando das irmãs, ajudando a mãe com as compras e o pai com a lenha. Fazia às vezes uns bonequinhos de madeira que vendia nos festivais. Era sucesso entre os mais novos e talvez mais esperado do que os pães de Tatra.

A família se retirou. As meninas tinham as bocas meladas de doce e um sorriso gigante. Tatra se perguntou aonde sua irmã poderia estar. Tinha se ausentado para repor o barril de cerveja e até agora não havia voltado. Deveria se preocupar?

Tetra havia se encontrado no caminho de volta com o filho do lenhador. A jovem bruxa estava encantada por ele há algum tempo, mas nunca teve coragem de se aproximar. Para uma bruxa, era tímida até demais. Não compreendia o desprendimento com o sexo oposto que as outras tinham. Para elas, os homens eram simples e descomplicados. Para Tetra, eram um mistério a ser desvendado.

O filho do lenhador se dispôs a ajudá-la a carregar o carrinho com os barris cheios de cerveja doce, mas Tetra recusou. Podia perfeitamente carregar suas coisas. Não precisava de homem nenhum, nem mesmo dele, a quem ela vem observando há algum tempo com interesse. Ele entendeu e respeitou. Era diferente e estranho que uma mulher não necessitasse de ajuda para nada. Mas devia ser um dos mistérios de bruxa. Ele gostava disso nela.

O filho do lenhador tinha encontrado mais cedo, depois de seu encontro com ela no rio, uma pena de gaio gigante, ao qual presenteou Tetra. Ele achou fofo ela corar. Nunca tinha visto uma bruxa corada! Sentiu vontade de beijar suas bochechas quentes, mas se controlou. Não sabia como ela poderia reagir. E se ela lhe transformasse em um sapo? Bobagem obviamente, mas pelo sim pelo não, ele manteve seus beijos para si.

Se despediu dela e foi encontrar com sua família. Provavelmente as meninas já estariam cansadas de comer doces, e logo cairiam de sono. A mais nova tinha a tendência a ficar incrivelmente mal humorada para uma criança de quatro anos quando tinha sono. Ele teria que carrega-la até em casa.

Tetra ainda estava paralisada de felicidade. Ter recebido um presente justo dele! Guardaria a pena para sempre! Ou pelo tempo que ela perdurasse. As coisas tinham a tendência a se esfarelar com o tempo. Poderia fazer uma poção para que ela ficasse mais resistente, mas nem isso faria com que durasse o seu para sempre. Uma pena.

Alguns dias depois, Tatra precisou ir ao mercado. Estava ficando sem ingredientes para seus pães. Veio caminhando pela estradinha, cumprimentando as pessoas pelo caminho. Prometeu à uma senhora que levaria um chá da lua para sua neta, que sofria das dores mensais, e parou para aplicar emplastro nos joelhos de um garotinho que havia caído enquanto brincava.

Sempre levava consigo emplastros e curativos. Nunca sabia quando poderia precisar. Arranhões e cortes poderiam ser perigosos se não fossem limpos e tratados devidamente, a pesar do que dizem os mais leigos. Tatra já viu muitos cortes inofensivos e não tratados inflamarem até não ter mais o que fazer.

Ficou satisfeita com as compras de hoje. Conseguiu repor decentemente tudo o que precisava para casa e para seus pães. Comprou também alguns tecidos para fazer vestidos novos para si e para Tetra. Não era lá muito boa com a modelagem, mas sabia se virar. Qualquer coisa poderia encomendar com uma das tecelãs.

Estava debatendo consigo mesma se levava um set de joias que achava que combinava com Tetra quando viu que o filho do lenhador se aproximava. Vinha carregando as madeiras que tinha cortado mais cedo, provavelmente levando para a venda. Sentiu pena das árvores, retalhadas para alimentar o fogo das casas dos humanos, sem nem ao menos uma oferenda de gratidão. Prometeu a si mesma que iria a floresta hoje à noite para ofertar algo. Se os humanos não se preocupavam em devolver à Mãe o que era dela, ela faria isso por eles. Eram no geral, gente muito boa e trabalhadora, apenas alheios ao que é verdadeiramente sagrado.

O filho do lenhador, então, a viu olhando para ele e corou até as raízes dos cabelos ruivos. Era um efeito interessante e instigava Tatra. Sorriu e foi até ele. Conversaram amenidades, como iam as meninas, as dores nas costas do pai, o tempo. Na verdade Tatra falava, e ele ouvia. Ele sentia-se intimidado pela presença dela.

Porém aos poucos foi se soltando. Era fácil conversar com ela, afinal de contas! Bem humorada, fazia piada das coisas mais inusitadas. Tinha uma língua afiada e uma resposta pronta para qualquer um. Acompanhou-a até em casa, depois de deixar a lenha para a venda, e diferente de sua irmã mais nova, Tatra deixou-o carregar suas coisas. Não era um mistério de bruxa, afinal. Apenas uma coisa de Tetra.

O tempo passa e, o filho do lenhador se envolve cada vez mais com as irmãs. O garoto, criado para se sentir superior com as atenções das mulheres, estava encantado com as atenções das duas, conhecidas por serem eternamente belas e nunca envelhecerem. É bem verdade que envelheciam e morriam, mas em um ritmo mais lento. As tratava com toda cortesia, e incentivava os sentimentos de ambas. Mal sabia o que o aguardava.

Em uma tarde quente, as irmãs combinaram de o encostar na parede. Haviam percebido, é claro, que o filho do lenhador arrastava asa para as duas. Os presentes que dava à elas, sempre uma pena para Tetra, e sempre uma flor silvestre para Tatra. Conhecia bem o gosto das duas. Além, é claro, da fofoca local. Ele teria que escolher. Mas ele não conseguia escolher. Gostava das duas igualmente.

Ao tentar dizer-lhes isso, o filho do lenhador causou mais estragos do que esperava. Houve uma discussão das feias entre as duas. Ele queria intervir, mas teve medo. O ar a volta delas parecia carregado de estática, como se uma tempestade estivesse próxima. Pensou ter sentido cheiro de chuva, mas o céu estava claro e ensolarado! Certamente era coisa de sua imaginação.

A discussão terminou tão abruptamente quanto começou. Cada uma partiu para um lado, intempestivamente, deixando o filho do lenhador coberto de arrepios e sem saber o que fazer. Com o silêncio que se fez, ele pensou por um momento ter ouvido a própria terra ranger. Nada mais do que impressão, obviamente.

A tensão entre as irmãs em sua casa estava impossível. Não conseguindo mais conviver com sua irmã, Tetra resolveu mudar-se para uma cabana simples na floresta. Era tranquilo lá, bem próximo a um lago, e era perto dos ninhos dos gaios gigantes. Poderia sentar-se em qualquer lugar e observá-los ensinando os filhotes a voar. Porém estava triste. Sentia falta do cantarolar de Tatra enquanto sovava o pão.

Tatra também sentia falta da irmã mais nova, mas se tinha uma coisa que uma bruxa jamais admitiria, era uma outra mulher se meter com seu homem, não importava se era sangue do seu sangue.

O filho do lenhador sentia muita falta da companhia das duas. Era um bom garoto, afinal. Não gostava nada dessa situação. Queria fazer as pazes entre as irmãs a qualquer custo, pois era sua culpa o que tinha se passado. Sentia-se mal de verdade com essa história. Teria que compensar de alguma maneira.

O povo do vilarejo estava sentindo na pele a ruptura entre as irmãs. Com Tetra exilada, recaía sobre os ombros de Tatra todo o trabalho de curandeira. Já não vendia mais pães, pois estava até os cotovelos com suturas e emplastros. Tatra vendeu o último barril de cerveja doce feita por Tetra para a taverna, duas luas depois da briga.
Foi então que os anciãos do vilarejo decidiram se reunir. Eles não poderiam viver sem os cuidados das irmãs, sem seus pães e sua cerveja doce. Foi decidido que o filho do lenhador deveria fazer algo para remediar essa situação. Mas o que o pobre poderia fazer? Ele não conseguia pensar em um jeito de consertar esse erro, sem magoar uma ou outra irmã. Desolado, procurou os conselhos do pai.

O lenhador era um homem simples. O que sabia da vida, aprendeu observando, portanto deixou que o filho aprendesse da mesma forma. Nunca pensou, nem por um momento, que viveria para ver seu filho mais velho nesse tipo de situação. Ao mesmo tempo que estava orgulhoso, também estava desconcertado. O vilarejo dependia dos cuidados das irmãs, afinal, mas o que poderia ser feito? Mas seu pensamento divagou para seu estômago. Já era tarde e não haviam jantado ainda, devido a reunião com os anciãos.

Foi aí que o filho do lenhador teve uma ideia brilhante. Ou pareceu brilhante naquela hora. Marcou um encontro com as duas, e contou seu plano. Pediu para que elas cozinhassem para ele. A que fizesse a sobremesa mais gostosa, seria aquela que ele escolheria, mas somente se prometerem voltar a se falar, sem ressentimentos. Era uma competição justa, e ambas aceitaram.

Tatra, ao voltar para casa, preparou a massa de seu pão doce. Tentaria uma receita diferente desta vez, com algumas ervas mais exóticas que vinha cultivando. Mas se tudo desse certo, de acordo com o plano que bolava, isso não iria importar muito. Sovou a massa até os braços doerem. Este iria ser o melhor pão que já fizera. Enquanto esperava a massa descansar, desceu ao porão, onde ficava seu caldeirão e seus ingredientes de poções. Acendeu o fogo, e esperou a água ferver. Água era o ingrediente base para qualquer poção. Sempre continha água pura em um caldeirão de bruxa.

Tatra então jogou, então, no caldeirão fervente, uma pitada de sal, para que o amor seja firme como o solo em que pisamos, mel de abelhas, para que a vida a dois seja sempre doce, fios do próprio cabelo, para que ele nunca a deixe, e se porventura deixar, poderá sempre achar o caminho de volta. E por último, uma única gota de Lágrima de Mara, componente indispensável em uma poção de amor. Se tudo desse certo, o filho do lenhador a escolheria, e não haveria ressentimentos entre ela e sua irmã.

Tetra não era tão boa cozinheira. Sua especialidade manual estava na harpa e no piano. Uma pena não ter mais nenhum dos dois à mão em sua nova moradia. Ao chegar em casa, viu que tinha disponível poucos ingredientes. Um pouco de leite e as frutas que colhera esta manhã. Bateu então o leite em um creme, e adicionou as frutas. Não precisava ser nada sofisticado, já que, se desse certo o que tinha em mente, quem fosse a melhor cozinheira não teria a menor importância. O filho do lenhador certamente a escolheria. Estocou o creme em uma caixa com um feitiço de sopro gelado, inventado por ela mesma. Deveria aguentar até o dia seguinte sem maiores problemas. O leite tinha a tendência a azedar mais depressa em dias quentes se não fosse bem estocado.

Sua cabana na floresta não tinha porão, era mais simples que a antiga casa na aldeia, então seu caldeirão ficava no aposento principal. Acendeu o fogo e esperou a água ferver. Olhou para as chamas, e por um momento pensou ter visto o reflexo da morte. Tolices de sua mente, obviamente. O que iria fazer hoje nada tinha a ver com a morte!
A poção de Tetra, como em tudo, era um pouco diferente de sua irmã. Jogou ao caldeirão sumo de pétalas de rosa vermelha, para que o amor seja eterno, gotas do próprio suor, para que sinta seu perfume aonde quer que vá, uma pena de coruja branca, para que lidem com sabedoria todos os percalços que a vida certamente trará. E por último, uma única gota de Lagrima de Mara. Esse ingrediente era vital para uma poção de amor dar certo.

No dia seguinte, as duas irmãs se encontraram na estrada, a caminho do centro do vilarejo. Os anciãos haviam decretado que essa competição aconteceria ante os olhos de todos, já que este assunto dizia respeito a toda comunidade. Elas se olharam com saudade, porém seus orgulhos estavam feridos demais ainda. Caminharam lado a lado em silêncio.

O povo estava todo reunido na praça do mercado. Parecia dia de festival. Crianças brincavam, pessoas vendiam, tinha até música tocando. Um verdadeiro evento. Tetra se adiantou, com pressa. Não tinha paciência para esse tipo de coisa. Queria acabar logo com isso e seguir a sua vida com o filho do lenhador. Há muito tempo esperava por isso e nada iria impedi-la.

Tatra nem se abalou. Continuou andando calmamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. E deveria ter mesmo. Era bruxa, seus anos eram contados diferente dos humanos. Já era nascida quando os avôs de todos aqui hoje não passavam de crianças de peito.

Uma mesa foi posta bem no centro da praça. Tetra já estava sentada em frente ao filho do lenhador, um sorriso gigante estampado no rosto. Poucos poderiam dizer que tinham visto ela ostentar um sorriso tão bonito e genuíno. O filho do lenhador certamente era um desses poucos, pois tinha um idêntico, só para ela.

Tatra então sentou-se ao lado da irmã, para assim ficarem as duas de frente a ele. O filho do lenhador deu-lhe um sorriso tão grande quanto o que ostentava para a mais nova, e ela o retribuiu. Os pratos foram postos, lado a lado. O pão doce de Tatra brilhava ao sol, devido ao açúcar cristalizado da casca. Parecia uma joia. O creme de Tetra havia ficado mais durinho durante a noite, efeito interessante da sua invenção, então ela o desenformou em um prato. O doce tremia levemente em cima da mesa à mínima trepidação.

Tetra sugeriu que seu prato fosse consumido primeiro, pois não sabia se ele duraria muito tempo sob o sol de verão. Tatra deu de ombros. Estava acostumada com a impaciência da irmã. Poderia esperar mais uns minutos se fosse o caso.

O filho do lenhador, então, pegou uma colherada generosa do creme. Saboreou de um lado para o outro, sentindo a textura. Era a primeira vez que provava algo assim. Não havia dúvidas em sua mente de quem era a vencedora, mas teria que provar do pão de Tatra também. Era esse o acordo. Pôs a colher de lado, sorriu beatificamente para Tetra, que tinha um brilho de triunfo nos olhos, e cortou uma fatia do pão.

O doce fez uma festa em sua língua. Já havia provado dos pães de Tatra diversas vezes, mas tinha algo a mais neste. Era mais leve e continha um recheio doce e amarelado, algo que ele nunca tinha visto. Era óbvio quem iria vencer esta competição. Sorriu para Tatra que sorriu de volta, certa de que havia vencido.

Porém o filho do lenhador não conseguiu emitir uma única palavra, pois havia caído duro para frente, de cara nos doces, um sorriso ainda estampado no rosto.

Foi um alvoroço. Primeiramente todos tinham pensado que ele havia fingido desmaiar para não escolher uma das duas, mas depois perceberam a seriedade da situação. As irmãs partiram mais do que imediatamente para a ação, fazendo a manobra bruxa de ressuscitação. Uma bombeava o coração com as próprias mãos, enquanto a outra soprava ar em seus pulmões, porém não estava adiantando.

Tetra chorava, não entendia o que poderia ter acontecido. Não estava prestando a mínima atenção ao que se passava a sua volta. Seu foco estava inteiramente em trazer o filho do lenhador, seu amor, de volta a vida.
Tatra, mais objetiva, fazia seu trabalho, mas prestava atenção. Um clérigo, recém chegado ao vilarejo, incitava a população contra elas. Gritava coisas como blasfêmia e necromancia. A palavra fogueira era recorrente. Tocou a mão da irmã para que parasse. Já era tarde demais. Estava além das habilidades das duas.

Tatra foi até a mesa e mexeu no creme preparado por Tetra. Pegou uma colherada e cheirou. Suas suspeitas se provaram verdadeiras. A irmã também havia preparado uma poção do amor. Acontece que Lágrimas de Mara era, também, um veneno instantâneo se tomado mais que uma única gota por vez. Ninguém, nem mesmo as duas, tinham como prever uma fatalidade como essa.

Uma única lágrima escorreu em seu rosto, traçando uma linha preta, por causa do carvão que usava nos olhos. Jamais poderia imaginar que, na única vez em que pensaram igual na vida, iriam causar tamanha tragédia.

Tetra ainda não havia percebido, pois estava em luto profundo. Acalentava o corpo sem vida do filho do lenhador como se fosse a última coisa estável do mundo. Tatra a abraçou e as duas tiveram sua última oportunidade de dizer adeus ao homem que amavam, pois ali vinha o lenhador e sua família. As meninas mais velhas e a mãe choravam. A mais nova parecia assustada com a confusão. Era nova demais para entender o que estava acontecendo.
O lenhador cuspia acusações contra as irmãs, ignorando totalmente o luto delas em seu próprio. O ódio não o deixava perceber que ambas sofriam tanto quanto ele. Era uma coisa de humanos, não enxergar além da própria dor. Tatra entendia isso melhor do que Tetra, apenas por observação do mundo a sua volta, pois a mais nova tentava, em vão, argumentar. E nisso, perceberam tarde demais, a turba que se formava em volta delas, incitadas pelo clérigo.

Diversas mãos as agarraram pelos braços e cabelos, pessoas gritavam, outras choravam. Um verdadeiro pandemônio. Alguém as amarrou com os braços às costas. Foram arrastadas e maltratadas até uma pequena cela imunda. Alguns dos homens do vilarejo vieram e as violentaram diversas vezes. Rasparam seus cabelos e as deixaram em farrapos. Pessoas a quem elas haviam tratado as feridas e curado as febres. Tatra ajudou ao filho de um deles a vir ao mundo apenas três dias atrás.

Depois de uma noite e uma madrugada de torturas, as irmãs foram levadas a uma fogueira que fora construída pelo povo. Usaram todo o estoque de madeira que o lenhador possuía em sua loja. Madeira essa que Tatra havia ofertado de volta à Mãe dois dias atrás. Ela riu. Jogou a cabeça para trás e gargalhou histericamente. Tetra apenas chorava em silêncio.

Elas foram amarradas à pira de costas uma para outra. Tatra ainda gargalhava. As pessoas a olhavam com medo. Nunca viram uma pessoa condenada à morte gargalhar daquele jeito. Até hoje o povo fala que consegue ouvir os ecos de sua risada na floresta. Fazia parte da maldição daquela terra.

O clérigo disse algumas palavras de ódio, mas nenhuma das duas prestavam atenção. Tatra ainda ria, porém Tetra maquinava algo em seu pranto. Iria morrer, mas estas pessoas, a quem ela tanto ajudou, iriam sofrer algo bem pior. Entrelaçou seus dedos aos de sua irmã. Alguém acendeu o fogo, que se espalhou rápido. A laca que sai dos pinheiros desta floresta é conhecida por ser inflamável, por isso era tão boa lenha.

Enquanto Tatra ria, Tetra lançava uma maldição. Sua afinidade era com o vento, então sua voz podia ser ouvida até o rio. Amaldiçoou-os com todo o ódio que tinha desta gente mesquinha e egoísta, que desde o começo apenas pensaram no próprio umbigo.

Não tiveram direito a um julgamento justo, então Tetra implorou à Mãe que eles também não tivessem no dia de sua morte. Foram violentadas e maltratadas, então implorou ao Grande Consorte que nenhum homem deste vilarejo conseguisse se deitar com mais nenhuma mulher. Pediu também para que de hoje em diante, toda ferida e toda febre fossem fatais. Nenhum grão cresceria mais até onde sua voz alcançava, e toda água tocada pelas mãos deles seriam poluídas.

A Mãe olha por todas as suas filhas. Aquiesceu então ao último desejo destas, que morreram fazendo o seu melhor no pior. Olhou também pelo filho do lenhador, que morreu como chamariz de coisas muito maiores do que ele. Não tinha como saber que era um peão descartável em coisas além de sua compreensão. Todos os humanos o são.

Depois do ocorrido, o vilarejo apenas decaiu. Toda plantação secou, toda água era impura, todos os homens eram impotentes e as mulheres e crianças sucumbiam de febre ou infecções. Quem tentasse sair do vilarejo, sofria uma morte terrível. Ninguém mais visitava aquelas bandas amaldiçoadas, e em todo o mundo, as bruxas estavam sendo queimadas por heresia. Os clérigos usavam esta história como exemplo do porquê as bruxas eram más e deveriam ser expurgadas da terra como as enviadas do demônio que eram. Afinal, seus atos de bruxaria levaram um jovem à morte. Nada de bom poderia vir de suas artes.

Os elfos, as fadas e os anões, prevendo que seriam os próximos, se retiraram do mundo físico. Não tinham nenhum interesse em guerrear com os humanos, ou com quem quer que fosse. Todos ainda se lembravam de como era no tempo da Grande Conquista, e aqueles eram tempos sombrios. Os humanos aparentemente já se esqueceram. Tinham uma vida efêmera e uma memória curta. Fariam o favor de deixá-los ao sabor de sua própria estupidez.

E assim, a humanidade proliferou no mundo, vivendo felizes e estupidamente a sua efemeridade, as suas guerras, esquecidos da magia do mundo, para sempre.


Última edição por Patricia Souza em Ter Jul 29, 2014 4:43 pm, editado 1 vez(es)
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DARA METZLI



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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Sab Jul 19, 2014 7:50 pm

Patrícia,

bruxas adorei, final adorei, sim adorei.
Como vou escolher alguém como melhor?? salve-me!!
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Seg Jul 21, 2014 7:14 pm

DARA METZLI escreveu:
Patrícia,

bruxas adorei, final adorei, sim adorei.
Como vou escolher alguém como melhor?? salve-me!!

Dara!

Me diga, o que mais vc gostou? (fora a Tatra? Very Happy) E o que não gostou? (mais importante!)
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Indy J

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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 8:30 am

Pô, beleza? Bom dia.

Cara pat, vou fazer igual eu vi uns cara famoso fazer: primeiro os pontos positivos e depois os negativos.

Achei bem bacana que você conseguiu manter, mais ou menos, uma vibe CS Lewis no seu texto, de narrador onisciente e desprendido. O ponto alto desse conto, pra mim, foi a voz com a qual você o escreveu.

Agora: você usou tantas e tantas palavras, mas algumas coisas pareceram simplesmente jogadas no meio do texto, como a Guerra e a súbita paixão da bruxa.
Achei um tanto quanto arrastado, pois.
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 12:16 pm

Indy J escreveu:
Pô, beleza? Bom dia.

Cara pat, vou fazer igual eu vi uns cara famoso fazer: primeiro os pontos positivos e depois os negativos.

Achei bem bacana que você conseguiu manter, mais ou menos, uma vibe CS Lewis no seu texto, de narrador onisciente e desprendido. O ponto alto desse conto, pra mim, foi a voz com a qual você o escreveu.

Agora: você usou tantas e tantas palavras, mas algumas coisas pareceram simplesmente jogadas no meio do texto, como a Guerra e a súbita paixão da bruxa.
Achei um tanto quanto arrastado, pois.

CS Lewis sério? Nunca li! Tentei fazer como nos livros de contos de fadas que lia quando era mais nova, fiquei preocupada se lembraria como era! xP

Poxa vc achou jogada a guerra? Antes não tinha aquela coisa no meio, mas eu tinha que explicar pq as outras criaturas foram embora, pq não ficaram e lutaram! xP

Agora a paixão da bruxa não foi súbita, eu disse que o tempo passou e tals... só não aprofundei pq... bom, esse conto tem quase 3000 palavras. xP

Vc é muito difícil de agradar, pois! O meu é arrastado, o dos outros é corrido! decida-se! :v
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Indy J

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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 12:44 pm

Tamos aqui pra melhorar! E eu sou chato mesmo, vocês também têm que ser, uai.
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 5:16 pm

Indy J escreveu:
Tamos aqui pra melhorar! E eu sou chato mesmo, vocês também têm que ser, uai.

Isso é vdd! u.u
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 6:54 pm

Gostei da história e da alusão ao nosso tempo e os percalços contemporâneos. Só achei as bruxas um tanto adolescentes demais, me lembrou aquele filme 16 luas. Não sou a melhor pessoa para analisar um texto sinteticamente, por isso não comentarei sobre.
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qua Jul 23, 2014 7:20 pm

Ademar Ribeiro escreveu:
Gostei da história e da alusão ao nosso tempo e os percalços contemporâneos. Só achei as bruxas um tanto adolescentes demais, me lembrou aquele filme 16 luas. Não sou a melhor pessoa para analisar um texto sinteticamente, por isso não comentarei sobre.

Elas parecem adolescentes pq são adolescentes! :v

Me comparou a 16 luas? É um elogio? Pq o livro é muito bom! :v (Não, vi o filme ainda! xP)
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Dom Jul 27, 2014 2:18 am

Puxa, aposto que vc escolheu esses nomes só pra confundi neh? :v eu achando que Tetra era a mais velha o tempo todo.
Bom eu gostei da história, só acho que seria mais legal se aparecesse alguns desses elfos ou  duendes :v brinks.
dizendo só pq tenho q estar aki neh :v (vcs me obrigaram) em sumo eu gostei da estória, da sua narração, só me confundi um pouco msm com elas. Very Happy
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Dom Jul 27, 2014 10:17 pm

Je Henrique escreveu:
Puxa, aposto que vc escolheu esses nomes só pra confundi neh? :v eu achando que Tetra era a mais velha o tempo todo.
Bom eu gostei da história, só acho que seria mais legal se aparecesse alguns desses elfos ou  duendes :v brinks.
dizendo só pq tenho q estar aki neh :v (vcs me obrigaram) em sumo eu gostei da estória, da sua narração, só me confundi um pouco msm com elas. Very Happy

Poxa mas é só lembrar o nome do texto! Tatra vem primeiro, então a mais velha, dps Tetra a mais nova! :v
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Seg Jul 28, 2014 8:04 am

Antes de tudo, tenho que pedir desculpas pela demora em tecer este comentário, mas cê sabe que meu conto me quebrou AHEUIHAEIUHIEA Tia Pat, moça, Tatra e Tetra não fizeram poção do amor para mim mas me enfeitiçaram também! Sinceramente, gostei muito como você quebra alguns esterótipos nesse conto, mesmo que pareçam bobos, não deixam de ser estereótipos, como quando o lenhador percebe que a personalidade de Tetra não tem nada a ver com o fato de ela ser uma bruxa, é simplesmente algo único a ela. Tetra demorar mais para "desabrochar" também! O que quero dizer é que senti que você disse para seus leitores "ei, calma aí! Quem disse que a personalidade ou qualquer outra coisa é definida simplesmente peça raça ou algo do tipo?" Parando com os elogios aqui para você não se achar demais depois (hehe), só acho que mesmo com quase 3000 palavras, valia a pena acrescentar umas 500 a mais só para aprofundar mais sobre a paixão irremediável das duas irmãs, afinal, era uma paixão muito grande para romper laços centenários entre duas irmãs inseparáveis. No mais, curti "pakas"! *¬*
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Ter Jul 29, 2014 2:14 pm

Patlinda, aqui, ó, tu se confundiu: "Tetra também sentia falta da irmã mais nova, mas se tinha uma coisa que uma bruxa jamais admitiria, era uma outra mulher se meter com seu homem, não importava se era sangue do seu sangue."

E digo mais https://www.youtube.com/watch?v=jRSbZ-iF3hE !


Mas ó, adorei. Acho que não tenho críticas. Me surpreendi, na verdade. Tetra <3
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Ter Jul 29, 2014 4:25 pm

Carol Rodriguez escreveu:
Patlinda, aqui, ó, tu se confundiu: "Tetra também sentia falta da irmã mais nova, mas se tinha uma coisa que uma bruxa jamais admitiria, era uma outra mulher se meter com seu homem, não importava se era sangue do seu sangue."

E digo mais https://www.youtube.com/watch?v=jRSbZ-iF3hE !


Mas ó, adorei. Acho que não tenho críticas. Me surpreendi, na verdade. Tetra <3

\o/

Alguém que lembrou de MKR!!!!

Vou consertar esse deslize aí! ^^
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Qui Jul 31, 2014 11:34 pm

Minha menina Pat!
Vamos lá: AMEI. E se há um defeito nesse conto, é o fato das duas se curvarem por um rostinho bonito. Digo, um homem não vale tanto, ainda mais um indeciso! Mas eu entendo a cegueira da paixão.
Do resto, brilhante. Você acomodou os fatos importantes e citou outros rapidamente, para que houvesse sentido e realmente não senti que precisou de mais explicação, já que os fatos como a Guerra não afetaram o andamento da história.
O que eu faria diferente é: o tamanho dos parágrafos. Alguns parágrafos, como os dois primeiros, poderiam ter sido apenas um maior. Parágrafos curtos deixam a história muito "picada", na minha opinião. Do resto? Maravilhoso.
AAAAAAAAAAAAAAAAAH! Adorei como você entrou no tema irmãs assassinas. Enquanto a maioria quis personagens naturalmente maus, suas bruxinhas mataram por engano e, depois, por vingança. Gostei menina, gostei!
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Sex Ago 01, 2014 1:18 am

Karol Silano escreveu:
Minha menina Pat!
Vamos lá: AMEI. E se há um defeito nesse conto, é o fato das duas se curvarem por um rostinho bonito. Digo, um homem não vale tanto, ainda mais um indeciso! Mas eu entendo a cegueira da paixão.
Do resto, brilhante. Você acomodou os fatos importantes e citou outros rapidamente, para que houvesse sentido e realmente não senti que precisou de mais explicação, já que os fatos como a Guerra não afetaram o andamento da história.
O que eu faria diferente é: o tamanho dos parágrafos. Alguns parágrafos, como os dois primeiros, poderiam ter sido apenas um maior. Parágrafos curtos deixam a história muito "picada", na minha opinião. Do resto? Maravilhoso.
AAAAAAAAAAAAAAAAAH! Adorei como você entrou no tema irmãs assassinas. Enquanto a maioria quis personagens naturalmente maus, suas bruxinhas mataram por engano e, depois, por vingança. Gostei menina, gostei!

OBRIGAAADAAA SUA LINDA! :3

me responde uma coisa, quantas linhas vc acha que um parágrafo tem que ter? Eu particularmente não gosto de parágrafos muito longos, especialmente se estiver lendo na internet, acho muito cansativo, então tento sempre manter entre 3 e 5 linhas.

<3
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Sex Ago 01, 2014 10:18 am

Um dos grandes pontos do conto é, ao meu ver, a polarização das irmãs. Uma com esse viés mais sensual, e a outra mais doce. Tu colocou o pobre do rapaz no maior dilema da vida de nós homens,rs. Um outro ponto, de uma ousadia imensa, foi buscar explicar toda essa mitologia da fantasia clássica através da história das duas bruxas. Existem mil tentativas diferentes de fazê-lo, boas e ruins, mas a mais respeitada ainda é Tolkien. O que torna a ousadia AINDA MAIOR, porque "disputar" com Tolkien é realmente complicado. Mas foi muito bem executado. Principalmente por ser encaixado num contexto histórico da inquisição na Idade Média.

Meus parabéns.
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MensagemAssunto: Re: [Irmãs Assassinas] Tatra e Tetra   Sab Ago 02, 2014 12:04 pm

Weslley Reis escreveu:
Um dos grandes pontos do conto é, ao meu ver, a polarização das irmãs. Uma com esse viés mais sensual, e a outra mais doce. Tu colocou o pobre do rapaz no maior dilema da vida de nós homens,rs. Um outro ponto, de uma ousadia imensa, foi buscar explicar toda essa mitologia da fantasia clássica através da história das duas bruxas. Existem mil tentativas diferentes de fazê-lo, boas e ruins, mas a mais respeitada ainda é Tolkien. O que torna a ousadia AINDA MAIOR, porque "disputar" com Tolkien é realmente complicado. Mas foi muito bem executado. Principalmente por ser encaixado num contexto histórico da inquisição na Idade Média.

Meus parabéns.

Tô bem na fita mesmo! Guga me compara à C. S. Lewis, vc à Tolkien... Assim eu fico convencida...  Rolling Eyes 
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