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 Conto: Há Males que Vêm para o Bem

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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Ter Ago 05, 2014 2:39 pm

Conto: “Há males que vêm para o bem”
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz !

Canção do Expedicionário – Guilherme de Almeida

— Fidi, abai... — pá! O estampido seco do tiro interrompe o grito. Sinto um baque na cabeça, o suficiente para me desequilibrar; enquanto caio, os ecos se juntam à reverberação do som do primeiro disparo, como grasnados de corvos do além.
Fico parado, tentando respirar o mínimo possível, mesmo com esse maldito frio. Minha mãe sempre sonhou em conhecer a terra dos nossos antepassados, a bela Itália, e aqui estou eu, passando fome, frio, sede, matando outros, e escapando da morte todos os dias! Mas, desta vez, acho que não vai dar... Sinto a dor e ardência de um ferimento na cabeça, o sangue escorrendo, mas é melhor não me mexer. Não posso deixar que esse puto nazi-fascista saiba que ainda estou vivo: ele não vai errar o próximo.
Pá...uá...uá... os corvos lúgubres se fazem ouvir novamente, e um impacto no meu ombro direito. Tento não me mexer. Os colegas da companhia gritam, apontando para o alto de uma torre. Tomam posições, fuzilando-a, enquando dois me arrastam para um lugar seguro. Ouço gritos de “médico”, e de “acabem com esse nazista de mer...” Desmaio.
Acordo numa cama, num quarto. Ao meu lado, uma jovem linda, estrangeira. Lembra um pouco a Rita Hayworth. O Sargento Gama, Subcomandante do Pelotão, está junto. Ele pega o meu braço esquerdo, solta uma pá de palavrões, e diz que está feliz por me ver vivo. Afinal, como ficariam sem um dos melhores intérpretes na Itália?
Eu não era o único do pelotão que falava bem italiano. E naquele momento, não me lembrava por que me chamavam de Fidi. Fidi? Espere aí: meu nome é Paulo! Paulo Moreira Cellotti. Meu pai me ensinou a falar italiano, que aprendeu com meu avô, um “verdadeiro carcamano”, como se referia a si mesmo.
Sim, Fidi! É porque eu vivia dizendo que era filho de dono de posto de gasolina. Filho de dono, Fididono... Fidi. E meu pai ficou sabendo do apelido no mesmo dia em que soube que eu embarcaria para a Europa.
— Que presente do Dia dos Pais você me dá, hein? Eu falei para não ser militar — disse ele, chorando e me abraçando, como se fosse a última vez que me visse. No dia do embarque, não conseguiu ir: sentiu-se mal, chorou, pediu que eu não fosse. Falei com ele que, se me tornasse desertor, seria fuzilado; na guerra, pelo menos teria uma chance de voltar. Ali, não.
— Fidi... — diz a moça, linda. Olhos penetrantes. Decote que me leva à loucura, já há tanto tempo sem ver mulher...
— Paulo — e a conversa continuou em italiano —, meu nome é Paulo.
Ela me pergunta por que estou no país dela. Eu pergunto a ela qual a data, e onde estamos. 18 de setembro de 1944. Massarosa. A cidade acabou de ser libertada pelas tropas americanas e brasileiras. Sento-me para comemorar, mas o mundo todo gira, e eu apago.
Abro os olhos, e há uma penumbra; horas se passaram. Deve ser o anoitecer. Nada de luzes à noite, na guerra. A aviação ataca.
Ela continua lá, e se levanta ao me ver despertar. Diz-me que se chama Maria Castelli... e tem os olhos mais lindos, verdes e expressivos que já vi. Que mulher linda, que olhos, que corpo, que mãos macias, que tocam a minha fronte. Minha cabeça... meu ombro... estão enfaixados, e eu tateio os curativos com a mão esquerda. A ponta dos meus dedos toca a mão de Maria, que me olha e sorri. Passos no corredor fazem com que ela se esquive rapidamente de volta à cadeira, com um olhar sério.
— Tenente Paulo, o Capitão quer ver o senhor — diz o Sargento Gama. O Capitão entra, e me diz que estamos obtendo importantes vitórias, e que a Linha Gótica cairá. Os americanos reconhecem-nos como valorosos combatentes, e os olhos de Maria são lindos. Maria Castelli é a minha paixão, e se os alemães e italianos continuarem a nos combater, eles vão ver que o meu amor por Maria é muito grande. Além disso, a Segunda Companhia partirá para Camaione, onde Maria não está, e eu não poderei mais viver sem ela. É necessário assegurar a ponte para que as tropas possam penetrar e conquistar o coração de Maria Castelli.
— Entendido, Tenente?
— Positivo, Capitão!
O Capitão se retira. Graças a Deus, porque eu não entendi nada do que ele falou. Maria tomou meu pensamento completamente. Eu tento me levantar, e lá vem a maldita tonteira de novo. Não quero desmaiar. Não de novo. Maria já está ao meu lado, me amparando. Bolas pretas explodindo à minha frente. Tudo escurece.
Acordo de manhã, e Maria continua sentada na poltrona do canto do quarto, dormindo. Tento não fazer barulho, e lentamente elevo meu próprio nível, dobrando o travesseiro ao meio. Fico irado comigo mesmo, porque ela acorda e vem me dizer bom dia, com a voz mais linda que já ouvi.
— Vim porque vocês precisavam —, eu digo.
— O quê?
— Você me perguntou por que vim para o seu país. Vim porque precisavam.
— Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja.
— Eu? Herói? Fui atingido, e estou aqui preso nesta cama, enquanto meu pelotão está indo para o combate. Preciso me levantar!
— Você não vai a lugar nenhum. Um general esteve aqui enquanto você dormia, e mandou que você ficasse na cama até estar bom para andar de novo. E eu sei que você está muito fraco.
Maria tinha razão. Eu não tinha comido nada. E minha bexiga estava quase estourando! Pedi a ela que me deixasse usar um penico. Ela o puxou debaixo da cama, e mo entregou. Tentei me sentar, e a tonteira insistiu em me fazer deitar. Maria me ajudou, me dizendo para não ter vergonha. Eu nunca tinha tido um momento tão íntimo — e desastrosamente vergonhoso — com uma moça de família assim.
Ela viu quão envergonhado fiquei. Cabisbaixo, não tinha ânimo para admirar aqueles olhos lindos, aquele rosto de obra de arte, aquele corpo escultural. Ah, o sangue latino...
— Não fique assim, vita mia.
“Minha vida”? Olhei para Maria imediatamente, com sinal de espanto. Ela continuava parada, à minha frente, com um sorriso de desmontar qualquer coração blindado. Envolveu-me com o braço direito, enquanto acariciava meu rosto com a suave mão esquerda. Beijamo-nos longamente, até começarmos a ficar ofegantes.
— Você precisa comer. Já volto — ela se desvencilhou do meu abraço com uma facilidade tão grande, que fiquei espantado. Minutos depois, voltou com um prato fumegante de sopa de batatas e um pedaço de pão, desculpando-se por só ter aquilo para comer.
Até sentir o aroma da sopa, eu não estava com fome. No entanto, a reação do meu corpo à sua leve inspiração foi um ronco de fome tão alto, que Maria riu. Comi a sopa com sofreguidão, intercalando-a com o pão, e mal consegui evitar o arroto de satisfação por encher a barriga.
Pergunto a Maria onde estão minhas coisas, e ela me aponta o outro canto do quarto, oposto à poltrona. Levanto-me vagarosamente, agora já melhor, e pego na minha mochila uma caixinha de cartolina. Ração “K”, como era conhecida. Pego a barra de chocolate, abro-a e a divido com ela.
Ao ver o que recebeu, Maria abre um sorriso, e os olhos brilham ainda mais! Há muito não via uma barra de chocolate. Ela a guarda no bolso do avental branco que usava por cima do vestido azul de chita.
— Não vai comer — pergunto-lhe, com um quê de perplexidade. Ela me responde que vai guardá-la para reparti-la com sua família, quando chegarem do mercado.
Se a guerra já não tivesse me testado, eu choraria com aquilo. Mas não. Voltei à caixinha da ração K e peguei mais umas balas, e as entreguei à Maria. Ela pulou no meu pescoço, e ambos caímos na cama.
Grazie, grazie, vita mia — ela repetia, entre vários beijos curtos. O fato de tê-la sobre mim me deixou excitado. E eu fiquei um tanto sem graça. Ela percebeu ambas as coisas, e se sentou sobre a minha virilha, sorrindo.
Desabotoou minha camisa, e viu os pelos do meu peito, elogiando-me, dizendo que eu era muito másculo. Abaixou-se e me beijou longamente, e começamos a ficar ofegantes e cada vez mais excitados. Não demorou para que estivéssemos nus, mas eu pedi que ela se deitasse ao meu lado, aninhando a cabecinha no meu peito.
Cosa... — ela me pergunta, sem entender. Eu lhe digo que estamos muito excitados e vamos acabar fazendo algo de que poderemos nos arrepender. Peço a ela que me diga com calma se quer mesmo fazer amor comigo. Ela ri e me diz que eu sou um anjo, o homem da vida dela. Já me conhecia, pois tinha me visto num sonho. Eu a abraço fortemente.
Fizemos amor durante toda a manhã, sem culpa, sem preocupação, sem guerra, sem países, sem inimigos, nem aliados. Só nós. Só nosso amor. Já não era mais paixão, eu não era simplesmente um rapaz apaixonado. Eu estava amando, e era correspondido. E o sangue virginal de Maria no lençol era prova disso: ela havia se guardado para mim!
A única maneira de tomarmos um banho era do lado de fora da casa, num biombo de madeira, que parecia pronto para cair com o primeiro vento. Por sorte, a casa era isolada, pois ficava no alto de um pequeno monte e tinha visada para todas as estradas que passavam pela cidade. Tinha sido escolhida justamente pelo ponto estratégico que era.
Maria me deu um gostoso banho, o primeiro de muitos. Eu nunca tinha feito amor ao ar livre, num dia ensolarado, ainda mais numa bela região da Toscana. Se não fosse a guerra, jamais teria conhecido meu anjo toscano, minha bela italiana, minha Maria Castelli! Ah, realmente, há males que vêm para o bem.
E assim vivi por um mês, até que o ferimento do ombro sarasse por completo. A família de Maria me “adotou”, e, para meu espanto, permitiu que dormíssemos no mesmo quarto. Apesar de muito católicos, a guerra lhes tinha dado uma visão diferente de vida. E sabiam que eu era a chance de Maria sair daquele lugar.
Recebi autorização para voltar ao Brasil e me casar com Maria. Chegamos em novembro, casamo-nos, e eu saí do Exército. Fui trabalhar com meu pai, e assumi o posto de gasolina. A guerra acabou.
Era o meio de dezembro, e Maria começou a sentir muitos enjoos. Aprendia o idioma rapidamente, e se virava muito bem, minha bela donna. Voltou do médico radiante: estava grávida!
Entro em casa, cansado do trabalho, e encontro Maria de camisola sensual, com a mesa posta, um jantar onde tudo era gostoso. Inclusive ela, claro. Apesar de nosso casamento não ser rotina, aquilo me espanta. Pergunto-lhe se está bem, e ela me abraça, dizendo “estou grávida, vita mia”! Se o nosso amor já era gostoso, naquela noite, foi especial. Éramos uma família, e logo teríamos mais um Castelli Cellotti andando pela casa.
No dia seguinte, entro pela porta do escritório do posto, e meu pai já está lá. Ele me olha de cara feia, se levanta e vem me dar o sermão padrão sobre o atraso. Sempre as mesmas frases: “como é que pode”; “você vai ser o dono disso aqui”; “que militar é esse que não dá exemplo”; “a guerra não te ensinou nada”...
Calaboca, velho! Senta o rabo aí; tu vai ser nonno!
Empalidece. Engasga, tosse, ri, engasga de novo, fica vermelho, se abana, tosse, ri, se senta, torna a se levantar, e me abraça.
— Eu te amo, meu filho! A Maria — exclama — A Maria, ela tá bem — pergunta, com uma cara de preocupação que me faz pensar que ele é o pai e o avô sou eu.
— A Maria tá ótima, pai.
Os meses passam, os enjoos, também. Enxoval de bebê, cursos de batismo, barriga crescendo, mudanças de humor, Maria se achando horrorosa, eu lhe dizendo que está cada vez mais charmosa. Ela quer brigar, e eu me aguento, porque sei que não é ela. “Hormônios”, o médico disse. Fazem isso.
Meio-dia de 11 de agosto de 1945. Sábado. Maria me chama. Sente dor. Diz que está na hora. Telefono para o meu pai, pego a mala. Maria, por incrível que pareça, calma. Uma italiana... calma!
Entro no carro, esqueço de abrir a porta para ela, saio do carro, abro a porta, dou partida, “esqueci a mala”, desligo o carro, subo as escadas, pego a droga da mala, desço, entro no carro, dou partida, corro para o hospital.
Vinte e duas horas de trabalho de parto. Às dez e quatro da manhã, minha filha nasce. Sou pai. Sou casado com a mulher mais adorável que já conheci, a que me deu a vida duas vezes. É domingo.
Maria volta para o quarto. Logo Gina é trazida para mamar pela primeira vez. A mágica da vida, o fruto de um amor que nasceu na guerra.
— Feliz Dia dos Pais, vita mia.
— O quê?
— Dia dos Pais. É hoje. Gina é meu presente para você.
— Maria Castelli Cellotti, eu te amo! Te amo muito!
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,

Canção do Expedicionário – Guilherme de Almeida
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Indy J

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Dom Ago 10, 2014 9:02 pm

Olha, achei seu texto bacana e com uma mensagem interessante... mas não me fisgou. O andamento e a construção dele, pra mim, não virou :/

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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Seg Ago 11, 2014 8:16 am

Indy J

Obrigado pelo seu comentário. Se nem JESUS CRISTO conseguiu agradar a todos, quem sou eu para ter essa pretensão?
Grandes abraços.

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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Seg Ago 11, 2014 12:06 pm

Esse mês vai ser um martírio pra mim, não gosto de contos voltados para o romance.

Enfim, vamos lá.

Gostei da levada do conto, o estilo de escrita se mantém fiel do começo ao fim e tem um "tom" que condiz com a história. Meu incomodo se deu pela ausência de um clímax - ao menos para mim - e pela súbita paixão inexplicável que surgiu entre ambos.

De todo modo, estruturalmente é um conto agradável, e acho que funciona bem para os amantes do gênero.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Seg Ago 11, 2014 12:13 pm

Weslley Reis

Obrigado pelo seu comentário. Bem, o clímax existe, mas, claro, é um final de amor e romantismo, em que o sentimento se consolida com a chegada de Gina, fruto de um amor nascido na guerra.
Sobre o inexplicável amor, se você nunca sentiu amor à primeira vista, bem... Desejo-lhe sorte!  Razz Razz Mas ele é explicado pelo sonho que Maria tem com Paulo, que desencadeia a atração irresistível que acontece entre eles.
Assim como você, escrever contos românticos é algo que eu nunca pensei em fazer: está totalmente fora da minha zona de conforto. Portanto, como é um martírio para você lê-los, assim também o foi, para mim, escrevê-lo. Fico feliz em ter conseguido, respeitando o tema e subgênero.
Grandes abraços,

Rogério Silva

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Dom Ago 17, 2014 5:17 pm

Eu não sou muito fã desses amores água com açucar.
Sempre fico sentindo falta de profundidade.
Mas tudo isso é uma questão de gosto pessoal.

Quanto ao texto... amo ambientações em guerra, mas achei muito corrida o avanço da relação entre a Maria e o protagonista. Embora, isso muitas vezes seja próprio dos romances, me soa superficial.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Dom Ago 17, 2014 7:50 pm

Tammy Marinho escreveu:
Eu não sou muito fã desses amores água com açucar.
Sempre fico sentindo falta de profundidade.
Mas tudo isso é uma questão de gosto pessoal.

Quanto ao texto... amo ambientações em guerra, mas achei muito corrida o avanço da relação entre a Maria e o protagonista. Embora, isso muitas vezes seja próprio dos romances, me soa superficial.

Tammy

Obrigado pelo seu comentário. Concordo com o que escreveu, mas reconheço: sou PÉSSIMO para escrever esse tipo de conto. Talvez tivesse sido um pouco melhor se o tema fosse "escreva uma carta de amor", ou coisa parecida.
Romances românticos e água com açúcar são a morte para mim. Sinto-me feliz porque consegui escrever o texto, não fugir do tema e subgênero, e fazer algo até aceitável.
Abraços!

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Adriano Griot

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qua Ago 20, 2014 8:27 am

Achei o conto bem escrito,quanto a ser "água com açúcar", quem disse que uma história dessas não pode de fato acontecer? O pano de fundo, guerra,ficou legal bem desenvolvido já que é um romance e não uma história sobre o combate propriamente dito,sendo assim valeu,um abraço.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qui Ago 21, 2014 7:16 am

Adriano Griot escreveu:
Achei o conto bem escrito,quanto a ser "água com açúcar", quem disse que uma história dessas não pode de fato acontecer? O pano de fundo, guerra,ficou legal bem desenvolvido já que é um romance e não uma história sobre o combate propriamente dito,sendo assim valeu,um abraço.

Adriano

Muito obrigado pelo seu comentário. Que bom que alguém entendeu!! cheers cheers lol! lol!

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Dom Ago 24, 2014 10:33 am

Rogério, primeiramente desculpe por ler seu texto somente hoje. Agora vamos aos comentários. Gostei de sua trama e totalmente aceitável dentro do subgênero e tema. Abordou de duas maneiras diferentes o tema e o subgênero está presente de forma perfeita.

Acredito sim em paixão intensa moldado neste modos. Um soldado ferido de guerra, convalescente, se encontra dentro de um cenário reconfortante na companhia de uma bela destas. Não há coração que aguente. Eu ao menos sentiria algo a mais que uma relação cuidador paciente. Quanto ao pano de fundo, achei extraordinário, sua visão quanto ao herói que se fez ao ser alvejado, porém revelando a posição do inimigo. Isso me lembra o Filme Círculo de Fogo, e que filme!!! Gostei muito. E como todo romance, amor deveria terminar em final feliz, ai está, o fruto Gina, semeado de um amor perfeito!!!


Dúvida:

"Cabisbaixo, não tinha ânimo para admirar aqueles olhos lindos, aquele rosto de obra de arte, aquele corpo escultural. Ah, o sangue latino...".

Aqui ao dizer "Ah, sangue latino..." você se refere a Maria ou à Paulo?


Parabéns!!! Até o mês que vem!!!
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Carol Rodriguez

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Seg Ago 25, 2014 12:02 pm

Olha, eu gostei de seu conto. Mesmo. Só achei a narração um pouco corrida, apenas. Mas de resto...
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Queirós

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qua Ago 27, 2014 11:07 am

Meu caro Rogério, como vai?

Espero que você esteja aberto às críticas que procuram ajudá-lo, mesmo quando estas só tenham a intenção e não a essência.

Você, talvez, não seja muito bom em desenvolver amores em poucas linhas... ou talvez não estivesse no clima quando desenvolveu estes amores neste conto. Comecemos com esta pergunta: onde está o Paulo Moreira Cellotti?

O seu personagem acaba de ser baleado – duas vezes! – aproximara-se perigosamente da morte, acordara dolorido, aturdido, neste lugar desconhecido e... se enlouquece no decote da primeira mulher que aparece na frente dele? Paulo Cellotti não está na guerra, ele está atrás de uma tela de computador, sentado confortavelmente em uma cadeira estofada e escrevendo um conto: é o que me vem à mente.

É claro que o amor à primeira vista é verdadeiro...! As condições do seu romance são inusitadas, mas não improváveis. Porém, o que você fará a respeito dos céticos?

Continuemos: você sobe o nível, sabe escrever, quer justificar o seu romance a qualquer custo e está dando certo...! vai dizendo estas coisas, convencendo com os pequenos detalhes e aí... a mulher decide transar com Paulo. Ora, já que estamos nisso, por que não? Avante para a próxima linha: ela é virgem e é como se tivesse se guardado para este seu Moreira. Aí complica.  

Você está fora do seu elemento. A sua trama não tem um único erro lógico e uma coisa como essa pode realmente acontecer, mas o que você fará a respeito do leitor cético?

Enfim, agora as coisas boas: extremamente eficiente a origem deste apelido: Fidi. Também foi muito bem narrado a forma como Paulo o conquistara, achei formidável! A forma que você abordou o nascimento deste amor descativou-me, mas já depois de tudo feito e encaminhado, o texto segue muito bem e agradável! O casamento, o nascimento do filho, este ambiente familiar...! Aliás, o começo também é bom, por isso é que digo que você está fora do seu elemento: você não tem dificuldades com a escrita, e parece um bom contador de histórias. Só não sabe lidar com o amor, falar de romances. Ou sabe, mas não convence os mais céticos, como eu.

PS: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" --->  Se você acrescentou esta linha na ideia de passar a idade da moça (como sendo uma jovem de quinze ou catorze anos), convém mantê-la. Caso contrário, talvez você pudesse repensá-la, porque está passando essa ideia.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qui Set 04, 2014 2:39 pm

Ademar Ribeiro escreveu:
Rogério, primeiramente desculpe por ler seu texto somente hoje. Agora vamos aos comentários. Gostei de sua trama e totalmente aceitável dentro do subgênero e tema. Abordou de duas maneiras diferentes o tema e o subgênero está presente de forma perfeita.

Acredito sim em paixão intensa moldado neste modos. Um soldado ferido de guerra, convalescente, se encontra dentro de um cenário reconfortante na companhia de uma bela destas. Não há coração que aguente. Eu ao menos sentiria algo a mais que uma relação cuidador paciente. Quanto ao pano de fundo, achei extraordinário, sua visão quanto ao herói que se fez ao ser alvejado, porém revelando a posição do inimigo. Isso me lembra o Filme Círculo de Fogo, e que filme!!! Gostei muito. E como todo romance, amor deveria terminar em final feliz, ai está, o fruto Gina, semeado de um amor perfeito!!!


Dúvida:

"Cabisbaixo, não tinha ânimo para admirar aqueles olhos lindos, aquele rosto de obra de arte, aquele corpo escultural. Ah, o sangue latino...".

Aqui ao dizer "Ah, sangue latino..." você se refere a Maria ou à Paulo?


Parabéns!!! Até o mês que vem!!!
Ademar

Obrigado, que bom que mais alguém entendeu! Sobre a sua dúvida: refere-se à Maria, porque é a frase que vem imediatamente antes: "...aquele corpo escultural. Ah, o sangue latino..."; logo, a intenção é descrever a influência do sangue latino na formação anatômica da moça.
Grandes abraços!

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qui Set 04, 2014 2:42 pm

Carol Rodriguez escreveu:
Olha, eu gostei de seu conto. Mesmo. Só achei a narração um pouco corrida, apenas. Mas de resto...

Carol

Obrigado pela força. Na verdade, eu também achei a narração corrida, mas confesso: sou PÉSSIMO em romances açucarados. Este conto foi TOTALMENTE FORA da minha zona de conforto, e conseguir fazê-lo já foi, para mim, uma TREMENDA vitória.
Meu estilo é assim: meio relatório, meio filme, tentando descrever a cena com um minimalismo mais eficiente e eficaz...
Abraços,

Rogério

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qui Set 04, 2014 2:59 pm

Queirós escreveu:
Meu caro Rogério, como vai?

Espero que você esteja aberto às críticas que procuram ajudá-lo, mesmo quando estas só tenham a intenção e não a essência.

Você, talvez, não seja muito bom em desenvolver amores em poucas linhas... ou talvez não estivesse no clima quando desenvolveu estes amores neste conto. Comecemos com esta pergunta: onde está o Paulo Moreira Cellotti?

O seu personagem acaba de ser baleado – duas vezes! – aproximara-se perigosamente da morte, acordara dolorido, aturdido, neste lugar desconhecido e... se enlouquece no decote da primeira mulher que aparece na frente dele? Paulo Cellotti não está na guerra, ele está atrás de uma tela de computador, sentado confortavelmente em uma cadeira estofada e escrevendo um conto: é o que me vem à mente.

É claro que o amor à primeira vista é verdadeiro...! As condições do seu romance são inusitadas, mas não improváveis. Porém, o que você fará a respeito dos céticos?

Continuemos: você sobe o nível, sabe escrever, quer justificar o seu romance a qualquer custo e está dando certo...! vai dizendo estas coisas, convencendo com os pequenos detalhes e aí... a mulher decide transar com Paulo. Ora, já que estamos nisso, por que não? Avante para a próxima linha: ela é virgem e é como se tivesse se guardado para este seu Moreira. Aí complica.  

Você está fora do seu elemento. A sua trama não tem um único erro lógico e uma coisa como essa pode realmente acontecer, mas o que você fará a respeito do leitor cético?

Enfim, agora as coisas boas: extremamente eficiente a origem deste apelido: Fidi. Também foi muito bem narrado a forma como Paulo o conquistara, achei formidável! A forma que você abordou o nascimento deste amor descativou-me, mas já depois de tudo feito e encaminhado, o texto segue muito bem e agradável! O casamento, o nascimento do filho, este ambiente familiar...! Aliás, o começo também é bom, por isso é que digo que você está fora do seu elemento: você não tem dificuldades com a escrita, e parece um bom contador de histórias. Só não sabe lidar com o amor, falar de romances. Ou sabe, mas não convence os mais céticos, como eu.

PS: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" --->  Se você acrescentou esta linha na ideia de passar a idade da moça (como sendo uma jovem de quinze ou catorze anos), convém mantê-la. Caso contrário, talvez você pudesse repensá-la, porque está passando essa ideia.
Grande Queiroz

Obrigado pela sua mensagem. Vamos ver se consigo respondê-la.
Sobre onde está o Paulo, bem, isso é mostrado aos poucos, mas é entregue de bandeja quando ele acorda. Veja:
"Ela me pergunta por que estou no país dela. Eu pergunto a ela qual a data, e onde estamos. 18 de setembro de 1944. Massarosa. A cidade acabou de ser libertada pelas tropas americanas e brasileiras. Sento-me para comemorar, mas o mundo todo gira, e eu apago". É o primeiro batalhão da FEB (vide a canção no início e final), na Itália (por sinal, as datas e locais estão corretos; pesquisei-os).
Ele não se aproximou perigosamente da morte com os dois tiros (e há várias estórias assim); levou um tiro de raspão na cabeça, e outro no ombro, numa região que não lhe causou grandes danos. Obviamente, esta é uma fantasia, porque um atirador de elite alemão não atiraria no ombro, mas duas vezes na cabeça, ou uma vez na cabeça, e outra no coração. Lembre-se do lema dos atiradores de elite americanos, que vale para todos: "One shot, one kill".
Sobre o amor dele: não sei se você já teve a oportunidade de servir à pátria. Eu servi à Marinha por 30 anos, com muito orgulho, e era normal que uma mulher formosa nos fizesse esquecer todo o resto, principalmente quando estávamos há muito tempo navegando. É do ser humano, é um "chamado da natureza". Além do mais, ele acorda aturdido, nem se lembra de onde está, muito menos da situação pela qual passou. E tem mais uma coisa: eu sou MUITO RUIM para este tipo de texto! lol! lol! lol!
Sobre o ceticismo: existe e sempre existirá. Eu já tive o prazer de sentir amor à primeira vista mais de uma vez, e foi ótimo! Quem não sentiu... bem... boa sorte!
Finalmente, sobre a frase: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja", não entendi o que isto teria que ver com a idade da moça. Mas talvez seja bom lembrar que estão em 1944, e que a ingenuidade e a inocência eram maiores, a ponto de uma mulher se apaixonar e se entregar a um homem que ela viu pela primeira vez (ao vivo, pois já o conhecia de um sonho), contrariando todo o "paradigma social" da época.
Obrigado pelos elogios, mas reitero: este texto realmente me tirou da minha zona de conforto.

Rogério Silva

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Queirós

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Qui Set 04, 2014 5:17 pm

Rogério Silva escreveu:
Queirós escreveu:
Meu caro Rogério, como vai?

Espero que você esteja aberto às críticas que procuram ajudá-lo, mesmo quando estas só tenham a intenção e não a essência.

Você, talvez, não seja muito bom em desenvolver amores em poucas linhas... ou talvez não estivesse no clima quando desenvolveu estes amores neste conto. Comecemos com esta pergunta: onde está o Paulo Moreira Cellotti?

O seu personagem acaba de ser baleado – duas vezes! – aproximara-se perigosamente da morte, acordara dolorido, aturdido, neste lugar desconhecido e... se enlouquece no decote da primeira mulher que aparece na frente dele? Paulo Cellotti não está na guerra, ele está atrás de uma tela de computador, sentado confortavelmente em uma cadeira estofada e escrevendo um conto: é o que me vem à mente.

É claro que o amor à primeira vista é verdadeiro...! As condições do seu romance são inusitadas, mas não improváveis. Porém, o que você fará a respeito dos céticos?

Continuemos: você sobe o nível, sabe escrever, quer justificar o seu romance a qualquer custo e está dando certo...! vai dizendo estas coisas, convencendo com os pequenos detalhes e aí... a mulher decide transar com Paulo. Ora, já que estamos nisso, por que não? Avante para a próxima linha: ela é virgem e é como se tivesse se guardado para este seu Moreira. Aí complica.  

Você está fora do seu elemento. A sua trama não tem um único erro lógico e uma coisa como essa pode realmente acontecer, mas o que você fará a respeito do leitor cético?

Enfim, agora as coisas boas: extremamente eficiente a origem deste apelido: Fidi. Também foi muito bem narrado a forma como Paulo o conquistara, achei formidável! A forma que você abordou o nascimento deste amor descativou-me, mas já depois de tudo feito e encaminhado, o texto segue muito bem e agradável! O casamento, o nascimento do filho, este ambiente familiar...! Aliás, o começo também é bom, por isso é que digo que você está fora do seu elemento: você não tem dificuldades com a escrita, e parece um bom contador de histórias. Só não sabe lidar com o amor, falar de romances. Ou sabe, mas não convence os mais céticos, como eu.

PS: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" --->  Se você acrescentou esta linha na ideia de passar a idade da moça (como sendo uma jovem de quinze ou catorze anos), convém mantê-la. Caso contrário, talvez você pudesse repensá-la, porque está passando essa ideia.
Grande Queiroz

Obrigado pela sua mensagem. Vamos ver se consigo respondê-la.
Sobre onde está o Paulo, bem, isso é mostrado aos poucos, mas é entregue de bandeja quando ele acorda. Veja:
"Ela me pergunta por que estou no país dela. Eu pergunto a ela qual a data, e onde estamos. 18 de setembro de 1944. Massarosa. A cidade acabou de ser libertada pelas tropas americanas e brasileiras. Sento-me para comemorar, mas o mundo todo gira, e eu apago". É o primeiro batalhão da FEB (vide a canção no início e final), na Itália (por sinal, as datas e locais estão corretos; pesquisei-os).
Ele não se aproximou perigosamente da morte com os dois tiros (e há várias estórias assim); levou um tiro de raspão na cabeça, e outro no ombro, numa região que não lhe causou grandes danos. Obviamente, esta é uma fantasia, porque um atirador de elite alemão não atiraria no ombro, mas duas vezes na cabeça, ou uma vez na cabeça, e outra no coração. Lembre-se do lema dos atiradores de elite americanos, que vale para todos: "One shot, one kill".
Sobre o amor dele: não sei se você já teve a oportunidade de servir à pátria. Eu servi à Marinha por 30 anos, com muito orgulho, e era normal que uma mulher formosa nos fizesse esquecer todo o resto, principalmente quando estávamos há muito tempo navegando. É do ser humano, é um "chamado da natureza". Além do mais, ele acorda aturdido, nem se lembra de onde está, muito menos da situação pela qual passou. E tem mais uma coisa: eu sou MUITO RUIM para este tipo de texto! lol! lol! lol!
Sobre o ceticismo: existe e sempre existirá. Eu já tive o prazer de sentir amor à primeira vista mais de uma vez, e foi ótimo! Quem não sentiu... bem... boa sorte!
Finalmente, sobre a frase: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja", não entendi o que isto teria que ver com a idade da moça. Mas talvez seja bom lembrar que estão em 1944, e que a ingenuidade e a inocência eram maiores, a ponto de uma mulher se apaixonar e se entregar a um homem que ela viu pela primeira vez (ao vivo, pois já o conhecia de um sonho), contrariando todo o "paradigma social" da época.
Obrigado pelos elogios, mas reitero: este texto realmente me tirou da minha zona de conforto.

Rogério Silva


Rogério,

AHAHA! Você levou ao pé da letra, meu caro! Ora, eu sei onde o Paulo está! O que eu fiz foi uma brincadeira, de forma a dizer que você não estava exatamente no clima do Paulo: aquela coisa de que o escritor tem que vestir as roupas dos personagens. E lembre-se que eu disse isso apenas devido a forma que o Paulo acorda (eu julgava o Paulo traumatizado e gravemente ferido).

O romance de forma alguma é irreal, pode muito bem acontecer coisas assim na própria realidade. Entretanto, na escrita, às vezes (minha opinião) evito os encontros peculiares. Me acompanhe:

digamos que você é o Paulo: leva um tiro no ombro e outro de raspão na cabeça (do jeito que você disse no seu comentário não parece tão terrível, mas eu achava que fosse mais grave, agora eu sei que não é). Acorda, se depara com uma bela mulher carente, virgem e decotada. Depende das pessoas. Algumas estarão assustadas demais, traumatizadas com os corpos crestados, com o cheiro de carne humana, com o gosto de sangue e os membros espalhados no campo de batalha. Outros estarão espantados com a vida que ainda corre em suas veias, nem mesmo notarão a mulher, gritarão histéricos qualquer coisa. Alguns, como você disse, não se lembrarão do que ocorreu e acabarão por sucumbir ao decote da belíssima italiana. Mas já a presença da italiana de curvas deliciosas que trata dos soldados, usando decote, no meio da guerra, especializada no Paulo (e que é virgem), me deixa cético. Pode acontecer? Pode! Você está errado em algum momento? Não! A sua história é boa? É! Eu apenas expus meu ceticismo, a fim de que você saiba que tem leitores assim. Além disso, eu sou um cara que se baseia muito no realismo, só estou a lhe mostrar um diferente ponto de vista. Entretanto, esta é a única crítica que tenho a seu texto, oras! Você disse que não é lá muito bom com esses romances curtos, e se isso é verdade, deve ser por causa dessa parte que eu comentei, porque o resto do texto, a meu ver, está muito bem pensado e escrito.

Já a expressão "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" é-me estranha. Porém, não direi mais nada sobre.

Cheers, meu caro!  cheers
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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   Ter Set 09, 2014 8:32 am

Queirós escreveu:
Rogério Silva escreveu:
Queirós escreveu:
Meu caro Rogério, como vai?

Espero que você esteja aberto às críticas que procuram ajudá-lo, mesmo quando estas só tenham a intenção e não a essência.

Você, talvez, não seja muito bom em desenvolver amores em poucas linhas... ou talvez não estivesse no clima quando desenvolveu estes amores neste conto. Comecemos com esta pergunta: onde está o Paulo Moreira Cellotti?

O seu personagem acaba de ser baleado – duas vezes! – aproximara-se perigosamente da morte, acordara dolorido, aturdido, neste lugar desconhecido e... se enlouquece no decote da primeira mulher que aparece na frente dele? Paulo Cellotti não está na guerra, ele está atrás de uma tela de computador, sentado confortavelmente em uma cadeira estofada e escrevendo um conto: é o que me vem à mente.

É claro que o amor à primeira vista é verdadeiro...! As condições do seu romance são inusitadas, mas não improváveis. Porém, o que você fará a respeito dos céticos?

Continuemos: você sobe o nível, sabe escrever, quer justificar o seu romance a qualquer custo e está dando certo...! vai dizendo estas coisas, convencendo com os pequenos detalhes e aí... a mulher decide transar com Paulo. Ora, já que estamos nisso, por que não? Avante para a próxima linha: ela é virgem e é como se tivesse se guardado para este seu Moreira. Aí complica.  

Você está fora do seu elemento. A sua trama não tem um único erro lógico e uma coisa como essa pode realmente acontecer, mas o que você fará a respeito do leitor cético?

Enfim, agora as coisas boas: extremamente eficiente a origem deste apelido: Fidi. Também foi muito bem narrado a forma como Paulo o conquistara, achei formidável! A forma que você abordou o nascimento deste amor descativou-me, mas já depois de tudo feito e encaminhado, o texto segue muito bem e agradável! O casamento, o nascimento do filho, este ambiente familiar...! Aliás, o começo também é bom, por isso é que digo que você está fora do seu elemento: você não tem dificuldades com a escrita, e parece um bom contador de histórias. Só não sabe lidar com o amor, falar de romances. Ou sabe, mas não convence os mais céticos, como eu.

PS: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" --->  Se você acrescentou esta linha na ideia de passar a idade da moça (como sendo uma jovem de quinze ou catorze anos), convém mantê-la. Caso contrário, talvez você pudesse repensá-la, porque está passando essa ideia.
Grande Queiroz

Obrigado pela sua mensagem. Vamos ver se consigo respondê-la.
Sobre onde está o Paulo, bem, isso é mostrado aos poucos, mas é entregue de bandeja quando ele acorda. Veja:
"Ela me pergunta por que estou no país dela. Eu pergunto a ela qual a data, e onde estamos. 18 de setembro de 1944. Massarosa. A cidade acabou de ser libertada pelas tropas americanas e brasileiras. Sento-me para comemorar, mas o mundo todo gira, e eu apago". É o primeiro batalhão da FEB (vide a canção no início e final), na Itália (por sinal, as datas e locais estão corretos; pesquisei-os).
Ele não se aproximou perigosamente da morte com os dois tiros (e há várias estórias assim); levou um tiro de raspão na cabeça, e outro no ombro, numa região que não lhe causou grandes danos. Obviamente, esta é uma fantasia, porque um atirador de elite alemão não atiraria no ombro, mas duas vezes na cabeça, ou uma vez na cabeça, e outra no coração. Lembre-se do lema dos atiradores de elite americanos, que vale para todos: "One shot, one kill".
Sobre o amor dele: não sei se você já teve a oportunidade de servir à pátria. Eu servi à Marinha por 30 anos, com muito orgulho, e era normal que uma mulher formosa nos fizesse esquecer todo o resto, principalmente quando estávamos há muito tempo navegando. É do ser humano, é um "chamado da natureza". Além do mais, ele acorda aturdido, nem se lembra de onde está, muito menos da situação pela qual passou. E tem mais uma coisa: eu sou MUITO RUIM para este tipo de texto! lol! lol! lol!
Sobre o ceticismo: existe e sempre existirá. Eu já tive o prazer de sentir amor à primeira vista mais de uma vez, e foi ótimo! Quem não sentiu... bem... boa sorte!
Finalmente, sobre a frase: "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja", não entendi o que isto teria que ver com a idade da moça. Mas talvez seja bom lembrar que estão em 1944, e que a ingenuidade e a inocência eram maiores, a ponto de uma mulher se apaixonar e se entregar a um homem que ela viu pela primeira vez (ao vivo, pois já o conhecia de um sonho), contrariando todo o "paradigma social" da época.
Obrigado pelos elogios, mas reitero: este texto realmente me tirou da minha zona de conforto.

Rogério Silva


Rogério,

AHAHA! Você levou ao pé da letra, meu caro! Ora, eu sei onde o Paulo está! O que eu fiz foi uma brincadeira, de forma a dizer que você não estava exatamente no clima do Paulo: aquela coisa de que o escritor tem que vestir as roupas dos personagens. E lembre-se que eu disse isso apenas devido a forma que o Paulo acorda (eu julgava o Paulo traumatizado e gravemente ferido).

O romance de forma alguma é irreal, pode muito bem acontecer coisas assim na própria realidade. Entretanto, na escrita, às vezes (minha opinião) evito os encontros peculiares. Me acompanhe:

digamos que você é o Paulo: leva um tiro no ombro e outro de raspão na cabeça (do jeito que você disse no seu comentário não parece tão terrível, mas eu achava que fosse mais grave, agora eu sei que não é). Acorda, se depara com uma bela mulher carente, virgem e decotada. Depende das pessoas. Algumas estarão assustadas demais, traumatizadas com os corpos crestados, com o cheiro de carne humana, com o gosto de sangue e os membros espalhados no campo de batalha. Outros estarão espantados com a vida que ainda corre em suas veias, nem mesmo notarão a mulher, gritarão histéricos qualquer coisa. Alguns, como você disse, não se lembrarão do que ocorreu e acabarão por sucumbir ao decote da belíssima italiana. Mas já a presença da italiana de curvas deliciosas que trata dos soldados, usando decote, no meio da guerra, especializada no Paulo (e que é virgem), me deixa cético. Pode acontecer? Pode! Você está errado em algum momento? Não! A sua história é boa? É! Eu apenas expus meu ceticismo, a fim de que você saiba que tem leitores assim. Além disso, eu sou um cara que se baseia muito no realismo, só estou a lhe mostrar um diferente ponto de vista. Entretanto, esta é a única crítica que tenho a seu texto, oras! Você disse que não é lá muito bom com esses romances curtos, e se isso é verdade, deve ser por causa dessa parte que eu comentei, porque o resto do texto, a meu ver, está muito bem pensado e escrito.

Já a expressão "Você é um herói! Por sua causa, descobriram o atirador na torre da igreja" é-me estranha. Porém, não direi mais nada sobre.

Cheers, meu caro!  cheers
Queiroz

Desculpe-me por demorar a lhe responder. Bom... discordo um pouco do que você falou. Já estive em situações muito difíceis, e o que me salvou foi a frieza e a capacidade de decisão, adquiridas ao longo de anos de treinamento militar. Já entrou num hospital de campanha? Lá você veria como as pessoas reagem diferentemente aos horrores de um conflito, ou guerra, ou seja lá o que for. Basta entrar num hospital de referência de ferimentos (Salgado Filho, aqui no Rio, por exemplo).
Mas veja: Paulo estava só, bem cuidado, num ambiente seguro. Não havia os gritos de gente suplicando por doses de morfina para suportarem a dor que sentiam, muito menos os berros de gente pedindo que, por misericórdia, lhe dessem uma morte rápida e indolor. Este ambiente pode influenciar bastante, e descrevê-lo acabaria com o clima do conto.
Entretanto, entendo seu ponto de vista, e concordo. Arranquei de mim mesmo uma plausibilidade um pouco manca a duras penas, mas é aquilo: sou PÉSSIMO neste tipo de texto. Obviamente, o ceticismo tornaria o texto muito melhor, tivesse eu tido acesso aos seus comentários antes de publicá-lo. Mas esta, reitero, não é minha zona de conforto, e fazer um texto com alguma qualidade já foi, para mim, uma grande vitória.
Muito obrigado pelos seus comentários, até porque uso de ceticismo nos meus livros, a fim de torná-los mais plausíveis e, por conseguinte, críveis.
Grandes abraços,

Rogério

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MensagemAssunto: Re: Conto: Há Males que Vêm para o Bem   

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Conto: Há Males que Vêm para o Bem
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