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 A Noiva Chorosa

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Jenn Duarte



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MensagemAssunto: A Noiva Chorosa   Qua Jun 25, 2014 2:56 pm

Era onze e meia da noite do dia onze de junho quando Peter chamou a namorada para dar uma volta. Eram dois adolescentes na flor da idade querendo descobrir as aventuras que uma cidade pacata poderia oferecer após “o toque de recolher” e, na opinião de Peter, não tinha data melhor para passear pela noite que não fosse à do dia dos namorados – faltava uma hora para a data ainda.
Júlia era uma garota esperta e que adorava contar curiosidades sobre tudo para todos. Lia tudo o que tinha pela frente – até bula de remédio – e adorava compartilhar o seu conhecimento. Por isso, durante a caminhada pela praça principal da cidade, ela contava para o garoto poucas curiosidades que tinha visto sobre o dia dos namorados.
- Sabia que em diversos países a data é comemorada em fevereiro?
Ele balançava a cabeça fingindo interesse. Sabia o quão feliz a garota ficava quando ele parecia interessado em aprender algo.
- E, no Japão, as mulheres quem presenteiam os homens!
- Não seria má ideia. Assim não gastaria dinheiro!

Enquanto ela fazia um bico de desagrado, ele passava seu braço pelos ombros da garota e trazia seu corpo para mais perto do dele.
Até aquele momento, tudo corria perfeitamente bem. A noite estava prazerosa, a lua estava totalmente redonda e o céu coberto de estrelas. Parecia que tudo conspirava ao favor do casal e, no final da noite, ele só esperava arrancar alguns beijos da garota e esperar até o dia seguinte para ela contar as amigas como tinha o namorado ideal.

Já havia se passado algumas horas e, então, era melhor que retornassem as suas respectivas casas. Júlia sabia que se seu pai soubesse desse passeio noturno, ela estaria encrencada e ele desaprovaria o namoro dos dois. Peter, por outro lado, não estava preocupado com nada, mas conhecia bem a namorada e sabia a quão “perfeitinha” ela era para estar quebrando regras. A garota, então, sugeriu que pegassem um atalho por dentro do cemitério, qual sairia a poucas quadras de sua casa. Peter hesitou por uns instantes, tinha pavor de entrar naquele lugar até mesmo debaixo da luz do Sol, imagina então à noite?
- Qual é? Logo você, o todo poderoso do colégio, está com medo de alguns mortos? – A garota debochava do namorado, enquanto caminhava para dentro do cemitério e esperava que o mesmo a seguisse.
Como toda boa e velha cidade interiorana, aquela ali também tinha suas fábulas, seus contos para assustar criancinhas e seus mitos que alguns idosos ainda acreditavam. Quando pequenos, escutavam as histórias sobre o Homem do Saco, A Loira do Banheiro e outras, mas para o espanto dos adultos, Júlia era cética demais para acreditar nesse tipo de história. Não era a toa que a menina caminhava tranquilamente pelo cemitério às três horas da manhã, observando todos os jazidos e se perguntando porque colocavam estátuas tão grotescas sobre as lápides. Mas uma delas lhe chamara a atenção. A Lápide tinha uma estátua de uma linda mulher vestida de noiva e, em volta da mesma, tinham tantas flores que era impossível contar e imaginar quem encheria um jazido daquele jeito.
- Sai daí, sua louca! – Peter vociferou, puxando a garota para perto dele e a afastando daquele túmulo.
- Qual é o problema? Acha que alguém vai puxar o meu pé? – Júlia ria sem nem se importar com o apavoro do garoto.
- Você não sabe quem é? É a noiva chorosa! – Ele arregalava os olhos de maneira exagerada, ressaltando o brilho de suas íris meles-verdeadas – Dizem que no dia do seu casamento, ela descobriu que o noivo a traía com sua irmã. Então, ela tomou todos os comprimidos que tinha em casa, levou um revolver para a cerimônia, atirou na irmã e no marido. Antes de atirar em si mesma, ela prometeu que nenhum casal seria feliz nessa cidade.
- Hm, que medo! – Júlia voltava a zombar.
- Eu não terminei de falar. – Peter continuava sério e retomava a história – Desde então, todos que vão casar trazem flores para ela para pedir que deixe seu casamento em paz. Mas dizem que se algum casal vier aqui no dia dos namorados, na madrugada, e roubar uma flor de seu túmulo, ela amaldiçoará a noiva para sempre!
Como era de se esperar, Júlia não acreditou em uma só palavra que Peter havia dito sobre o conto da noiva chorosa. Por isso, a menina roubara uma flor da lápide e a levara para casa apenas para provar que a história era fictícia. Peter, como todo cidadão de lá, não duvidava das histórias contadas e preferiu não levar a namorada até a porta de casa – correndo do cemitério e indo para junto de seus pais em sua casa.
Júlia não deu muita atenção, assim, caminhando de forma sossegada para sua casa e entrando na mesma pela janela do seu quarto. Trocou suas vestes por um pijama confortável e deitou em sua cama na esperança de dormir algumas horas antes do início das aulas.


Eram seis horas da manhã quando acordou. Assim como esperava, tudo estava normal e nenhuma maldição havia pegado em seu corpo ou sua alma – pelo menos era o que pensara. Sua casa estava totalmente quieta e não ouvia nada além de sua respiração. Normalmente, seus pais estariam na cozinha tomando café e vendo o telejornal, enquanto ela se arrumaria para ir a aula.
- Mãe? Pai? – A menina chamava pelos dois enquanto caminhava pelo corredor de sua casa. Nenhum deles respondeu. – Mãe? – Ela chamava de novo enquanto verificava os cômodos, mas ninguém respondia.
Ao chegar ao quarto de seus pais, o cômodo estava totalmente escuro. Imaginou que os mesmos estavam dormindo e tinham perdido a hora. Caminhou até a janela para abrir as cortinas e acorda-los com a claridade, mas a visão que teve foi bem diferente do que esperava. Os corpos dos dois estavam deitados e despidos, enquanto nadavam em uma enorme banheira de sangue. Os olhos de sua mãe haviam sido retirados de seu crânio e deixando os dois buracos escorrerem sangue, enquanto seus membros estavam decepados de seu tronco. Seu pai tinha o pescoço separado do tronco, enquanto suas entranhas estavam expostas no lugar de onde seria sua barriga. A imagem era horrível e Júlia só pensava em chorar e vomitar. Mas ao invés do cheiro de carne podre, o que pairava no ar era o cheiro de flores.
A garota não sabia o que fazer e nem imaginar quem poderia ter feito aquilo. Sua única atitude foi correr do cômodo à procura do telefone para pedir ajuda para alguém. Automaticamente, o número discado era o de Peter. Um, dois, três, quatro, cinco, seis toques. A ligação caía na caixa postal. Um, dois, três, quatro, cinco, seis toques. Júlia entrava em pânico e não sabia mais a quem recorrer. Um, dois, três, quatro, cinco, seis toques. Então começava a escorrer sangue pelo telefone.
- Ai Meu Deus! – A garota que era tão cética, apelava para a divindade, em forma de grito. Jogou o telefone o mais longe que podia, agora, deslizando pelas paredes e se sentando no piso gelado.
Ali ficou sentada e abraçando seus próprios joelhos. Balançava o corpo para trás e para frente, imaginando o que poderia estar acontecendo e quem faria aquilo com a família dela. Chorava de forma exagerada e não sabia como reagir, o que pensar, o que fazer ou a quem recorrer. Foi quando escutou a campainha de sua casa, assim, correndo em direção a porta na esperança de que fosse alguém para ajuda-la. Não havia ninguém na mesma, apenas uma caixa de presente com um bilhete escrito: ‘Feliz dia dos namorados’.  A garota entrou com a caixa e colocou em cima da mesa, em seguida abrindo-a. Dentro, havia a cabeça decepada de Peter e uma flor idêntica a que ela havia furtado do túmulo da falecida noiva. Um outro bilhete dizia: ‘Com carinho, A noiva
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Carol Rodriguez

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MensagemAssunto: Re: A Noiva Chorosa   Qua Jun 25, 2014 8:17 pm

Amo os seus textos, conto divino *-*
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: A Noiva Chorosa   Qui Jun 26, 2014 3:10 pm

Gostei muito apesar de alguns pequenos erros ortográficos. Parabéns. Enredo, tema e subgênero em um sincronismo perfeito. Arrasou!
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Queirós

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MensagemAssunto: Re: A Noiva Chorosa   Seg Jun 30, 2014 2:24 pm

Jenn, vamos conversar!
Eu entendi que o foco está nas mortes, na forma como elas surgem e como se configuram. É ali que se encontra o terror, na visão repugnante que se forma em nossas mentes com estas pessoas de cabeças cortadas, entranhas de enfeites e os olhos pra fora das orbitas. Eu achei que pra menina agir de forma tão calculada ela teria de ser o próprio diabo. Entretanto, cada qual tem sua reação, é possível sim que ela tivesse essa frieza.

"que não fosse à do dia dos namorados" a crase aqui me parece inapropriada, mas somente o Gustavo para lhe dizer com precisão.

"tudo estava normal e nenhuma maldição havia pegado em seu corpo ou sua alma" será que não daria pra dizer "e nenhuma maldição pegara em seu corpo"? Não sei. Se o Gustavo passar por aqui, ele o dirá.

A narrativa é excelente, mas eu senti falta de um cuidado especial com a essência humana. Não senti a dor da Júlia e os pais pareciam apenas animais mortos.
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Jenn Duarte



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MensagemAssunto: Re: A Noiva Chorosa   Seg Jun 30, 2014 7:17 pm

Obrigada pela Crítica, Queirós.
Eu não tenho muito o que dizer em relação aos erros, pois passei o texto todo no word e deixei que ele falasse o que deveria mudar, onde usar acentos e pontuações. Sabemos que muitas vezes o word erra, então desculpa rs.
O texto realmente não foi dos meus melhores, então peço desculpas pela falta de sentimentalismo em Júlia, mas confesso que sou um desastre escrevendo textos pequenos. Irei me esforçar mais nos demais!
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