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 Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega

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Caio Biolcatti
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MensagemAssunto: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Seg Ago 11, 2014 10:01 pm



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No principio era o nada. O nada e o tudo, para ser preciso. Existia apenas o Caos, a entidade que era ao mesmo tempo o nada e o tudo, o Deus Primordial, e ele apenas existia. Não vivia, não sentia, não era; existia. Em algum momento aleatório, a divindade cedeu sua infinidade e gerou Gaia, a Deusa Primordial da Terra e a Personificação da mesma, a quem confiou o comando do novo mundo e a incumbiu de prosseguir com a sua criação. Caos, porém, criou outras entidades divinas, como o terrível Tártaro, cujo Reino localizava-se nas profundezas de Gaia, o coordenador do amor, Eros, o criador das Trevas, Érebo e, por fim, a negra noite, Nyx. Cada qual dos “filhos” de Caos prosseguiu com a criação a seu modo, como Gaia que, através da partenogênese, gerou Urano, ou Nyx e Érebo, que se uniram para gerar Hemera, o dia. Durante éons e éons a criação divina se propagou, e a maneira partenogênica de Gaia caiu em desuso após os Deuses descobrirem o amor e o prazer do sexo. Mas assim como foi necessário que Caos exemplificasse a criação divina para que outros pudessem imitá-la, foi necessária também uma amostra do que era o amor e foi ali, nos primórdios da criação divina, onde também surgiram os primórdios do amor.


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Hemera, a Personificação do Dia, tinha um irmão, Éter, que era o Céu Superior, o Ar Puro que os deuses respiravam. Hemera fazia parte do Ciclo Diário, e era responsável por cobrir Gaia com o Dia. Só descansava quando as Hespérides, as ninfas do pôr-do-sol, traziam a tarde e só retornava ao trabalho quando o turno de Nyx, que cobria o céu com a Noite absoluta, cedia espaço à luz de Hélio e à graça de Eos. Assim, em seu tempo livre, Hemera gostava de ficar em companhia de seu irmão, Éter, acima das nuvens, no Reino dos Deuses. Foi da união incestuosa desses seres que nasceu Tálassa, uma Deusa do Mar, e, posteriormente, Astéria, a Deusa das Estrelas.

Astéria era uma das Deusas mais belas que o mundo já havia contemplado até então, pois tinha algo que lhe era único: Um brilho radiante, de fulgor ímpar. Nasceu já uma mulher completa, com quadris avantajados e seios fartos. Os cabelos louros desciam-lhe as curvas pálidas e lustrosas, e todo o seu ser era envolto por uma aura estelar.

Não só era ela uma entidade belíssima, era ainda portadora de uma sensibilidade singular, e também queria contribuir para a criação do mundo. Não obstante em criar algo que seria apenas mais uma peça dentro da cadeia interminável da criação divina, Astéria não criou outra divindade. Sendo uma Deusa extremamente poderosa, ela tinha energia de sobra para o que pretendia fazer: separou de seu corpo metade de sua energia divina, e fragmentou-a em centenas, milhares, milhões e bilhões de partes, cada qual com um brilho similar ao de sua criadora, apenas em proporções menores. Esses glóbulos de luz, que foram primeiramente denominados pirilampos do Caos, logo receberam o apelido de Estrelas, e eram conhecidas como “as flores do Jardim de Astéria”.

As Estrelas estavam distribuídas de maneira caótica pelo plano negro do universo, e Astéria estava satisfeita assim. Adorava passar horas e horas a contemplar o céu, tanto o céu de sua mãe quanto o céu de sua avó, pois naquela época, o brilho das estrelas era tão intenso que, mesmo quando Hemera reinava no céu, ainda era visível da Terra. Eram muitos os admiradores das estrelas, mas o que diferenciava Astéria dos demais era o motivo pelo qual ela observava. Enquanto os outros Deuses o faziam apenas por curiosidade, ela sentia um prazer singelo ao paquerar os astros, pois sentia que a energia que desprendera para criá-los reverberava e emitia ondas de amor, paz, felicidade, tranquilidade... Eram esses sentimentos, acessíveis por Astéria e não pelos outros, que faziam dela uma divindade peculiar.

Embora contasse com todas essas qualidades e sentisse a positividade que as estrelas forneciam, Astéria não conseguia manter-se feliz durante todas as 24 horas do dia, pois havia momentos em que se lembrava de que era única no mundo: A única a ser capaz de amar verdadeiramente de corpo e alma. E embora seja bom ser único, não há felicidade em um amor solitário. Mas mesmo com o mundo em processo de criação, já havia um Deus a quem recorrer, um Deus responsável pelo amor, e foi nele que Astéria depositou suas esperanças.

Voando suavemente por entre as nuvens, não demorou muito para que a jovem Deusa detectasse a figura de Eros sentado no meio de um campo florido, um dos primeiros Jardins Terrestres que já existiram. Astéria pousou lentamente ao lado de Eros, e sua aura, intensificada pela nudez, logo chamou a atenção do Deus do Amor, cujos cabelos louros combinavam em cor com os da jovem, mas seus cachos divergiam em formato das ondas douradas da mesma.

– Eros. – Chamou ela. – Preciso de um favor teu.

– E o que a faz pensar que mereces um favor do Deus do Amor? – Respondeu ele quase que instantaneamente. Sua voz parecia ser acompanhada de badalares suaves de sinos, e uma melodia sem nenhum desafinamento era tecida uniformemente às palavras que saiam de sua boca. Era fácil se deixar levar pelas palavras do Deus, mas Astéria não era como os outros; embora fosse seduzida pela voz de Eros, conhecia o prazer do amor e da paixão, e este sentimento não era, portanto, inédito a ela como era para todos os outros Deuses que se deixavam ser ludibriados por ele.

– Tenho algo a oferecer em troca.

Eros ergueu as sobrancelhas, parecendo surpreso por alguém oferecer uma resposta racional. Um sorriso formou-se no canto de seus lábios, e ele fez sinal para que ela prosseguisse.

– Vejas; Gaia é a Deusa da Terra e tem um vasto território a reinar, o mesmo digo de Urano. Eu sou a Deusa das Estrelas e tenho bilhões de astros luminosos que me representam Cosmos afora. E tu, Eros? És o Deus do Amor, mas qual é teu reino? Nenhum dos Deuses é capaz de amar, de sentir na alma o queimar da paixão. Embora poderoso, tu não possuis matéria para dominar, és um Deus inútil para a nossa criação.

Astéria tocara em um ponto fraco. Eros, antes de ser uma entidade sedutora, era uma entidade muito astuta, e já havia se dado conta de que, ao contrário de seus irmãos, não possuía algo para chamar de seu. O Deus, que tinha aparência muito jovem, similar à de Astéria, passou a mão pelos cabelos na tentativa de disfarçar o efeito de interesse que a conversa estava surtindo sobre ele e sorriu mais uma vez.

– E tua oferta?

– Ofereço-te o Reino dos Sonhos. Veja bem, sou nascida da escuridão e conheço o dom de amar. Sei que, uma vez liberto ao mundo, o amor se espalhará como uma praga. E todos os seres, divinos ou não, estarão à mercê do amor e tu, grande Eros, serás o mediador do sentimento que controlará o mundo. Por amor os Deuses criarão e por ele também destruirão. O amor é o sentimento ambíguo que pode controlar o mundo, e tu podes controlar o amor.

Eros pôde enxergar a genialidade no plano da Deusa imediatamente após ela expô-lo a ele, e concordou com seus termos. Ele, que apesar de astuto e egocêntrico, não era insensível, e concedeu à Astéria um brinde por sua inteligência.

– Darei a ti, Astéria, o dom da reciprocidade. Há, no mundo, sempre um par para qualquer indivíduo. Toda alma possui sua gêmea, ainda que morra sem encontrá-la. A minha benção garante que encontrarás a tua. Não forces um amor nem o imagina, espera acontecer. Quando o encontrar, assim como teu amado, saberás. E tuas estrelas então escreverão que o destino vos pertence, e que vosso amor será eternizado. Tu serás a precursora do amor, e a responsável por disseminá-lo ao mundo.

Dito isso, Eros tocou na testa de Astéria com três dedos. A jovem Deusa mal sentiu seu toque, posto que era tão suave quanto veludo, mas com certeza sentiu a magia se espalhando pelo corpo. Eros cumprira com sua palavra, e já desaparecera de vista antes que ela tivesse a chance de agradecer.

Após esse evento, a jovem conseguiu algo que lhe faltava antes: esperança. Ainda não era plenamente feliz, visto que não encontrara o amor de sua vida, mas o simples fato de ter consciência de que um dia viria a encontrar sua alma gêmea bastava para fazê-la sorrir todas as 24 horas do dia.

Durante muito tempo, Astéria dedicou seu cotidiano a sobrevoar o plano terrestre para tentar acelerar o encontro com seu amado, mas nunca encontrou alguém que lhe fizesse o coração saltar. E Eros fora claro “Quando o encontrar, assim como teu amado, saberás.” Por isso, apesar da ansiedade, a pressa não fazia parte de seus planos; até porque, o mundo crescia com velocidade extraordinária, e ela não era capaz de conhecer cada novo indivíduo que era gerado no mundo.

Mas a oportunidade não tardou a chegar! Em mais um dos espetáculos das Hespérides, seu pai, Éter, desceu dos céus até a colina na qual a Deusa das Estrelas estava deitada, e fez-lhe um convite.

– Venho trazer-lhe uma mensagem de Urano, o Soberano dos Céus. Amanhã, pelo nascer do Sol, terá início uma festa promovida por ele, e todas as entidades divinas estão convidadas. Apareças para iluminar o céu com o teu brilho, e para honrar meu poder.

– Estarei lá. – Respondeu a jovem com certa frieza. Seu próprio pai queria sua presença para expô-la como um troféu, e não por possuir sentimentos pela filha. Mas o que esperar de Deuses que geravam outros Deuses através da união de energia e poderes, sem de fato amar? Sem expressar no corpo do outro o calor que emana do seu? Ainda assim, ela ficou animada, pois essa era a chance de conhecer, por fim, todas as entidades divinas que já haviam nascido, e as chances de seu amado estar entre eles era grande.

No dia seguinte, quando Eos, a Aurora, começou a mostrar sua graça ao mundo, Astéria estava mais do que pronta. Os Deuses ainda não tinham o costume de usar vestimentas, mas isso não significava que não havia maneiras de ficar mais bonita do que o normal. Astéria liberou toda a sua energia no ambiente, não se preocupando em restringir seu brilho, que naquela data brilhava como nunca antes havia brilhado. Seus cabelos dourados reluziam a luz que seu próprio corpo emanava, e pareciam formar uma malha de ouro. Com um sorriso branco como as nuvens puras, Astéria foi da terra ao céu em apenas um salto, de graciosidade impecável e incomparável. Aterrissou em uma nuvem, e era impossível determinar qual era mais suave: seu delicado pé ou a aveludada nuvem.

A festa havia acabado de começar, mas os Deuses eram todos pontuais. Simultaneamente à jovem Deusa, vários outros atravessavam uma nuvem ou aterrissavam nelas, já alcançando a ambrosia mais próxima e sorrindo para os mais íntimos. Aquela multidão de divindades fez com que Astéria tivesse, enfim, um pouco de esperança em seus iguais; eles não eram insensíveis ao todo, afinal, e uma vez que ela disseminasse seu amor pelo mundo, nada mais seria capaz de contê-lo.

– Veja o prodígio! – Exclamou alguém atrás dela. A cortina dourada que eram seus fios capilares esvoaçou quando ela rodopiou o corpo inteiro para a direção da voz. Era Tálassa, sua irmã, uma das principais Deusas do Mar. Uma divindade cuja beldade era rivalizada por poucos, embora muitos julgassem que fosse a irmã “menos bela”. Astéria gostava muito da irmã, porque apesar de não ser tão sensível quanto gostaria que fosse, era capaz de demonstrar, senão afeto, ao menos consideração.

– Irmã! – Respondeu ela, saboreando o gosto que essa palavra deixava-lhe na boca.

Nem tentou abraçá-la, pois sabia que isso seria pedir demais, mas observou que, atrás dela, inúmeras Ninfas de tons azulados estavam agitadas, eufóricas quase. Talvez porque não era todo dia que criaturas nascidas no mar ascendiam aos céus.

– São tuas crianças?

– Não todas, mas sou a tutora delas. São servas de Oceano, e precisam de alguém para ensiná-las como portar-se como tal.

Astéria contentou-se em mostra-lhe um sorriso meigo, mas algo captado pelo canto de seu olho chamou a atenção. Era claramente uma Ninfa, uma vez que suas orelhas eram pontiagudas, os olhos eram grandes e o cabelo parecia ondular na cabeça como as ondas do mar, mas havia algo de diferente: Era totalmente negra. Não havia sequer um tom de azul para chamar de azul marinho, era preta como o Caos.

– Quem é esta? É uma Ninfa do Mar? – Perguntou inocentemente a Deusa, ao que sua irmã fez uma imediata cara de nojo.

– Infelizmente, sim. Cria minha. Creio que, de alguma forma, a presença de Érebo a impregnou. Não há nada a ser feito, exceto deixar que continue com sua mísera existência.

Naquele momento, Ponto, outro Deus do Mar, passou por elas e gritou, às gargalhadas:

– É a Ninfa dos Mares Negros, isso se sequer pode ser chamada de Ninfa! É uma aberração! – E vários Deuses o acompanharam. Tálassa não riu, mas não foi em defesa da Ninfa, que também não reagiu. Parecia estar acostumada com esse tipo de chacota, mas Astéria não estava. Furiosa com Ponto, ela marchou diretamente para a Ninfa, que mostrou-se assustada com a aproximação da Deusa.

– Não se assuste. – Pediu Astéria. – Eu só quero ajudar.

A Ninfa manteve a cabeça baixa, desviando seu rosto da atenção de qualquer outro ser, como era de costume. Astéria deu um sorriso fraco.

– Vês as estrelas? São minhas criações, e antes de eu as trazer para o mundo, qualquer um teria julgado “pontos brilhantes” como algo estúpido e inválido. Tu és uma inovação ao mundo, e não há nada que você deva sentir em relação a isso que não orgulho. – Ela estendeu a mão e segurou a mão da Ninfa, embora ainda não pudesse ver o seu rosto. – Eu sou Astéria, a Deusa das Estrelas.

O contato com a Ninfa proporcionou uma onda de energia que nenhuma das duas jamais sentira antes, o que encorajou a tímida a levantar o rosto e pronunciar-se.

– Eu sou Kyma, a Ninfa das Ondas Profundas.

E, naquele momento, Astéria entendeu o que Eros quisera dizer quando disse que sentiria quando chegasse a hora. Nunca antes ela sentira algo tão profundo por alguém como naquele instante; o coração disparava na velocidade do som, o brilho dobrou de tamanho e o maior sorriso que ela já colocou no rosto apareceu espontaneamente. As pernas bambearam um pouco, e algumas gotas frias desceram-lhe pelo corpo, surgidas sabe-se lá de onde.

Uma torrente de sentimentos tomava conta do corpo da Deusa e, embora ela não soubesse, o mesmo acontecia com a Ninfa. Kyma, que nunca recebera afeto de outra pessoa, que enxergava a beleza puríssima das Grandes Barreiras de Corais do Oceano, que sempre sonhou em tocar as estrelas, que sempre quis que suas ondas acariciassem alguém digno de amar. Naquele momento, as duas contribuíram simultaneamente para a criação do mundo, mas não com uma nova entidade; com um novo comportamento, uma nova visão, uma nova mente, uma inédita concepção de amar.

E, assim como um Ciclope sabe forjar uma arma por instinto, as duas se aproximaram em segundos que se desenrolaram como se fosse éons, e abraçaram-se com firmeza, mas não com força. Astéria enxergou todas as mágoas sofridas no fundo dos olhos de sua amada, e esta enxergou naquela todos os sonhos reprimidos. Nesse entendimento mútuo da angústia alheia, elas acoplaram suas nudezes e trançaram os lábios, uma atitude também regida por forças que não compreendiam, consumando o que viria a ser o primeiro beijo da história do mundo.

As línguas, fulgurosas como estrelas ou flexíveis como a água, dançaram e se amaram, selando um contrato mudo, mas que não podia deixar de conter os mais puros termos de amor. O tempo parou, e não só para elas; o ambiente ao redor ficou paralisado, e todos os olhares voltaram-se para elas, cujo turbilhão de sentimentos parecia ser sentido por todos.

Quando finalmente se separaram, estavam sorrindo involuntariamente uma para a outra. Os corpos, ainda próximos, permitiam que uma sentisse a vibração que emanava do peito da outra. Aquela era a sensação que Astéria procurava, aquela era a peça que faltava no jogo da Deusa. Aquilo era o que ela sempre quis proclamar como dela; era amor.

Mas se o amor acabava de nascer, a ignorância já era velha no mundo, e a surpresa tão deliciosamente provada pelas duas amantes foi quebrada subitamente pelo grito de cólera que repercutiu mesmo no Céu. Éter, o “pai” de Astéria, emanava uma aura de terror poderosíssima, e encarava com ódio irrefreável as duas criaturas imortais.

– Astéria! – Ele gritou. Os Deuses todos se afastaram, formando um vasto círculo ao redor deles. Em uma das extremidades do círculo, Éter estava ereto e com os punhos cerrados, o vento rodopiando violentamente ao seu redor. Um pouco atrás deles, estavam Nyx, Hemera e Tálassa. Na outra extremidade, Astéria colocou-se instintivamente a frente de Kyma, protegendo-a. Somente uma Deusa poderia combater um Deus.

– O que vês de errado, pai?! – Questiona ela sem raiva na voz, apenas indignação quanto à ignorância do Deus.

– Traíste o código dos Deuses, prole indesejada! Como ousas praticar tal ação com esta Ninfa! Uma Ninfa! Ainda mais esta que é defeituosa.

E, pela primeira vez em sua existência, Astéria experimentou a fúria. Seus olhos arregalaram-se e as estrelas piscaram ameaçadoramente ao longe. Kyma tremeu de leve atrás dela.

– Não sabes do que falas, velho Deus ignorante! Não conheceste o amor, tampouco o afeto! Estás sob qual direito de me atacar? Eu carrego a benção de Eros, e meu amor é puro. Tu, que junto com minha mãe, geraste duas proles de energia, sem interação alguma, não tens conhecimento para julgar-me. Cala-te e deixa-me, velho!

Por um momento, as palavras de Astéria fizerem sentido a Éter. Que mal havia na pureza de duas almas que se amavam? Que importava se as duas pertenciam ao mesmo sexo? O conceito de gênero nem era bem definido mesmo naquela época. Mas, infelizmente, na mesma proporção que Astéria era a precursora do amor, assim Éter era da ignorância.

– Queres falar de sentimentos, prole ingrata? Sentimentos são dispensáveis aos Deuses, mas nunca foste comum, não é? És uma aberração, assim como essa Ninfa Negra. Ambas merecem apodrecer nas prisões do Tártaro.

– Podes tentar, execrável pai, mas sabes que não tens poder suficiente para isto.

O embate a distancia entre os dois parecia esquentar, um respondia o outro assim que as palavras deixavam de sair de suas bocas. Éter sabia, porém, que o que sua filha falava era verdade. Astéria era uma Deusa poderosa, mas eles estavam no Céu, no Céu Superior, o território dele. Ali ele tinha a vantagem.

– Vós sois a vergonha dos Deuses, as falhas na criação – Bradou, apontando para as duas. – Eu vos bano a presença deste recinto sagrado, e nunca mais vossos corpos tocarão as nuvens ou subirão às alturas!

Dito isso, a maldição do Deus do Céu foi lançada. Imediatamente, a Deusa e a Ninfa foram arrebatadas por uma ventania e jogadas para fora do Céu. Os Deuses presentes eram ou tão ignorantes quanto Éter, ou covardes demais para manifestarem-se em defesa das pobres humilhadas. Apenas Eros encarava toda a cena com um olhar triste, mas impotente. Depois dessa data, éons se passaram sem que Eros mostrasse as caras ao mundo.

Enquanto isso, mesmo banida do céu, Astéria manteve-se firme e feliz ao lado de Kyma. Curiosamente, o mundo pareceu partilhar de sua felicidade. As flores nasciam mais coloridas, o céu amanhecia mais azul e o pôr-do-sol coloria-se mais. Aliás, foi justamente em um desses pôr-do-sol coloridos, um espetáculo das Hespérides, que Astéria e Kyma provaram do ato sexual, o ápice do desejo que uma criatura poderia extrair de outra.

Elas estavam à beira do que hoje é o Mar Mediterrâneo, e a nudez, que lhes era comum, era explorada avidamente. Estavam deitadas sobre a grama, com Kyma sob Astéria. Esta passava as mãos suaves nas laterais do corpo da amada, descendo até sua virilha e voltando, promovendo arrepios naquela, que por sua vez, arranhava sutilmente as costas de Astéria; não para feri-la, mas em um ímpeto desesperado de aliviar o prazer imenso que sentia. As línguas, agora já mui bem conhecidas, brincavam uma com a outra, no que talvez fosse a primeira versão de “pega-pega” da história, embora talvez um pouco inusitada. Os seios eram pressionados uns aos outros, e esse simples contato era capaz de causar delírios nas divindades.

A intensidade do movimento delas aumentou, e as mãos de Astéria vasculhavam áreas mais íntimas, nas quais Kyma ainda era muito sensível. Logo, o ápice de prazer dentro do próprio ato de prazer veio: aquilo que elas, por serem as primeiras a provar, deram o nome de goza, pois era uma sensação de felicidade extrema. E deitaram-se, estiradas, uma ao lado da outra, admirando o brilho das estrelas, que foram dedicadas à Kyma. Elas sorriam, como sempre fizeram desde que estavam juntas.

Ao longe, do topo de uma montanha, Éter as observava. Sua ignorância era tão intensa que beirava à crueldade, mas uma virtude ele tinha: a paciência. Durante esses meses que se passaram desde o banimento das entidades do Céu, ele arquitetou um plano para expurgar do mundo essa “coisa” que ele deu o nome de impureza. Fizera um tratado com ninguém menos do que Oceano, o Titã que controlava os maiores corpos de água do mundo. Um sorriso de triunfo surgiu em seu rosto conforme a cena formava-se em seus olhos.

– Tomaremos um banho agora, sim? – Perguntou Kyma carinhosamente ao seu amor, que lhe respondeu sorrindo, como sempre.

– Juntas. Vá em frente, que vou preparar a surpresa que mencionei esta manhã.

Kyma sorriu radiante e curiosa. Caminhou lentamente em direção ao Mar, e prometeu não espiar a amada. Quando as ondas vieram receber-lhe, não pôde deixar de se sentir em casa. Por mais que agora passasse grande parte do tempo em terra com Astéria, o mar sempre seria sua verdadeira casa, seu lar. Como Ninfa das Ondas, seus banhos marítimos lembravam espetáculos de danças, similares aos das Musas, pois todo o mar agitava-se em coro, festejando a presença de sua patrona.

Astéria estava reorganizando a posição das estrelas, e iria desenhar a primeira constelação da história, a qual chamaria de “Paixão”, representada por duas mulheres unidas no céu estrelado. Sua obra de arte estava quase pronta, quando o grito de horror cortou o ar sereno. Ao virar-se em direção ao mar, viu um redemoinho furioso sendo formado, bem no local onde Kyma estava. A Ninfa foi sugada para dentro, e em seu último vislumbre de luz, encarou os olhos dourados de Astéria; depois, nada. Esta, horrorizada e petrificada, correu para o local onde outrora estivera o redemoinho, mas o mar já estava calmo novamente e Kyma se fora.

Éter surgiu atrás dela e, com um sorriso irônico, chamou-a.

– Filha. – Disse. Ela virou-se subitamente, pensando que por um instante seria Kyma quem estaria ali. Quando viu seu pai, uma lágrima escapou de seus olhos. – Fiz um acordo com Oceano. Como Deus do Céu, prometi triplicar as chuvas, para que o nível do mar aumente cada vez mais e, em troca, uma Ninfa dos Mares teria de ser sacrificada. Uma pena ter sido Kyma, não é?

Naquele segundo, Astéria mudou. Sua aura apagou, o dourado de seus cabelos se ofuscou, a graça que rondava o seu corpo se esvaiu. Do fundo do seu coração, passando pela garganta e transfigurando-se na ponta dos lábios, surgiu o grito que tremeu a terra, chicoteou o ar, apagou a chama e drenou a água. O grito que foi ouvido por todos os que estavam presentes no universo do Caos. O grito de angústia, de raiva, de impotência, de amor. Ela encarou Éter, que agora tremia de medo perante a personalidade desconhecida de sua filha, e este caiu de joelhos. Astéria abriu os braços e começou a flutuar e ascender em direção aos Céus. O vento chiou, tentando forçar a maldição de Éter, mas esta não tinha mais poder para conter a ira da Deusa. Ela perfurou as nuvens, ultrapassou o céu e só parou quando estava em meio ao Cosmos, nas entranhas do Caos. Ali, liberou todo o seu poder: explodiu a sua forma humanoide e tornou-se uma bola maciça de energia, a mais brilhante estrelas de todas. A energia divina dessa nova estrela era tamanha que todas as outras estrelas, pequenos corpos criados por Astéria, reagruparam-se em torno da sua criadora, na forma de um espiral. A essa formação, deu-se posteriormente o nome de Via Láctea.

Astéria não suportaria viver em um mundo onde Kyma não existia, então abdicou sua eternidade em favor de sua forma estelar, que também compunha sua vingança: Éter também foi sugado pela energia da estrela, e ao atingir o centro de massa da esfera luminosa, desintegrou-se em milhares de partículas de ar, amaldiçoadas a nunca mais voltarem para a Terra. As partículas contentaram-se em reagrupar-se em torno do planeta, o que foi chamado de Atmosfera. Embora pareça trágico, não foi ao todo: a Via Láctea era a carta de amor impressa no Caos e proferida pela Noite que Astéria deixou para Kyma, e durante eras, serviu de inspiração para que o amor se propagasse pelo universo. O amor das duas, enfim, havia sido eternizado, e a promessa feita à Eros foi cumprida: A epidemia do amor fora instaurada ao mundo.


14 de Fevereiro de 2050. O Deus caminhava nas ruínas do Parthenon, observando as luzes dos prédios que a metrópole de Atenas possuía. Sentada nessas mesmas ruínas, estava Néa, uma garota grega de 15 primaveras de vida. Estava abatida, confusa dentro dos próprios pensamentos e fitando a imensidão que se distendia diante dela. O Deus olhou para ela e sorriu simpático. A presença poderosa dele logo chamou a atenção da garota, que se virou abruptamente para ele.

– Não há nada de errado. – Disse o Deus. A menina franziu a testa, e antes que ela pudesse questionar nada, ele prosseguiu. – Sinto a presença de Astéria em você. Sei que ela se manifestou de alguma forma, através de você, nessa nova era contemporânea. Sei que você não se encaixa nos padrões de amor idealizados pela sociedade, mas não se preocupe, não há nada de errado. Em algum lugar do mundo, Kyma espera por você, e também sei que vai encontra-la.

A menina não proferiu uma palavra sequer, apenas encarou boquiaberta o sujeito lunático que conversava com ela.

– Os homens dizem que devemos seguir o exemplo que a natureza nos fornece, então revelá-la-ei um segredo: O primeiro amor do mundo foi justamente igual ao seu. Uma mulher loura apaixonou-se por outra negra, uma era uma Deusa e outra uma Ninfa. Tudo que envolvia o amor delas parecia ir contra a concepção pré-determinada que os “Deuses da Ignorância” conceberam do mundo e do amor, e ainda assim, elas foram o maior exemplo de pureza e felicidade que a Terra testemunhou até hoje. O amor chora com a perda delas até hoje. Mas, felizmente, até hoje, o exemplo de amor delas ainda vive em alguns corações, como o seu, por exemplo. E eu vou te contar mais um segredo: A ignorância é mais velha que o amor, mas nunca foi, nem será, mais forte. Por alguma razão, até os Deuses pensam no amor como um padrão, e que apenas determinadas peças podem se encaixar com outras, mas eu garanto que não é nada disso.

Gaguejando e tossindo, não deixando de estar admirada, porém, Néa perguntou ao homem:

– Q-Quem é você?

E este, sorrindo, respondeu-lhe:

– Não sou o Deus da sabedoria, mas forneço-lhe um único conselho: Se quiser metaforizar o amor, metaforize-o na forma do universo, tão grande que cabe qualquer coisa, tão secreto que pode conter qualquer coisa, tão infinito que admite qualquer coisa. O amor é livre para ser vivido.

E começou a caminhar para longe da menina, em direção ao interior das ruínas do Parthenon.

– Eu sou Eros, o Deus Primordial do Amor, e durante éons eu deixei de visitar o mundo por descrença no amor. Mas ao detectar a pureza de Astéria renascida em você, eu percebi que, por mais podres que sejam os homens e os Deuses, o sentimento é puro, e este vive para sempre no meu mundo e no seu. No seu, espalhado por cada gota do mar, e no meu, contido em cada centelha de luz das estrelas. Boa noite, Néa, que os Deuses não estejam com você.

E desapareceu.

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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Ter Ago 12, 2014 1:20 pm

Esse é só o segundo conto que eu leio seu. Mas ninguém faz duas vezes obras TÃO boas por sorte. Ainda não acredito que tu tem só 16 anos -segundo o perfil aqui.

Enfim, vamos lá.

PUTA QUE O PARIU. É quase difícil de acreditar que você não pegou esse mito pronto. Foi tudo impecável pra mim. Talvez seja aquela experiência que a gente conhece de se inebriar tanto pela leitura que suspende o senso crítico. Mas o que é isso senão um mérito absurdo?

E outro ponto pela sua abordagem de amor. Ao mesmo tempo que adentrou na deep fantasy, foi subversivo. Além do mito da criação da Via Láctea, concebeu o mito do amor e o mito do preconceito.

Não tenho o que falar. Você é um escritor praticamente pronto pra mim. Meus mais sinceros parabéns.
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Ter Ago 12, 2014 9:31 pm

Parabéns pela belíssima obra. O que dizer? Ah, nada! Todo esse emaranhando se deflagra no que tange o amor. "Inexistente, porem presente. Falso fisicamente, mas sentido intimamente. Lindo teoricamente e absurdamente triste sentimentalmente."

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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Caio Biolcatti
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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Qua Ago 13, 2014 12:55 pm

Weslley Reis escreveu:
Esse é só o segundo conto que eu leio seu. Mas ninguém faz duas vezes obras TÃO boas por sorte. Ainda não acredito que tu tem só 16 anos -segundo o perfil aqui.

Enfim, vamos lá.

PUTA QUE O PARIU. É quase difícil de acreditar que você não pegou esse mito pronto. Foi tudo impecável pra mim. Talvez seja aquela experiência que a gente conhece de se inebriar tanto pela leitura que suspende o senso crítico. Mas o que é isso senão um mérito absurdo?

E outro ponto pela sua abordagem de amor. Ao mesmo tempo que adentrou na deep fantasy, foi subversivo. Além do mito da criação da Via Láctea, concebeu o mito do amor e o mito do preconceito.

Não tenho o que falar. Você é um escritor praticamente pronto pra mim. Meus mais sinceros parabéns.

Bom, eu tenho 16 anos, 11 meses e 13 dias, o que é quase 17, mas ainda 16 AIUEHUIAEHUIAHEIUHA

E MANO DO CÉU! Rapaz, estou sem palavras pra te agradecer por esse comentário. Cê não tem noção do quanto significou pra mim, ainda mais vindo de você. Muito, mas MUUUITO, obrigado, sério mesmo. Espero que nos próximos contos eu continue a agradar desse jeito!!

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Caio Biolcatti
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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Qua Ago 13, 2014 1:00 pm

Ademar Ribeiro escreveu:
Parabéns pela belíssima obra. O que dizer? Ah, nada! Todo esse emaranhando se deflagra no que tange o amor. "Inexistente, porem presente. Falso fisicamente, mas sentido intimamente. Lindo teoricamente e absurdamente triste sentimentalmente."

Muito obrigado!!! E essa frase é realmente maravilhosa, acho que combina bem com a situação. É de sua autoria?

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Indy J

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Qui Ago 14, 2014 6:04 pm

Tunts tunts li o comentário do Weslley, pensei "Ah vá será que foi tudo isso?"
Foi.

Vou, ao invés de fazer elogio e depois críticas, exibir o que eu consigo aprender pra me melhorar com este conto e o que eu posso te dar dicas.
O que aprendi: desenvolver uma espécie de "lição/moral" que seja profunda e sincera e que dê a força emocional para o texto; construir um cenário e conceitos do cu (por mais que baseados já existentes, mas a definição de criatividade é habilidade de criar) que sejam convincentes e que façam-nos embarcar na história;

O que (penso que) posso te dar de dica: mais cuidado com as vírgulas e palavras que você não tem certeza do significado mas sabe o conceito; personagens secundários que não têm muita personalidade, só relevância ao enredo - mas uma relevância menos tridimensional que o ideal; motivações mal explicadas/elaboradas de menos.

Melhorou MUITO do mês passado, na minha opinião. Muito melhor cuidado e revisado, mais original e mais envolvente.

Parabéns! Very Happy

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Seg Ago 18, 2014 6:32 am

E assim surgiu um novo mito!
Narrativa impecável.
Enredo impecável.
Tem certeza que esse texto é original? rsrs

Realmente foi o texto mais completo que eu li aqui no grupo.

Confesso que enrolei muito para ler seu conto, mas de todas minha procrastinações aqui... O seu foi a experiência mais gratificante.
Foi impossível não mergulhar nas profundezas de Kyma, e não se sentir junto as estrelas de Astéria.

Krl....não tenho muito o que dizer.
Houve um ou outro erro ortográfico, repetição de palavra, mas nada que comprometa a genialidade da obra.
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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Ter Ago 19, 2014 5:51 pm

Indy J escreveu:
Tunts tunts li o comentário do Weslley, pensei "Ah vá será que foi tudo isso?"
Foi.

Vou, ao invés de fazer elogio e depois críticas, exibir o que eu consigo aprender pra me melhorar com este conto e o que eu posso te dar dicas.
O que aprendi: desenvolver uma espécie de "lição/moral" que seja profunda e sincera e que dê a força emocional para o texto; construir um cenário e conceitos do cu (por mais que baseados já existentes, mas a definição de criatividade é habilidade de criar) que sejam convincentes e que façam-nos embarcar na história;

O que (penso que) posso te dar de dica: mais cuidado com as vírgulas e palavras que você não tem certeza do significado mas sabe o conceito; personagens secundários que não têm muita personalidade, só relevância ao enredo - mas uma relevância menos tridimensional que o ideal; motivações mal explicadas/elaboradas de menos.

Melhorou MUITO do mês passado, na minha opinião. Muito melhor cuidado e revisado, mais original e mais envolvente.

Parabéns! Very Happy

Muitíssimo obrigado pelo puta elogio!! *O* Sobre as dicas que você deu, porém, não entendi a maioria p.p Que palavras eu não tenho certeza do significado? Quais motivações mal explicadas? D: Sobre os personagens secundários que não têm muita personalidade, acho que são indispensáveis. Não podemos criar um personagem esférico e complexo se a função dele no texto é apenas fazer uma aparição "de bico".

Também achei que foi melhor que o do mês passado, embora eu tenha pensado muito mais no do mês passado ): #bolado AEIIEUAHIAEHUIAEUIAE

"Brigadão" mais uma vez!

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Ter Ago 19, 2014 7:50 pm

Tammy Marinho escreveu:
E assim surgiu um novo mito!
Narrativa impecável.
Enredo impecável.
Tem certeza que esse texto é original? rsrs

Realmente foi o texto mais completo que eu li aqui no grupo.

Confesso que enrolei muito para ler seu conto, mas de todas minha procrastinações aqui... O seu foi a experiência mais gratificante.
Foi impossível não mergulhar nas profundezas de Kyma, e não se sentir junto as estrelas de Astéria.

Krl....não tenho muito o que dizer.
Houve um ou outro erro ortográfico, repetição de palavra, mas nada que comprometa a genialidade da obra.

Tammy, impossível ler esse comentário e não lembrar o que você me disse em off, e aí já mistura tudo... AEIUHEAIHIUEAE Muito obrigado mais uma vez, vindo de você essa crítica positiva me conforta muito (futura psicóloga hehe) Nem sei o que dizer para você além de agradecer demais pelo encorajamento! Você é demais <3

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Dom Ago 24, 2014 10:43 am

Caio Biolcatti escreveu:
Ademar Ribeiro escreveu:
Parabéns pela belíssima obra. O que dizer? Ah, nada! Todo esse emaranhando se deflagra no que tange o amor. "Inexistente, porem presente. Falso fisicamente, mas sentido intimamente. Lindo teoricamente e absurdamente triste sentimentalmente."

Muito obrigado!!! E essa frase é realmente maravilhosa, acho que combina bem com a situação. É de sua autoria?
Foi o insight pós leitura, mas é minha sim e Parabéns novamente!!!
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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Dom Ago 24, 2014 2:09 pm

Caio Biolcatti escreveu:
Indy J escreveu:
Tunts tunts li o comentário do Weslley, pensei "Ah vá será que foi tudo isso?"
Foi.

Vou, ao invés de fazer elogio e depois críticas, exibir o que eu consigo aprender pra me melhorar com este conto e o que eu posso te dar dicas.
O que aprendi: desenvolver uma espécie de "lição/moral" que seja profunda e sincera e que dê a força emocional para o texto; construir um cenário e conceitos do cu (por mais que baseados já existentes, mas a definição de criatividade é habilidade de criar) que sejam convincentes e que façam-nos embarcar na história;

O que (penso que) posso te dar de dica: mais cuidado com as vírgulas e palavras que você não tem certeza do significado mas sabe o conceito; personagens secundários que não têm muita personalidade, só relevância ao enredo - mas uma relevância menos tridimensional que o ideal; motivações mal explicadas/elaboradas de menos.

Melhorou MUITO do mês passado, na minha opinião. Muito melhor cuidado e revisado, mais original e mais envolvente.

Parabéns! :D

Muitíssimo obrigado pelo puta elogio!! *O* Sobre as dicas que você deu, porém, não entendi a maioria p.p Que palavras eu não tenho certeza do significado? Quais motivações mal explicadas? D: Sobre os personagens secundários que não têm muita personalidade, acho que são indispensáveis. Não podemos criar um personagem esférico e complexo se a função dele no texto é apenas fazer uma aparição "de bico".

Também achei que foi melhor que o do mês passado, embora eu tenha pensado muito mais no do mês passado ): #bolado AEIIEUAHIAEHUIAEUIAE

"Brigadão" mais uma vez!

tipo "Obstante" eu acho que cê poderia ter aplicado melhor; pra mim precisou de mais desenvolvimento da característica possessiva do pai e da paixão (por mais que súbita) entre as duas. Perceba que eu digo MAIS, porque há - mas talvez precise de aprofundamento.
A questão da tridimensionalidade dos personagens secundários é algo meio polêmico, mas pra mim cai no "Mostre, não Conte"... cê contou muito sobre a amada mas não mostrou muita coisa que demonstrasse factualmente as características dela, entende?
Novamente, essas coisas são itens que não significam que seu texto é ruim, muito pelo contrário - mas não, não é perfeito, né k.
De nadão!

(Quanto a pensar mais ou menos, pô... eu pensei mais no meu do mês passado também e achei o deste mês melhor, gostei mais de fazer e achei melhor desenvolvido. Mistérios da Mente, no Globo Repórter! k)

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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Seg Ago 25, 2014 11:43 am

Gemt, to arrepiada. Sério. Inspirador e realmente adorável de se ler. Éter é um filho da puta como sempre pensei que fosse. No entanto, como o Guga disse, senti falta de conhecer um pouco a personalidade a Kymia...
Mas ó, tenho um favorito.

Sabe que te acho um ótimo escritor e tal, e essa imaginação sua... Ai ai ai, tenho espasmos. <3
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MensagemAssunto: Re: Conto: Via Láctea - Tema: Mitologia Grega   Dom Ago 31, 2014 12:01 am

Sabe o que eu acho?
QUE VOCÊ É FODA PRA CARALHO SEU FILHO DE UMA MÃE ORGULHOSA <3
Cara, sem palavras. Você é demais, seu texto é demais... É demais. Eu fico aqui pensando, quando você vai tomar vergonha na cara pra escrever seu livro. Porque você tem um dom Caio que muitos só sonham em ter. Que muitos querem ter e não tem, não importa o quanto escrevam ou amem a prática. Escrever é muito mais do que simplesmente colocar as palavras juntas, é colocar sua alma em forma de letras e elas, todas juntas, formarem uma parte de você.
Você tem isso, Caio. Eu sinto você em cada palavrinha escrita aqui.
PARABÉNS, MIL VEZES, PARABÉNS.
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