Odisseia do Escritor

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 Noite Derradeira

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Noite Derradeira   Dom Set 07, 2014 10:44 am

De onde eu estou na penumbra avisto a lua que será a única testemunha dessa noite inesquecível. Ela paira serena sobre o céu enegrecido. E sua serenidade é a única presente na escuridão que assola esse porão fétido e escuro no qual me encontro a sua espera. Muitos diriam que esse é um péssimo lugar para uma primeira vez, mas é o lugar perfeito para uma derradeira noite que espero que aconteça.
Meus olhos ainda miram a lua obscura que adentra o porão por uma pequena janela, então o silêncio mordaz dessa noite é interrompido pelo ranger metálico das dobradiças enferrujadas. Não preciso virar-me. Eu reconheço seus passos pesados, eu percebo a luz que entra pela porta. Num instante a porta bate num estampido metálico e meu peito se contorce. O ar que percorre meus pulmões não consegue atravessar meus lábios. É impossível respirar. Cada novo passo que ele dá em minha direção arranca-me da alma suspiros sôfregos e ansiosos. “Finalmente!”. Sua proximidade estremece minha alma. Sinto minhas pernas estremecerem. “Finalmente!”. Durante todos os meus dias meu corpo, minha alma e sobretudo minha mente ansiara por aquela noite. Por aquela posse.
Um frenesi fantástico percorre minha pele quando ele a toca e, sem nada dizer, debruça meu corpo sobre a mesa de bilhar empoeirada. Eu sinto seu hálito quente, seu cheiro acre de nicotina. Ele puxa a corda que prende meus pulsos, reforçando os nós que fazem de mim prisioneira voluntária. Um gemido de dor corta os meus lábios. Ele me ouve. Ele ri. E sua risada me excita. Ele pressiona o corpo contra o meu, enquanto sua mão passeia entre as minhas coxas. O seu toque... Essa vontade ensandecida com o qual ele me toma. Como uma mulher pode esperar tanto por isso? É impossível não querer essas mãos grossas, sujas e ásperas percorrendo cada centímetro do meu corpo.
Os meus lábios se contorcem em gemidos variados. Eles mesclam a dor, a ânsia e o prazer que ele me causa. Os seus lábios cravados na nudez do meu pescoço levam-me a um delírio que me tiram da realidade. Então cá me encontro com a alma alcançando o mais longínquo paraíso, enquanto meu corpo queima com o ardor do mais ávido inferno. Eu faço o possível para que ele não note meu êxtase. Eu mordo os lábios quando estes teimam em anunciar o meu prazer aos quatro ventos com um gemido profundo. O gosto do sangue adoça meus lábios sedentos de seu sexo. Eles o procuram. Procuram sua pele ardente, procuram o seu gosto. Mas ele não me atende! Não estou aqui para ser atendida. Eu sou o objeto! A presa! Sou dele, e pra ele cá estou. Eu devo ser submissa aos seus prazeres. Estou aqui para ser vítima de suas vontades. Em sua mente o meu prazer não cabe nessa noite. Não consigo contê-lo quando seus dedos cravam-se entre meus seios e, em um único movimento,ele me abocanha o pescoço.  Um turbilhão de sensações vagueia pelo meu corpo.São tremores, calafrios... Uma verdadeira sinfonia do prazer é arquitetada pelo toque libidinoso desses dedos grossos.
E enquanto seus dentes ruminam minha pele desnuda, marcando meu corpo como um animal selvagem, os meus lábios se retorcem em sussurros e gemidos. E novamente me questiono: como uma mulher pode não querer isso?. Eu sinto o sangue quente percorrendo as minhas veias, escorrendo por meu corpo. O seu desejo insaciável de rasgar-me a pele branca tingindo-a de escarlate, cravando em mim suas mordidas. Ele me mastiga os seios, as costas e a nuca. Os seus dedos hábeis contorcem meu corpo, puxando-me os cabelos e causando a dor mais prazerosa que existe. Essa dor que me consome e que me enche de desejo. Essa mesma dor que me extasia quando sem cerimônia alguma ele irrompe entre minhas pernas, com sua natureza bruta.
Eu sinto seu membro irrompendo as barreiras do meu corpo e da minha alma. Ele me penetra com a brutalidade vil de um carrasco. E minhas pernas se tingem de um rubro intenso que me escorre por entre as coxas. E novamente me extasia a sinfonia dessa dor e desse prazer que me corrói. Minhas pernas fraquejam a cada novo movimento do seu corpo sobre o meu.A violência do seu ato, o gosto do sangue que me toma os lábios. Isso vai muito além do que eu havia sonhado. Naquele instante me sinto a mais suja das mulheres. Uma meretriz barata a quem se fode nos becos sujos da cidade. Mas não posso ser a puta. A ele cabe pensar que sou amais pura das donzelas, que repudio este ato. Eu escondo o frenesi de sua entrada, o  êxtase de sentir seu membro pulsando dentro de mim. Minha consciência esconde, mas minha alma transborda. Os dentes cravados em meus lábios escapam rasgando-os em pedaços e soltando o mais profundo gemido que percorre meu espírito pecaminoso.
Essa é a deixa para que minha sinfonia de prazer se conclua. Descontente de meu êxtase, ele arremessa sobre a mesa todo o meu torso. O sangue dos meus lábios respinga no tablado verde-musgo da mesa, criando um marrom putrefado. Eu sorrio. Eu gosto disso. Eu sempre esperei por isso.
Pressionando meu pescoço sobre a mesa com sua mão forte, ele me sufoca. Enquanto o meu gozo se aproxima ao sentir a lâmina gélida que me percorre a cintura, subindo lentamente sobre a pele desnuda. Essa era a sensação que eu havia buscado. O frio da lâmina percorre meu corpo, congelando o ar dos pulmões. Eu não posso respirar. Eu não quero respirar. Resta-me apenas aproveitar cada instante dessa derradeira noite.
E então eu sinto a lâmina fria me ferir a pele e me adentrar as entranhas. Essa dor, esse gozo. É a sinfonia que se completa no mais fúnebre dos orgasmos. Meus olhos se erguem em direção a lua. Essa lua serena, nossa única testemunha.
E embora nós saibamos que não há aqui mente mais doentia que a minha. Em alguns dias quando encontrarem minha carne putrefata, eu serei só mais uma vítima. E será ele o psicopata!
Spoiler:
 
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Queirós

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Dom Set 07, 2014 11:17 am

Lembro-me de ler, em algum lugar, que dá-se à pulsão de nutrição o nome de fome, e à pulsão sexual o nome de libido. Nos transtornos de preferência sexual, direciona-se essa pulsão de nutrição, que é a fome do seu personagem - em um sentido metafórico - a estes alimentos peculiares de que se agrada. A submissão, o domínio. Estas não são coisas de agora. Há muito a humanidade intuiu essa aproximação entre o sexo e violência. O contraste criado impressiona: você nos apresenta a mente transtornada do protagonista para, em seguida, jogá-la contra a mente transtornada daquele que a domina. E este seu dominador não tolera que ela sinta prazer. Irrita-se com essa possibilidade. Sente, portanto, prazer em vê-la sofrer. Porém, ela sente prazer em sofrer. Um jogo interessante que você poderia trabalhar mais... ela não pode ser a puta. Ele a quer como a mais pura das donzelas, ele quer ferir a pureza, o que há nesse inconsciente? No final, ela diz que não há mente mais doentia que a dela, e que será ele o psicopata, mas sem que tenha um total crédito nesse papel. Não consigo distinguir quais dos dois é mais doentio.
Parabéns, Tammy!

PRIMEIRAS IMPRESSÕES, POSSO MUDAR MEU PENSAR, JÁ QUE É MEU.


Última edição por Queirós em Dom Set 07, 2014 8:02 pm, editado 1 vez(es)
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Dom Set 07, 2014 11:29 am

Queirós escreveu:
Lembro-me de ler, em algum lugar, que dá-se à pulsão de nutrição o nome de fome, e à pulsão sexual o nome de libido. Nos transtornos de preferência sexual, direciona-se essa pulsão de nutrição, que é a fome do seu personagem - em um sentido metafórico - a estes alimentos peculiares de que se agrada. A submissão, o domínio. Estas não são coisas de agora. Há muito a humanidade intuiu essa aproximação entre o sexo e violência. O contraste criado impressiona: você nos apresenta a mente transtornada do protagonista para, em seguida, jogá-la contra a mente transtornada daquele que a domina. E este seu dominador não tolera que ela sinta prazer. Irrita-se com essa possibilidade. Sente, portanto, prazer em vê-la sofrer. Porém, ela sente prazer em sofrer. Um jogo interessante que você poderia trabalhar mais... ela não pode ser a puta. Ele a quer como a mais pura das donzelas, ele quer ferir a pureza, o que há nesse inconsciente? No final, ela diz que não há mente mais doentia que a dela, e que será ele o psicopata, mas sem que tenha um total crédito nesse papel. Não consigo distinguir quais dos dois é mais doentio. Mas olha: devemos respeitar as individualidades das pessoas. Será que entendem esta minha penúltima frase?
PRIMEIRAS IMPRESSÕES, POSSO MUDAR MEU PENSAR, JÁ QUE É MEU.

E não é que foi mesmo o primeiro a ler?
Sim... toda pulsão sexual recebe o nome de líbido (olha, o Sigmund Freud e sua psicanálise, em nossos assuntos de novo).
Reconheço e respeito a individualidade e subjetividade das pessoas. Mesmo porque que psicóloga seria eu, se não o fizesse? Mas a proposta era apresentar todo o contexto classificado por doentio. E bem o CID nos apresenta essa relação como doentia. Por mais que BDSM sejam fatores que se arrastam e perpetuam em toda a história humana.
Infelizmente não terei oportunidade de aprofundar as questões por ti levantadas, ao menos não por enquanto.

Espero que tenha valido a espera.
E estou aguardando ansiosamente o seu Wink
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Dom Set 07, 2014 6:49 pm

Tammy

Li seu texto, e me senti envolto num paradoxo, o mesmo que me abraçou quando acabei meu texto. Eu DETESTO esse tipo de coisa: violência. Ainda mais se for contra uma mulher. Foi como me senti quando escrevi sobre misoginia: o texto, para mim, ficou legal, mas eu me senti péssimo.
Agora, vamos para o outro lado do paradoxo: que texto legal! Pena que ela morre, e que ele continuará a matar... Sou fã de finais felizes, fazer o quê?
Muito bom e interessante seu texto. Gostei muito, mas detestei. Sugiro uma rápida revisão ortográfica, e ele ficará ótimo. Ótimo e muito ruim.
E eu sou leigo, hein?!
Beijim (respeitoso),

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Dom Set 07, 2014 10:17 pm

Rogério Silva escreveu:
Tammy

Li seu texto, e me senti envolto num paradoxo, o mesmo que me abraçou quando acabei meu texto. Eu DETESTO esse tipo de coisa: violência. Ainda mais se for contra uma mulher. Foi como me senti quando escrevi sobre misoginia: o texto, para mim, ficou legal, mas eu me senti péssimo.
Agora, vamos para o outro lado do paradoxo: que texto legal! Pena que ela morre, e que ele continuará a matar... Sou fã de finais felizes, fazer o quê?
Muito bom e interessante seu texto. Gostei muito, mas detestei. Sugiro uma rápida revisão ortográfica, e ele ficará ótimo. Ótimo e muito ruim.
E eu sou leigo, hein?!
Beijim (respeitoso),

Rogério

Engraçado... Tu é a segunda pessoa que tem esse sentimento ruim com o texto.
Isso ta fazendo eu me sentir até mal por não me sentir mal com ele.
Na verdade, o processo de escrita foi até mesmo prazeroso pra mim. Era como se um lado obscuro falasse o que não devia.
Obrigada pela dica na questão ortográfica.

Fico feliz que tenha gostado, e detestado também.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Seg Set 08, 2014 12:46 pm

Tammy Marinho escreveu:
Rogério Silva escreveu:
Tammy

Li seu texto, e me senti envolto num paradoxo, o mesmo que me abraçou quando acabei meu texto. Eu DETESTO esse tipo de coisa: violência. Ainda mais se for contra uma mulher. Foi como me senti quando escrevi sobre misoginia: o texto, para mim, ficou legal, mas eu me senti péssimo.
Agora, vamos para o outro lado do paradoxo: que texto legal! Pena que ela morre, e que ele continuará a matar... Sou fã de finais felizes, fazer o quê?
Muito bom e interessante seu texto. Gostei muito, mas detestei. Sugiro uma rápida revisão ortográfica, e ele ficará ótimo. Ótimo e muito ruim.
E eu sou leigo, hein?!
Beijim (respeitoso),

Rogério

Engraçado... Tu é a segunda pessoa que tem esse sentimento ruim com o texto.
Isso ta fazendo eu me sentir até mal por não me sentir mal com ele.
Na verdade, o processo de escrita foi até mesmo prazeroso pra mim. Era como se um lado obscuro falasse o que não devia.
Obrigada pela dica na questão ortográfica.

Fico feliz que tenha gostado, e detestado também.

Tammy

Pois é, moça... O seu texto me passa exatamente o mesmo que o meu: uma sensação incômoda, do que não é certo, normal, aceitável, sei lá!
Meu lado obscuro também falou alto quando escrevi, apenas soltei meus "freios psicológicos" e deixei fluir. E depois, me senti incomodado com a forma com que o personagem tratava as mulheres, e vi que, pela minha necessidade de "fazer a coisa certa", ele precisava ir. De vez. Só assim pude deixar essa inquietação me largar.
Mais uma vez: seu texto é ótimo! Ótimo o suficiente para que eu o deteste, não me sinta bem, queira sair correndo e salvar a mocinha, que, na verdade, acha pouco e quer mais.
Beijim,

Rogério

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 10, 2014 5:08 pm

Tammy, não posso julgar o texto pela história, mente psicopata não poderíamos esperar algo muito diferente disto, então em relação ao tema, achei formidável. O que a protagonista fez, foi simplesmente aproveitar seu derradeiro momento em um ato carnal e natural e todas as espécies. Mas apenas os humanos a tem como prazer. Entendo a ideia, gostei muito de seu conto. Como disse Rogério, infelizmente o final é triste, mas, é apenas um conto. Como disse Carlito, fica evidente a confusão dos personagens, quem de fato é o psicopata, mas usando da premissa que a protagonista é cativa, não lhe rogo tão patologia, apenas uma última e bem aproveitada transa. Adorei. Espero-te em Outubro!

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 10, 2014 7:45 pm

Ademar Ribeiro escreveu:
Tammy, não posso julgar o texto pela história, mente psicopata não poderíamos esperar algo muito diferente disto, então em relação ao tema, achei formidável. O que a protagonista fez, foi simplesmente aproveitar seu derradeiro momento em um ato carnal e natural e todas as espécies. Mas apenas os humanos a tem como prazer. Entendo a ideia, gostei muito de seu conto. Como disse Rogério, infelizmente o final é triste, mas, é apenas um conto. Como disse Carlito, fica evidente a confusão dos personagens, quem de fato é o psicopata, mas usando da premissa que a protagonista é cativa, não lhe rogo tão patologia, apenas uma última e bem aproveitada transa. Adorei. Espero-te em Outubro!

Bora lá...
Eu acho lindo, sexy e etc., esse argumento de que ela aproveitar uma boa transa não ser tão patológico assim.
Entretanto... Nos atentemos ao fato de que embora ela tenha sim uma questão lascívia em sua líbido no contexto final o que a excita não é o ato carnal em sí, mas a expectativa do que estar por vir. Logo sendo sua excitação na verdade consiste no perigo, no morrer. - se isso não ficou claro, culpa minha. Ou da mente desconstruída da protagonista.).
Sobre os finais felizes... Eu nem gosto de pensar que há finais.

Obrigada pelo comentário.
Sempre grata pela sua opinião! Wink
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Daniel Vianna



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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 10, 2014 9:41 pm

Corrija-me se eu estiver enganado: uma donzela aguarda um arauto para sua primeira vez, em um local inóspito, sabedora de que ele lhe tirará a vida (em termos gerais). Apresentada tal estória em um conto, com nenhuma revelação acerca dos personagens, temos o cenário ideal de mistério. Acho, no entanto, que essa história devia ser mais densa, no sentido de explorar um pouquinho mais a loucura da protagonista, e nebulosa, ao retratar o arauto. Podia seguir o clima inicial do primeiro parágrafo, com toda aquela aura em torno da lua, da penumbra... O texto podia tomar os contornos de um pesadelo, o subsolo sinistro em que a personagem se encontrava era, ao mesmo tempo, o subsolo sinistro de seu inconsciente se revelando, tornando-se real. Caramba, se esse mês de setembro não passar logo...
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 10, 2014 11:25 pm

Daniel Vianna escreveu:
Corrija-me se eu estiver enganado: uma donzela aguarda um arauto para sua primeira vez, em um local inóspito, sabedora de que ele lhe tirará a vida (em termos gerais). Apresentada tal estória em um conto, com nenhuma revelação acerca dos personagens, temos o cenário ideal de mistério. Acho, no entanto, que essa história devia ser mais densa, no sentido de explorar um pouquinho mais a loucura da protagonista, e nebulosa, ao retratar o arauto. Podia seguir o clima inicial do primeiro parágrafo, com toda aquela aura em torno da lua, da penumbra... O texto podia tomar os contornos de um pesadelo, o subsolo sinistro em que a personagem se encontrava era, ao mesmo tempo, o subsolo sinistro de seu inconsciente se revelando, tornando-se real. Caramba, se esse mês de setembro não passar logo...


Oi Dan... (posso chamar assim né?!)
Sim... suas observações estão corretas.
Apenas não sei se observou que ela anseia por essa morte.


Bem, adorei suas ponderações.
Concordo que o clima poderia ser muito mais denso e consequentemente intenso.
E parece uma desculpa absurda, mas esse conto seria sombrio se Tammy Marinho o tivesse escrito.
Entretanto vos digo que apenas uma parte sombria e desejosa da Tammy que vos fala esteve nesse processo de escrita, mais instintiva que racional.

De toda forma, muito obrigada.
E acredite realmente concordo contigo. rsrrs


r
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Indy J

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Sex Set 12, 2014 9:26 pm

OI

Bem, Tammy, acho que teu conto é uma boa abordagem do transtorno, enquanto não é um enredo tão envolvente. Seus personagens não me cativaram, e a construção de tensão e ápice toda não me pareceu muito atraente, meio devedora num âmbito narrativo.

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Lupus Venator



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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Sex Set 12, 2014 10:57 pm

Senhorita Tammy, achei tua escrita poética e singular, escreve de forma romântica. Admiro muito este estilo, porém, devo dizer que o enrredo não me envolveu completamente e em algumas partes senti uma excessiva prorrogação da descrição. Mas peço que não me leve a mal por este meu comentário, admiro realmente seu método de escrita.
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Sex Set 12, 2014 11:50 pm

Indy J escreveu:
OI

Bem, Tammy, acho que teu conto é uma boa abordagem do transtorno, enquanto não é um enredo tão envolvente. Seus personagens não me cativaram, e a construção de tensão e ápice toda não me pareceu muito atraente, meio devedora num âmbito narrativo.


Haha... tu tem implicância com meus textos. Razz BRINKS.... RSRSRS
Bem realmente lamento que não tenha sido de vosso agrado , mas uma coisa está certa em teu comentário.
Eu realmente me preocupei muito mais em focar o transtorno que o enredo. Na verdade, me senti no DEVER de abordar o enredo de modo adequado, afinal... eu faço psicologia. Eu devo mostrar um mínimo de conhecimento pra honrar meu futuro diploma, ainda mais sendo interessada na área.

Bem, mês que vem eu pago meu débito. Wink
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Sex Set 12, 2014 11:58 pm

Lupus Venator escreveu:
Senhorita Tammy, achei tua escrita poética e singular, escreve de forma romântica. Admiro muito este estilo, porém, devo dizer que o enrredo não me envolveu completamente e em algumas partes senti uma excessiva prorrogação da descrição. Mas peço que não me leve a mal por este meu comentário, admiro realmente seu método de escrita.

Prorrogação de descrição, sério?!
Uou... taí uma coisa que nunca pensei que leria em um texto meu.

Obrigada, pelas críticas.
e sobre meu método de escrita, obrigada pelo elogio.

Escreve é arte, arte é poesia, poesia é amor...O mundo é amor.
Portanto desconheço outro meio de contar uma história.

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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 17, 2014 10:06 am

Parabéns por conseguir transmitir tão bem a intensidade do jogo de ambos. Consegui construir bem a personalidade dela por uma ou outra deixa, mas essa coisa do conto começar no ato em si me incomoda um pouco.

Mas é um ótimo conto mesmo e a dualidade da psicopatia foi MUITO BEM explorada
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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 17, 2014 10:08 am

Parabéns por conseguir transmitir tão bem a intensidade do jogo de ambos. Consegui construir bem a personalidade dela por uma ou outra deixa, mas essa coisa do conto começar no ato em si me incomoda um pouco.

Mas é um ótimo conto mesmo e a dualidade da psicopatia foi MUITO BEM explorada
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 17, 2014 11:10 pm

Weslley Reis escreveu:
Parabéns por conseguir transmitir tão bem a intensidade do jogo de ambos. Consegui construir bem a personalidade dela por uma ou outra deixa, mas essa coisa do conto começar no ato em si me incomoda um pouco.

Mas é um ótimo conto mesmo e a dualidade da psicopatia foi MUITO BEM explorada

Obrigada!
Comentários como os seus mostra que atingi meu principal objetivo, essa dualidade. =)

E estou aguardando vosso conto com ansiedade.
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Ter Set 23, 2014 9:08 am

Tammy, olha eu aqui de novo!

Lacrou! Derrubou forninhos! Sambou de Prada na cara da sociedade!

Esse conto é o teu melhor até agora menina, qq isso! Eu era a moça, sentindo tesão em ser violentada e morta, e olha que isso nem remotamente já passou pela minha cabeça!

Quero mais disto, muito mais! Até mês que vem!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 24, 2014 12:48 am

Patricia Souza escreveu:
Tammy, olha eu aqui de novo!

Lacrou! Derrubou forninhos! Sambou de Prada na cara da sociedade!

Esse conto é o teu melhor até agora menina, qq isso! Eu era a moça, sentindo tesão em ser violentada e morta, e olha que isso nem remotamente já passou pela minha cabeça!

Quero mais disto, muito mais! Até mês que vem!

Haha... tu e esse foninho.
Krl, super feliz em ler isso!
Nem sei muito o que dizer agora, além de que to muito muito muito happy.

Obrigada!
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Adriano Griot

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qua Set 24, 2014 8:46 am

Uma noite assim pede um vinho barato ou uma cerveja quente,um a música brega em altíssimo volume e a companhia de alguém pra apreciar este conto delicioso.PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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DARA METZLI



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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Qui Set 25, 2014 9:04 am

Quando as pessoas se fazem muito de vítima ou demonstram ser muito frágeis eu incorporo nela: uma ironia, uma falsidade, uma sagacidade enquanto a leio---

Naquela descrição poética do início eu já incorporei esse tom a minha leitura "geralmente isso não dá certo porque me decepcionam dizendo que o tal ser é bonzinho mesmo e tal"
Mas você Tammy não me decepcionou porque essa sua personagem era voluntária para fazer as vontades desse carrasco entretanto ela estava realizando os próprios desejos, mas quem levaria a culpa seria carrasco!

Achei que houve excesso de sangue, tudo bem que ela ia morrer no final, mas eu vi sangue demais... sua personagem não sentia e gemia pelo sexo e sim pela dor e pela morte que chegaria em breve...


Parabéns!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   Dom Set 28, 2014 1:43 am

DARA METZLI escreveu:
Quando as pessoas se fazem muito de vítima ou demonstram ser muito frágeis eu incorporo nela: uma ironia, uma falsidade,  uma sagacidade enquanto a leio---

Naquela descrição poética do início eu já incorporei esse tom a minha leitura "geralmente isso não dá certo porque me decepcionam dizendo que o tal ser é bonzinho mesmo e tal"
Mas você Tammy não me decepcionou porque essa sua personagem era voluntária para fazer as vontades desse carrasco entretanto ela estava realizando os próprios desejos, mas quem levaria a culpa seria carrasco!

Achei que houve excesso de sangue, tudo bem que ela ia morrer no final, mas eu vi sangue demais... sua personagem não sentia e gemia pelo sexo e sim pela dor e pela morte que chegaria em breve...


Parabéns!

Obrigada, Dara...

Ele era sádico tinha prazer em causar dor, por isso não podia saber que ela gostava.
Dessa forma eu justifico, ou ao menos tento justificar o excesso de violência incluso
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MensagemAssunto: Re: Noite Derradeira   

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Noite Derradeira
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