Odisseia do Escritor

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 Conto: Nana

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shadowkahn

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MensagemAssunto: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 2:45 am

Depois de tanto caminhar, Alderan não sabia mais para onde estava indo. O caminho que seguia agora se parecia muito com o caminho que já havia percorrido horas atrás, e mais à frente não havia sinal de melhora. O cansaço já o abatia e o sol o castigava. Pior de tudo, não castigava só a ele, como também a criança que carregava no suporte em suas costas.

A pequena Nana, que ainda não havia nem mesmo completado um ciclo de vida, adormecia com a cabeça encostada em sua nuca. Sobre ela, um pano para protegê-la dos raios solares. Era o máximo de conforto, infelizmente, que Alderan poderia oferecer à sua filha, pelo menos por aquele tempo.

Pelo menos até eles encontrarem o próximo acampamento, há cento e cinquenta quilômetros dali. Pensando na distância, ele puxou um mapa de seu casaco e o analisou.  O papel puído ainda podia ser interpretado com dificuldade, pois os desenhos já eram fracos e o sol tornava tudo claro demais.

Viu que estava no caminho certo, ainda que não houvesse trilha a seguir, a não ser a areia do deserto escaldante. Continuou a trilhar, ainda que seus pés cansados implorassem por alguns minutos de descanso. Mas ele não podia. Sabia que cada segundo que ficava parado, eram segundos nos quais seus inimigos se aproximavam, prontos para tirar sua garota, o motivo de tudo aquilo.

Queria ele se lembrar de como era o mundo antes daquilo que ele conhecia. Tudo foi por água abaixo quando ele nem pensava em existir. Os antepassados diziam algo sobre portais dimensionais para um lugar onde a magia imperava, mas ele nem mesmo sabia o que aquilo deveria significar. Com trinta anos, ele ainda buscava ouvir as histórias que os mais velhos tinham para contar, sobre a fonte de sua força e magia. Era como descobrir ainda mais sobre si mesmo.

E até hoje ele se lembrava das palavras da antiga sacerdotisa, que estivera presente em tais acontecimentos. Sabia que devia se lembrar daquilo para que sua mente continuasse sã naquele deserto maldito.

“E os mundos colidiram. Em plena Nova York, um portal dimensional se abriu e de lá saíram pessoas como nós, ainda que com vestimentas diferentes das nossas. Junto a elas, aquilo que pensávamos um dia se tratar de lendas. O exército os cercou, mas o evento era global. Os portais se abriam em cada continente, e nos oceanos não eram diferentes. Eles não queriam guerra, aquilo já estava claro. Mas nós tínhamos medo! Era normal sairmos nas ruas e nos depararmos com gigantes colossais ou dragões selados por seres humanos normais, que pareciam comandar tais criaturas. Ah, e eles eram tantos! O mesmo número de habitantes que a nossa Terra já possuía. E estava tudo bem antes das coisas começarem a se tornar preocupantes.”

Ele não sabia nem mesmo o que era Nova York de que sua bisavó falava, mas suspeitava de que era uma cidade gigantesca. Continentes? Também não saberia dizer com clareza o que aquilo significava. Seu mundo se resumia àquela desgraça, e imaginar que havia coisas além daquilo, era difícil.

Alderan sentiu Nana movimentar-se em suas costas, acordando-o de seus pensamentos profundos. Retirou o suporte que a segurava e a colocou diante de seus olhos. Sorriu, mesmo que o lugar à sua volta fosse o exemplo vivo da desgraça. Era o bebê mais lindo que os céus poderiam conceder à sua esposa... O sorriso sumiu de sua face.

Lembrar-se de Emma, que ficara para trás a fim de dar tempo ao seu marido e à criança ainda o machucava. Não sabia o que havia acontecido com sua esposa, e morria de medo de descobrir. Olhar para Nana era como olhar para ela, anos mais nova. A beleza havia sido toda herdada da mãe, sem sombra de dúvidas.

A menininha o fitou nos olhos, a boquinha se mexendo num misto de sorriso e bocejo. Sua mãozinha ergueu-se no ar e tocou o nariz do pai. Alderan voltou ao presente e novamente sorriu. Sentiu uma bola formar-se na garganta e não pôde segurar uma lágrima. Era um milagre da natureza, aquela criaturinha. Seus olhos castanhos amendoados notando-o com a mais singela inocência, sem saber o que de fato estava acontecendo... Ele morreria por ela, sem sombra de dúvidas.

- Está com fome? – ele perguntou, na voz típica de um adulto que fala com uma criança.

Sentou-se na areia, com ela ainda nos braços. Não havia andado nem dois quilômetros e já descansava com a menina no colo. Puxou uma bolsa e de lá retirou uma garrafinha com leite. Colocou-a sentada e recostada em seu ombro e derramou um pouco de leite numa mamadeira. Fechou-a. O leite estava frio, pois Alderan havia tornado a mochila térmica, para que ele não estragasse na travessia.

Tocou na mamadeira e fechou os olhos. Instantaneamente, o leite ficou morno. Deu à Nana, que sorveu-o rapidamente. Enquanto ela se alimentava, ele olhava o horizonte, pensando no quanto ainda haveria de caminhar. Olhou para trás, esperando já ver os enormes dragões e suas asas gigantescas em seu encalço, junto com seus cavaleiros, os homens que realmente preocupavam-no.

- Vamos indo. – disse ele para Nana, assim que ela terminou seu almoço e arrotou minutos depois. Não que realmente esperasse uma resposta, mas fazia com que se sentisse menos sozinho naquele mundo desértico.

Olhou não pela última vez para trás. Soltou um suspiro de alívio ao ver que ainda estava sozinho. Colocou Nana no suporte e pôs-se a andar. Mas agora, ele tinha alguém em suas costas brincando, rindo de alguma coisa, batendo com uma mãozinha em sua nuca. E ele só conseguia rir.

Rir e se lembrar. Lembrar-se de sua esposa, que havia ficado para trás. Maldito era este destino, que tirava as pessoas de sua vida sem nem mesmo pedir permissão. Esperava do fundo da alma que Emma estivesse viva e bem. Esconder uma criança, ainda mais uma criança como Nana, não era lá um crime facilmente perdoável, mas Alderan e sua mulher haviam aceitados os riscos. E agora pagavam por ele.

E ele podia perecer ali mesmo, mas iria garantir que Nana tivesse uma vida pelo menos, coisa que ele sabia que lhe seria negado assim que aqueles malditos colocassem as mãos nela.

- Não vão colocar. – sussurrou para o vento quente que era soprado em seu rosto.

***

- Precisamos colocar as mãos naquela criança! – gritou Xort, o punho fechado em fúria descomunal. Seus artelhos ainda estavam manchados de sangue, resultado de quando tivera de variar da magia para a força física, a fim de fazer Emma falar.

- A traidora nem mesmo nos disse onde encontrá-lo. – falou Kzar, segundo em comando. – Como podemos perseguir uma coisa que nem sabemos como encontrar?

- Eu tenho uma ideia de um lugar que ele possa ter ido...

Xort começou a andar de um lado para o outro, ponderando a ideia que passava pela sua cabeça, colocando-a numa balança e vendo se era possível arriscar-se. Afinal, para qual outro lugar se levaria uma criança “normal”?

O dragão vermelho ao seu lado rugiu, fumaça quente saindo de suas narinas. Seus olhos eram amarelos e seus dentes tão afiados quanto a mais trabalhada lâmina. Suas asas eram enormes e estavam encolhidas atrás de seu corpo imenso. No entanto, este monstro era apenas um animal de estimação para aqueles homens. Nada incrível ou impressionante. A multidão que os cercava já estavam acostumados com aquela visão. E alguns até mesmo não podiam ser chamados de humanos.

E o que Xort e seus seguidores julgavam ser humanos? As criaturas de carne e osso e aparência semelhante a eles, ou aqueles que possuíam o mesmo dom mágico? Não, aquelas criaturas ínfimas jamais poderiam ser chamadas de humanos. Com muito custo eles aceitaram se parecer com seres tão estúpidos, mas não queriam dizer que pertenciam à mesma casta deles.

- Vamos. Agora. – falou ele. Seu corpo flutuou como uma pluma e com a leveza de um gatuno ele se assentou em sua montaria draconiana.

No mesmo instante, vinte dragões imensos alçaram vôo. O bater de suas asas levantaram tufões de poeira e areia. O Povo Superior adentrou em suas casas, mas os olhos mantinham-se na casa de Alderan, um lugar cheio de vida tempos atrás. E hoje, a janela fechada falava por si mesmo.

- Devemos ver o que aconteceu? – perguntou um menino à sua avó.

- Não devemos nos intrometer. Entre imediatamente. – respondeu a mulher.

O medo era maior que a curiosidade e a ânsia de ajudar.

***

Um ano e meio atrás

- Faça força, Emma! Faça força! – gritou Leonora, a mesma senhora que um ano e meio à frente de seu tempo decidiria não se intrometer.

Emma segurava as mãos de Alderan, enquanto fazia o máximo de força possível. A criança já estava saindo de seu ventre. Ela conseguia sentir. A dor, ainda que gigantesca, não conseguia tornar a coisa menos maravilhosa. Mais um bebê que vinha ao mundo, era como uma gota de água limpa na sujeira, vindo para tornar tudo mais belo.

- Força! – bradou a parteira. Emma não se conteve e rugiu. Seu rosto estava vermelho, e as veias saltavam de sua testa. Alderan sentia o aperto de sua esposa na sua mão e desejava de todo o coração que pudesse ajudá-la com a dor. – Estou vendo a cabeça dele!

- Respire meu amor. Respire e faça o máximo de força que conseguir! – disse Alderan.

Emma mordeu os lábios, lágrimas escorrendo de seus olhos, puxou o ar e novamente gritou, fazendo força.

- Está saindo! Está saindo!

Minutos depois, os gritos de dor e força misturados já cessavam. O bebê já estava nos braços de Leonora que, apesar de ter testemunhado um milagre da natureza, parecia absorta com alguma coisa.

- Leonora, o que foi? – perguntou Alderan, notando a estranheza no olhar da mulher.

- A menina... Ela nasceu sem a marca!

A marca, uma espécie de tatuagem de cor azulada muito forte que todo bebê do povo superior deveria ter em sua testa. Esta marca, no formato de um ovo, era o sinal de que a linhagem superiora continuava ativa, e a criança teria seus poderes em breve.

- Seja o que for, vocês não podem dizer que esta criança sobreviveu. – falou Leonora, sua voz era impassível, e seus olhos mostravam espanto.

***

Hoje

Alderan não saberia dizer como as coisas haviam dado tão errado. Não sabia dizer como Xort havia descoberto Nana, visto que ele havia tomado todas as atitudes cabíveis para esconder a criança e preservar sua infância. O que ele mesmo sabia era que o ditador desgraçado havia por si mesmo assassinado seus três filhos, consecutivamente, quando nas três tentativas estes vieram sem a marca.
Ele mesmo não saberia explicar os motivos pelas crianças estarem nascendo humanas novamente, mas achava que era algo relacionado à linhagem. Talvez os genes antigos já não eram assim tão fortes. Talvez, naquela Terra, os seres humanos houvessem realmente nascido para imperar.

Novamente Nana adormecia. Já estava cansada de brincar. E novamente as vozes de sua bisavó preenchiam a mente de Alderan. Ele repassava aquilo como se a ideia um dia fosse sobreviver, ainda que seu corpo estacasse naquele mundo.

“Os portais dimensionais começaram a sugar toda a vida de nosso planeta. As autoridades mundiais acusaram o povo mágico por aquilo e uma guerra se iniciou. Os ataques nucleares apenas serviram para piorar a situação. O que já estava árido se tornou radioativo. A guerra diminuiu os dois povos, mas tratados de paz foram firmados. As mágoas ainda persistem, com toda a certeza, mas não há mais guerra, pelo menos. E ainda existiram as crianças que nasceram da junção de um humano e um ser mágico como você, e a isto posso incluir seu avô e sua avó.”

E toda a história tornou a se passar novamente. Sua bisavó, uma humana que, assim como muitos antepassados, era respeitada como mestre. Semelhante a um guardião a quem uma chave é destinada, a ela fora encarregada a sabedoria dos tempos antigos. Tempos em que ela mesma não passava de uma criancinha. Alderan sabia que sua raça era finalmente pura, logo após os sangues terem se firmado. Ele era um superior, mas não tinha alegria nenhuma em dizê-lo. Já Xort acreditava no poder da raça pura.
Maldito ditador, que ainda conseguia apoio do povo ao seu redor. As pessoas não levantavam um dedo sequer para impedi-lo de cometer as atrocidades contra as crianças que nasciam “normais”. E a chance de não terem levantado um dedo para impedi-lo de atrocidades com Emma era... Era infinita!

Finalmente ele estava em um lugar que se diferenciava dos demais. Pôde perceber há alguns metros de distância os escombros de uma antiga residência. Hoje, só três das quatro paredes que a sustentavam ainda estavam de pé. O lugar estava parcialmente enterrado pela areia e o telhado já havia desabado há muito.

Alderan puxou novamente seu mapa. Nana continuava a dormir gostosamente em seu suporte. Sua visão já estava turva de cansaço, mas ele conseguia distinguir bem a forma de uma casa rudemente desenhada no mapa. Estava a 110 quilômetros de distância do próximo acampamento e o sol já caia no horizonte. Não sabia por quanto tempo ele havia mantido aquela passada, mas sabia que havia avançado e muito. Dificilmente o encontrariam agora. Talvez... Talvez pudesse usar sua magia sem medo de ser detectado...
Olhou para trás novamente, para seu bebê. Nana parecia que não ia acordar tão cedo. Guardou o mapa e olhou para os destroços. Suas mãos se ergueram juntas no ar, uma espécie de nova aura percorrendo seus artelhos. Seus olhos, sob os óculos escuros, eram de um azul profuso. Sua mente trabalhava em um foco sobrenatural. E aos poucos, aquilo que parecia uma dança ritualística sem sentido começou a ganhar motivo.

As pedras que um dia já foram o telhado começaram a flutuar ao seu redor. Sua mão esquerda girou para o lado esquerdo e os destroços foram se amontoar ali, formalmente, como empregados obedecendo a ordens de seus superiores. A outra mão os fazia levitar sincronizado, algo capaz de mexer com a mente de qualquer pessoa fraca.
Aos poucos uma espécie de passarela ia se formando, alguns centímetros acima da areia fofa, suficientemente grande para comportar uma pessoa em pé ou sentada. Em menos de dois minutos, a nova construção estava pronta. Alderan bateu palmas para espanar a poeira e subiu sobre a plataforma.

Suas mãos se ergueram. A plataforma seguiu o movimento. Alderan indicou em frente com um leve meneio de seus artelhos. O objeto mágico mais uma vez o obedeceu. A velocidade que aquele transporte fornecia não devia passar dos 50 km/h, mas era mais rápido e menos exaustivo fisicamente para o mago que o controlava.

Despretensiosamente, sem esperar ver mais do que deserto e solidão, Alderan virou-se mais uma vez para trás. Nada além do que ele já estava acostumado, a não ser uma grande tempestade de areia que parecia se aproximar. Aquilo seria normal, visto que estava num lugar onde ventava muito, se não fosse pelo fato de o ar estar praticamente parado.

Oh, ele sabia bem o que aquilo significava. E não gostava nem um pouco. Sua garganta já seca travou, impedindo até mesmo a entrada de ar. Seu coração ribombou no peito, o frio da barriga repentino atingindo-o e causando um formigamento em sua espinha.
Ele não precisava ouvir os rugidos e muito menos ver as labaredas saindo das ventas dos dragões para saber que eles o haviam alcançado. Eles estavam há menos de cinco quilômetros dele, na melhor das hipóteses. Esta distância toda podia ser percorrida em menos de cinco minutos sem muita dificuldade, se o “veículo” de Alderan permanecesse naquela velocidade constante.

Algo fez peso em suas costas. Nana bocejou e abriu os olhos. Logo seu choro começou, pedindo por alguma coisa que Alderan não saberia decifrar o que era. Emma era tão boa nisso, saber exatamente o que a menina queria antes mesmo dela ter de esgoelar! E aquele não era um momento nem um pouco bom para que ele tivesse sua atenção desviada.

Precisava protegê-la a qualquer custo!

- Shh, meu amor. – disse ele, baixinho. Nana pareceu não entender. O choro apenas aumentou.

Aquela coisa não podia ir mais rápido? Alderan achava que podia. Agachou-se e colocou uma das mãos sobre o concreto. Fechou os olhos, sentindo a energia fluir pelo seu corpo para o objeto criado por ele. Logo o vento que o rebatia antes levemente agora o atingia com mais vigor. Ergueu-se e passou a controlar a plataforma. Desviou-se de uma pedra gigantesca e voltou a surfar na areia. Seus olhos agora não paravam de olhar para trás.

A tempestade de areia apenas se fazia aumentar. E com ela, os demônios de fogo. Xort e sua corja.

***

Xort estava com seu elmo negro abaixado, com uma proteção de vidro que impedia a areia de voar em seus olhos. A tempestade que se formava ao seu redor não o impedia de ver algo mais a frente. Sua visão de guerreiro superior era aguçada o bastante para detectar o seu fugitivo. Obviamente aquele era Alderan, o desgraçado que levava consigo uma criatura que nem mesmo merecia estar com eles. Um bebê humano que nasce numa vila tão avançada não era simplesmente normal!

Suas filhas nasceram humanas normais.

- Calado! – bradou ele. Sua voz foi engolfada pelo ar espesso.

Por mais que odeie admitir, você está com medo de sua linhagem ser a última.

- Não diga besteiras, maldito!

Talvez matar Alderan e sua criança o faça se sentir menos merda do que já é!

- EU DISSE PRA CALAR A BOCA! – gritou ele. O dragão guinou para o lado e quase perdeu o controle. Suas asas começaram a bater descompassadas, mas com o punho firme, Xort conseguiu controlá-lo.

O dragão vermelho continuava seu rumo. Sua boca salivava, com a mesma ânsia primitiva de seu cavaleiro.

- Senhor! – gritou Kzar de seu lado direito. Xort não se virou para ele. Queria ficar sozinho. Não queria mais problemas para a sua cabeça.

Você já está cheio de problemas. Vá, mate Alderan e se sinta feliz.

- AVANCEM E MATEM O DESGRAÇADO! – bradou aos seus subordinados. Os dragões foram impelidos para frente numa sincronização perfeita. A tempestade se tornou mais densa.

E Xort já não precisava mais enxergar Alderan. Estava há menos de um quilômetro de seu alvo. O teria em suas mãos e esmagaria a cabeça da criança entre seus dedos. Assim ele jurava.

E assim ia ser.

***

A velocidade que Alderan seguia era alta, mas não suficiente para impedir que os seus captores se aproximassem cada vez mais. Ele já havia detectado Xort em meio à profusão de areia em reboliço. Era ele o único que pilotava o grande dragão vermelho, o mais cruel de todos. E somente ele era o motivo de sua preocupação.

Sua batalha agora seria travada nas costas, sinal de que não poderia se desviar das pedras em seu caminho, ou outros obstáculos. Ordenou então que sua plataforma subisse cada vez mais, até que estivesse na altura dos dragões. Iria enfrentá-los assim que a primeira onda da tempestade de areia o inundasse. Nana não parava de chorar por um segundo, mas ele tinha coisas mais importantes para fazer. O vento agora o impulsionava para os lados. Não havia onde segurar, então a questão toda estava em seu equilíbrio sobre o “veículo”.

Sua mente se fechou para qualquer influência negativa ou que tentasse derrubar sua concentração. Embora fosse adepto da paz, ele sabia bem como lutar.

Afinal, o caminho para a paz sempre fora recheado de batalhas. Ele estava pronto.

A primeira rajada de energia mágica veio em sua direção não muito depois, saída das mãos de Xort. Rapidamente, Alderan abriu suas mãos e um pentagrama surgiu. A rajada bateu sobre ele e retornou para seu ponto de partida. O mago viu seu algoz desviar com dificuldade de seu próprio ataque, mas aquilo não o impediu de tentar mais vezes.

A tempestade de areia o alcançou. Antes que pudesse perceber, ele já estava numa profusão tremenda de ventos atingindo-o de todas as direções. Logo os dragões também podiam ser vistos com bastante clareza e facilidade. Xort e Kzar atacaram no mesmo instante. Alderan moveu seus punhos e novamente conseguiu desviar as rajadas de energia mágica. Palavras de uma língua antiga saíram de sua boca então, e uma bola de luz azulada surgiu em sua mão. Sem mirar, confiando em sua técnica, o mago lançou seu ataque para o meio das sombras da tempestade.

Um dragão rebateu em outro logo atrás, e os dois caíram centenas de metros, sumindo nas areias. De onde estava, pôde ouvir Xort gritar injúrias contra ele. Não se importou. Nana esgoelava agora. Queria ele poder fazer alguma coisa para acalmá-la. No entanto, trabalhava na sobrevivência dela, o que era bem mais importante no momento. Outra rajada de energia veio em sua direção, e Alderan quase não teve tempo de se desviar. Jogou a plataforma para o lado no exato momento em que a bola azul passava na sua antiga localização.

Instantes depois, o pentagrama de Alderan surgiu novamente, resvalando mais uma energia mágica de Kzar e Xort. Ele sabia que não podia aguentar por muito mais tempo aqueles ataques. Sabia o quanto aquilo custava e o quanto cansava seu corpo e sua mente. Devolvia os ataques e ele mesmo atacava. Dos vinte dragões que o rodeavam, agora apenas quinze restavam. E seus cavaleiros também atacavam. O mago precisava de uma maneira para acabar com aquela batalha antes que conseguissem acabar com a vida dele e de Nana.

Não. Ninguém encostaria um dedo em sua Nana.

- Desista! – gritou Xort, próximo a ele. Voava a menos de trinta metros de sua plataforma. O dragão apenas esperava uma ordem para que o fogo tomasse conta de tudo. – Se entregue!

- NUNCA! – vociferou Alderan. Outra bola de energia veio em sua direção e ele conseguiu desviar com facilidade.

- Você nunca vai sair com vida! Muito menos a sua criança! Ela vai se sufocar com a tempestade de areia! Ela não é como nós! Acha que não escuto seu choro?

- Ela sobreviverá, pois este é o seu destino! Eu a protegerei! – Alderan retrucou. Estava determinado a permanecer em seu caminho, nem que isso significasse a sua morte.

- Eu te considerava meu amigo, Alderan! Eu te considerava meu irmão! Mas agora, com sua traição, lamento em dizer que conhecerá a morte mais cedo do que imaginava.

Xort acenou para Kzar, e este passou o comando silencioso para os outros, em meio a tempestade de areia. Alderan sabia o que aquilo significava. Iriam dar a última investida.

Virou-se e curvou seu corpo para frente, tocando novamente a sua plataforma. A velocidade aumentou repentinamente, enquanto o inferno começava em suas costas. Os dragões cuspiam fogo, que se misturavam com o vento forte, transformando tudo em um turbilhão vermelho e marrom.

Alderan sabia que só teria uma chance para escapar daquilo com vida. Mas do jeito que estava duvidava de sua capacidade de fazer uma magia tão poderosa como aquela, de proporções tão gigantescas.

Mas que escolha ele tinha? Era isso ou fazer com que sua filha virasse churrasco. Aquilo ele nunca permitiria. Sabia a resposta para seu dilema. Uma última magia, para que seus inimigos fossem rechaçados de uma vez por todos. Virou-se para eles. Sentiu o bafo quente que aqueles dragões exalavam. Era o próprio inferno que ele sentia tocar suas vestes. Abriu os braços.

Suas últimas forças começaram a serem sugadas de seu interior. Seus dedos gesticulavam incessantemente. Seus olhos permaneciam fechados. O fogo, o cansaço, o choro de Nana, tudo isso tornava a coisa cada vez mais difícil, mas precisava ser feita.

Uma bolha de energia começou a ser formada do nada, literalmente. Alderan sentia que não seria capaz mais de executar outra magia tão cedo. A sua plataforma mesmo começava a perder as forças e altitude. Sabia que ia cair, mas mesmo assim não parou. Passou por cima de um morro, mas ele nem mesmo havia reparado. Caía rápido, assim como a sua força interior.

O fogo, o choro, o cansaço.
Os gritos de amargura de Xort se calaram. A bolha trancou-os lá dentro, com suas próprias feras. Houve uma explosão. E Alderan sabia que havia feito o certo. Sorriu uma última vez e fez algo mais antes de apagar definitivamente.

A última coisa de que se lembrava era o choro de Nana cessar.

Abriu os olhos lentamente, sentindo pontadas de dor em seu corpo todo. Sua visão era turva e seus sentidos estavam desnorteados ainda. Onde estava? E mais importante, onde estava Nana?

- Nana? – perguntou, procurando pela sua menina.

- Ele acordou. – disse uma voz estranha aos seus ouvidos.

Alderan engoliu em seco. Tentou se erguer, mas foi em vão. Suas costas doíam mais do que qualquer coisa, e ele não tinha força suficiente para movimentos bruscos. Viu que estava sendo arrastado num pedaço grande de pano. Não sentia suas pernas.

- NANA! – gritou ele, o desespero crescendo em sua voz.

- Ela está bem. Estamos cuidando dela. – disse outra pessoa, que Alderan identificou se tratar de uma mulher.

- Onde está minha filha?! – ele tornou a perguntar.

- Está sendo amamentada. Estava sedenta de fome e toda suja. Seja quem o senhor for, saiba que salvou a vida dela. A queda quebrou sua coluna, mas ela não sofreu dano nenhum por estar em seus braços. – continuou a mulher.

- Quero vê-la. Por favor, preciso vê-la. – Alderan não se importava com a sua coluna ou com as pernas inúteis que teria de aturar dali pra frente. Queria apenas ver sua menina, ter certeza de que ela estava bem.

- Se não tratarmos do senhor agora, o senhor morrerá!

- Que eu morra então, mas me deixe ver minha filha uma última vez.

A pessoa que o puxava parou imediatamente. Logo em seguida, um homem barbudo e completamente diferente de alguém que ele já houvesse visto surgiu em seu campo de visão. Alderan nem havia notado que já havia escurecido.

- A trarei para o senhor vê-la uma última vez.

Uma mulher surgiu do outro lado. Seu olhar era de complacência, misericórdia e pena, além de um pouco de admiração.

- O senhor queria trazê-la para cá, não queria? Para a presença dos “normais”?

Alderan tentou respirar aliviado, mas seu pulmão simplesmente não permitiu. Sentiu uma dor incrivelmente grande percorrer todo o seu corpo. Olhou para a mulher e assentiu positivamente.

- O senhor e sua esposa eram magos que deram a luz à crianças normais? – ela tornou a perguntar. Alderan mais uma vez moveu positivamente a cabeça, segurando as lágrimas. Queria ver logo sua filha, antes de partir! – Traga a menina para este bom homem.

O homem desapareceu. Alderan sentia seu corpo ficar mais leve, e uma sonolência começava a tomar conta de sua mente. Sabia que seu tempo era curto ali, mas precisava se certificar de que Nana estava bem.

Dois minutos depois, foi com alívio que ele viu sua menina nos braços do homem barbudo. Esticou as mãos, querendo pegá-la. Não conseguia mais falar, a dor era muito forte. Lágrimas escorreram de seus olhos assim que ele se deparou com a face de sua filha. Os olhos castanhos a fitá-los, o cabelo já nascendo em profusão. Nana seria uma menina linda, e ele sabia que a veria crescer, lá do outro lado.

- Pá-pá. – ela sussurrou.

Alderan balançou positivamente a cabeça e chorou ainda mais. Queria mais tempo, mas tinha de ir. Nana estava bem, e havia falado para ele a primeira palavra. Pá-pá. Papai.

- O senhor caiu há quinhentos metros daqui. Encontramos a menina em seus braços, envolvida com uma aura de amor em volta dela que não permitiu que ela se machucasse. E eu quero que o senhor saiba que não é o primeiro mago a aparecer por aqui. Muitos outros apareceram, trazendo seus filhos normais para nós. – É um milagre, talvez?

Alderan ouvia a tudo aquilo, mas seus olhos somente focavam em Nana.

Ela estava bem. Felizmente estava bem. Havia conseguido. Tinha a entregue aos braços de boas pessoas. Sabia que não sobreviveria. A magia sugara sua força vital. Nada que os humanos pudessem fazer o salvaria. Mas estava feliz.

Iria reencontrar Emma. Sua doce, e querida Emma, que o esperava com um sorriso orgulhoso no rosto.

- Eu consegui, meu amor. – disse ele.

- Eu sei. – ela respondeu.

E Alderan adormeceu para sempre. Um sorriso banhava seu rosto.

Estava acabado. Vencera.

***

No campo de batalha, onde os dragões permaneciam caídos, um corpo havia se levantado. Xort olhou para um lado e para o outro, completamente perdido e destruído. Sua armadura estava em frangalhos. Sua mente havia se despedaçado.

Você não conseguiu nem mesmo se apoderar de uma criança. Você me enoja.

- Calado, Gallahax. – falou ele, já sem força alguma.

Não.

O dragão vermelho, Gallahax, ergueu-se atrás dele. Uma asa lhe faltava, assim como a pata dianteira esquerda. Apenas um olho havia sobrevivido ao desastre. E era este olho bom que fitava seu antigo cavaleiro.

De uma vez por todas, apenas morra como o verme que é.

A bocarra se fechou sobre a armadura negra de Xort. Seu grito nem mesmo chegou a escapar da garganta.

FIM
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 7:40 pm

Olá Edson, que texto você nos trouxe.

Sua escrita me parece boa, porém um tanto corrida. Não encontrei problemas gramaticais ou de grafias, apesar de eu não ser o melhor aqui a percebe-las. Seu enredo é interessante, traz uma batalha entres magos, montados em seus dragões alados e um - portal mágico - onde dois mundos se convergem. Tudo isso é muito interessante. Mas você poderia nos dar mais alguns elementos alem destes três mencionados.

Agora o que pegou: Este seu texto não se enquadra no Realismo Mágico. Os elementos utilizados são de fantasia européia-medieval. Seu texto foi escrito em fantasia.

Outro ponto: Onde está o tema? Lembra dos temas? BASEADO EM UMA MÚSICA ou MUNDO PÓS-APOCALÍPTICO. Se existe alguma música com uma letra ao menos parecida com seu texto nos aponte por favor, já o outro tema não o identifiquei, mas sim dois mundos distintos unidos por um portal. É isso? Pode me esclarecer e me corrigir. Muito bem vindo ao bando. Espero que curta nossa Odissea, logo menos outros contos pipocarão por aqui. Parabéns e até mais.

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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shadowkahn

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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 7:52 pm

Olá Ademar! Fico feliz que tenha gostado, mas vamos lá replicar os pontos.
O Realismo Mágico, até onde entendo, é o fato de termos criaturas mágicas e a magia presente constantemente na nossa vida e simplesmente acharmos tudo normal. No texto, é bastante explicito que antigamente isso não era normal, mas gerações depois isso se tornou uma coisa normal. Se não era Realismo Mágico, se tornou. Creio que tenha sim seus elementos de fantasia, como é fácil de se notar, mas soma-se a ele o realismo mágico, que é uma coisa puramente normal para os personagens. Mas quero que me corrija se eu estiver errado hehe.
Agora quanto ao tema: Baseei-me claramente em dois filmes: A Estrada e O Livro de Eli, dois pós-apocalípticos fantásticos! Os portais mágicos começaram a destruir o mundo, sugando sua vitalidade. Uma guerra nuclear aconteceu e o mundo foi pra merda, como é citado no conto. Se uma guerra nuclear não é apocalíptica, então temos um problema, Houston hahahaha. Novamente, me corrija se eu estiver errado. O mundo é daquele jeito hoje porque simplesmente a guerra acabou com tudo. Não abrangi o resto do planeta pelo fato de ser pelo POV de personagens chaves para o conto, mas a bisavó de Alderan diz isso muito bem. O evento foi global.
São milhares de portais que trouxeram estes seres superiores para o nosso mundo, e meus personagens não são entendidos do assunto a ponto de dizerem COMO aquilo aconteceu, entende?
Mais uma vez, obrigado pelo comentário e pela crítica construtiva, e prometo tentar tornar a coisa menos corrida, pois esta história foi se tornando cada vez maior e eu tinha de podá-la de alguma maneira. Obrigado cara! Abraço!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 8:12 pm

Tema? Presente - claramente Mundo Pós-apocaliptico.

Subgênero.... NÃO! Não tem Realismo Mágico aí...


Tu querias ser corrigido...
Pessoas interpretam em um viés tortuoso a frase "coisas fantásticas apresentadas como normais", e aliás acontecimentos fantásticos/extraordinários estão há muitas milhas de "criaturas mágicas e magia"
Esquece todas as criaturas lendárias... bruxas, dragões, fadas, duendes... ESQUECE! Isso pertence a Fantasia. E como eu disse anteriormente concentra na humanidade. Use e abuse da extraordinariedade, mas não descambe pra fantasia - isso também exclui os portais.

Não é porque todos os elementos de fantasia são observados normalmente pelas personagens que é Realismo Mágico.

E se tiver interesse em conhecer o gênero há uma lista de filmes no grupo. Wink

Bem é isso...
De toda forma meus parabéns, seja bem vindo e até mês que vem.
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shadowkahn

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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 8:22 pm

Entendido, creio que me precipitei um pouco então. Vou estudar mais o gênero e talvez escreva algo sobre. Obrigado mesmo assim hehe.
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sex Out 10, 2014 9:49 pm

shadowkahn escreveu:
Olá Ademar! Fico feliz que tenha gostado, mas vamos lá replicar os pontos.
O Realismo Mágico, até onde entendo, é o fato de termos criaturas mágicas e a magia presente constantemente na nossa vida e simplesmente acharmos tudo normal. No texto, é bastante explicito que antigamente isso não era normal, mas gerações depois isso se tornou uma coisa normal. Se não era Realismo Mágico, se tornou. Creio que tenha sim seus elementos de fantasia, como é fácil de se notar, mas soma-se a ele o realismo mágico, que é uma coisa puramente normal para os personagens. Mas quero que me corrija se eu estiver errado hehe.
Agora quanto ao tema: Baseei-me claramente em dois filmes: A Estrada e O Livro de Eli, dois pós-apocalípticos fantásticos! Os portais mágicos começaram a destruir o mundo, sugando sua vitalidade. Uma guerra nuclear aconteceu e o mundo foi pra merda, como é citado no conto. Se uma guerra nuclear não é apocalíptica, então temos um problema, Houston hahahaha. Novamente, me corrija se eu estiver errado. O mundo é daquele jeito hoje porque simplesmente a guerra acabou com tudo. Não abrangi o resto do planeta pelo fato de ser pelo POV de personagens chaves para o conto, mas a bisavó de Alderan diz isso muito bem. O evento foi global.
São milhares de portais que trouxeram estes seres superiores para o nosso mundo, e meus personagens não são entendidos do assunto a ponto de dizerem COMO aquilo aconteceu, entende?
Mais uma vez, obrigado pelo comentário e pela crítica construtiva, e prometo tentar tornar a coisa menos corrida, pois esta história foi se tornando cada vez maior e eu tinha de podá-la de alguma maneira. Obrigado cara! Abraço!
Você tem razão quanto ao tema, eu aqui pensando que eram mundos distintos. Leitura dinâmica de merda!

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Sab Out 25, 2014 9:20 am

Gostei da história, mas de facto não me parece que vá bem de encontro ao subgénero. Eu gosto destas histórias de ficção, mas achei que faltou um pouco mais de desenvolvimento sobre alguns tópicos (as origens destes mundos e personagens). Penso também que algumas descrições, apesar da tentativa, podiam estar mais dinâmicas. Enfim, penso que é um bom rascunho de uma história de ficção/fantasia, mas pode ser melhorado, para se tornar mais envolvente ao ler.
Abraço
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Seg Out 27, 2014 6:11 pm

O conto é ótimo, bem escrito; mas como já foi dito pelos demais fugiu bastante do realismo mágico. Concordo que se você buscar na internet vai encontrar "mágico", "maravilhoso" e "fantástico" até como sinônimos, mas não é bem por aí. Simplificando, o primeiro, aplicável ao conto do mês, deve ficar dentro de uma realidade improvável, mas possível; o segundo, a ser aplicado com o folclore de um país ou região e, o terceiro, quando se emprega poderes e ou personagens supranaturais. Acho que assim fica fácil enquadrar o seu conto, mas não invalida minha classificação de ótimo; só foge ao estabelecido pelo grupo. Sucesso!
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: Conto: Nana   Seg Out 27, 2014 6:13 pm

O conto é ótimo, bem escrito; mas como já foi dito pelos demais fugiu bastante do realismo mágico. Concordo que se você buscar na internet vai encontrar "mágico", "maravilhoso" e "fantástico" até como sinônimos, mas não é bem por aí. Simplificando, o primeiro, aplicável ao conto do mês, deve ficar dentro de uma realidade improvável, mas possível; o segundo, a ser aplicado com o folclore de um país ou região e, o terceiro, quando se emprega poderes e ou personagens supranaturais. Acho que assim fica fácil enquadrar o seu conto, mas não invalida minha classificação de ótimo; só foge ao estabelecido pelo grupo. Sucesso!
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