Odisseia do Escritor

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 Me sinto Donnie Darko

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Weslley Reis

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MensagemAssunto: Me sinto Donnie Darko   Qua Out 15, 2014 2:51 pm

Spoiler:
 

2
Em meio as explosões e o fogo se alastrando em alguns pontos ao redor, ouvi Paco me gritar. Não compreendi tudo, mas entendi o recado.

- Buendía, o caveirão tá subindo! - Explosão. Ouvi alguém gritar de dor. Preferi não olhar, era melhor não olhar. - … com a caçamba. Taca fogo!

Sinalizei para algumas pessoas, que chamaram outras, que por sua vez, chamaram mais algumas e logo um grupo corria em direção a caçamba de lixo. Era imensa, do tipo usado para comumente carregar entulhos.

- No três, vai. Um, dois, três! - Eu gritei, mas por mais empurrássemos, ela não saia do lugar.

- Buendía, balança que vira - gritou alguém da outra ponta. Não reconheci a voz, mas todo mundo sabia meu nome.

Balançamos várias vezes, de ambos o lados, tomando o cuidado de sempre usar mais força na direção da rua. Quando finalmente a caçamba começou a sair do chão, alguém teve a sensatez de gritar pro grupo do outro lado sair da frente, e por sorte, todos saíram.

O lixo se espalhou de forma desordenada e logo todos correram para formar um corredor que cortava a rua de uma extremidade a outra.

Molhamos todo o lixo com querosene e ateamos fogo. Piquete, tática antiga. Um cordão transversal surgiu, impedindo - ou ao menos retardando - a passagem de quem vinha em nosso encalço. Do lado de cá do fogo, gritávamos palavras de ordem contra a tropa de choque e os nossos que ficaram para trás, pulavam a barreira como se fosse um simples jato de água dos parques aquáticos burgueses. Parecia que a vida deles dependia disso. E no caso, dependia mesmo.


1
Acordei na segunda com gosto de ressaca na boca. De derrota. Não bebi no dia anterior. A ressaca era de outra natureza.

Dia 5 de outubro de 2014. Eleições presidências, de senadores e deputados estaduais e federais. Acontecia de quatro em quatro anos aqui, alternadas com as eleições de prefeitos e vereadores que também eram de quatro em quatro, mas intermeavam as outras. Eleições de dois em dois anos no final das contas.

A de ontem era a do primeiro caso. No ano passado, milhões - segundo a PM milhares - tomaram as ruas com diversas palavras de ordem. Os protestos tiveram proporção nacional. Impacto internacional. Há muito não ocorria nada do tipo. Criei uma falsa centelha de esperança nas lutas ressaltadas de lá pra cá.

Tomei no cu.

Foi exatamente o que eu pensei quando vi os resultados ainda no domingo a noite. Uma bela merda. Os setores conservadores tiveram uma vitória significativa em todas as instâncias e toda a luta parecia não servir para mais nada. É a bancada mais conservadores desde o golpe militar de 1964, diziam algumas mídias.

Ressaca moral.

Bati boca com muita gente. Muita gente mesmo, mas bater boca não adiantava. O sentimento era de que porra nenhuma adiantava. E nada é pior do que se sentir impotente.

Em meio a total desesperança, acabei cedendo ao convite para um baseadinho na faculdade, e, no meio da brisa, lembrei do sonho que tive na noite anterior. Parecia com algo que vivenciei nas manifestações do ano passado, mas eu tinha a tatuagem de um cara no antebraço que eu não fazia ideia de quem era.

4
Ouvimos que circulavam nos corredores dos batalhões boatos de que nossos molotovs tinham asas, que voavam a distâncias inacreditáveis. E tinham mesmo, do lado de cá da fogueira, saiam diversas revoadas deles em cima dos ratos cinzas.

- É o Buendía, porra! Pega essa merda, pega, pega!

Eu ouvi um dos policiais gritando. Não era bom sinal ouvir meu nome tantas vezes em tão pouco tempo.

- Quem, caralho? Qual deles?

- O com o Marighella no braço. Vai, vai, vai!

Se ele dissesse que a tatuagem era do Johnny Cash, seria o Paco, não eu. Éramos cartas marcadas, conhecidos pelos nomes e tatuagens. Claro que meu nome não era Buendía, isso foi uma brincadeira de um dos militantes do partido, quando me viu com Cem anos de solidão na mão convocando o movimento nos corredores da faculdade. Já Paco era o mesmo que Chico em espanhol, criança. E como seu verdadeiro nome não era Francisco, foi a saída encontrada para justificar sua idolatria à Chico Buarque. Junte nomes atípicos a rostos desenhados nos braços e temos uma fácil identificação em qualquer lugar.

O caveirão chegou a rua e despejou um jato de água sobre a barricada. Alguns ratos começaram a saltar sobre o fogo, mas a essa hora, por experiência, a maioria já corria na outra direção. Todos sabíamos que a guerrilha armada estava a dois quarteirões adiante, apenas esperando para agir.

Eu não era a favor da guerrilha em 4 de outubro de 2014.

Em cinco anos muita coisa muda.

3
Na terça acordei atrasado, ainda meio chapado. Buendía me vinha a mente a todo instante e eu nem sabia que porra era isso. Levantei, escovei os dentes e me troquei para o trabalho. Tudo o mais devagar possível. Depois, ônibus cheio e trem superlotado, como de costume. Os meios de transporte públicos eram as senzalas em movimento do século XXI.

Desci na estação Consolação, que na verdade fica na Avenida Paulista, chovia fino. Não gosto de guarda-chuvas, logo, fui andando a passos rápidos em direção a esquina com a Augusta para atravessar. Vi uma senhora de aproximadamente oitenta anos entregando panfletos na rua, ao seu lado, sentado no chão, um senhor de aparentemente mesma idade pedia algo para comer.

Um rapaz engravatado vinha logo atrás de mim, andando rápido e mexendo num smartphone de tela imensa, totalmente absorto em seu mundinho. A senhora que trabalhava, estendeu um papel em sua direção, ele desviou desaforado e esbarrou no mendigo.

- Ô sinhô, mi dá uma ajuda pra cumê.

- Sai daqui caralho!

Toda vez que eu lembrava que trabalhava num lugar que eu não suportava e via gente pedindo o que comer, eu queria matar um capitalista. Trezentos e sessenta e cinco por ano, em dez anos, fariam uma enorme diferença.

Bati nos bolsos e não achei um trocado. Dei meia volta, desviei do fluxo de zumbis caminhando para o trabalho e fui pegar um panfleto da senhora. Quando segurei o papel e ergui os olhos, algo na Augusta chamou minha atenção. O fluxo de pessoas absortas em seu próprio transe não existia mais e pela pouca luz, eu não diria que eram dez da manhã. Tudo estava diferente, escuro, e sons de explosões a distância atingiam meus ouvidos.

- É o Buendía, porra! Pega esse merda, pega, pega!

Era um policial da tropa de choque gritando para outro. Olhei pro lado e me vi com uma barba cerrada e um rosto tatuado no antebraço encarando o policial do outro lado de uma linha de fogo que cortava a rua.

- O com o Marighella no braço. Vai, vai, vai!

Minha visão ficou turva e tudo que eu ouvia eram explosões, enquanto manchas vermelhas respingavam sobre minha íris. Pareciam sangue.

Minha mente foi tomada pela imagem de um local na primeira travessa da Augusta, do outro lado da Avenida Paulista, totalmente lotado de homens e mulheres mascarados e com armas em punho. Um jato de água interrompeu meu pensamento.

Alguém me chamou de outro lugar, muito mais distante do que eu conseguia discernir.

- Rapaz? Acorda meu filho. Acode aqui alguém, o menino tá passando mal gente!

A voz começava a se tornar palpável, parecia vir de uma idosa, mas eu ainda não sabia de onde. Quando abri os olhos, vi diversos panfletos pelo chão. Ergui a cabeça e vi a senhora que antes entregava aqueles mesmos papéis.

- Graças a Deus, meu filho. Pensei que você tinha tido um ataque - a voz dela era de uma rouquidão doce, quase maternal.

Todo mundo passava ao nosso lado e sequer parava para olhar. Ocupados demais com seus smartphones, era costume não notar as pessoas, principalmente as que precisavam de algo. Apenas uma mulher se aproximou, estava na casa dos quarenta anos, com uniforme de empregada e o crachá de uma das empresas da região.

- Tá tudo bem aí? O que ele tem?

- Ah, fia, ele apagou e ninguém parou pra acudir.

- Pra preto ninguém para aqui não, senhora, só se for pra mandar.

- Pois é, minha fia. Pois é.

Meio atordoado, fui erguido por ambas e agradeci. Dei um abraço na senhora, sob reclamações familiares de que eu tinha que me cuidar. Agradeci novamente. Firmei os pés no chão e comecei a caminhar, ao chegar na esquina, olhei para trás. Duas mulheres e um senhor me olhavam, todos negros, todos carregando uma preocupação sincera no olhar. Os mais velhos com o rosto repleto de marcas da vida, enquanto na mulher mais jovem eu já conseguia vê-las se formando e se alastrando. A senhora, o mendigo e a tia da limpeza.

O fato em comum não era minha situação, era a cor da pele deles.

A tia da limpeza entrou no prédio quase em frente ao metro Consolação. A senhora recolheu todos os papéis do chão e se levantou para recomeçar o trabalho. Um rapaz passou mexendo no celular, esbarrou nela e deu dois passos para trás pisando no mendigo.

- Sinhô, me ajuda a comer, sinhô. Vo morre de fome.

- Inferno. Essa raça vai infestar nossa Paulista até quando?

Os respingos de sangue em meus olhos podiam ser dele. Ou de todos esse zumbis. Podiam mesmo.

6
Um grupo de seis se destacou do restante da tropa e cruzou as cinzas que restaram do piquete. Provavelmente estavam atrás de mim. Eu corria Augusta acima para chegar logo ao ponto da guerrilha. Eu não podia cair. Nenhum de nós podia.

As balas de borracha começaram a passar zunindo pelas nossas cabeças. Algum dos companheiros atirou um molotov sem direção para trás, mas não passou nem perto dos policiais.

Sabendo que eu era a presa majoritária, tratei de me misturar aos outros para dificultar a caçada. Os ratos tinham elegido eu e o Paco como líderes, não tinham a capacidade de entender que isso não existia do lado de cá, mas eu não tinha tempo pra pensar nisso. Um tiro passou rente a minha orelha e mesmo sendo de borracha poderia arrancá-la.

Um pouco mais adiante vi um grupo de pessoas paradas ao redor de algo. Os PMs que se destacaram da tropa já estavam muito próximos, seguidos pelo restante do batalhão. Ninguém podia se dar ao luxo de parar. Desviei do obstáculo e passei do lado, só tive tempo de arriscar um olhar.

Um garoto por volta dos dezesseis anos, cabelos claros, olhos também, estava sendo amparado pelos braços de um companheiro. Tinha um furo de bala no meio da testa.

Os tiros não eram mais de borracha.

Eu duvido que aquele garoto precisasse estar lá. Parecia de classe média, se seguisse a regra estaria vivo, mantendo o status quo e aproveitando os privilégios que o sistema lhe garantia. Mas não, ele estava aqui lutando pelo que acreditava.

A guerrilha ia entrar em ação pela primeira vez e eu faria parte dela. As atividades anteriores de roubar bancos e estoques de armas haviam acabado. Tava na hora de começar a derrubar uns ratos pelo que eu acreditava, e pelo que aquele garoto com um buraco de bala acreditava.

5
Quarta-feira. Não consegui lembrar do sonho daquela noite, na minha mente apenas a imagem de um garoto que eu nunca vi com uma bala no meio da testa. Não tinha a menor possibilidade do dia ser bom.

Olhei no relógio e tive certeza sobre o dia, o excesso de descanso do meu corpo já acusava. Onze da manhã. Eu entrava as dez. Precisava dar uma boa desculpa no trabalho, não chegaria lá antes da uma da tarde nem que saísse naquele exato momento. Ossos da periferia. A mão de obra não pode habitar o ambiente deles, só o frequenta para servi-los.

Liguei para minha chefe e menti uma indisposição durante a noite, que não me deixou dormir. Ela entendeu. Era uma boa pessoa, fazia parte do sistema porque precisava comer, como eu.

Decidi usar o resto do dia pra pintar. Havia um cômodo nos fundos que antigamente pertencia aos tios avôs e foi deixada para aluguel, na entre safra de inquilinos, eu usava o espaço de pseudo estúdio de artes.

Não me culpem pelo aluguel. O sistema, lembra? Eu precisava comer. A arte era um passatempo, e, pra falar a verdade, não me lembro de sequer uma vez ter usado uma tela pra pintar. O salário, menos as despesas, só comprava guache e folha de sulfite. Eu não me importava, não era o produto final que me satisfazia, era o processo.

O ambiente era todo bagunçado. Folhas espalhadas pelo chão parcialmente pintadas, tintas para todo o lado e, no fundo do cômodo, a bancada que eu usava de suporte. Uma antiga mesa de computador que balançava a cada pincelada mais forte. Dos três R’s: reutilizar.

A desorganização não diria, mas eu era absolutamente sistemático durante a pintura. A superfície branca e a utilização das cores me absorviam para dentro do que eu estava tentando criar. Todas se pareciam. Todas tinham o seu sistema.

Apoiei a folha sobre a mesa trêmula e separei os guaches. Não tinha ideia do que ia pintar. A única coisa que me vinha a mente era um rosto com cabelos loiros manchados de sangue e um buraco de bala no meio da testa. Comecei a pintar com diversas cores, diversas formas geométricas diferentes, sem prestar nenhuma atenção no que fazia. Quando sai do transe, o quadro estava todo pintado de vermelho. De ponta a ponta.

Olhei as tintas que tinha separado e não havia a menor possibilidade daquilo acontecer. Levantei da cadeira e comecei a andar pela casa. Saí para o corredor, precisava de ar. Tinha alguma coisa errada com a minha cabeça, eu precisava organizar meus pensamentos.

Após alguns minutos voltei ao quarto e olhei novamente para o quadro. Ainda estava totalmente vermelho, mas a tinta parecia deslizar pela folha, calmamente, como se pulsasse ao som de alguma música que eu desconhecia. Algo começou a se formar e eu me aproximei passo a passo do quadro, lentamente, até ficar a pouco mais de um metro da mesa e a imagem ficar clara.

Um garoto por volta dos 16 anos, cabelos claros, olhos também, estava sendo amparado pelos braços de um outro camarada e um furo de bala entre os olhos.

Dei alguns passos para trás e tropecei no meu próprio pé, caindo sentado em meio a diversas pinturas de outras datas. Peguei a que estava ao meu lado na mão e vi um salão imenso completamente cheio de homens e mulheres armados e mascarados. Parecia exatamente igual a imagem que vi quando apaguei na Paulista, mas a data indicava um ano antes. Uma outra folha mostrava um incêndio em pleno cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Augusta e uma chuva forte começando a cair.

Ergui os olhos e vi uma reprodução de dois homens, um com a pela escura, barba desgranhada e o Marighella tatuado no antebraço. O outro um pouco mais alto, pele clara e o Johnny Cash tatuado também no antebraço. Éramos eu e o Paco.

Esfreguei os olhos apavorado, apertando-os com toda a força. Quando tornei a abri-los, vi no chão uma poça vermelha. As gotas vinham da bancada e caíam devagar aumentando o tamanho da poça. Segui o caminho contrário das gotas, erguendo o olhar e o corpo em direção a bancada, até que ficasse de frente a folha que acabara de pintar.

Lá estava o mesmo garoto que eu vira, mas agora, sangue escorria do buraco em sua testa e se alastrava pela minha oficina. De repente, tudo parecia vermelho. Todas as folhas que eu pegava do chão, completamente descontrolado, estavam vermelhas de ponta a ponta.
Larguei tudo e subi para casa. Liguei o computador e acessei uma das minhas redes sociais. Busquei alguns amigos mais próximos e descrevi tudo que vinha acontecendo. Ninguém me deu atenção. Brincaram para eu parar com as drogas ou que eu estava ficando louco.

“Carlos, é sério cara. Eu não ia inventar uma merda dessas”, mandei no chat.

“Ah claro, hahahahha. A revolução vai ser dia 5 de outubro de 2019 então? Já posso começar a me programar? Hahahaha. Você precisa de um psiquiatra e parar com as drogas, mano”.

“Para, é sério. Eu to preocupado com essa merda”.

“Psiquiatra, é tudo que eu tenho pra te dizer. Isso é coisa da sua cabeça”.

“Ou não”.

8
Assim que entrei na rua, alguns dos companheiros que nos aguardavam criaram uma nova barricada de sacos pretos e atearam fogo. Esse material foi preparado para rapidamente fazer muita coisa e acobertar nossa entrada no prédio em situações como essa.

E funcionou. Subimos as escadas no total breu, a passos largos e fluxo constante. Na garagem do prédio, cerca de cento e cinquenta companheiros e companheiras armados e mascarados. Deduzi pelo fluxo que seríamos uns quinhentos ao final da entrada. Não havia armas para todos, mas havia vontade em cada um.

- Companheiros! - Eu gritei - Hoje é o dia da tomada do poder pelo povo!

Gritos eufóricos tomaram o salão, mas foram interrompidos pelos primeiros tiros. Os atiradores no alto dos prédios já começavam a trabalhar.

- Estão ouvindo companheiros? O que antes era contra o povo, agora se virará contra eles!

- Todo coração é uma célula revolucionária! E não calem o de vocês jamais - gritou Paco ao meu lado.

Os que não tinham armas, pegaram pedras, paus e molotovs. Ficaram na retaguarda. Pistolas e revolveres na linha de frente. Metralhadoras e armas de mais potência na segunda linha. Fuzis de longo alcance no alto dos prédios. Estava tudo planejado.

Abrimos a porta da garagem e saímos aos montes. Eu e Paco fazíamos parte do primeiro cordão, eu com uma pistola e ele com uma calibre doze, jamais abriríamos mão da linha de frente.

O elemento surpresa nos favoreceu. Os seis PMs que se destacaram já haviam sido abatidos e o batalhão principal ainda procurava a origem dos tiros no alto dos prédios. Saímos atirando. Molotovs e pedras voavam sobre a minha cabeça e atordoavam minhas próximas vítimas. Só eu já tinha levado uns três. Era o combinado, ninguém podia tombar sem levar ao menos três, dada a vantagem de contingente deles. Nossa ratoeira gigante funcionou perfeitamente.

Mas nem tudo eram flores, notei isso quando vi de relance um dos nossos caindo de um prédio e formando uma massa disforme de sangue e músculos na calçada. Ele não era o único. Uma das companheiras que liderava a linha de frente tombou a poucos metros do Paco com a nuca estourada por um tiro de fuzil. Doía, mas a gente sabia que iria acontecer.

Tive a impressão de ver seu corpo se desprendendo do chão e de si mesmo, transformando-se em cinzas e acendendo ao céu. Não seria a primeira vez que eu via coisas estranhas acontecendo.

Depois do conflito inicial, as duas massas em choque se dispersaram. Mais do nosso lado do que do deles, nosso treinamento militar era mínimo. Todos buscaram abrigo, sejam atrás de postes, muros, carros e tudo mais que pudesse servir de proteção. Éramos maioria numérica e já tínhamos derrubado muitos. Faltavam uns cinquenta, mas sabíamos que viriam mais.

A noite começou a cair e a necessidade de se reagrupar pro próximo ataque era eminente. Mas eles eram resistentes, os poucos que sobraram resistiam bravamente e sem o elemento surpresa, o treinamento deles se sobressaía. Eu precisava fazer alguma coisa.

- Paco, no três eu vou correr até aí - gritei pra ele do outro lado da rua.

- Tá louco, Buendía, porra. Você não vai chegar inteiro aqui, para!

- Claro que vou, mano. Precisamos acabar aqui logo antes que chegue mais.

Explosão, uma bomba de gás caiu perto de onde eu estava. Meus olhos começaram a queimar, eu não conseguia respirar. Eu já conhecia bem essa sensação. Meus pensamento se embaralharam e eu nem sabia mais o que tinha que fazer.

- Buendía? Responde, Coronel! - Era engraçado pensar nisso, Paco só me chamava de coronel na hora do total desespero, por causa do Coronel Aureliano Buendía.

Recuperei parcialmente o controle com o grito, no lapso de adrenalina, corri no meio da fumaça e pulei pro outro lado, caí em cima dele.

- Vinagre! Quem tá com vinagre aqui, rápido! - Gritou Paco desesperado.

Alguém jogou vinagre na minha cara. Não deu tempo de saber quem, mas rapidamente meus sentidos começaram a retornar e eu já enxergava parcialmente o rosto do meu amigo na minha frente.

- Eu falei que conseguia, não falei?

- Você é doente, Buendía, d-o-e-n-t-e.

Sabe-se lá como, rimos da situação. Todos ao redor riram junto. Era isso que nos unia, não às ordens, não a obrigação, mas a fraternidade.

- Mano, a gente tem que fazer alguma coisa. Chamar atenção deles para saírem da formação. E tem que ser agora.

- Como, caralho? Quem sair da proteção vai tombar. Já perdemos o suficiente.

- Eu vou então. Não saímos prontos pra morrer hoje?

Ele só concordou com a cabeça.

- Então, porra. Eu vou, quem mais vem?

Quatro companheiras se destacaram. Eu sorri.

- O plano é o seguinte, nós seis vamos com molotovs e armas em punho. Sairemos atirando para retardar a reação deles, depois vem os molotovs no centro da formação e o restante se encarrega de derrubar o resto. Fechado?

Todos concordaram, apreensivos. Eu também estava, mas não podia demonstrar. Eu era o louco, sempre fui.

Paco pediu para trocar sua calibre doze por uma pistola, mas as companheiras só conseguiram reunir três coquetéis intactos. Dei minha pistola a ele e peguei a doze. Alcancei um dos molotovs entreguei a ele.

- Esse tem que estar com asas, entendeu? Todos sabemos que essa fama vem de você.

Ele sorriu e exibiu sua tatuagem com um dirigível e os dizeres: Voar alto.

Retribui o sorriso e corri.

Saí atirando com a doze, a característica de dispersão dos seus projeteis caiu como uma luva. Feri alguns e separei a formação inicial. Duas companheiras atiraram os molotovs bem no centro da concentração, consegui ver ao menos dez deles em chamas e logo abatidos pelo nosso apoio.

Estava funcionando, nem eu acreditava nisso.

Uma bomba de gás veio voando em nossa direção, quando tocou o chão, um companheiro próximo empunhando luvas agarrou-a e atirou de volta. Aquilo nos deu ainda mais animo. Não éramos só seis. Éramos muito mais.

Mais tiros da nossa parte e aquilo já parecia um massacre. Eles não tinham tempo de retrucar. Os aproximadamente vinte homens restantes começaram a recuar e cercaram-se de escudos na frente e sobre as cabeças, como a carapaça de uma tartaruga. Ganhavam cada vez mais distância a medida que alguns deles começaram a disparar sobre nós.

Eu gritei por Paco e ele entendeu o recado. Passei a disparar com a doze a uma distância que sabia não ser letal, mas servia para conter os disparos inimigos. Era a brecha que Paco precisava. Passou por mim correu e atirou nosso último molotov.

Cinquenta metros era a distância média. O coquetel realmente precisava de asas para chegar até o objetivo. E ele tinha. Desde o momento em que vi o braço com o dirigível soltar a garrafa carregada de gasolina com um pavio de pano aceso, notei movimentos que desafiariam a física. Ela simulava os solavancos de um bater de asas característico, como um pássaro ascendendo a liberdade e, quando atingiu a altura máxima, mergulhou como um falcão em busca de sua presa. Bem no meio da formação, na única falha dentre os escudos.

Agora a dispersão foi total, em menos de dez segundos todos eles estavam no chão e os gritos ao redor denunciavam nossa vitória parcial.

Mas também abafavam o som da hélice do helicóptero chegando.

9
Acordei no sofá, nem lembrava como tinha ido parar lá. Estava exausto. Olhei para o relógio e ainda eram sete e meia da manhã, eu ainda tinha tempo de ir trabalhar e iria, precisava comer.

Levantei e fui pro banho. Só despertei de verdade quando a água correu do meu cabelo até a ponta dos pés. Era uma sensação ótima. Apoiei as palmas das mãos na parede e deixei que isso acontecesse por um bom tempo até que todas a células do meu corpo fossem despertadas. Funcionou. Não sei se o aumento da circulação sanguínea, ou energias cósmicas do universo, mas aparentemente sem motivo, aconteceu de novo. O sonho das poucas horas de sono me veio a mente. Parecia um filme que continuava cada vez que eu fechava os olhos ou apagava no colo de qualquer senhora por aí. Eu só queria saber logo qual era o final.

Desliguei o chuveiro, me sequei e me vesti pro trabalho. Reuni minhas coisas, coloquei na bolsa e saí para o corredor. Por um instante olhei para o cômodo dos fundos, no final da escada. Não seriam minhas pinturas a influenciar meus sonhos? Ou meus sonhos a influenciar minhas pinturas?

Desci até lá. Abrir a porta e o vento revirou algumas das folhas que eu deixei espalhadas. Todas caíram com a pintura para baixo, exceto uma. Me aproximei dela e não reconheci o prédio que havia pintado. Eu não tinha nem mesmo certeza de ter pintado aquilo. Pelo entorno, parecia a região da Paulista, mas eu não me lembrava de ter visto nenhuma construção parecida. Não parecia nada demais.
Por algum motivo, dobrei a folha e coloquei no bolso, subi as escadas, fui até o ponto de ônibus e comecei minha jornada de duas horas até o trabalho.

Ao descer na estação final, a da Consolação, inconscientemente, saí do outro lado da Avenida Paulista, só me dando conta do que fiz quando já estava fora. Olhei para ao outro lado, queria ir para lá, precisava ir, tinha que trabalhar, mas eu simplesmente não conseguia. Algo me puxava exatamente para o caminho oposto. Para o lado da Rua Augusta que costumavam chamar de baixo Augusta.
Parei no meio de calçada, travando uma guerra silenciosa comigo mesmo. Eu não poderia faltar mais um dia no trabalho, mas meu corpo se recusava a ir na direção correta. Cedi.

Meus passos eram mecânicos, mais que o normal, meus pés sabiam muito melhor onde ir do que a minha mente e eu não tinha nenhum controle sobre eles. Caminhei um quarteirão inteiro, parando na primeira travessa da Augusta. Não me ative ao nome da rua, apenas virei a esquerda e parei em frente a um prédio específico. Ele não me era estranho.

Tirei o papel do bolso, desdobrei e entendi. Era o prédio da minha pintura, só que na folha ele parecia um pouco mais velho. Pouca coisa mesmo. Algumas janelas quebradas e algumas pich ações espalhadas. Uma delas em especial me chamou atenção, no portão da garagem estavam os dizeres: Todo coração é uma célula revolucionária. Mas isso só havia na minha pintura, não na realidade.

Ergui o papel para compará-los e ter certeza que se tratava do mesmo prédio, mas ao olhar para a imagem, tive novamente a sensação de que ela se remodelava sozinha. O foco estava deixando de ser o prédio e a pintura começou a virar novamente em direção a Rua Augusta. Eu acompanhava o movimento com as mãos, tentando manter a escala de comparação entre a arte e o real. No momento em que ela mostrou a rua, um cenário de guerra tomou conta da folha, várias pessoas armadas escondidas atrás de barreiras improvisadas, sangue escorrendo pela via como água, e as paredes mancadas de um vermelho intenso.

Assim que equiparei as imagens, ouvi gritos de comemoração e um helicóptero se aproximando. Nenhum dos que comemoravam o notou. Olhei para cima e a máquina aérea realmente se aproximava de onde eu estava. Tornei a baixar a cabeça e o cenário da pintura tornou-se real. Vi Buendía com os braços erguidos, gritando algo sobre a revolução. Ele se virou para mim e me olhou nos olhos. Eu era o Buendía, e o Buendía era eu.

Vi do helicóptero um policial abrir a escotilha e empunhar um rifle que mirava exatamente em mim. Eu Buendía, no caso.

- Buendía, se abaixa! - Gritei pra mim mesmo.

Não deu tempo, o disparo atravessou meu peito e eu caí de joelhos no meio da rua. O restante das pessoas corriam de um lado para o outro tentando se refugiar, com exceção de Paco que correu em direção ao meu corpo para me socorrer. Tentei correr para ajudar, mas novamente meus pés respondiam apenas a si mesmos.

Bombas começaram a cair do céu e não eram mais de gás, incendiavam a tudo e todos que tocavam. Gente corria para todos os lados, soltando suas armas ao chão com o corpo em chamas e eu não conseguia fazer nada além de observar.

Paco carregou meu corpo pra calçada e gritou por ajuda. Uma garota jovem se aproximou dele e ambos ergueram meu corpo caminhando em direção ao prédio que eu pintei sem saber. As bombas continuavam a cair desordenadamente e vi meu corpo escapar das mãos deles umas duas vezes, enquanto tentavam desviar delas. Quando chegaram à frente do prédio, eu me olhei nos olhos. Eu observador e eu Buendía. Ele sorria. Eu também, mas o meu sorriso tinha um gosto salgado pelas lágrimas que corriam livres dos olhos.

Eles subiram as escadas até o terceiro andar do prédio e me deitaram em uma cama próxima da janela. Mesmo da rua, eu conseguia ver através das paredes tudo que acontecia lá dentro.

- Acorda, Coronel, por favor. Não deixa a gente aqui. Volta caralho - nesse momento não era o Paco, mas o meu amigo de longos anos quem gritava comigo. Suas lágrimas caiam no rosto de Buendía, mas mesmo em outro corpo, eu as sentia também. Eram carregadas da mais pura sinceridade que eu já havia visto.

Um barulho estranho chamou minha atenção para o céu. Um jato se aproximava rapidamente de onde estávamos.

“Comandante, estou me aproximando do alvo. Permissão para atirar”, eu conseguia ouvir a conversa do piloto pelo rádio.

“Permissão concedida, piloto. Execução autorizada”

Meu corpo gelou. Desprendi meus pés do chão usando toda a força que existia em mim e subi as escadas correndo o máximo que podia. Cheguei ao terceiro andar e vi meu corpo sobre a cama.

- Vamo sair daqui, agora. Vai, vai. Tem um caça pronto para disparar no prédio!

Ninguém pareceu me ouvir. Nem Paco e nem garota. Só eu me ouvia.

- Isso tem que acontecer, nós sabemos disso – respondi.

- Não, não tem! Eu tenho que sobreviver.

- A revolução é que tem que sobreviver.

Meu outro “eu” me sorriu novamente e eu finalmente entendi.

Olhei pela janela e vi o míssil se aproximando. Morreríamos todos. Precisava ser assim.

10
Quando Paco me deixou na cama, eu já sabia que não teria volta. Eu estava morrendo e sentia isso. E por mais que no fundo eu soubesse desde o começo, não era mais fácil de aceitar.

De repente alguém entrou pela porta correndo e gritando algo sobre um míssil vindo em nossa direção. Ninguém além de mim pareceu ouvir e, quando virei para ver de quem era a voz, me reconheci. Cinco anos mais jovem, sem barba e com um olhar assustado.

- Isso tem que acontecer, nós sabemos - minhas palavras não vinham de mim. Elas simplesmente existiam ali por si mesmas, era preciso falar aquilo e em algum lugar de mim eu sabia disso.

- Não, não tem! Eu tenho que sobreviver - eu me respondi.

- A revolução é que tem que sobreviver.

Foram minhas últimas palavras enquanto Buendía. O míssil atravessou a janela e mandou tudo pelos ares, enquanto eu sentia meu corpo se desintegrar, algo em mim era atraído àquele meu outro “eu” que observava tudo pairando no ar, como se nem estivesse ali.

Quando me senti totalmente fora do meu corpo, o que restou de mim foi atraído para meu outro eu e absorvido imediatamente. Agora eu flutuava sobre os escombros do prédio derrubado, assistindo o caça terminar voo adiante e fazer a volta para um novo ataque.

Lá embaixo todos meus companheiros tentavam se abrigar das bombas e mísseis, mas parecia impossível sair vivo daquele cenário de sangue, fumaça e caos. Foi quando a noite, pela segunda vez no dia, cinzas saindo de todos os corpos abatidos, inclusive do meu, e ascendendo ao céu calmamente. Embaladas por uma sinfonia que agora eu também ouvia, dançavam e subiam espiraladas enquanto eu sentia meu outro eu dançando junto a ela.

O céu começou a escurecer e nuvens negras tomaram tudo de ponta a ponta, até onde minha visão conseguia alcançar. A chuva não tardou a cair e veio com tudo que tinha. Calmamente todos os focos de incêndio apagavam-se sucumbindo a chuva e a força das águas e das almas que a formaram.

O jato que derrubou meu prédio perdeu o controle e caiu sobre o segundo batalhão que preparava uma nova investida, levando tudo a nada em segundos. Dentre os sobreviventes, alguns poucos policiais e outros companheiros largaram as armas e ajoelharam no meio das ruas e calçadas, lágrimas corriam no rosto de todos e se misturavam com a água daquela chuva incomum.

Até que todo o sangue fosse lavado, as nuvens não cessaram seu trabalho. E quando, por fim, o pior parecia ter passado, me encontrei parado em frente ao prédio com a minha pintura em mãos e tudo ao redor perfeitamente normal.

Olhei para o relógio e eram cinco para as dez. Eu entrava as dez no trabalho, eu tinha que comer. Mas agora eu tinha uma revolução para arquitetar em cinco anos, com a vantagem de saber cada passo do que precisava fazer.

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Me sinto Donnie Darko   Qua Out 15, 2014 4:01 pm

Sobre Tema e Subgênero.

E apareceu o Realismo Mágico, olé olé olá...
Olha o Realismo Mágico, olé meus cavalheiros...

Finalmente alguém acertou o gênero, mas se bem que em nosso caso isso é tipo obrigação, né!? Wink
E olha nessa empreitada preciso admitir que tu se saiu melhor do que eu. Primeiro que você deu vida à música e tornou impossível não relacionar ela ao teu conto. Haha marca de gravar um vídeo clipe Razz
Depois porque tu abordou brilhantemente o Realismo Mágico por três vezes em um só conto. Primeiro nos quadros que foi fabulosamente lindo, e me lembrou o Coronel Aureliano Buendia no ato... haha Depois com o encontro entre os “Buendias” essa cena foi estarrecedora, e já disse... chorei. Haha que merda ter chorado, mas chorei. HAHAHHAHAHAHAH
Mas a cereja do bolo foi essa chuva do final. Ou melhor, o que foi essa chuva no final? Superou o sangue do José Arcádio indo pra casa de Úrsula.

Sobre a narrativa.

Não preciso relatar de novo que os teus contos são palpáveis de tão carregados e intensos, né?! Eu sou apaixonada por isso na tua escrita. E parece que isso tem evoluído a cada conto.
Mais uma vez eu me esqueci que lia um conto. Haha!
E não posso ignorar aquela coisa peculiar que sempre nos trás: Dinamismo!
Mas francamente o que eu mais gosto nos teus textos, sobretudo nesse e em Melissa, é que eu entro nas histórias quase no mesmo nível que faço quando as minhas se mostram no meu processo de escrita. Não são meras palavras. Em algum lugar além da nossa compreensão essas histórias são reais. Elas vivem dentro de você, e tu tens o maravilhoso dom de ao menos por um momento, fazê-las viver em mim. Elas adentram meu mundo como faz aquela visita há tempos esperada que tu não quer que vá embora, mas ela se vai. E bem, eu fico esperando pela próxima.

GABO deve estar orgulhoso de você.

E até Novembro!
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: Me sinto Donnie Darko   Qua Out 15, 2014 4:49 pm

Gostei disso. Começando pela música, eu não a conhecia e curti de verdade, seu texto a seguiu rigorosamente.

Quanto ao Realismo Mágico, identifiquei alem dos três elementos supra citados por Tammy os coquetéis com asas: metáforas ou não eles caíram muito bem. Como estão inseridos na realidade mágica acredito que não são metáforas.

O título, ha o título, não poderia ter sido melhor. Seu enredo completo de cabo a rabo ficou dinâmico, conciso e muito bem elaborado. Sua narrativa despensa comentários, já elogiei por três vezes, hoje deixarei para os outros. Parabéns. Espero a mesma pegada para Novembro.

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MensagemAssunto: Re: Me sinto Donnie Darko   Qua Out 15, 2014 7:26 pm

0000000000000000000000000000

Digamos que eu curta muito Donnie Darko, digamos que eu ache meio engraçado e meio triste que os sonhos em que eu estava morto são os melhores que eu já tive (música que eu acho que cê também devia ter usadooooo), e digamos que este conto tenha me abalado. Sei lá, não esperava por ele... personagens poucos e bem construídos, um cenário magnífico e uma charutada comuna atrás da outra, pqp. Parabéns, Weslley! Os signos que você imprimiu no texto, as tatuagens, as relações... parabéns!

Só toma mais cuidado na revisão ortográfica e, sei lá... me faltou closure no texto, sabe? Aquela sensação factual de que acabou. Acho que pecou um pouco na finalização.

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: Me sinto Donnie Darko   Qua Out 15, 2014 8:14 pm

Indy J escreveu:
0000000000000000000000000000

Digamos que eu curta muito Donnie Darko, digamos que eu ache meio engraçado e meio triste que os sonhos em que eu estava morto são os melhores que eu já tive (música que eu acho que cê também devia ter usadooooo), e digamos que este conto tenha me abalado. Sei lá, não esperava por ele... personagens poucos e bem construídos, um cenário magnífico e uma charutada comuna atrás da outra, pqp. Parabéns, Weslley! Os signos que você imprimiu no texto, as tatuagens, as relações... parabéns!

Só toma mais cuidado na revisão ortográfica e, sei lá... me faltou closure no texto, sabe? Aquela sensação factual de que acabou. Acho que pecou um pouco na finalização.

Texto nem é meu, mas serei intrometida.
Haha pra mim esse "não fim" é exatamente o que fecha com chave de ouro.
Essa sensação maravilhosa de que não acabou por ali, que ainda tem muito por vir...
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: Me sinto Donnie Darko   Seg Out 27, 2014 2:12 pm

Weslley, novamente arrasou meu camarada. Quanto à música, fico com o Ademar; também não conhecia. De fato, você incorporou bem o tema no conto; realismo mágico para mim é sinônimo de realidade forçada. Acertou em cheio! Sucesso!
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