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 VISITAS DO NATAL

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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: VISITAS DO NATAL   Seg Dez 08, 2014 12:44 pm

VISITAS DO NATAL

Qualquer nome poderia ser riscado da lista.
Aquelas pessoas estavam rindo, comendo, bebendo e se divertindo, mas ao menos uma delas não estaria na festa do próximo Natal.
Sempre foi assim. A família era numerosa. Pessoas de todas as idades possíveis estavam ali. De zero a cem, todas as fases da vida estavam representadas. Gilda, ainda nem tinha nascido, o parto estava previsto para os primeiros dias do ano vindouro; mas já constava da lista. A Bisa, uma velhinha simpática, conhecida como Donana, o nome mais antigo ainda em aberto.
Donana completaria cem anos de idade no mesmo ano em que Gilda iniciaria sua contagem: o ano seguinte ao daquele Ano Novo.
A “Lista”, um caderno grosso de capa dura, com o “Termo de Abertura” lavrado ainda na Itália e que alguém, gentilmente, havia escrito a tradução na página dois.
Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca comemos o pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?
Nas primeiras páginas todos os nomes estavam riscados. Na última, o nome Gilda da Silva Santos foi o último a ser inserido.
Gilda, de origem latina, mas um nome teutônico; dado em homenagem ao pai: Gildo. Com um Silva, existente, mas pouco comum na Itália. E, finalmente, Santos, aportuguesamento de Santi. De qualquer maneira ficava difícil creditar, apenas pelo nome, sua origem italiana. Entretanto, era uma legítima italianinha. A “Lista” provava.
L´organizzatore, O Organizador, recebia a “Lista” durante a FNF, Festa de Natal em Família; antes FFN, de Famiglia Festa di Natale.
Em meio à festança, em um difícil de atender pedido de “Silêncio!”, repetido por várias vezes, o nome de Genaro, um senhor de cabelos grisalhos, foi divulgado como “Organizador” para o ano seguinte. E o livro, a “Lista”, lhe foi entregue por Cardennari, o atual, que ainda em meio aos aplausos, falou baixo em seu ouvido:
Sostituto, Guarnieri — e apontou um falante senhor em meio à pequena multidão.
Foi o primeiro choque para o velho Genaro. Imediatamente imaginou Guarnieri riscando da “Lista” o nome “Genaro Carbonieri”. Afinal ele já passara há muito tempo dos setenta anos.
O nome daquele que substituiria o “Organizador” em caso de emergência, e entenda-se “emergência” como morte, nunca era revelado aos demais. Uma superstição que veio da Itália com os imigrantes. No Brasil, na primeira vez que divulgaram o substituto, o titular do cargo faleceu naquele mesmo ano; desde então, nunca mais se revelava quem era o reserva.
Em seguida vieram outras preocupações. Sempre foi uma festa para trezentas pessoas, com pequenas variações; dado ao entra e sai na “Lista”.
Será que eu vou conseguir o mesmo sucesso de organização dessa e das anteriores? — Foi o primeiro pensamento de Genaro.
De fato ele esteve presente em todas as comemorações anteriores. E, sempre, até onde iam as suas lembranças, um sucesso organizacional. Ao contrário de Gilda, ele nasceu no mesmo ano da gestação. E ele nunca soube de ninguém que tivesse faltado a uma só festa. Um encontro aguardado por todos.
Serei eu o primeiro a falhar? Pensou.
Conseguirei o mesmo sucesso de meus antecessores? Continuava se perguntando.
Sabia não poder fugir à responsabilidade.
Com a certeza de que somente o tempo daria as respostas às tantas perguntas que teimava em formular, ele tentou esquecer por hora o assunto, e também se divertir um pouco.
Logo notou que tinha ficado difícil para ele circular livremente pelo recinto. A cada passo uma abordagem com palpites, sugestões, cumprimentos e recomendações.
Teria que aprender a conviver com aquilo, ao menos por um ano.

¤¤¤

Dizem que o tempo passa muito rápido, mas Genaro nunca pensou que um ano passasse assim tão depressa.
O Natal estava novamente chegando e com ele a FNF.
No transcorrer daquele ano ele acompanhou dois enterros e foi às comemorações de um casamento e vários aniversários, cinco ao todo, isso porque nem todos fazem festas hoje em dia. E, principalmente, deu suas boas-vindas a dois nascimentos: Gilda, que em breve completaria um aninho e Francisco, nascido há um mês.
O Organizador, sempre presente, era um convidado especial e representava a “Família”.
Em todos os eventos o assunto FNF sempre surgia e, com ele, todos os tipos de comentários. Estava se acostumando.
Jus sanguinis. O critério básico da “Lista”. O “direito de sangue” excluía os cônjuges, mesmo que italianos fossem. Tinha mesmo que ter o “sangue da família” para ser incluído. Condição que já tinha gerado discussões prolongadas. O próprio Genaro tinha sido chamado de louco por defender aquela tradição. Ainda tinha em mente sua resposta a um dos recém-casados mais exaltados.
In Italia si dice che chi è felice è pazzo, allora direi che tutti in famiglia siamo mezzo matti.
Algo como ser todos da família meio loucos, mas felizes iguais a estes.
Daquela vez o assunto foi definitivamente proibido de voltar a ser discutido. Aquela era uma tradição secular. E seria mantida.
Foi fácil incluir Francisco na “Lista”, logo abaixo do nome da Gilda escreveu: Francisco Alis Carbonari. Um rápido desfile dos pais em sua mente, e mais nada.
Mas a “Lista” tinha que ser atualizada por completo e ele vinha adiando essa parte da tarefa que lhe competia.
Lembrou-se de que logo após o enterro de Odair José Carbonnari, um jovem de dezoito anos, morto em um acidente de trânsito; pegou o livro, uma régua e uma caneta, mas não conseguiu sequer abri-lo.
Naquele momento ele estava novamente com o livro repousado sobre as pernas e aqueles mesmos objetos seguros em uma das mãos.
Intermináveis lembranças de fatos passados o impedia de executar a tarefa. A mãe com o neném nos braços insistindo para ver o nome do filho inscrito na lista “Com dois N, Carbon...nari”; sem sair de perto, até que o então Organizador completasse a escrita. As fotos com o livro ao lado do bebê. O neném passando de colo em colo o tempo todo. As primeiras e inseguras corridas do garotinho, e os tombos na festa seguinte. As briguinhas com os priminhos. Paquerando as primas e tomando bronca dos tios. Apresentando a namorada em uma das festas. Cenas e mais cenas. Intermináveis lembranças.
O braço parecia pesar uma tonelada quando enfim conseguiu abrir o livro na página onde estava escrito o nome do jovem. Posicionou a régua, mas a mão com a caneta simplesmente se recusava a traçar a linha. Desistiu!
Escreveu ao lado do nome do rapaz “Falecido em 2014”. Depois ficou simplesmente olhando para aquela observação. Parecia-lhe tão lúgubre. O riscado agora lhe parecia tão mais simples. Por instantes chegou a pensar se um corretor de textos não faria melhor trabalho. Apagar!
É impossível apagar as lembranças! — Pensou.
É vero! É verdade! — Não chegou a se surpreender por falar sozinho, fazia isso o tempo todo.
No segundo nome, Rinaldo Gomes Santos, simplesmente escreveu: “Falecido em 2014”.
Voltou os pensamentos para os preparativos da festa. Estava crente de já os ter repassado uma infinidade de vezes: Convites individuais, lugar, decoração, comida, bebida; todas as confirmações.
Afinal, amanhã era o tão esperado dia, um dia pelo qual trabalhou o ano todo. Tudo estava perfeito. Nada podia dar errado. Ele tinha checado as previsões de tempo por três vezes e em diferentes sites de meteorologia; todos os órgãos de previsão anunciavam tempo bom, ensolarado. Aquele seria o dia perfeito. Dia de Natal e de FNF.

¤¤¤

Os convidados começaram a chegar.
Primeiro os que moravam perto ou muito longe. Estes últimos chegaram à cidade no dia anterior e estavam hospedados em hotéis ou em casa de parentes; em sua casa, Genaro hospedou duas famílias. A noite anterior foi longa entre conversas e recordações. Quanto mais ele ouvia “Relaxa, vai dar tudo certo!”, parecia que aumentava sua preocupação; com isso, quase não dormiu.
Junto com os convidados vieram os elogios à organização e isto o deixou mais tranquilo.
Più bello! Genaro, você arrasou. Vamos colocar os presentes na árvore.
As famílias chegavam cheias de sacolas com presentes. Uma espécie de “Amigo Secreto”, mas não “secreto”. Todos recebiam uma lista na ordem da “Lista” original e, ao lado do próprio nome, seu amigo “secreto”; lógico que, assim, todos sabiam quem presenteava quem; mas ninguém se importava. Afinal, era uma só família; e, ao menos naquele dia, com o mesmo objetivo. Confraternização.
A regra para a “Lista de Presentes” era simples, mas evitava que alguém tivesse que presentear a si mesmo. Depois de listar todos os nomes constantes da “Lista”, o Organizador invertia a sequência, a começar pelo último; mas pulava o primeiro. Nesse caso, o último da Lista presenteava o segundo que nela constava; com as entradas e saídas, nunca ninguém presenteava por duas vezes a mesma pessoa. E todos eram obrigados a levar um presentinho para o primeiro colocado na “Lista”; neste ano, mais uma vez, Donana.
Cabia ao Organizador, auxiliado por um exército de crianças, distribuir de “mão em mão” todos eles. Era só ele falar um nome e alguma das crianças saia correndo para buscar o pacote; este podia ser o próprio presente, ou o de algum parente próximo. Com isso, a distribuição era rápida e organizada. Nunca se soube de um presente trocado, as crianças nunca se enganaram.
Donana chegou cercada por uma turminha de bisnetos, mas fez questão de ela mesma carregar sua sacola de presentes até a árvore. Cabia a ela presentear todos os recém-nascidos que eram incluídos na lista durante o ano. Normalmente ela levava sapatinhos que tricotava com carinho e perfeição. Neste ano, apenas Francisco.  
Esse cuidado também evitava confusão entre as crianças, em sua maior parte motivada por uma pontinha de inveja. Por esta razão os padrinhos eram orientados a dar possíveis presentes aos afilhados, somente depois da festa terminar; e fora do lugar do evento.
Por volta das dez horas, a árvore já estava praticamente escondida atrás de uma pilha de embrulhos.
Para facilitar, e dar um visual bonito para as inevitáveis fotos ao lado da árvore, as sacolas eram sempre retiradas.
Quem diz que o ponto alto de uma festa é a comida, simplesmente se esquece das crianças. Para elas esse é sempre a hora de abrir os presentes. Sempre ficam eufóricas. E isso nada tem a ver com o valor monetário dos mesmos. Por essa razão, assim que o almoço terminou de ser servido, o Organizador aguardou meia hora e iniciou a distribuição. Pegou o pacote mais próximo e leu em voz alta o nome escrito:
— Carla Tavares Carbonieri.
— Eu! — Gritou uma menina linda, de uns doze anos de idade, enquanto se levantava e começava a caminhar rumo ao Organizador.
— É minha irmã — disse um garotinho, enquanto pegava o pacote. Em seguida, saiu em disparada ao encontro da mocinha.
— Esteves Borges Santos — disse Genaro.
Trinta minutos depois só restou uma sacola plástica em um canto próximo à parede. Genaro balançou a cabeça, sempre pediam para retirar os embrulhos das sacolas; mas não se importou com o fato. Pegou o primeiro pacote de dentro da sacola e anunciou o primeiro nome:
— Umberto... sinto muito pessoal, mas não tem o nome de família.
Entre os convidados, olhares indecisos para os lados.
O Organizador também olhou, aguardou alguns segundos, colocou o pacote sobre a mesa e retirou outro da sacola. Leu o nome:
— Onorato... também sem sobrenome.
Novos olhares de interrogação.
Genaro retirou mais um pacote da sacola e começou a ler o nome:
— Rinal... — parou sem terminar e prestou mais atenção à letra dos dois pacotes anteriores. Iguais! Letra não muito firme, desenhada... escrita com capricho; capricho de velho. Reconheceu a forma de escrever de Donana. Retirou os dois pacotes restantes na sacola.
Odair e Francisco Alis. Compreendeu imediatamente o que estava acontecendo.
Não pode deixar de perceber o gelo que acometia a todos. Aquele pressentimento era geral. Sentiu os pelos dos braços se arrepiarem. Pensou rápido. O último pacote poderia quebrar aquele estado petrificado. Leu em voz alta:
— Francisco Alis — e completou — Carbonari. — Sabia ser o nome do recém-nascido.
Assim que uma criança retirou de suas mãos o pacote e correu no rumo de um casal, continuou:
— Isso é tudo pessoal!
— Não! Falta mais, o do Rinaldo, ele está aqui; ao meu lado. Vá buscar o presente — disse Donana ao bisneto que estava mais próximo.
O garoto saiu em disparada. Pegou o pacote e retornou até a velha senhora.
— Genaro, continue. Ainda falta o Odair, ele também está aqui.
O Organizador ficou indeciso, por fim pegou o pacote com o nome “Odair” e disse:
— Odair — a voz saiu tremula e ele manteve a cabeça baixa.
O silêncio era total, nem mesmo as crianças faziam qualquer barulho.
— Vá pegar, Odair está esperando o presente — a voz baixa de Donana, dizendo a um menino foi ouvida por todos.
Durante um longo minuto, apenas os passos da criança foram ouvidos no recinto. Passos lentos e cadenciados.
Lágrimas brotavam nos olhos de algumas pessoas. Os adultos mantinham as cabeças abaixadas. As crianças, com certeza, estranharam o silêncio.
A empolgação da festa não voltou a ser a mesma, aos poucos as pessoas foram se retirando; bem mais cedo do que o habitual.
Donana continuava sentada com os dois pacotes presos entre as mãos.
— Vó! Quer ir pra casa?
Dove sono i ragazzi? Onde estão os rapazes?
— Venha, vamos pra casa — insistiu a neta, Carolina, uma senhora de quarenta anos de idade.
E il presente?
— Genaro entrega pra eles — insistiu a neta, enquanto retirava das mãos da avó os dois pacotes.
Naquela noite, sozinho em seu quarto, Genaro se pôs a pensar.
Havia trazido com ele os quatro pacotes de Donana e estes agora estavam em um canto do seu quarto, acomodados na mesma sacola em que foram levados para o lugar da festa. Nenhum pacote tinha sido aberto.
Até esse momento ainda não entendia por que havia pedido ao novo Organizador para entregar o livro somente no dia seguinte.
Genaro não conseguia dormir. Pegou a sacola e retirou os quatro pacotes, colocando-os sobre a cama.
Havia convivido com Odair e Rinaldo, ouvido falar de um tal de Umberto, um tio-avô, mas não se lembrava de nenhum Onorato.
Abriu o livro na última folha, passou o dedo pelo nome do Francisco, depois o da Gilda, encontrou suas anotações ao lado do nome Odair. Separou o pacote com esse nome e colocou no canto da cama.
Algumas folhas depois, a mesma anotação ao lado do nome Rinaldo. Pegou o presente com essa anotação e colocou ao lado do anterior.
Continuou correndo o dedo pelas folhas, atento mais precisamente aos nomes riscados.
Folhas e folhas foram viradas até que encontrou “Umberto Santi Callegari”.
— Pode ser esse!
Mesmo na dúvida da existência de um único Umberto, colocou o embrulho ao lado dos outros dois.
Depois, continuou sua busca. Afinal podia muito bem existir homônimos. Dar o nome de antepassados é muito comum em famílias, e ele sabia disso. E ainda faltava localizar “Onorato”. Algum tempo depois restavam umas poucas folhas e, até então, nenhuma outra vez encontrou a repetição do nome “Umberto”. Mas precisava continuar procurando.
Olhou para o relógio, três horas da madrugada. Estava sonolento.
A próxima era a última página, a de número três, uma vez que as duas primeiras foram utilizadas para os termos de abertura; em italiano e português.
Não sem certa apreensão, terminou de verificar o anverso e virou a folha.
Não precisou sequer correr o dedo. Viu, bem no meio da página, riscado, como era de se esperar, uma vez que o nome de “Ana Ambrósio Carbonnari”, Donana, tinha ficado muitas folhas para trás; “Onorato Luigi Callegari”.
Colocou o pacote ao lado dos demais.
Sua busca havia terminado. O nome Umberto, de fato não se repetira nenhuma vez, e, aquele, era o único Onorato inscrito no livro. Na “Lista”.
Sentia o corpo cansado. Era tarde. Precisava desocupar a cama e dormir. Começou a recolher os pacotes de volta na sacola.
— Onorato, Umberto, Rinaldo e... Odair.
Sentiu uma pequena vertigem.
Não podia ser coincidência, não em meio a tantos nomes. Folhas e mais folhas.
— “O” “U” “R” “O”
Quase não conseguiu pegar no sono, mas foi vencido pelo cansaço.

¤¤¤

No dia seguinte Genaro acordou por volta das nove horas, um horário bem mais tarde do que o habitual. Atribuiu seu atual estado emocional à apreensão com os preparativos da festa e aos acontecimentos do dia anterior.
Devido à noite mal dormida, o corpo cansado ainda não tinha recobrado por completo as forças.
Os pensamentos giraram constantemente em torno da palavra “ouro”. Esta formada com a posição dos nomes das pessoas envolvidas e do sonho persistente e com nítida referência ao conteúdo dos pacotes.
Estaria em suas mãos um caso de “Ouro Dado”. A lenda que diz que: aquele que esconde um tesouro, não consegue ter paz no além; até que alguém o encontre. Balançou a cabeça para os lados.
Abriu o primeiro pacote.
Um cartão de natal escrito com letra infantil e assinado por um Odair ainda criança. Estimou não mais que seis anos de idade. Desenhos mal traçados nos quatro cantos indicavam isso.
Bisa, quando eu for grande vou procurar o baú de ouro e comprar um monte de presentes pra senhora. Um montão de beijos do Odair.
Genaro leu e releu por várias vezes o texto do cartão. Estranhou a palavra “baú”.
— Fosse pote de ouro... mas baú. Estranho, a lenda do arco-íris é contada por todos como pote.
Abriu o segundo pacote, o do Rinaldo.
O embrulho continha um pequeno revolver de brinquedo, confeccionado em plástico mole na cor azul, e já um pouco amassado nas bordas. Junto com ele um bilhete com a letra de Donana.
Querido neto, agora que você é adulto a vovó está devolvendo esta arma. Tomei de você para que nunca mais brincasse de Capo e Morra. Fiz certo, você se tornou um homem de bem.
Colocou de lado e pegou o próximo.
— Umberto — Genaro leu e desembrulhou.
O conteúdo era uma caixinha de papelão, retangular, 10 x 20, com mais ou menos 5 cm de altura.
Ao retirar a tampa, o olhar do homem não podia expressar maior espanto. Um maço de notas de dez e vinte dólares estava agora em suas mãos. Dinheiro de circulação, desgastado em diferentes proporções, mas todas as notas em perfeito estado.
— O que é isso?
Uma rápida contagem apresentou a quantia de exatos mil dólares.
Havia um bilhete junto com a dinheirama. Sem assinatura, mas a letra era inconfundível.
Maledetto! Torno il suo denaro.
Os olhos de Genaro foram direcionados para o quarto e último presente. Fino igual carta e, igual ao primeiro, não poderia conter mais que um cartão. Com cuidado desgrudou os adesivos que prendiam as dobras. Era um envelope antigo com a inscrição “Aprire solo dopo la mia morte” e, em separado, um papel cuidadosamente dobrado.
— Abrir depois da minha morte.
O envelope estava originalmente colado e com a assinatura bastante legível de Onorato Luigi Callegari selando a aba.
Genaro desdobrou a folha que estava junto com o envelope. Era um escrito explicando a procedência da carta.
Caro Onorato. Encontrei este envelope nas coisas que pertenciam ao meu velho pai. Acredito que depois da repentina morte dele, minha mãe o tenha deixado esquecido em algum canto. Quando ela também faleceu, suas coisas vieram para minhas mãos, mas também não tive ânimo para olhá-las. No começo desse ano, revirando o passado, descobri esse envelope e queria lhe entregar, mas não tive como localizá-lo; as pessoas não tinham seu endereço, ou mesmo, sinto dizer, não sabiam sequer quem você era. E eu também não! Por essa razão resolvi trazer na festa para lhe ser entregue. Achei que você ficaria surpreso com esse presente.
Estava assinado por Donana, utilizando seu nome completo: Ana Ambrósio Carbonnari.
Genaro ficou durante alguns longos minutos olhando para o envelope em suas mãos.
Donana, apesar da idade, era uma pessoa bastante lúcida, mas estava indeciso em perturbar a velha senhora com perguntas que podiam tirar sua tranquilidade.
Por fim decidiu-se por abrir o envelope.
Posicionou o envelope contra a luz, escolheu o canto mais afastado do papel existente no seu interior e rasgou. Retirou um papel amarelado e dobrado em três partes, a típica dobra de ofícios.
Genaro era fluente nos dois idiomas, mas há tempos já pensava melhor em português. Por essa razão sua leitura foi de tradução simultânea. Leu em voz pausada:
— Irmãos, minhas habilidades como ferreiro e carpinteiro me permitiram construir meu próprio caixão. Muitos acharam macabra essa minha decisão e me consideraram louco. Vocês sabem que não. Guardo no coração todos vocês. Beijos fraternos.
— Estranho, mas nada faz sentido.
Depois de muito pensar resolveu falar com Donana. Primeiro faria algumas perguntas a Carolina.
Deu sorte, Carolina estava em casa. Às vezes ela precisava sair e uma vizinha fazia companhia a Donana.
— Bom dia!
— Genaro. Já sei, veio ver Donana, mas sinto te dizer, ela não se lembra dos “presentes” — Carolina fez no ar dois sinais com dois dedos abertos: antes e depois da palavra presentes.
— Eu não esperava outra coisa. Mas, diga-me, já tinha ouvido o nome Onorato? Onorato Luigi Callegari.
— Não! Afora o Odair e o Rinaldo, que eu conheci, e que Deus os tenha, uma vez Donana falou sobre esse tal de Umberto. Falou com raiva, tipo que morra e que estava levando o sobrinho para o crime. Coisa assim!
— Crime? Não teria sido “Camorra”?
— Pode ser. Mas o que é isso?
— Uma organização criminosa que nasceu em Nápoles, mas hoje está espalhada pelo mundo inteiro.
— Agora que você falou, lembro-me dela ter chamado o Umberto de “mafiusu”. “Laranja-alguma-coisa”.
Marcio, podre; arancio marcio.
— Sim! Mas ela usou o artigo.
— Então queria dizer “O laranja podre!”. Só pode!
— Você já disse que não sabe nada sobre Onorato e nem podia, nem Donana sabe.
— E como você sabe, que ela não sabe?
— Ela escreveu uma cartinha. Toma. Leia! — Genaro entregou a carta endereçada a Onorato.
Carolina leu e em seguida comentou, e perguntou:
— Então ela não está tão louca assim, só queria devolver o envelope. Falando em envelope, o que ele continha?
— Só uma mensagem sobre o próprio enterro. Olhe! — entregou o pequeno testamento de Onorato.
— Meu italiano é fraco.
— Nada demais, diz que fez o próprio caixão, que os demais achavam que era louco e, ao final, se despede dos irmãos.
— Família louca! — Disse Carolina.
— Acho que sim! Vamos entrar, quero ver Donana.
Genaro não fez qualquer comentário sobre a importância em dólares. Precisava saber mais das coisas. E nem Carolina ou Donana podiam ajudar.

¤¤¤

— Guarnieri, eu preciso te entregar o livro.
— Pois venha agora, assim conversamos um pouco. O pessoal resolveu ficar por hoje, ir à igreja, ao cemitério; essas coisas. Eu preferi ficar no hotel mesmo. Sabe onde estou hospedado?
— Lógico! De fato é o único bom hotel da cidade.
— Então venha, podemos almoçar juntos.
Minutos depois do telefonema, Genaro estava sentado na suíte do Hotel Esplendor.
Guarnieri pegou duas latas de cerveja e falou em seguida:
— Estranho Donana ter levado presente para o Umberto, não por ele ter morrido há muitos anos; mas porque ela não gostava dele.
— Sabe por quê?
Black sheep!
Black sheep?
— Ovelha negra em português. Acho que na Itália ainda usamos o termo em inglês. Isso quando queremos nos referir àqueles fora do padrão dos demais. No nosso caso, da família, era empregado aos descendentes do Napolitano, o que se juntou ao grupo quando nossos patriarcas vieram para o Brasil. Você sabe que a maioria era da área rural.
— Pensei que todos fossem!
— Não o “Black Sheep”! Ao que parece, se juntou ao grupo para fugir dos Carabinieris.
— Onorato? Camorra?
— Sim! E sim! Estranhei Donana levar algum presente pra ele. Até onde eu sei, ela nunca o conheceu.
— E não conheceu! Encontrou uma carta, uma carta testamento deixada por ele.
— Testamento?
— Não no real termo da palavra. Olhe o envelope.
— A carta está dentro?
— Sim!
— Posso ler?
— Fica a vontade.
— Não parece fazer sentido — comentou Guarnieri assim que leu.
— Pra mim também não. Sabe de algum motivo para Donana recusar dinheiro do Umberto — disse Genaro entregando a caixa com dinheiro e o bilhete.
— A mesma coisa. Black sheep! — o outro respondeu antes mesmo de ler e verificar o conteúdo da caixa.
— Devem ter uns mil dólares aqui.
— Exato! Sabe alguma coisa que eu não sei?
— Boatos. Meu avô, seu tio-avô, Dionísio, não se importava com essas fofocas, como ele mesmo dizia; mas vivia repetindo. Ele tinha um relacionamento bem estreito com esse lado da família. Falava que Umberto foi o elo com a Camorra, quando ela se instalou no país. Isso muito antes do envolvimento com o PCC.
— A Camorra tem ligação com o PCC.
— Dizem que orientou sua formação e que até hoje essa instituição criminosa obedece aos mesmos princípios, normas e técnicas empregados com sucesso pela Camorra.
— E Donana sabia disso!
— Também fofocas, mas dizem que ela teve um romance com um Callegari, mas eu nunca soube qual; duvido que alguém saiba. Quando ela casou-se com um membro tradicional da família tudo foi esquecido. Nunca mais se falou disso. É tudo o que sei. E você, encontrou mais alguma coisa interessante?
— Não! Nada que fizesse sentido. E você? — disse Genaro.
— Confesso que estou curioso com o que Onorato escreveu, isto de “Olhem no coração, tudo está lá”; tudo o quê? Quel cuore è questo?
— Achei que queria dizer “Guardo no meu coração todos vocês”.
— Seu italiano está ruim mesmo. Nesse caso ele teria escrito “Mi nascosi nel mio cuore tutti voi” e não “Guardate nel cuore tutto è li”.
— O caixão deve ter um coração. Gravado, colado, sei lá.
— Então, nunca vamos saber. Viajo amanhã e não estou disposto a desenterrar defuntos. E estou falando de defunto mesmo e não de passado, embora eu ache que até este deve ficar enterrado.
— Bom, eu tenho que ir. Está tudo entregue.
— Como assim! — quis saber Guarnieri.
— Dinheiro... tudo! Você agora é o novo Organizador, cabe a você decidir pela família.
— E o que faço com esse dinheiro?
— Sei lá, use no enterro de Donana.
— Não! Isso não! Seria muita sacanagem, ela não quis esse dinheiro em vida, e não vai querer depois de morta. Leve com você, aliás, leve as cartas também. Queime ou esqueça!
— E o dinheiro?
— Onorato está enterrado no Cemitério da Consolação em São Paulo. Use para reformar o túmulo da família Callegari. Deve estar abandonado.

¤¤¤

Genaro passou dias sem poder esquecer o assunto. Não era tão fácil como pensou a princípio. Decidiu viajar a São Paulo.
Antes mesmo de se registrar em algum hotel, resolveu passar no Cemitério da Consolação. Na rodoviária pegou um táxi e desceu no cemitério puxando uma mala com rodinhas.
Na administração localizou facilmente a posição do túmulo. Após dizer que o motivo da visita era reformá-lo, logo foi apresentado a um pedreiro que o acompanhou ao local.
O túmulo estava mesmo abandonado há tempos. A placa de identificação estava quase caindo, mas ainda era possível ler todos os dados. Aquele era o túmulo de Onorato Luigi Callegari.
— Este túmulo está caindo aos pedaços, patrão, vou ter que reconstruir desde a base.
Combinar o trabalho foi rápido e o serviço teria início de imediato.  Também não precisou obter nenhuma autorização especial para a reforma.
O pedreiro, ajudado por um servente, começou imediatamente o serviço. Em menos de uma hora a tampa e as laterais foram retiradas deixando à mostra um caixão intacto.
— Patrão, madeira de primeira qualidade; nenhum podre — voltou a falar o pedreiro.
— Será que vocês podiam me dar licença para as orações em prol do falecido — disse Genaro.
— Lógico! Vamos aproveitar para um lanche e uma cervejinha.
Genaro entregou uma nota de cem ao rapaz e os dois logo se afastaram.
O coração tinha sido entalhado em uma placa de madeira também em formato de coração. O entalhe, era em baixo relevo, tinha uma profundidade de no máximo cinco milímetros, mas a placa era bem mais grossa, quase cinco centímetros de altura, e de bordas rebaixadas.
Genaro notou que os pregos de ferro estavam enferrujados e com o uso de uma enxada não foi difícil descolar a placa de madeira. Quando retirada, deixou à vista um coração pintado em cinza escuro. Um risco provocado pela enxada em um canto mostrou o brilho dourado e denunciou o material em que havia sido fundido. Guardou na mala o objeto metálico e recolocou o entalhe de madeira.
Quando os trabalhadores voltaram, Genaro entregou os dois mil e quinhentos reais do serviço combinado e completou:
— Vocês podem abrir o caixão e se tiver algo de valor fique para vocês. Para ele não tem mais utilidade alguma.
— Perda de tempo, seu Genaro, está vendo estas marcas — mostrou várias marcas de alavanca em volta da tampa —, esse caixão já foi aberto; posso afirmar com certeza que não tem nada de valor aí dentro.
— Então só lhes resta terminar o trabalho, eu venho na semana que vem para ver o resultado.
— Vai estar perfeito! Se quiser algumas decorações? Detalhes em bronze, granito; fazemos tudo.
— Eu sei! Combinamos quando eu voltar.

¤¤¤

Empolgado com a sua descoberta, Genaro dedicou o ano todo à pesquisa. Descobriu que os imigrantes, antes de embarcarem na Itália, venderam todos os bens e empregaram o valor na compra de objetos de ouro. Formaram assim um fundo de reserva, que foi colocado em um baú e deixado sob a guarda do primeiro organizador “L´organizzatore”, Onorato. O ferreiro fundiu o ouro em forma de coração e o escondeu no próprio caixão; fosse de outra forma, o ouro teria sido levado pelos saqueadores de túmulos.
Genaro, vendeu o ouro e depositou o valor obtido em sua conta bancária.
Na semana anterior à FNF, ficou um dia inteiro no banco com uma cópia da “Lista de Presentes”.
Quase trezentos cheques administrativos, no valor de dez mil reais cada, foram emitidos pela agência bancária.
— Este será um Natal gordo para a família. É uma pena que Donana não estará presente.
Era mesmo um fato de "Ouro Dado".


Última edição por Vinícius Tadeu em Seg Jan 12, 2015 6:21 pm, editado 17 vez(es)
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Ter Dez 23, 2014 6:11 am

Rapaz, mas que texto escabroso.

Vamos ao fatos. Tua escrita segue uma narrativa bem dinâmica, notei que sempre usa de linguagens regionais nos diálogos de seus textos, isso é um atrativo a parte. Continue assim. O tema, penso que aborda "os fantasma do natal", correto? Mas e quanto ao subgênero? Não sei se foi de total incompreensão de minha leitura, mas não identifiquei aventura aqui neste texto, eu o consideraria mais um suspense. Se estou errado me corrija. Mas o texto em si está ótimo, parabéns.


Talvez eu tenha identificado um errinho, se caso não for, será um aprendizado para mim. Vale todo o mico quando se aprende.

"— Eu! — Gritou uma menina linda, de uns doze anos de idade, enquanto se levantava e começava a caminhar no rumo do Organizador.
—  É minha irmã — disse um garotinho, enquanto pegava o pacote das mãos do Organizador e corria no rumo da mocinha."

Eu posso estar enganado, mas o certo não seria ...rumo ao Organizador... rumo à mocinha...?

Feliz Natal e um próspero ano novo!

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Ter Dez 23, 2014 9:21 am

Amigo Ademar,
Eu sou um "não revisor" assumido. Gosto de escrever direto e com corretor desabilitado. Você está correto ao apontar as duas situações. A palavra "rumo", em especial, sempre me pega peças; acho que porque pilotos sempre voam "no rumo tal" "na proa tal". Acho ainda mais grave a repetição desnecessária dos dois rumos (organizador e mocinha); vou substituir um ou outro. Quanto à "aventura", de fato ela é muito pobre na "ação", o texto do Rogério, nesse quesito, é nota 10, mas não chega a descaracterizar: personagem velho, retirado da rotina, enfrenta uma "aventura" e volta à sua vida anterior. Na verdade, tive que "acelerar" o término do conto, devido à limitação no número de palavras (5.000).
Abraços fraternos.
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Sex Dez 26, 2014 4:46 pm

Esse mês vocês meninos estão de Parabéns...


Que texto MARAVILHOSO.
Essa maneira como descreve toda a questão familiar traga o leitor pra dentro da história e demonstra conhecimento no que escreve - presumo alguma ascendência italiana por sua parte.

E embora o aspecto investigativo se sobressaia no texto, essa sutileza empregada na aventura é ainda perceptível e interessante, pois demonstra que um texto de aventura não precisa ser empregado na ação em si. É um outro ponto de vista sobre o gênero que se eu tivesse captado antes, talvez estivesse aqui com vocês participando.

E meus parabéns pelo cuidado de manter o leitor situado nos diálogos que tornou o uso do idioma italiano enriquecedor sem comprometer a compreensão do texto.

Excelente conto...


E até Janeiro Wink
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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Qua Dez 31, 2014 9:14 am

Ótimo texto Vinicius!
O enredo ficou muito bom. Você soube articular devidamente o quebra cabeça que construiu. Eu vejo em si uma linguagem aventuresca ainda que recheada de suspense e com uma pitada policial. Observei devidamente a sua troca de cenários e fiquei encantado com o modo como você muda de um lugar para outro de uma forma sutil que nos faz ler continuamente o texto. O uso dos diálogos em italianos foram precisos e não deixaram a narrativa cansativa ou desgastada. Gostei mais do contexto inicial que do final ( a narrativa em si, não o desfecho da história ). Você iniciou o texto muito bem!
Parabéns!
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Ter Jan 06, 2015 7:32 pm

Ademar e Talys,
obrigado pela leitura e comentários.
Tammy,
sempre gentil e atenciosa, obrigado.
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zizgz



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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Sab Jan 10, 2015 5:46 am

O seu texto fez-me lembrar uma ideia que li num livro: a de que os nossos antepassados vivem em nós "suas almas correm no nosso sangue". Não os conhecemos, mas somos filhos de milhares de gerações que nos antecederam; de alguma forma eles estão aqui connosco. Parabéns!
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murillomagaroti23

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MensagemAssunto: Re: VISITAS DO NATAL   Qui Jan 15, 2015 5:41 pm

Não (desculpe por começar com essa palavra) gosto de muitos diálogos, mas isso é muito subjetivo. Gostei do seu texto, do enredo em si e do tema - já que meu sobrenome é Magaroti (apesar de eu não saber mais que cinco palavras em italiano rs) -, mas quanto à forma tenho alguns pés atrás.

Talvez seja interessante rever se tudo que está no texto precisa estar. Fico confuso com tantos nomes em um curto espaço, por exemplo. Novamente, algo bastante subjetivo. Espero que continue produzindo textos para o grupo (não lembro de outro seu). Espero que todos continuemos! Até o próximo. ;D

Quase esqueci: acho que o gênero ficou mais para um mistério do que para uma aventura. Como vale misturar (vale Ademar?), chamaremos de aventura de mistério.
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