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 Herança do Éden

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Herança do Éden   Qui Jul 17, 2014 3:35 pm

Durante o início, o final ou reinício dos tempos, existiu um suntuoso vale. Encontrava-se ao leste. Era rico e belo. Um tapete verde e brilhante se estendia por toda a sua planície, enormes árvores frondosas produziam frutos tão belos quanto suculentos, suas águas brotavam em nascentes límpidas e translúcidas, corredeiras caminhavam em seus trajetos incansáveis tornando a região um verdadeiro paraíso. Ali, naquele suntuoso vale ou mesmo paraíso, viveu personagens, cujo suas vidas tiveram grande importância num futuro, futuro este que o chamam de Herança do Éden.

Certa vez em um dia atípico no mais alto monte verdejante do paraíso, atrás do rochedo azul, das gigantescas árvores frondosas, raiou uma luz neon de cores azul anil ao vermelho magenta em forma de esfera, quase do tamanho de um paquiderme savano. As luzes giravam num cadenciar esférico no sentido anti-horário, a poeira da terra tomava o mesmo rumo da espiral iluminada se unindo em flocos de terra. Um zunir surdo, como um galho seco e extenso sendo girado ecoava da esfera iluminada. Aqueles mais próximos até poderia sentir as ondas quebrando as moléculas de hidrogênio no ar.

Alguns pequenos animais um tanto curiosos, espreitavam a estranha visita iluminada de cores cromatizadas, estacionada ali no pico da colina verdejante.

- Hei seu lerdo, vá buscar o líder, ele deve saber do que se trata essa estranha aparição. - disse uma figura pequena e felpuda de olhos vermelhos e bigode branco.
- É pra já Saltitante meu amigo! Eu que não quero saber o que é isto aí! - respondeu em disparada o pequeno canídeo da pele marrom avermelhada de orelhas compridas.

Uma revoada de pássaros coloridos seguia rumo à colina, como se fossem conduzidas até lá, como nas buscas de um verão mais quente. Aos poucos se empoleiravam nas frondosas árvores do rochedo logo abaixo. Algumas espécies de pequenos símios escalavam agilmente as enormes e imponentes árvores, disputando os melhores lugares para admirar a tal aparição. Um bando de animais se aglomerava no grande vale verdejante, assistiam hipnotizados, a luz reluzente em seus olhos, cada espécie com seu par se ajeitava como podiam e admiravam o ápice da colina atentamente. Eis que o Brado e sua bela companheira, a Temível, desfilavam seus corpos robustos por entre a multidão de espécies. Todos o reverenciavam, abaixando suas cabeças em sinal solene ao líder do enorme vale. Brado, o Forte, se adiantou a sua companheira, encarou seus súditos nos olhos e se virou para a esfera iluminada. Um rugido alto e retumbante ecoou por todo o vale, os pequenos animais se esconderam atrás daqueles maiores que ali estavam.

A luz se amainou e uma silhueta esguia surgia ali juntamente com uma breve névoa, como se formasse holograficamente, seguia em direção ao bando de animais. Brado o Forte um tanto desconfiado estreitou os olhos procurando entender que criatura era aquela de caminhar tão peculiar. Já viu alguns pequenos primatas se mover daquela maneira, mas não com tanta agilidade e elegância.
Uma criatura diferente de fato, não ostentava uma cauda, mas não era dos lagos, não havia presas, mas não era de todo banguela, tinha um corpo diferente, rijo e suntuoso, num tom caucasiano bronzeado, tinha longos pelos escuros na cabeça, alguns esparsos no rosto e peito, e uma muda se concentrava abaixo da barriga próxima ao pêndulo da vida.

Brado se aproximou da criatura de caminhar lento, tentava entendê-la admirando-a.

- Pare! - rugiu Brado, o Forte. - não se aproxime nem mais um passo, ó criatura forasteira! - disse em uma voz grave que ecoava aos sete ventos.
A criatura que caminhava objetivamente descendo a colina, encarava o Líder Brado de forma respeitosa e abriu um breve sorriso.
- Hei meu nobre amigo, sou de paz, sou aquele que lhe incumbirá da sensatez!  - disse a estranha criatura de voz firme, mas melodiosa elevando sua palma da mão à frente.

- Seria esta uma criatura vinda do além-vale? - confabulavam os animais num murmúrio rápido.

- Quem és tu ó petulante criatura, como ousas invadir o grande vale e se dirigir assim ao Brado, o Forte - respondeu ruidosamente Brado se dirigindo a ele mesmo na terceira pessoa.
- Nobre amigo, eu não lhe farei mal algum, como disse, tão menos tive a intenção de invadir o teu grandioso vale. Estou apenas seguindo as ordens do criador.
- Criador? Brado não entende suas colocações, me fale sobre esse seu Criador? - indagou num tom grave e ameaçador.
- Sim nobre amigo, falarei com tanto prazer quanto alegria. O criador é uma fonte inesgotável de energia que nos alimenta, é um ser, onipresente, onisciente e onipotente, que exerce em todos nós uma força vital, força essa presente e tudo que é matéria, como esta colina, este vale, este universo!
- Universo? Brado não saber que tais matérias são essas. Aqui em nosso grande vale os verdes nos alimentam de bom grado, as corredeiras nos saciam a sede e a luz em chamas do céu nos lava a alma. Não precisamos deste seu tal criador.
- Nobre amigo felino, creio que não sabe de sua origem, de como foi originado?
- Brado confuso, criatura com palavras mansas não vai ludibriar Brado, o Forte. - rugia a enorme fera.
- Nobre amigo, tu não tens escolhas, viverei com vocês até o findar dos tempos.
- Que ousadia! - gritou um sábio réptil centenário cujo sua força se concentrava em seu casco e sua vivência.
- Eis ai um anfíbio, muito simpático!
- Lhe direi quem é o anfíbio aqui seu símio desprovido de pelos.

Algumas gargalhadas se fizeram no vale.

- Vejo que estão curiosos. Não posso lhes tratar com nomes próprios, já que não os têm, percebo que se refere um ao outro de tal forma que resuma sua personalidade. - disse a criatura nua original da luz. Passarei minha vida atrelada a de vocês, os renomearei um a um conforme minha sabedoria e não suas personalidades.

Brado saltou sobre a criatura bípede, com sua enorme pata sobre o peito arfante do forasteiro, ele o encarou. Brado um felino quase pré-histórico comparando ao seu enorme tamanho. Com sua enorme pata ele cobria o tórax do visitante inesperado.

- Você é engraçado. Acha-se superior a um de nós? Só porque surgiu da luz e vem deslizado sobre á colina com esse gingado atípico. Brado lhe ensinará o que é ser superior. - disse a enorme fera escancarando sua bocarra, cheio de enormes presas afiadas.
- Sss espere, sss, espere ó amado Brado. - disse à criatura que seguia de forma oscilante com patas atarracadas e uma longa cauda cinzenta.
- Porque interrompes Brado, ó Desprezível?
- Sss, preciiisamos conhecer tal aparição, sss, de fato o que ele é? Não o julgue ainda ó Brado meu mestre, sss. - sibilava a criatura gelada enquanto deslizava se aproximando do líder.
- Desprezível! Você acha que está criatura diz a verdade ao nos referir como seres inferiores, a ponto de nos renomear conforme sua sabedoria?
- Bom, senhor. Ele tem um jeito imponente de caminhar, sss, talvez isso seja, um siiinal de que algo maior ainda exiiista por trás da colina.
- Hum! Você tem razão Desprezível. Cascudo meu velho, o que achas deste julgamento?
- Meu líder, eu sou o mais velho, o primeiro, o ancião. Cabe a eu julgar pela experiência, mas cabe a ti meu líder julgar pela nobreza.

Brado, o Forte recuou alguns passos, retirando sua enorme pata, a criatura bípede se levantou olhando nos olhos do grande líder do vale, tomava ar em demasia buscando palavras.

- Diga-me, nobre guerreiro, qual é o teu veredicto? - disse de forma doce o estranho.
- Brado é bom, Brado o deixa em paz, Brado está curioso.

A criatura oriunda da luz olhava dentro dos olhos do gigantesco felino, de farta juba e olhos cor de mel.

- Eis meus amigos, aqui lhes falo, meu nome é Adam! Sou um ser humano, lhes farei companhia deste dia até o último de vossas vidas.
- Tu és muito valente Adam, isso requer nobreza, Brado confessa que tal recurso lhe sobra.

As criaturas num alvoroço subjugaram o tal humano Adam e lhes impuseram certa apatia.

- Querido e misericordioso Brado, não vês que tal criatura fala a verdade. - interrompeu a bela Temível seguindo atrás de seu líder.
- Querida companheira, Brado sente a honestidade fluindo das palavras do tal humano, mas Brado deve antes se certificar de tais verdades. - sussurra o líder do grande vale.

- Lhe deixarei em paz Adam, mas Brado ficará de olho em você. Este vale é grande o suficiente para caber centenas de você aqui. Apenas não atrapalhe o andamento da colônia.
- Sim meu nobre amigo, apenas me conceda tal confiança.

Brado o encarou uma última vez, lhe concedeu um aceno de cabeça e seguiu seu caminho rumo ao vale das pedras. Ainda no vale verdejante, alguns animais se debandavam seguindo seu líder

- Sss, Adam meu amigo, seja bem vindo!
- Obrigada doce criatura, de aspecto tão excêntrica!
- Não me julgues pela aparência, sss, sou feito dos restos, e tal forma me deixa em um patamar inferior ao de todos aqui do vale.
- Não digas palavras infrutíferas, cada espécie tem o seu propósito aqui no grande vale.
- Você fala bem, sss, do que tu és feito?
- Bom, sou feito de matéria assim como vocês, as árvores, o vale.
- Matéria, matéria? Eu não seiii o que é essa tal matéria, sss.
- Me diga você agora, porque lhe foi dado um nome de tão mau agouro?
- Humm. Sss, minha vida aqui no vale não é faciiil. Como vê, sou o único solitário. Vim a este vale só. Siii, não me foi concedido tal semelhante para caminhar comigo. Sss.
- Desprezível, meu caro, não fique assim. Aos olhos que tudo vê, somos todos semelhantes. Não importa a origem, carcaça ou pelagem.
- Brado é o líder do grande vale, Adam não deve submeter Desprezível a suas respostas. Deve direcioná-las ao líder.
- Desculpe meu nobre amigo, as farei daqui pra frente.

A apresentação se encerrou, a luz no alto da colina verdejante se dissipou, os animais aos poucos dispersavam. Adam, deslocado, sentou-se em uma pedra redonda olhando aquela imensidão de espécies se distanciando.

- Adam! - falou a bela Temível de forma doce.
- Olá! Temível, certo?
- Sim! Mas não precisa me dirigir assim se não o quiser.
- É um nome um tanto descabido para tal criatura.
- Eu sei, não escolhemos nomes aqui, eles nos foram dados quando ainda éramos pequenos errantes.
- Entendo.
- Vim lhe dar as boas-vindas já que Brado, meu companheiro, não o fez e peço desculpa pela recepção acalorada.
- Imagine nobre e bela Temível. Sou diferente de todos, já esperava tal recepção.
- Sinta se em casa Adam. Faça deste grande vale sua morada. Encontre uma caverna que lhe receba bem e se torne mais um morador do paraíso. - se despediu a Temível seguindo com um andar imponente e esbelto.

Desprezível, enrolado em um caule seco próximo dali, buscava limos e cogumelos para saciar sua fome, ouvira o diálogo de Temível e o tal humano Adam e refletiu sobre tais palavras.

A vida se seguia alvorecer ao alvorecer. As criaturas do grande vale já não tinha Adam como um forasteiro. Cada espécie seguia suas vidas em suas atividades rotineiras em prol do coletivo. Brado o Forte designou que Adam colhessem os pequenos frutos arroxeados dos arbustos. Suas mãos hábeis eram incisivas nas colheitas, sem danificar a pequena árvore.
Usando tiras de cipó entrelaçadas, o homem confeccionava cestos para colheita, tal artesanato de tão belo e preciso virou objeto de decoração da caverna de Brado.
Os animais do vale aos poucos se assemelhavam com o forasteiro. O tomavam com certa afeição, lhes referiam como Adam o Belo, a julgar sua beleza desnuda de pelos.
Durante sua labuta o homem admirava a infinidade de espécies desfilando pelo vale, sempre em pares. Foi difícil aprender tais nomes, com frequência os esquecia. Decidirá então cumprir uma de suas missões. Nomear os animais do grande vale.

- Hei saltitante! Como vai você amigo?
- Muito bem obrigado. - respondeu o pequeno animal com cestos cheio de frutas.
- Preciso lhe falar. Preciso de uma audiência com Brado. Você consegue torna-la real??
- Sim, claro Adam. Eu enviarei seu recado.

Todos os animais se deslocaram para o vale das pedras, onde Brado e sua bela Temível faziam morada. Em uma rocha mais ao alto surgia a enorme fera, sua grande e reluzente juba, bailava ao balanço dos ventos. Temível sempre ao seu lado lhe dava a confiança que precisava para ser o líder daquele vale.

- Adam! Você queria uma audiência, pois aqui está. Vamos, suba até aqui e fale ao Brado o que desejas.
- Sim nobre amigo. O farei. Mas antes peço atenção de todos, pois o que tenho a lhes revelar será um marco, um início.

O homem escalou a enorme rocha sem dificuldade. Um conglomerado de fissuras nas rochas lhe facilitou o trabalho.

- Nobre amigo! Eu Adam, um homem trazido a este vale para um propósito iniciarei tal tarefa hoje.
- Continue, por favor!
- Minha tarefa é seguir com vocês para a eternidade, através de nossas sementes. Com isso vou lhes batizar como minha sabedoria instruir-me. - disse o homem à plateia atenta.

Brado fora censurado por Temível ao se adiantar. Ele olhou para ela que lhe concedeu um aceno breve de cabeça.

- Amigos do grande vale, este humano Adam tem um propósito, ele o fará aqui no vale das pedras. Todos vocês o escutem, reflitam e saibam que, o que aqui acontecer, será para todo sempre. - disse de forma clara e serena.

Assim se fez. Na cabeça de Adam os nomes surgiam e ele os declamava para a multidão que o assistia por dias, até o último animal ser batizado.

Enfim o sétimo dia. O homem relaxava seu corpo na beira de um riacho límpido como ar. Uma pequena queda de água quebrava ali perto, trazendo uma deliciosa sensação. Adam adormeceu. Serpentis o Desprezível como era conhecido agora o acompanhava em segredo, se embrenhando nas moitas e árvores. De longe ele fitava aquela criatura desprovida de pelos e couro. Apenas uma pele fina e brilhante. Diferente de qualquer outra criatura. Serpentis não entedia o porque da vinda desta criatura. Seus olhos o enxergavam de forma embaçada, mas suas narinas e suas terminações sensitivas na língua definia bem como era o tal sujeito.

Uma onda desloca o ar que era percebido, interrompendo seus devaneios. Atrás da pequena queda translúcida de água se via algo.
O caminho normal da corredeira se modificara e por trás do filete de água uma luz brilhava.
- Sss, mas o que é isso? Adam, Adam! - sibilava Serpentis, que corria desengonçadamente.
- Criatura, o que faz aqui em meu dia de descanso? - indagou o homem assustado.
- Sss, veja você mesmo, sss, olhe atrás da queda!
- Mas o que é isso?

Uma luz azul anil e vermelha magenta se fundia num tom desconhecido até a chegada do primeiro homem. O brilho e intensidade da luz ofuscavam os olhares atentos. O mesmo zunir emanava da luz agora em uma espiral, as águas da queda tomavam o mesmo rumo, se transformando em um moinho centrífugo na horizontal. Quase um portal mágico, mas eis que surge uma silhueta por de trás das águas. Adam e Serpentis aguardavam com receio o novo visitante. Os outros animais hibernavam durante o sétimo dia.
- Serpentis vá, tragam-me Leon e Leona o mais rápido que puder.
- Siiim, o farei.

Ao se distanciar Serpentis da uma última olhada para trás e tem o vislumbre da nova criatura no vale. Outro humano feito Adam, mas com certas diferenças.
Adam virá surgir por de trás da cortina de água uma humana, uma mulher. Sua companheira, como a dos animais.
Serpentis. Invejou Adam, se assemelhava a ele por ser igualmente solitário, mas agora havia uma companheira.

Adam entrou no riacho para receber a bela humana, ela estava molhada, seus cabelos lisos e castanhos grudavam no corpo nu em pelo. Seus olhos eram feitos duas conchas, revelando aos poucos o brilho verde de duas esmeraldas. Sua boca carnuda sugava a água que lhe escorria no rosto. Adam se aproximou, estavam ambos dentro do riacho. Ela sorriu e lhe deu a mão, Adam a conduziu para fora da água.

- Venha, vamos nos secar aqui nesta pedra sob a luz em chamas do céu. A humana apenas consentiu lhe enviando um sorriso tímido.

- Leon meu mestre. Sss, este tal homem Adam originado da luz, sss, esta cativando por demais seus súditos, sss, ele é ardiloso e almeja sua caverna, sss, para se aquecer na pelagem de vossa alteza a Leona a Temível.
- Como ousa! - bradou a enorme fera pisando sobre o rastejante. - Não diga inverdades, não julgue Leon, o Forte, por inocente.
- Mestre, mestre. Perdoe esta besta fera que lhes fala. Ele não sabe o que diiiz. Foi corrompido pela bondade e sensatez de Adam o Belo. Sss.
- Belo! - rugiu ruidosamente Leon. Belo? Adam agora é o Belo.
- Siiim, mestre, é como lhe chamam.
- Sai! - rugiu Leon, jogando Serpentis para o canto sujo da caverna. - Fique ai, este é seu lugar. Sua língua faz jus ao seu antigo nome.

Leon correu pela relva, escalou pedras até o rochedo azul. Seguiu ao leste até o vale do riacho. Lá do alto ele enxergou o que parecia ser impossível. Outro humano.

- Como se chama criatura bela dos olhos preciosos?
- Evy! E você? Como posso lhe chamar nobre homem?
- Adam!

Adam inteirou Evy dos últimos acontecimentos, conversaram sobre os mistérios de suas origens, dos pares de cada espécie animal e a ideia de um criador soberano para responder a tudo de forma inquestionável. Ambos se deram bem ao primeiro instante, adormeceram em seguida sob a luz em chamas do céu que ilumina o grande vale.

No dia seguinte as boas novas foram dadas, todos estavam curiosos para conhecer o novo humano. Eis que Leona iniciou uma audiência para tal.
Sobre o rochedo, Adam ditava palavras como amor, cumplicidade, afeto e companheirismo. A importância de um semelhante. Apresentou Evy como sua companheira e reiterou a todos que não se tratava de um humano, mas sim uma humana e que seu nome era Evy.
Serpentis saiu em lágrimas da audiência, havia procurado por todos os lados sua companheira, mas nunca a encontrou. Decidiu naquele dia ir até o vale escuro, região inóspita ao oeste no além-vale. Poderia ter mais sorte lá. Leon decretou que aquelas terras desoladas são proibidas, que nem um ser vivo possa pisar em suas gramas chamuscadas. Assim todos o obedeciam até aquele momento.

Na vasta imensidão das planícies além dos limites do céu e da terra a região se torna sombria, desolada, fria e inabitável. Serpentis caminhou por dias no vale das sombras, se perdeu do caminho de volta. Carcaças estranhas e fétidas semelhantes aos animais se encontravam ao longo do caminho. Serpentis não conhecia a decomposição de animais, seu asco era evidente. Sua busca por uma companheira lhe causava dores em seus membros atrofiados, já passava de uma semana sua jornada ao vale das sombras. Decidira então voltar, mas perdeu por completo o caminho. Serpentis vagou pelo vale das sombras até o seu fim desolado. Transformando-se em mais uma carcaça pútrida.

"Malditos aqueles que nos impregnam ódio e diferença de raça".

Algum tempo depois a falta de Serpentis se fez no grande vale. Leon e Adam lideraram uma busca por toda a região até os limites.

- Nobre amigo. Temo que tenha ocorrido o pior com ele.
- Não acho, Serpentis é por demais orgulhoso, e sábio. Fora visto a última vez na apresentação de Evy. Leon acredita que ele possa ter ido ao vale das sombras. - disse o líder.
- O que o motivaria a tal aventura?
- Solidão, medo, rejeição. Sua vida por aqui não foi fácil. Sempre fora amargurado, triste por viver só.
- Realmente senti algo assim ao longo dos dias assistindo a felicidade dos casais do vale. Mas o que faremos?
- Não sei. Estou pensando!
- Vamos atrás dele? Vamos revirar o vale das sombras e encontrá-lo. Não podemos deixá-lo a mercê da miséria.

Leon reuniu as criaturas mais nobres e fortes, os convocou para uma expedição além vale, expedição de busca, nunca feito antes.

- Amigos, um dos nossos se perdeu por entre o vale das sombras. Precisamos no unir para buscá-lo. Quem se propõe a tal aventura?

Adam deu um passo à frente. Leon acenou com a cabeça. Ursos e Lince também se anteciparam, dando um passo à frente. Em seguida vieram Rhino e Lupp. Todos dispostos a procurar por Serpentis.

- Não podemos deixar nossas vidas se esvaírem. Precisamos deixar nossas sementes caso algo nos aconteça. - lembrou Adam.

Leon concordou com as sabias palavras e avisou a todos.

- Vocês nobres amigos que não necessitam, mas mesmo assim se propuseram a encarar esta busca, precisam semear a vida. Esta noite será à noite da cópula. Suas companheiras carregarão em seus ventres suas sementes para amanhã nos despedir sem temer nossa extinção.

E assim se fez aquela noite. As criaturas dançavam suas coreografias do amor, outros cantavam, outros mais agressivos possuíam suas companheiras. O som ao crepúsculo se fazia num misto de uivos, urros, zurros, arrulhos, ganidos, gemidos... Adam e Evy embrenhados na caverna, entre abraços e caricias, fizeram o que lhes foi designados a fazer. Adam semeou a esperança no ventre de sua companheira com um regozijar de delírios.

Ao alvorecer as criaturas seguiam ao limite dos vales, decidiram se separar em grupos. Adam montou Leon que corria ferozmente vencendo todos os obstáculos do terreno arenoso. Viajaram o dia todo no vale dos ossos, a noite se aproximava e com ela um frio insuportável. Um pequeno amontoado de pedras apontava no alem horizonte. O enorme felino disparou em velocidade. Adam agarrado à juba se mantinha sobre o lombo do animal. O vento cortante e gelado lhes atingia de forma inesperada. Adam deitou sobre a farta juba de Leon que os conduziam ao amontoado de pedras.
Uma pequena caverna surgira entre as pedras.
- Veja Leon meu amigo! - apontava Adam.

O colossal felino se aproximou, invadindo a caverna. Adam desmontou do felino e seguiu explorando o local, mais a frente encontrou um lago turvo e gelado. Leon abaixou e solveu o líquido saciando sua sede. O céu se pintava de um lilás avermelhado.

- Leon nobre amigo, fazemos hospedaria deste abrigo hoje!
- Sim Adam! Temos um teto, temos água. Isso basta para nos manter até o próximo alvorecer. Só me preocupo com os outros, o que será que foi feito deles?
- Não se preocupe nobre amigo, eles sabem cuidar de si. Olhe! Que estranho objeto? - disse o homem pegando algo dentro da água.

Uma esfera prateada, lisa, pesada do tamanho de uma fruta cítrica.

- Veja nobre amigo, que curioso este objeto?
- Hum. Leon nunca viu algo parecido. Será uma pedra?
- Improvável nobre amigo. É lisa e perfeita nada lembra uma pedra forjada na terra.

Leon apurando sua visão noturna encontrou outra esfera dentro do pequeno lago, uma esfera vazada numa convexidade, num tom negro ônix opaco.
Adam recolheu a outra peça do lago escuro. Durante o manuseio ele as encaixara, a esfera prateada dentro da negra, um click leve se ouvira e a união das peças se iluminou. Um facho de luz colorido se fez. Adam soltou a peça que caiu e direcionou seu facho colorido na parede da rocha galvânica.
Eis que uma mensagem holográfica de Adam surgira na parede daquela caverna no vale das sombras.

"Meu nome é Adam. Venho do passado, do ano de 2677, da província de Menens, República Anglo Americana do Sul. Fui hibernando criogeneticamente, com o intuito de ir para o futuro na data prevista de 3125. Minha companheira Evy, natural de Nairok, República Siberiana da Costa Oeste seguirá seu predestinado para uma futura colonização. Estima-se que as formas de vida vão ser diferentes das atuais, com o avanço da genética a telepatia já usada com alguns seres nesta data será sua ligação com as criaturas vindouras. Este local no qual se encontra é a única região habitável do planeta. Minha missão é a reestruturação e criação de um novo mundo a partir de hoje”.


Última edição por Ademar Ribeiro em Seg Jul 28, 2014 7:26 pm, editado 4 vez(es)
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DARA METZLI



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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Qui Jul 17, 2014 8:47 pm

Wou! Um final incrível!
Parabéns!
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Estela Goldenstein

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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Sex Jul 18, 2014 11:06 am

Bem q vc falou mesmo que a gente (leitor) não ia identificar o tema até chegar ao final, eu adorei, achei super criativo,vc conseguiu fazer um conto original com uma história super batida! Parabéns.

Dica: achei o final muito legal, mas tenho a impressão que a escrita ficou meio resumida, ae não combinou mto com o restante do texto.

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Queirós

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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Sex Jul 18, 2014 12:36 pm

Belíssima narrativa, meus sinceros parabéns. No momento em que a serpente se deu ao vale, um final de igual modo formidável me ocorreu, depois eu lhe digo qual é.



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DARA METZLI



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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Sab Jul 19, 2014 7:29 am

Estela, também achei bem corrido mas foi essa aceleração que me fez pensar em tecnologia e me remeteu a mensagem holográfica! Se foi por acaso ou não eu não sei, mas caiu como uma luva!

Ademar! Quando eu terminei, lembrei da sua pergunta lá no outro grupo, ninguém imaginou o modo que você usaria a informação!

Eu adorei a Temível e o Bravo ^^ (sim eu amo leões)
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 21, 2014 6:43 pm

Gente! Era uma fábula, que virou sci-fi no final! Fantástico! Se não tivesse corrido tanto ficaria impecável! Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Qua Jul 23, 2014 8:37 am

Alô

Cara, tipo assim... Sua criatividade é maravilhosa! Conseguiu subverter expectativas e chocar, tendo como base uma das fábulas mais conhecidas.
mas
Você usa palavras chiques, mas a estrutura sintática acaba sendo meio rudimentar, saca? Coisas que me desmotivam são: repetição de palavras, frases atropeladas, descrições muito abstratas... E vi isso no seu texto Sad
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Indy J

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MensagemAssunto: Observações pontuais quanto ao conto "Herança do Éden"   Qui Jul 24, 2014 6:24 pm

Título chique, né?
Pois:

Ademar Ribeiro escreveu:
Era rico e belo. Um tapete verde e brilhante se estendia por toda a sua planície, enormes árvores frondosas produziam frutos tão belos quanto suculentos, suas águas brotavam em nascentes límpidas e translúcidas, corredeiras caminhavam em seus trajetos incansáveis tornando a região um verdadeiro paraíso. Ali, naquele suntuoso vale ou mesmo paraíso, viveu personagens, cujo suas vidas tiveram grande importância num futuro, futuro este que o chamam de Herança do Éden.
Ó, aqui. Entre "Um tapede verde" e "verdadeiro paraíso" tem uma infinidade de descrições bem detalhadas, mas separadas só por vírgulas e sem nenhuma conexão ou relevância interconectada entre elas, causando uma certa falta de fôlego na leitura e tornando ela menos dinâmica e acessível; talvez "ou mesmo paraíso" ficasse melhor entre travessões ou parênteses; seria "viveram personagens cujas vidas" ao invés de "viveu personagens, cujo suas vidas"; penso que ficaria melhor o segundo futuro estar em maiúscula, na linha de baixo. Tipo:
"(...) num futuro.
Futuro este que chamam de Herança do Éden"
Ademar Ribeiro escreveu:

Certa vez em um dia atípico no mais alto monte verdejante do paraíso, atrás do rochedo azul, das gigantescas árvores frondosas, raiou uma luz neon de cores azul anil ao vermelho magenta em forma de esfera, quase do tamanho de um paquiderme savano. As luzes giravam num cadenciar esférico no sentido anti-horário, a poeira da terra tomava o mesmo rumo da espiral iluminada se unindo em flocos de terra. Um zunir surdo, como um galho seco e extenso sendo girado ecoava da esfera iluminada. Aqueles mais próximos até poderia sentir as ondas quebrando as moléculas de hidrogênio no ar.
Se antes você foi bem descritivo, agora... sei lá. "No mais alto monte verdejante do paraíso" - não sei se é por incompetência imaginativa minha, confesso - falha em me passar alguma imagem concreta, saca? Passou de uma linguagem contrastante pra uma bem abstrata. Aqui também há um ou outro problema de estrutura, com excesso de vírgulas e atropelamento de fatos.

Vê que você passou de "um dia atípico no mais alto monte verdejante do paraíso" pra "(...)luzes giravam num cadenciar esférico no sentido anti-horário"? Agora pulando do abstrato de volta pra uma pegada mais... científica, exata, saca?
E entre "girado" e "ecoava", agora, falta uma vírgula! k's

pois, não tenho disposição (nem vejo necessidade) pra apontar as coisas durante o texto inteirio, até por medo de redundância.
Talvez o seu conto tenha sido o mais criativo e instigante, mas a forma como você o entregou dificultou o transpor da barreira entre ficção e realidade; dissonou a história.
Assim, tenho certeza de que não é um caso nem um pouco perdido - muito pelo contrário, é dos mais promissores!
Concorda?

beijo na alma
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Jul 27, 2014 4:15 pm

Putz kra! já sei quem eh meu escolhido Very Happy (até agora[não lih tods{to atrasado :v}])
Gostei bastante da sua narração kra, e desde o inicio achei q era mesmo o início, :v
só uma coisinha, (posso estar errado, mas....)
"- Desprezível! Você acha que [está] criatura diz..."
nesse caso, acho, q seria "esta", pq com acento seria, tipo, verbo estar (ex: ele está aqui, ele está ocupado) e oq vc quer usar é o sem acento agudo "esta" (pronome demonstrativo) Very Happy mim isso achar... e os outros contos ler eu começar :V Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 7:28 pm

DARA METZLI escreveu:
Wou! Um final incrível!
Parabéns!
Obrigado!
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 8:02 pm

Estela Goldenstein escreveu:
Bem q vc falou mesmo que a gente (leitor) não ia identificar o tema até chegar ao final, eu adorei, achei super criativo,vc conseguiu fazer um conto original com uma história super batida! Parabéns.

Dica: achei o final muito legal, mas tenho a impressão que a escrita ficou meio resumida, ae não combinou mto com o restante do texto.

Obrigado! Pois é, quanto ao final, não achei necessário um diálogo após o holograma. Isso cortaria a sensação de "caraca, eles são do futuro" do leitor!
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 8:03 pm

Queirós escreveu:
Belíssima narrativa, meus sinceros parabéns. No momento em que a serpente se deu ao vale, um final de igual modo formidável me ocorreu, depois eu lhe digo qual é.



Obrigado! "Um final de igual modo formidável me ocorreu." Que final?
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 8:08 pm

DARA METZLI escreveu:
Estela, também achei bem corrido mas foi essa aceleração que me fez pensar em tecnologia e me remeteu a mensagem holográfica! Se foi por acaso ou não eu não sei, mas caiu como uma luva!

Ademar! Quando eu terminei, lembrei da sua pergunta lá no outro grupo, ninguém imaginou o modo que você usaria a informação!

Eu adorei a Temível e o Bravo ^^ (sim eu amo leões)
Leões são demais, são únicos e a Leoa principalmente.
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 8:11 pm

Indy J escreveu:
Título chique, né?
Pois:

Ademar Ribeiro escreveu:
Era rico e belo. Um tapete verde e brilhante se estendia por toda a sua planície, enormes árvores frondosas produziam frutos tão belos quanto suculentos, suas águas brotavam em nascentes límpidas e translúcidas, corredeiras caminhavam em seus trajetos incansáveis tornando a região um verdadeiro paraíso. Ali, naquele suntuoso vale ou mesmo paraíso, viveu personagens, cujo suas vidas tiveram grande importância num futuro, futuro este que o chamam de Herança do Éden.
Ó, aqui. Entre "Um tapede verde" e "verdadeiro paraíso" tem uma infinidade de descrições bem detalhadas, mas separadas só por vírgulas e sem nenhuma conexão ou relevância interconectada entre elas, causando uma certa falta de fôlego na leitura e tornando ela menos dinâmica e acessível; talvez "ou mesmo paraíso" ficasse melhor entre travessões ou parênteses; seria "viveram personagens cujas vidas" ao invés de "viveu personagens, cujo suas vidas"; penso que ficaria melhor o segundo futuro estar em maiúscula, na linha de baixo. Tipo:
"(...) num futuro.
Futuro este que chamam de Herança do Éden"
Ademar Ribeiro escreveu:

Certa vez em um dia atípico no mais alto monte verdejante do paraíso, atrás do rochedo azul, das gigantescas árvores frondosas, raiou uma luz neon de cores azul anil ao vermelho magenta em forma de esfera, quase do tamanho de um paquiderme savano. As luzes giravam num cadenciar esférico no sentido anti-horário, a poeira da terra tomava o mesmo rumo da espiral iluminada se unindo em flocos de terra. Um zunir surdo, como um galho seco e extenso sendo girado ecoava da esfera iluminada. Aqueles mais próximos até poderia sentir as ondas quebrando as moléculas de hidrogênio no ar.
Se antes você foi bem descritivo, agora... sei lá. "No mais alto monte verdejante do paraíso" - não sei se é por incompetência imaginativa minha, confesso - falha em me passar alguma imagem concreta, saca? Passou de uma linguagem contrastante pra uma bem abstrata. Aqui também há um ou outro problema de estrutura, com excesso de vírgulas e atropelamento de fatos.

Vê que você passou de "um dia atípico no mais alto monte verdejante do paraíso" pra "(...)luzes giravam num cadenciar esférico no sentido anti-horário"? Agora pulando do abstrato de volta pra uma pegada mais... científica, exata, saca?
E entre "girado" e "ecoava", agora, falta uma vírgula! k's

pois, não tenho disposição (nem vejo necessidade) pra apontar as coisas durante o texto inteirio, até por medo de redundância.
Talvez o seu conto tenha sido o mais criativo e instigante, mas a forma como você o entregou dificultou o transpor da barreira entre ficção e realidade; dissonou a história.
Assim, tenho certeza de que não é um caso nem um pouco perdido - muito pelo contrário, é dos mais promissores!
Concorda?

beijo na alma
Uau! O que dizer? Farei melhor na próxima! Obrigado!
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Seg Jul 28, 2014 8:14 pm

Je Henrique escreveu:
Putz kra! já sei quem eh meu escolhido Very Happy (até agora[não lih tods{to atrasado }])
Gostei bastante da sua narração kra, e desde o inicio achei q era mesmo o início, :v
só uma coisinha, (posso estar errado, mas....)
"- Desprezível! Você acha que [está] criatura diz..."
nesse caso, acho, q seria "esta", pq com acento seria, tipo, verbo estar (ex: ele está aqui, ele está ocupado) e oq vc quer usar é o sem acento agudo "esta" (pronome demonstrativo) Very Happy mim isso achar... e os outros contos ler eu começar :V Very Happy
Obrigado! Os erros Consertarei e quanto ao gostar da minha narrativa, obrigado de novo! Só esta faltando o seu!
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Qui Jul 31, 2014 7:13 am

Muito interessante o texto. Sugiro apenas uma revisão ortográfica. Abraços!

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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Qui Jul 31, 2014 11:42 pm

Ademar, seu lindo! TA DE PARABÉNS. Sério. Ficou muito bom e eu concordo com alguns pontos citados pelo pessoal, mas no geral, é o teu jeito de escrever. Não acho que tenha muito pra ser mudado, cada um tem seu estilo de escrever! ADOREI esse final.
PS.: Seu texto, pra mim, foi um dos que mais evoluiu do mês passado. Parabéns!  Very Happy 
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Sab Ago 02, 2014 7:30 pm

Antes de mais nada, desculpe-me pela demora excessiva em comentar aqui, mas não pense que isso torna o seu conto menos importante (é muito pelo contrário, aliás).

Ademar, mano, que conto foooooooooda! Na boa, me senti tentado a votar direto no seu não fosse os outros talentos exímios desse fórum. Cara, o jeito como você arquitetou toda uma espécie de fábula no início e com um estalar de dedos transformou em uma senhora Fantasia me deixou pasmo. O final... AH, O FINAL! MANO QUE FINAL FODA FOI ESSE? Se eu fosse avaliar os contos por partes, você ia receber, de 10, 11 nesse final! IAUEHIEHAIUHEAIUHIUEA

A única crítica é aquela mesmo, de que houve algumas passagens que podem ser aprimoradas, mas nada muito gritante que "destransforme" o seu conto, ele é sensacional e ponto. Meus sinceros parabéns!

PS: Apesar de não estar aqui no mês passado, li seu conto no ebook e concordo com a Ana - quem te viu, quem te vê!

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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 11:58 am

Pronto... Está lido!
Eu disse que queria ler com tempo, não disse!? Então... Sinto-me feliz em ter esperado e ter feito você esperar também, porque no fim valeu muito a pena.
Aliás, os spoilers do final Sci-fi engradeceram a obra e me deixaram ansiosa pela reviravolta durante todo o texto. rsrs
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 2:30 pm

Achei o conto muito truncado, não senti brandura na leitura. Também entendo que a narrativa poderia ser mais trabalhada, você descreveu demais o ambiente, os animais, mas o fato em si ficou em segundo plano. Fora isso, a sua narração tem certo apuro, arcano e encanto, e sim, a história é muito ordinária, mas aqui transformou-se em majestosa. Parabéns.
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 10:45 pm

Rogério Silva escreveu:
Muito interessante o texto. Sugiro apenas uma revisão ortográfica. Abraços!
Obrigado! Até a próxima.
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 10:47 pm

Karol Silano escreveu:
Ademar, seu lindo! TA DE PARABÉNS. Sério. Ficou muito bom e eu concordo com alguns pontos citados pelo pessoal, mas no geral, é o teu jeito de escrever. Não acho que tenha muito pra ser mudado, cada um tem seu estilo de escrever! ADOREI esse final.
PS.: Seu texto, pra mim, foi um dos que mais evoluiu do mês passado. Parabéns!  Very Happy 
Valeu Ana. Certamente precisarei melhorar muito, mas só de existir uma evolução ao menos aos seus olhos, já me deixa feliz. Já me vale a pena tudo isto aqui!
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 10:53 pm

Caio Biolcatti escreveu:
Antes de mais nada, desculpe-me pela demora excessiva em comentar aqui, mas não pense que isso torna o seu conto menos importante (é muito pelo contrário, aliás).

Ademar, mano, que conto foooooooooda! Na boa, me senti tentado a votar direto no seu não fosse os outros talentos exímios desse fórum. Cara, o jeito como você arquitetou toda uma espécie de fábula no início e com um estalar de dedos transformou em uma senhora Fantasia me deixou pasmo. O final... AH, O FINAL! MANO QUE FINAL FODA FOI ESSE? Se eu fosse avaliar os contos por partes, você ia receber, de 10, 11 nesse final! IAUEHIEHAIUHEAIUHIUEA

A única crítica é aquela mesmo, de que houve algumas passagens que podem ser aprimoradas, mas nada muito gritante que "destransforme" o seu conto, ele é sensacional e ponto. Meus sinceros parabéns!

PS: Apesar de não estar aqui no mês passado, li seu conto no ebook e concordo com a Ana - quem te viu, quem te vê!
Valeu Caio. Cara sinceramente agradeço seu comentário, insisti para que o fizesse, pois para mim isso tudo é muito importante. Cada visão aqui do meu texto me dá margens para sempre melhorar-lo. Como sempre falo, não temos publico alvo aqui, por isso é quase impossível agradar à todos, mas se ao menos agradar uma minoria, todo o esforço é recompensando.
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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 10:56 pm

Tammy Marinho escreveu:
Pronto... Está lido!
Eu disse que queria ler com tempo, não disse!? Então... Sinto-me feliz em ter esperado e ter feito você esperar também, porque no fim valeu muito a pena.
Aliás, os spoilers do final Sci-fi engradeceram a obra e me deixaram ansiosa pela reviravolta durante todo o texto. rsrs
Obrigado Tammy e desculpe por lhe amolar. Só que não entendi isto: "Aliás, os spoilers do final Sci-fi engradeceram a obra e me deixaram ansiosa pela reviravolta durante todo o texto."

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MensagemAssunto: Re: Herança do Éden   Dom Ago 03, 2014 10:58 pm

Heloá Magalhães escreveu:
Achei o conto muito truncado, não senti brandura na leitura. Também entendo que a narrativa poderia ser mais trabalhada, você descreveu demais o ambiente, os animais, mas o fato em si ficou em segundo plano. Fora isso, a sua narração tem certo apuro, arcano e encanto, e sim, a história é muito ordinária, mas aqui transformou-se em majestosa. Parabéns.
Heloá, o que dizer? Vivendo e aprendendo, evolução é a base de nossa concepção. Obrigado!
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