Odisseia do Escritor

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 O Último Chá das Cinco

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 5:43 am

Uma nota de suicídio nada mais é do que o anúncio do fim de um ciclo. Um último suspiro desesperado que declama o findar de uma vida. É a súplica e a despedida. Milhares de cartas de suicídios são escritas todos os dias. E o número de cartas crescem cada dia mais. Mas quando realmente se nasce uma nota de suicídio? Eu digo. Ela nasce dentro do coração imerso na dor. Ela cresce a cada dia onde respirar torna-se a mais agonizante das torturas. Uma nota de suicídio surge no momento em que o semáforo da vida acende sua luz vermelha. É o momento em que a pessoa percebe que por mais que ela tente, não há por onde a vida seguir. Nesse momento que a vida pára. É quando a alma deixa de viver, e finalmente se sente aliviada, porque o semáforo passou da fase onde suas luzes piscam pela madrugada, na tentativa de seguir em frente. Nesse momento a vida deixa de existir, e a decisão do ato é um mero detalhe.

Quando saltou para a morte, aos quarenta e seis anos de idade, Anne Perlágio não tinha uma luz vermelha no semáforo. Ela simplesmente não tinha mais um semáforo para acender suas luzes. Na estrada em que sua vida seguia, havia apenas duas lanternas fracas e persistentes no acostamento, tentando iluminar o asfalto escuro e a negror absoluto onde sua alma estava submersa.


Uma semana antes.

Dizem que o amor deve ser algo bonito.

Eu acreditei nisso durante muitos anos, mas quando o vejo nos olhos de Scott Buonanotte, deixo de crer.

O que me havia sido uma noite de consolo e abrigo me desperta com a sensação de que a moralidade se despira da minha alma, e de que o corpo nu que se deita junto ao de Scottie é somente uma carcaça desalmada. Por um instante eu me aninho em seus braços, buscando o conforto da noite anterior. Eu olho no mar dos seus olhos inundados de amor e sorrio. Mas quando os avisto, não posso ignorar o que existe além deles. O que ainda existe dentro de mim. Ele está ali, no retrato, me fitando. E seus olhos celestiais são agora um oceano, encoberto de dor e decepção. “Pavel!”. Minha alma murmura com angústia, clamando por seu encontro.

- Bom dia! – meu corpo diz a Scottie enquanto escondo a sua vergonha, sentindo asco e repúdio de mim.

Eu me aproximo da janela e reclamo algo sobre o frio. Mas não há frio lá fora. Somente uma garoa fina. O frio que meu corpo reclama é o frio de minha alma.

Eu ergo os olhos para um dos retratos e novamente minha alma chama por Pavel.

- Eu te espero na mesa pro chá. – minha alma anuncia aos olhos celestes que me miram na fotografia.

No momento em que me vejo fora do quarto meu coração pára, e me sinto ainda nua. Estou despida de qualquer sentimento. Não há dor. Tudo o que sinto é um torpor. Um torpor diferente. Que em nada se assemelha as doses cavalares de antidepressivo, que inúmeras vezes quase me levaram a morte. Um torpor diferente dos desmaios de fome, dos pulsos cortados e da morfina que eu injeto no corpo para aplacar a dor da alma.

Dessa vez o meu corpo me responde como se estivesse contente. É como se ele ainda quisesse estar vivo. Mas basta meus olhos cruzarem com os rebentos azuis que me espreitam em cada parede da casa, que minha alma clama. “Pavel!”, ela me recorda quando tento me distanciar dos seus olhos, e mais uma vez, instintivamente, meu corpo a obedece e então meus rebentos procuram pelos dele a me fitar.

- Pavel! – eu murmuro em resposta à minha alma, enquanto meu peito angustiado se afunda num suspiro letárgico. – Pavel! – meus lábios repetem longe da minha consciência.

Então eu me lembro do chá...



Desde que passamos a viver juntos, cuidando da minha pequena filha, o Pavel aderiu ao meu chá. É engraçado porque esse não devia ser costume nem dele, um russo cosmopolita que sempre viajara o mundo; e nem meu, uma italiana nata e tradicional. Mas a vida na Inglaterra me ensinara o amor pelo chá das cinco, e toda a tarde tornou-se impossível não aguardar o retorno dele com nosso chá na varanda. Ele sempre ri quando eu sorvo lentamente a fumaça que fumega da xícara ainda cheia, ou quando estendo a mão em direção da chuva, que sempre derrama seu pranto em terra inglesa.

Enquanto as ervas são preparadas na água efervescente, eu apenas penso em Pavel. No seu sorriso ao chegar em casa. Em seus cabelos desgrenhados pelo molhar da chuva, porque o costume inglês de andar cotidianamente com o guarda-chuva a tira colo nunca pertenceu a ele. Em sua reação quando reclamo do frio. “Frio?!”. Eu posso ouvi-lo dizer com um riso de incompreensão. “Isso é um verão e tanto na minha terra!”, ele completa pondo a mochila sobre o sofá e me abraçando, enquanto tento servir nosso chá.

Eu o amo! Eu amo Pavel como nunca amei ninguém na minha vida. Eu o amo da maneira que sei que nunca serei capaz de fazer outra vez. E quando ele me abraça, eu sinto uma necessidade de ser dele para todo o sempre. O seu riso inunda minha alma de alegria. Eu me sinto viva. Eu me sinto a mulher mais sortuda daquele mundo, e minha alma implora por um beijo dele. Por algo mais... Minha alma já completa pela sua presença implora declarar tudo o que sente.  Entretanto, o meu corpo, ele não obedece meus instintos. Ele tem medo da rejeição e se mexe na tentativa vã de se desvencilhar das mãos de Pavel. Do seu abraço. Do som inebriante de seu sorriso.  Então ele ri e me aperta em seus braços. Eu escapo com um suspiro de alívio e pesar. Ele novamente ri, e sua gargalhada toma a casa. E quando penso que sou livre, ele me segura, me coloca contra a mesa e quase me beija. Nós rimos! Meus olhos se inundam de felicidade. A chaleira apita e eu ainda estou ali, parada diante do fogão.

Eu olho para trás. Não há mochila no sofá. E o único som que irrompe o silêncio é o da chaleira que ainda apita. Desligo a chaleira e olho o relógio à minha frente: nove horas da manhã. Eu penso no chá das cinco. Talvez Pavel chegue para o nosso chá. Mas sei bem quão vã é essa esperança. Ele não chegou para o chá e não chegará às cinco. O meu Pavel nunca mais retornará pra casa. Ele se foi... Eu olho para um dos retratos. “Pavel!”. Minha alma clama. E meus olhos se inundam de tristeza.

Quando me sento à mesa, eu ignoro a chuva lá fora. Olho a xícara vazia à minha frente, ela está ali por pura força do hábito.

- Pavel! – meus lábios murmuram de modo inconsciente.

Então eu sorvo de minha própria amargura servida em forma de chá.

Eu sinto a amargura me envenenar o espírito quando ouço passos. E olhando sob a xícara, encontro os mesmos olhos dos retratos. Uma parte minha tenta sorrir.

- Como está o chá? – a voz me revela que não é o mesmo homem. E o sorriso mergulha novamente pro abismo da minha alma.

- Amargo! – respondo com toda sinceridade que me é possível. -  Tão amargo quanto a vida sem Pavel. – minha alma regurgita sem pensar.

Nesse momento todo o torpor que me acompanha me abandona. E diante do filho do homem que ainda amo, eu me recordo da noite anterior. Uma noite suja, onde o vazio não parecia vazio. Onde eu sentia meu corpo inundado de alegria. Onde finalmente eu havia me sentido feliz outra vez. Eu olho a xícara a minha frente. Ela está vazia. E minha alma também. Então eu fito Scottie,e meu corpo estremece o querendo outra vez. Novamente eu sinto nojo de mim. Eu olho o retrato de Pavel na parede da sala, e me sinto culpada por ter sentido felicidade uma vez mais.

- Em nome do teu pai, espero que Deus possa nos perdoar. – eu digo ao garoto que me olha com um enorme pesar.

Ele se senta diante de mim, e me fita da mesma maneira apaixonada com o que o pai dele havia feito por longos anos. Posso notar que um brilho vitorioso, embora desenganado, paira em suas pupilas. Ele vencera o pai e tivera a mim de corpo e alma. “Alma.”. Meus lábios balbuciam. Eu novamente encaro o garoto e lembro da noite anterior. Eu estava realmente feliz. Eu ainda estou. Meus olhos buscam a xícara a minha frente, ela está cheia. Ela não é a força de um hábito. Ela é a presença de Scottie, na minha casa e na minha vida. Eu deixo minha mão deslizar pela toalha de mesa, ponho a mão sobre a dele. Ele sorri! Um turbilhão de felicidade deságua do oceano límpido dos seus olhos. Posso sentir todo seu amor, quando suas mãos apertam as minhas com ternura.

- Eu te amo, Anne – ele me confessa.

Eu me sinto feliz.




Segunda-feira - 26 de Outubro de 2014.

“O amor é lindo!”

Esse é meu pensamento quando acordo, e o perfume daquele garoto, dezoito anos mais novo, ainda está no meu corpo.

“Francamente, mãe! Esse carcamanozinho podia ser o seu filho.” Posso ouvir as palavras ácidas da minha filha que despreza sua origem e incompreende minha felicidade. “Na verdade mãe, se não fosse tão omissa aos seus próprios sentimentos, era bem capaz dele ser seu filho!”. Eu concordo com cada palavra. E essa certeza cruel me assombra assim que amanhece o dia.

- Mas o amor é lindo! – eu repito a mim mesma, enquanto me ajeito na cama.

Quando olho para o lado buscando algo que comprove minha crença, encontro. O meu presente matutino está ali, em forma de rosa escarlate com um bilhete de “Eu te amo!”. O amor é lindo, sim!  E embora Scottie não seja amor, ele ao menos o tem por mim.

- Bom dia! – o ouço anunciar com a voz plena de alegria e um gigantesco buquê de rosas em mãos.

- O que houve? – eu estranho o presente e a alegria.

- Nada. – ele afirma sentando ao meu lado – Hoje faz três anos que cheguei aqui. Três anos que encontrei você. – ele me explica.

- Três anos que me salvou de partir – o meu corpo fala, mas minha alma já não partilha da ideia.

Nenhuma palavra abandona os lábios dele nesse momento, mas parece-me que ele pode ouvir a mentira nas minhas palavras.

- Eu nunca precisei te salvar – ouço mais desesperança que discordância em sua afirmativa – Eu só quero que não esqueça o quanto eu te amo, Anne. Por favor! Eu te amo e sempre farei de tudo pra poder te ver feliz. – ele murmura, e então me aperta junto ao peito, enquanto seus lábios se espremem contra minha testa e eu sinto as lágrimas quentes escorrerem até meus cabelos, gotejando sobre o meu rosto.

E aquela cena que para Scottie é uma dor presente, arranca do meu âmago uma dor pulsante. Uma dor latente e antiga que eu há uma semana hibernava. É a mesma dor de vinte anos atrás. É a mesma frase, o mesmo abraço e o mesmo gosto amargo da despedida desesperada. Um sabor do inevitável.

- Pavel! – minha alma, meu corpo e tudo o que há dentro de mim, diz. – Pavel! – eu repito e meus olhos procuram a dezena de rebentos celestes que assistem o meu pecado – Me perdoa, Pavel! Me perdoa por tentar ser feliz sem você. – minha súplica destrona a alma do garoto que me tem nos braços.

Por um segundo, eu penso naquele garoto. Minha consciência tem um lampejo. Eu o destruo. Eu tenho consciência disso. Minha dor e minha súplica o despedaçam. Mas assim como o pai, ele me ama. Ele me aperta contra o peito, e me segura com um desespero genuíno.

- Por favor, Anne... Não! Por favor... – o medo toma conta da sua voz, seu corpo treme e em desespero, seus dedos me apertam com tanta força que me ferem. – Não me faça isso agora. Não depois de tudo. Droga, Anne! Por favor, não!

“Desculpa!”. Minha consciência grita. Eu quero pedir que ele me perdoe, mas todo o resto de mim apenas consegue clamar por Pavel. Meu corpo pede o seu abraço e o som inebriante do seu sorriso. E minha alma suplica por seu amor. “Me deixe, ir...”, minha alma pede ao garoto condenado que me retém nos braços. “Scottie, me deixe ir...”. Por um segundo ele me olha. Eu penso que sua alma me escuta, mas ela, surda, me ignora e ele me aperta em seus braços. Em um tom desesperado, ele mente. Me pede calma. Diz que amanhã tudo estará bem novamente. Eu entendo o recado.

- Eu apenas preciso de um tempo sozinha. – digo em resposta.

Quando Scottie sai do quarto e fecha a porta à suas costas, eu passo as quatro horas seguintes procurando um sinal de que devia seguir adiante. Mas eu não vejo nenhum sinal. Eu não enxergo nada além daqueles olhos celestes. Os rebentos que me fitam, me perseguem e que me convidam a viver uma vez mais. Eu não ouço mais nada, além da súplica eterna de minha alma: “Pavel!”, ela chama desesperadamente. Eu o fito novamente, e não há mais luz que não a de seus olhos. Meu corpo finalmente cede. Eu me encaminho aos armários. Lá estão todos os remédios que inúmeras vezes me juntaram ao grupo dos suicidas falhos, aqueles que a alma ainda busca de uma maneira errônea permanecer nesse mundo. Então embaixo da latrina, eu encontro a cereja do meu bolo. Uma dose letal de estricnina que me levará ao grupo dos bem sucedidos.

- Anne. – eu ouço a voz de Scottie na porta que se entreabre – Está tudo bem aí dentro?

“Pobre menino!”

- Sim! – eu minto – Mas são quase cinco horas, e eu lembrei que não tem chá. – dessa vez a mentira não é das mais completas. – Pode comprar um pouco de erva lá no centro?

- Precisa mesmo? – ele pergunta hesitante, como se pudesse prever minha decisão.

- O chá é importante, você sabe! – respondo, e ele me acata.




Faltam vinte pras cinco.

Eu carrego meus remédios e o frasco de estricnina pra cozinha. Esmago os comprimidos e esvazio o frasco na chaleira. Uma quantidade ínfima de água se junta à mistura letal.

Enquanto preparo o meu último chá, eu arrumo nossa mesa pela última vez. Eu ponho duas xícaras. Não mais por força do hábito. Aquela é a xícara de Pavel, logo serão cinco horas e ele sempre chega para o chá. Eu ponho um retrato dele sobre a mesa.Seus rebentos me envolvem e a chaleira apita. Eu sirvo nosso chá. Olho nos olhos apaixonados de Pavel. É incrível, mesmo depois de tantos anos, eu o amo!

Eu o amo como nunca mais poderia fazer na vida.


E finalmente depois de anos sorvendo a minha amargura, eu sorvo lentamente o veneno que faltava ao meu corpo.

Eu olho a xícara em frente.

Ela está vazia.



Eu olho o relógio.

- Cinco horas! – meus lábios lêem longe de minha consciência.

Meu corpo padece em vômitos incontroláveis, enquanto minha pele queima numa febre inumana. É o veneno que me carrega para junto dos bem sucedidos. Mais cinco minutos e finalmente estarei junto a ele. “Pavel!”, minha alma vislumbra nosso encontro, repleta de felicidade.  Dois minutos se passam e sinto o primeiro espasmo. A morte me aguarda, mas algo dá errado. Derrubada no chão por mais dois ou três espasmos, eu consigo ver a moto estacionar em frente a casa. “Scottie! Pobre menino. Não era pra estar aqui. Não era para me ver assim!”

Eu já não tenho controle sobre meu corpo quando ele se coloca acima de mim. Ele me vira de lado para que o vômito incontrolável não me sufoque, enquanto sua voz desesperada alterna entre as declarações de amor, as súplicas a Deus e o pedido de socorro ao telefone. Eu sinto meu corpo queimar, não mais pela febre, mas pelas lágrimas dele que deságuam sobre minha pele.

- Por favor, Anne. Não me deixa pelo amor de Deus, Anne. – ele suplica me tomando nos braços, enquanto tenta controlar os espasmos do meu corpo e, afastando o cabelo do meu rosto, me fita nas janelas da minha alma. – Meu amor, o socorro já vem. Fica aqui comigo, ok? Nós ficaremos felizes. Tá tudo bem. – Scottie afirma, mesmo sabendo que não está.

No fundo da consciência que me resta, enquanto dirijo na direção do meu fim, eu consigo avistar Scottie no acostamento. Ele está ali, com suas lanternas. Elas falham. Ele tenta desesperadamente reacendê-las, mas já não é possível. Quando passo por ele, assisto o desespero nos seus olhos. Então a luz se apaga atrás de mim.

Eu já não tenho mais ar nos pulmões, quando, em uma última súplica, meus olhos se abrem e encontram os de Scottie; e em meu último suspiro, eu termino a vida na maior das conclusões:

“O amor é triste! E Scottie era o amor!”
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zizgz



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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 9:44 am

É interessante esta história do veneno no chá das cinco. Eu não percebi muito bem a natureza das relações entre as personagens: Anne, Pavel e Scottie. Parece um triângulo de incompreensão e desencontro, mas talvez pudesse ser mais claro. Parece-me que Scottie (filho de Pavel?) é quem fica junto de Anne (Pavel se foi... morreu? fugiu?) e só quando está para morrer ela dá valor a Scottie. Não sei... ficou pouco claro para mim. Gostei da nota introdutória e da imagem dos semáforos.
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Nicolifs

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 10:02 am

Oii, Tammy! Toda vez que você posta um texto aqui no fórum , eu venho correndo para ler. Very Happy
Bom, eu o li duas vezes. A primeira, de uma forma descontraída, simplesmente para curtir e a segunda vez, para analisar. Por que eu faço isso? Para ter uma opinião emocional e outra crítica. Rsrs.

Então, vamos lá:
Eu adoro o jeito que você escreve, a forma como você expressa o desejo e a dor dos personagens. É como se você desse um toque de literatura antiga em seus contos.
No geral, achei incrível a história, faz-nos pensar até que ponto podemos enganar os nossos próprios sentimentos. Tentar refazer o nosso passado feliz com outro homem. O fato de ela ter encontrado alguém que tenha praticamente as mesmas características daquele que já foi para tentar preencher o vazio que ela sente. E isso não acontece. Ele, o presente, a ama e ela tenta fazer o mesmo mas se sente culpada, acredita que não possa ser feliz sem a presença do amado. Me mostra a fraqueza dela ao tentar ter se matado outras vez e ao fato de que a alegria dela dependesse de outra pessoa e não dela mesma. Enfim, ela repete ao longo do texto como o amor deve ser algo bonito mas termina dizendo que de fato não é. Deixou de acreditar quando escolheu ficar com o Scott. Prefiriu se matar a continuar fingindo um sentimento. É muito triste que a solução seja o suicídio.

Quanto aos erros da Lingua Portuguesa, somente a palavra "Pára" me chamou a atenção..Talvez tenha tido mais alguns, mas esse me deixou irritada. Rsrsrs. Sou muito chata com correções. Não existe mais esse acento de acordo com a nova ortografia. Eu sei que é muito mais bonito escrever assim para diferenciar do outro significado. Mas está errado. Que coisa feia! Rsrs Rsrs. Tirando isso, está okay!

Parabéns! Te vejo no próximo mês! Smile

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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 2:24 pm

Nossa, me arrepiou, não me emocionei porque não sou tão sentimental assim com escritas, mas se fosse uma cena de filme com sonoplastia e vídeo com certeza estava em prantos. Parabéns pelo excelentíssimo desfecho de Anne e sua jornada dolorosa entre seus amores. Parabéns pela condução que é estritamente corrente e centrada, não vejo pontas soltas nem tão pouco travamento de texto. Subgênero e tema não necessita ressalta-los. E o último parabéns pela harmonia, este combinado - faz de seus texto uma premissa de um belo romance. Continue assim, e logo teremos uma autora de sucesso dentre nós da Odisseia. Até Dezembro!

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Espero que leia os outros textos e deixe sua impressão. Te espero mês que vem. Sem mais!
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Heloá Magalhães



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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 5:31 pm

É muito bonito perceber a sua evolução a cada novo texto que publica, eles nunca estão no mesmo patamar, sempre há algo mais, um brilho maior que o anterior, e isso já faz de você uma excelente escritora, por conseguir progredir a cada mês, a cada estado de espírito. O que a Nicoli disse a respeito do "pára" fez todo o sentido, quando eu li esse vocábulo logo parei por alguns segundos, houve um corte quase imperceptível na leitura, mas houve (entretanto isso é uma coisa tão insignificante diante da grandeza do seu conto), só para constar mesmo. Ah... Mais uma coisa, o meio-fim e fim do texto fluiu muito bem, tem harmonia, tem musicalidade, mas o inicio não está fechando muito bem, digamos que está meio truncado, não de conteúdo, claro, mas na escolha dos conectivos, das palavras, acho que dá para melhorar isso, para que a leitura se torne mais suave e combine com a doçura do final. A qualidade do conteúdo do texto é incrível, me imaginei na história, nos conflitos internos da personagem, senti o sofrimento, o pulsar da dor em cada linha, em cada palavra, é incrível como conseguiu materializar sentimentos abstratos, acredite... Isso é a coisa mais difícil de fazer e você conseguiu e muito bem, enfim, eu amei o seu conto, o bater de um coração, de uma vida (mesmo que fictícia) polido em palavras brutas faz a mais bela das poesias, parabéns, de coração!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 9:19 pm

zizgz escreveu:
É interessante esta história do veneno no chá das cinco. Eu não percebi muito bem a natureza das relações entre as personagens: Anne, Pavel e Scottie. Parece um triângulo de incompreensão e desencontro, mas talvez pudesse ser mais claro. Parece-me que Scottie (filho de Pavel?) é quem fica junto de Anne (Pavel se foi... morreu? fugiu?) e só quando está para morrer ela dá valor a Scottie. Não sei... ficou pouco claro para mim. Gostei da nota introdutória e da imagem dos semáforos.

Sobre os contextos das relações, eu pedi para que lessem um conto anterior a esse, meu conto de Agosto. Pois este seria esclarecedor do contexto relacional situado no conto. Se possível o leia e terá maior compreensão do conto.

Essa analogia do semáforo foi um grande insight que me acompanha a algum tempo ^^'
Fico feliz que tenha curtido Smile
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 9:34 pm

Nicolifs escreveu:
Oii, Tammy! Toda vez que você posta um texto aqui no fórum , eu venho correndo para ler. Very Happy
Bom, eu o li duas vezes. A primeira, de uma forma descontraída, simplesmente para curtir e a segunda vez, para analisar. Por que eu faço isso? Para ter uma opinião emocional e outra crítica. Rsrs.

Então,  vamos lá:
Eu adoro o jeito que você escreve, a forma como você expressa o desejo e a dor dos personagens. É como se você desse um toque de literatura antiga em seus contos.
No geral, achei incrível a história, faz-nos pensar até que ponto podemos enganar os nossos próprios sentimentos. Tentar refazer o nosso passado feliz com outro homem. O fato de ela ter encontrado alguém que tenha praticamente as mesmas características daquele que já foi para tentar preencher o vazio que ela sente. E isso não acontece. Ele, o presente, a ama e ela tenta fazer o mesmo mas se sente culpada, acredita que não possa ser feliz sem a presença do amado. Me mostra a fraqueza dela ao tentar ter se matado outras vez e ao fato de que a alegria dela dependesse de outra pessoa e não dela mesma. Enfim, ela repete ao longo do texto como o amor deve ser algo bonito mas termina dizendo que de fato não é. Deixou de acreditar quando escolheu ficar com o Scott. Prefiriu se matar a continuar fingindo um sentimento. É muito triste que a solução seja o suicídio.

Quanto aos erros da Lingua Portuguesa, somente a palavra "Pára" me chamou a atenção..Talvez tenha tido mais alguns, mas esse me deixou irritada. Rsrsrs. Sou muito chata com correções. Não existe mais esse acento de acordo com a nova ortografia. Eu sei que é muito mais bonito escrever assim para diferenciar do outro significado. Mas está errado. Que coisa feia!  Rsrs Rsrs. Tirando isso, está okay!

Parabéns!  Te vejo no próximo mês!  Smile

Oun, Nicoleta!
Como me deixa contente ler que gostas de me ler. =)

Eu realmente tenho um apreço enorme por literatura clássica e amo o enfoque psicológico em personagem. Mas também o que dizer de mim? Faço Psicologia, né?!

Também me sinto contente que tenho captado o principal do conto, a essência, da alma destruída da Anne.
E nem entrarei em méritos do severo quadro clínico que gera total comprometimento afetivo e fugas da realidade.
O enfoque é a alma despedaçada, o desengano. É essa última tentativa de recuperar a vida que finda no inevitável.

E agora o polêmico PÁRA.
A exigência do uso das novas regras ortográficas foi adiado pra 2016, portanto, ainda estou certa =)
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 9:42 pm

Ademar Ribeiro escreveu:
Nossa, me arrepiou, não me emocionei porque não sou tão sentimental assim com escritas, mas se fosse uma cena de filme com sonoplastia e vídeo com certeza estava em prantos. Parabéns pelo excelentíssimo desfecho de Anne e sua jornada dolorosa entre seus amores. Parabéns pela condução que é estritamente corrente e centrada, não vejo pontas soltas nem tão pouco travamento de texto. Subgênero e tema não necessita ressalta-los. E o último parabéns pela harmonia, este combinado - faz de seus texto uma premissa de um belo romance. Continue assim, e logo teremos uma autora de sucesso dentre nós da Odisseia. Até Dezembro!

Estás cansado de saber como tua opinião me é demasiadamente importante, né?!
Então me arrancas um sorriso gigantesco ler tamanhos elogios vindo de ti, mesmo porque, não sei se te recordas, mas o conto que antecede a este é aquele mesmo, no qual me empenhem inteiramente, porque tu tinhas enorme expectativa quanto ao que eu traria para o grupo em matéria de Romance/Mitologia Grega.
Eu confesso que em ambos os gêneros, eu me sinto em casa.
E fico muito contente que goste de estar nessa minha casa, e acredite sempre será bem vindo, com tuas críticas e elogios.

Eu realmente pretendo investir em Anne.
Nada mais justo depois de sete anos de companhia dela ao meu lado.

Nem comentarei isso de autora de sucesso, me deixa sem graça Embarassed
E muito feliz rsrsrs
Mesmo sucesso sendo um conceito relativo.

Obrigada novamente, xerife!

E te espero aqui mesmo, em Novembro. Wink

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 03, 2014 9:52 pm

Heloá Magalhães escreveu:
É muito bonito perceber a sua evolução a cada novo texto que publica, eles nunca estão no mesmo patamar, sempre há algo mais, um brilho maior que o anterior, e isso já faz de você uma excelente escritora, por conseguir progredir a cada mês, a cada estado de espírito. O que a Nicoli disse a respeito do "pára" fez todo o sentido, quando eu li esse vocábulo logo parei por alguns segundos, houve um corte quase imperceptível na leitura, mas houve (entretanto isso é uma coisa tão insignificante diante da grandeza do seu conto), só para constar mesmo. Ah... Mais uma coisa, o meio-fim e fim do texto fluiu muito bem, tem harmonia, tem musicalidade, mas o inicio não está fechando muito bem, digamos que está meio truncado, não de conteúdo, claro, mas na escolha dos conectivos, das palavras, acho que dá para melhorar isso, para que a leitura se torne mais suave e combine com a doçura do final.  A qualidade do conteúdo do texto é incrível, me imaginei na história, nos conflitos internos da personagem, senti o sofrimento, o pulsar da dor em cada linha, em cada palavra, é incrível como conseguiu materializar sentimentos abstratos, acredite... Isso é a coisa mais difícil de fazer e você conseguiu e muito bem, enfim, eu amei o seu conto, o bater de um coração, de uma vida (mesmo que fictícia) polido em palavras brutas faz a mais bela das poesias, parabéns, de coração!

Menina Heloá, que comentário mais lindo o seu.
Obrigada por dizer que tenho evoluído, e tenho de concordar que possivelmente esse é o melhor conto que postei até agora no fórum.
Ou ao menos o mais honesto.

Essa questão de expressar a dor, eu confesso que não foi das mais difíceis sabe?!
Anne me acompanha a longos anos, é basicamente um alter-ego meu, minha parte triste e a personificação do meu medo do amor triste e fadado ao insucesso, o medo da solidão que vislumbra o que se perdeu. Ou seja, a muita coisa significativa em cima de Anne, e sempre me foi fácil sentir o que ela sentia. Então dou o mérito de toda dor e sentimento à Anne e não a mim.

Sobre o Pára...
Tenho até 2016 pra parar de usar Wink
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Carol Rodriguez

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Sex Nov 07, 2014 9:58 am

O plano era: intercalar essa leitura com a matéria que estou escrevendo no estágio. Ai eu vim ler seu conto e não consegui mais parar.

O suicídio me é um assunto bastante sensível. Sempre achei meio exagerado quem o faz por amor ao outro e não por si mesmo, já que vejo isso como uma saída, uma fuga de si mesmo, independente de relacionamento com terceiros. Mas esta é a minha visão.
No entanto, você conduziu a estória com maestria e me fez entender que, neste caso em especial, o suicídio talvez fosse mesmo a única escapatória para Anne.
Achei algumas vírgulas erradas, mas nada que não possa ser ignorado ou trocado de lugar. E eles tem razão: você está sempre evoluindo.
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Sex Nov 07, 2014 10:29 pm

Carol Rodriguez escreveu:
O plano era: intercalar essa leitura com a matéria que estou escrevendo no estágio. Ai eu vim ler seu conto e não consegui mais parar.

O suicídio me é um assunto bastante sensível. Sempre achei meio exagerado quem o faz por amor ao outro e não por si mesmo, já que vejo isso como uma saída, uma fuga de si mesmo, independente de relacionamento com terceiros. Mas esta é a minha visão.
No entanto, você conduziu a estória com maestria e me fez entender que, neste caso em especial, o suicídio talvez fosse mesmo a única escapatória para Anne.
Achei algumas vírgulas erradas, mas nada que não possa ser ignorado ou trocado de lugar. E eles tem razão: você está sempre evoluindo.

Hahaha desculpa atrapalhar teus estudos, Carol.

Teu comentário alegrou ainda mais minha madrugada.
Eu tenho n concepções do suicídio, e embora eu como estudante de Psico não deve-se dizer isso, eu penso que no caso de Anne, ele realmente era a única escapatória. Ela ia além de um quadro clínico de grande comprometimento socioafetivo, era basicamente questões espirituais eu creio... Difícil explicar.

E as vírgulas... aaah, as vírgulas sempre serão meus problemas. :p

E muito obrigada por ajudar nessa evolução com suas críticas.
Da mesma maneira que agradeço os demais.


Estou ansiosa pelo teu conto.
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Rogério Silva

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 24, 2014 11:35 am

Tammy

Posso dizer que li a fundo seu texto!  Very Happy Very Happy Wink

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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Nov 24, 2014 8:55 pm

Rogério Silva escreveu:
Tammy

Posso dizer que li a fundo seu texto!  Very Happy Very Happy Wink

E quando vem aquela crítica que cê num entende de todo? Hahaha
Estou tomando isso como um elogio, espero estar certa.

Obrigada ^^"

E até Dezembro
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talysmcidreira



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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Dez 01, 2014 6:27 am

Olá Tammy.
Já havia lido o texto e confesso que fiquei apaixonado pela maneira que você escreve. Voltei a lê-lo para dar minhas considerações. A sua narrativa é excelente, você a faz com perspicácia. O ponto forte do seu trabalho (pelo menos neste primeiro texto seu que li) é a carga dramática. A emoção é algo que você conseguiu passar com extrema facilidade. Fiquei realmente emocionado ao lê-lo ( segurei lágrimas), talvez por que realmente me entreguei profundamente a dor de Anne. Mas não, você consegue extrair de fato esse sentimento do seu leitor. Confesso que procurei observações para argumentar, mas não há o que interferir na sua geniosa criação.
Parabéns!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Dez 01, 2014 6:47 am

talysmcidreira escreveu:
Olá Tammy.
Já havia lido o texto e confesso que fiquei apaixonado pela maneira que você escreve. Voltei a lê-lo para dar minhas considerações. A sua narrativa é excelente, você a faz com perspicácia. O ponto forte do seu trabalho (pelo menos neste primeiro texto seu que li) é a carga dramática. A emoção é algo que você conseguiu passar com extrema facilidade. Fiquei realmente emocionado ao lê-lo ( segurei lágrimas), talvez por que realmente me entreguei profundamente a dor de Anne. Mas não, você consegue extrair de fato esse sentimento do seu leitor. Confesso que procurei observações para argumentar, mas não há o que interferir na sua geniosa criação.
Parabéns!

Eu nem sei por onde começar a réplica. Rsrs
Eu acho que devo começar dizendo o quanto ela me deixou feliz.
Não há nada que me valha mais do que ter minha escrita reconhecida, e é eu tenho um viés bem puxado pro drama, isso sempre eu tento trazer na minha escrita. E meus laços com Anne são tão fortes que era impossível não passar o que ela sente pra cá, mas confesso que tive medo do leitor não captar, não absorver essa dor. E saber que o fez me gratifica!

Obrigada!
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Queirós

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Dez 01, 2014 5:02 pm

Tammy Marinho,
Quando deparei-me com Anne sofrida em frente aos quadros espalhados pelo palácio de Laio; os olhos, a tristeza e tudo, pensei que você se repetiria, porque todos esses aspectos já me foram entregues nas precedentes narrativas dessa entorpecente trindade dos amorosa. Todavia, não tardou para que eu percebesse que estava diante da obra final.

Diremos primeiro do alicerce que sustém a sua história: essa concatenação comovente da tristeza em Anne me deixa entusiasmado! Aliás, é uma base com a qual tenho familiaridade, existe um conto meu - conhecido dos colegas mais antigos - que trata especificamente da tristeza profunda, que tem um efeito de certa forma parecido com "O Último Chá das Cinco". Assim, tenho uma leve ideia de como é construir certa coisa com um peso na garganta, um aperto lá no imo que conduz o pincel pela melancolia.

Esse vínculo que há entre o chá das cinco e o desfecho é fascinante! Outra coisa que me parece fantástica é a franqueza com que os sentimentos da Anne se manifestam nesse terceiro conto. Nos outros, se bem me lembro, era de forma implícita.

"- Amargo! – respondo com toda sinceridade que me é possível. -  Tão amargo quanto a vida sem Pavel. – minha alma regurgita sem pensar."

O confronto dolorido que há na Anne se acentua, vê-se que as arquitraves já estão deterioradas, os paliativos se tornam insuficientes; se bem que já eram nos outros contos, porém Anne manejara viver assim mesmo, sofrendo com a depressão distímica que, aqui, torna-se severa. Tome um cuidado maior com a temporalidade na narrativa: dezoito anos após a morte do Pavel e ainda sofrer dessa forma me parece um tanto inverossímil. Apesar de que, claro, vivendo no palácio de Laio, tinha-se lá bastante lembranças todos os dias. Não obstante, dezoito anos apaga qualquer coisa.

Excelente desfecho de sua saga.
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Seg Dez 01, 2014 9:50 pm

Queirós escreveu:
Tammy Marinho,
Quando deparei-me com Anne sofrida em frente aos quadros espalhados pelo palácio de Laio; os olhos, a tristeza e tudo, pensei que você se repetiria, porque todos esses aspectos já me foram entregues nas precedentes narrativas dessa entorpecente trindade dos amorosa. Todavia, não tardou para que eu percebesse que estava diante da obra final.

Diremos primeiro do alicerce que sustém a sua história: essa concatenação comovente da tristeza em Anne me deixa entusiasmado! Aliás, é uma base com a qual tenho familiaridade, existe um conto meu - conhecido dos colegas mais antigos - que trata especificamente da tristeza profunda, que tem um efeito de certa forma parecido com "O Último Chá das Cinco". Assim, tenho uma leve ideia de como é construir certa coisa com um peso na garganta, um aperto lá no imo que conduz o pincel pela melancolia.

Esse vínculo que há entre o chá das cinco e o desfecho é fascinante! Outra coisa que me parece fantástica é a franqueza com que os sentimentos da Anne se manifestam nesse terceiro conto. Nos outros, se bem me lembro, era de forma implícita.

"- Amargo! – respondo com toda sinceridade que me é possível. -  Tão amargo quanto a vida sem Pavel. – minha alma regurgita sem pensar."

O confronto dolorido que há na Anne se acentua, vê-se que as arquitraves já estão deterioradas, os paliativos se tornam insuficientes; se bem que já eram nos outros contos, porém Anne manejara viver assim mesmo, sofrendo com a depressão distímica que, aqui, torna-se severa. Tome um cuidado maior com a temporalidade na narrativa: dezoito anos após a morte do Pavel e ainda sofrer dessa forma me parece um tanto inverossímil. Apesar de que, claro, vivendo no palácio de Laio, tinha-se lá bastante lembranças todos os dias. Não obstante, dezoito anos apaga qualquer coisa.

Excelente desfecho de sua saga.

Oh! Que peso tem esse "excelente" ainda mais vindo de alguém que conheceu toda saga do luto de Anne Perlagio.
Pois, é... corri o risco de me repetir, mas dessa vez posso dizer que me senti feliz e satisfeita com o resultado, penso que era impossível não entregar inteiramente minha alma. Na verdade, penso que esse é o conto onde mais me dei.

E quanto suas ressalvas dessa vez terei de rebatê-las.
Anne sofre um quadro profundo de Melancolia, e não de Distimia como tu supôs (eu não sei até onde vai seu conhecimento sobre tais transtornos, mas tem níveis de gravidade)

E sobre ser inverossímil, eu preciso discordar não por experiência própria, mas por convívio com pessoas que apresentam graves quadros de Melancolia por lutos que datam cerca de 40 anos.
Então embora raros existem casos que o tempo não apaga
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Vinícius Tadeu



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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Sex Dez 05, 2014 5:21 pm

Tammy, terminei de reler seu conto.
Lógico que gostei, leio duas vezes apenas quando gosto; senão rejeito já na primeira leitura.
Posso dizer sem medo de errar que você já fixou um estilo literário.
Parabéns e sucesso!
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Tammy Marinho

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MensagemAssunto: Re: O Último Chá das Cinco   Sab Dez 06, 2014 9:00 am

Vinícius Tadeu escreveu:
Tammy, terminei de reler seu conto.
Lógico que gostei, leio duas vezes apenas quando gosto; senão rejeito já na primeira leitura.
Posso dizer sem medo de errar que você já fixou um estilo literário.
Parabéns e sucesso!

Meus sinceros agradecimentos, Vinicius.
Me é muio importante receber as devolutivas que o grupo me proporciona, e quando alguém me aponta que minha escrita já tem patamares fixados me é sobretudo, deveras significante.

Novamente, muito obrigada!
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