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 O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS

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Stephanye Patricio

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MensagemAssunto: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Qua Jun 25, 2014 7:16 pm

Em uma visita ao manicômio, estudantes de psiquiatria estavam eufóricos para saber das histórias de todos os pacientes. O grupo então se aglomerou na porta de uma jovem, onde na porta consta apenas um nome: “Elizabeth (Liz)” . O instrutor e diretor que os acompanhava começou a falar com sua voz mais afeminada e intelectual que apresentara até aquele momento:

“Elizabeth tinha apenas dezesseis anos quando foi considerada morta. Mas o motivo ninguém sabe, já que seu corpo jaz em estado vegetativo em um manicômio. Vive sedada. Dizem por aí que ela é assim desde a adolescência, já se passaram quase dez anos sem que houvesse alguma mudança. Mas o que a levou a ficar desta maneira? O que a levou a ficar inconsciente? O que acontece caso ela acorde? Eu vou lhes contar a história.
Para uma adolescente da idade dela, nada era melhor do que o dia dos namorados, nada era mais emocionante do que receber flores, chocolates, cartas e bilhetes de amor. Em sua escola, ela tivera a maior surpresa de todas, recebera um buquê de flores de seu namorado Thomas, era mais velho, já estava na faculdade e ela o conhecera através de seu irmão. O Thom era sempre gentil e carinhoso, mas desejava levá-la para a cama como qualquer outro rapaz; tendo prometido alguns meses antes, Liz (como gostava de ser chamada) iria para a casa dele depois da escola, para enfim poder ter sua primeira vez. Era tudo tão perfeito e tão maravilhoso que ela não podia imaginar que aquele seria sua primeira e ultima comemoração do dia dos namorados.
Assim que saiu da escola, foi direto para a casa dele. Estariam sozinhos, mas tudo indicava que algo daria errado. Não se importava, ela não tinha a menor vontade de voltar atrás em sua decisão. Thom era o amor de sua vida e faria aquilo com ele, ele mesmo dizia “se não for minha, Liz, não será de mais ninguém”, sabia que era o certo a se fazer em meio a estas promessas. Doce ilusão adolescente. Assim que chegou e tocou a campainha, ele abriu a porta com um sorriso malicioso no rosto, um sorriso que ela retribuiu com malicia, apesar de não perceber a diferença do brilho nos olhos dele. Ambos nem trocaram um cumprimento e já se atracaram em beijos e abraços, apertões e mãos bobas enquanto ele a guiava para dentro de seu quarto. O horror iria começar. Ele estava eufórico e ela tímida, com medo.

- Thom, vamos com calma, eu estou nervosa. – Dizia ela tentando afastá-lo gentilmente, mas ele não parecia se importar, continuava investindo para cima dela soltando “elogios” como gostosa, delicia e ia baixando o nível até chamá-la de puta. Quando o fez, ela o empurrou com força. – Está louco, Thomas? Não sou uma puta! – Estava incrédula e o fogo que ela tinha dentro de si se apagou tão rápido quanto quando ascendeu.

- Sua cadela! Você vai dar pra mim e pra mais ninguém, não vai ver a luz do dia nunca mais. – Ele desferiu um tapa no rosto dela, que a garota foi parar no chão. Quando ergueu os olhos viu que ele estava diferente do que costumava ser, ao olhar ao redor, viu uma pilha de remédios espalhados pelo quarto. O rosto dele estava transformado, pálido, com um sorriso horroroso nos lábios. Dali para frente, tudo pareceu desmoronar para Elizabeth.
Ele avançou para cima dela novamente e ela só teve tempo de virar um tapa no rosto dele que voltou em fúria e lhe desferiu outro tapa, ambos ficaram brigando até Thomas prendê-la no chão com as pernas e uma mão só segurando os dois punhos dela. Rasgou a roupa toda de Elizabeth e abriu sua própria calça numa tentativa de estuprá-la. Em seu real desespero, sem pensar em absolutamente nada, a garota conseguiu soltar uma de suas pernas, acertando-o em cheio no meio das pernas. Empurrou-o e chutou sua barriga antes de pegar a primeira camiseta que estava jogada no quarto dele que agonizava de dor. Correu para fora e a porta da casa estava trancada, sem a chave; logo ele estaria atrás de si e tinha de correr para se proteger. Os urros dele estavam deixando-a ainda mais nervosa. Tremendo foi até a cozinha onde pegou uma faca de cortar carne, cortou o próprio dedo para saber se o corte estava bom em um descuido.
Foi quando sentiu um cheiro horrível de carne queimada e podre. Olhando sempre para a porta da cozinha, abriu o forno e o que viu a fez gritar. Dentro do forno tinham pedaços de gente, carbonizados. Um braço, um pé, um seio e na parte debaixo do forno uma cabeça, não conseguiu identificar quem era, mas correu dali e os únicos cômodos livres eram a sala, quarto dos pais e banheiro da casa dele. Para onde ela iria, não tinha a menor idéia, correu então para a primeira porta que viu pela frente. Outro grito de horror. Ali seria o seu fim. Seu pai estava com o rosto roxo, uma corda no pescoço e estava pendurado na forte armação de ferro da janela e seu próprio irmão estava com o pescoço cortado sobre a cama com uma expressão de pavor. Foi até seu irmão e o abraçou com força se sujando inteira de sangue, o sangue de seu irmão. Chorando desesperada, ouviu a porta bater e olhou com um ódio que nem ela sabia que tinha. Ele foi para cima de Elizabeth.

- Você vai morrer como uma cadelinha, Elizabeth, ah vai... – Falou com uma voz grave, esticou a mão na direção do pescoço da menina e quando ele encostou sua mão imunda no pescoço dela, a menina enfiou a faca que havia pegado na cozinha bem na barriga do garoto.

- Isso é por matar meu irmão e meu pai, seu monstro. – Gritou colocando sua ira toda pra fora. O empurrou até que ele caísse na cama – Você queria me comer? Mas você não vai! – Retirou a faca deixando o sangue dele jorrar em seu corpo e seu rosto. Enfiou a faca novamente no peito dele e repetiu os movimentos até não agüentar mais. Ele cuspia sangue e já estava morto quando ela finalmente parou, mas não resistiu e rasgou a garganta de Thomas com a faca e a barriga já toda furada ela rasgou com as mãos. Gritando e xingando-o de tudo o que conseguia imaginar por ter matado as únicas pessoas que mais amava. Seu dia dos namorados havia acabado em puro desespero.
Elizabeth foi encontrada no mesmo dia por bombeiros e foi considerada inimputável de forma que deveria viver sedada por ser um risco à humanidade. Mas há controvérsias...

O grupo de estudantes que estavam ouvindo de forma chocada toda aquela história não se deram conta de que a história havia acabado e que a garota não estava mais na cama deitada. Recuaram alguns passos batendo contra a parede ao olharem para o instrutor que sorriu com os dentes cheios de sangue, a porta se abriu num estampido ao bater na parede; Elizabeth e o instrutor avançaram para cima dos estudantes de psiquiatria naquele dia 12 de junho de 2014.
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Carol Rodriguez

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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Qua Jun 25, 2014 8:13 pm

GENTE, que perfeito!
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Patricia Souza
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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Qua Jun 25, 2014 8:14 pm

Reli o texto e lembrei, dessa vez, de procurar no dicionário o significado de Inimputável. Bem prolixa, essa menina, meu deus!! xD
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Ademar Ribeiro

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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Qui Jun 26, 2014 3:02 pm

Arrasou, caraca, por isso demoraram tanto para publicar, um conto mais aterrador que o outro. Na próxima não me precipitarei mais. Só uma critica. A cena do ato amoroso até a morte de Thomas se passou em flashes, muito rápido, esse é o real terror do conto, a família dela, se valorizasse um pouquinho mais seria ainda melhor. Uma indagação: a mulher dentro do forno era a mãe dela?


Última edição por Ademar Ribeiro em Sex Jun 27, 2014 4:39 pm, editado 1 vez(es)
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Ana Magalhaes



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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Sex Jun 27, 2014 12:23 am

Morri. Caramba sem duvidas o melhor. Que imaginação. To sem palavras.
Maravilhoso e chocante. Totalmente chocante.
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Queirós

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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Seg Jun 30, 2014 2:30 pm

Vamos juntos, Stephanye;
o salto é gigante demais para tão poucas palavras. Thomas era sempre gentil e carinhoso, até o parágrafo seguinte, onde a gente sente cheiro de carne humana queimada saindo do forno. Também acho desnecessário e confuso a família da Elizabeth na casa do Thomas. Na minha impressão como leitor, isso é confuso e arbitrário. Por que o Thomas os mataria se estava tudo bem entre ele e a Elizabeth? Por que os mataria logo na sua casa? O que faziam eles na casa do Thomas?! O seu personagem tem uma personalidade complexíssima, você teria de dissecá-lo e apresentá-lo em partes pra gente, trazendo mais profundeza a narrativa. Para que você me entenda melhor, leia o conto da Estela, "Não era uma sexta feira comum".

No lugar da família da Elizabeth, faria mais sentido mais familiares do Thomas, será que isso não traria mais estabilidade para sua história?
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Estela Goldenstein

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MensagemAssunto: Re: O ÚLTIMO DIA DOS NAMORADOS   Seg Jun 30, 2014 10:40 pm

Menina espirrou sangue em mim aqui rs, eu tbm fiquei me perguntando como o pai e o irmão foram parar na cena? e de quem erram as partes de corpos no forno?e ela na hora do desespero iria abrir o forno? Sua história e ótima a introdução no hospício e tal, faz uma Releitura e alguns ajustes q vai ficar perfeito! Parabéns
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